As Lágrimas do Esquecido
2 Capítulo II - Resume
Notas iniciais
Sinto uma força me puxando para baixo, era extremamente forte e apenas caio de joelhos deixando a espada ao lado, olho para o lado e tudo que via além dos corpos mutilados eram calçados negros que vinham caminhando em minha direção. Minha visão vai ficando turva, e então ao escutar o barulho das passadas eu simplesmente apago...
Sinto um choque, e acordo desesperado com olhos arregalados, vejo um teto branco e diversas pessoas vestidas com roupas igualmente brancas ao meu redor.
— Ele acordou! – Uma enfermeira dizia, eu não sei como eu estava me sentindo no momento, mas senti que podia sentar na cama, então eu assim o fiz, olhei para todos que me olhavam assustados, então percebi que haviam vários fios grudados ao meu corpo, os retirei rapidamente com aquelas pessoas tentando me impedir, eu gritava “Estou bem, estou bem!”. Mas elas pareciam não me ouvir.
Após um tempo de uma bateria de exames eles me liberaram, percebi que alguém havia me trazido roupas, elas não eram minhas mas pareciam servir...
Escuto batidas no vidro do meu quarto, olho e vejo um homem estranho, aparentava tem 30 anos, seus os olhos alaranjados me causavam calafrios. Ele tinha longos cabelos brancos presos em um rabo de cavalo, e um sorriso sarcástico, ele entra em meu quarto e reparo que ele estava com um crachá de visitante. Suas roupas eram um sobretudo negro e um blazer branco, juntamente a uma calça branca e um sapato social preto por baixo.
— Olá, meu nome é Joshua, mas aqui na terra vocês me conhecem como Satan. – Ele estende sua mão a mim, e a partir daquele momento eu estava me lembrando de tudo, como um Flash Rápido do que acontecera no dia anterior. – Sim, sinto que você se lembra agora das alucinações de ontem. – Ele dizia olhando com o canto dos olhos para mim.
— Sim eu me lembro... – Por um lado eu estava feliz, nada daquilo era real, e minha vida ia mudar... Mas por outro eu me sentia triste, ninguém da minha família havia vindo me visitar... – Minha mãe ou alguém, estão aqui?
— Não... Sinto muito, ligaram para sua casa daqui do hospital mas estavam todos viajando, e bem, parece que você – Ele coloca seu indicador em meu peito. – Não foi convidado. – Ele completa.
— Era tudo que eu precisava saber, vamos. – Saio pela porta, e Joshua vem logo atrás.
— Ei, espere Lucio. – Joshua diz, ele vinha me acompanhando ao meu lado então coloca sua mão em meu ombro me fazendo parar. – Você tem certeza? Nem disse os termos, ou o que ocorrerá daqui pra frente. – Soou como uma ameaça, mas a essa altura eu nem mesmo me importava.
— Só tirar sua mão do meu ombro, que assim que sairmos por aquela porta os termos são o que menos vão importar, eu garanto. – Eu digo e então Joshua tira sua mão de meu ombro, nos dirigimos para a saída do hospital e ao sair sinto como se tivesse passado por uma barreira, olho para Joshua que estava desenhando algo no ar.
— Foram suas palavras, só estou desfazendo o Feitiço de Contrato. – Ele então segue em meu encontro e atravessamos a rua até uma lanchonete logo em frente ao hospital, estava faminto, entramos na lanchonete e eu logo peço um pedaço de Torta de Frango, Joshua pede apenas um suco de maçã, nos sentamos e então pago a garçonete.
— Então, como vai ser? – Pergunto a ele de boca cheia.
— Como vai ser o quê? – Ele responde se fingindo de desentendido.
— Você mesmo disse algo sobre eu ser o escolhido, só estou perguntando pra quê e como vai ser, se eu vendo minha alma à você ou o quê. – Pergunto mastigando mais um pedaço de minha torta.
— Garoto, você acha mesmo que eu, Joshua, o segundo em comando do Inferno peço permissão pra pegar almas? Não, eu vou lá e pego, simples assim. Mas, como você perguntou... – Ele responde tomando um gole de suco ao final. – Você é um dos 6 escolhidos entre nós demônios, ou Exilados. Chame como quiser. – Ele completa.
— Escolhidos para...?
— O Apocalipse claro. – As palavras dele foram como um choque, eu esperava alguma guerra angelical, mas um Apocalipse? Algo que acabará com a Terra...?
— A-Apocalipse? Tipo, soltar os Demônios, libertar Lúcifer? – Joshua cai na risada.
— Soltá-los? Eles sempre estiveram soltos, não está me vendo aqui? Lucifer é o primeiro comandante do Inferno, ele nunca esteve preso, na verdade ele fica mais aqui, na Terra, que no Inferno. – Ele diz. – É o seguinte, a partir de agora você é o meu escolhido, há algumas coisas que precisa saber... Por exemplo: Satan, Asmodeus, Leviatan, Abaddon, Mammon e Lilith, nesta ordem somos os 6 Regentes, claro esses são seus nomes “Fictícios” e: Lucio, Angelina, Thiago, Pietro, Jessica e Daniel, nesta ordem os 6 Escolhidos... E Bem, no lado dos Anjos nossos informantes ainda não sabem quem são.
— E o que teremos que fazer, nós 6? Iremos nos encontrar ou algo assim? – Pergunto.
— Hm... Vocês vão se matar. – Ele 2C não sei por que não me assustei, já esperava algo assim. – Claro só os escolhidos, é por uma questão de força, nunca os regentes, as baixas para o inferno seriam enormes já que nós 6 somos os mais fortes de lá, claro, muito abaixo de Lucifer, mas ainda sim.
— Lucifer... O quanto ele é.... Forte?
— O suficiente para dizimar a Terra em um dia. – Joshua diz calmo pedindo um outro suco de maçã.
— Sabe, vocês demônios... Parecem tão civilizados, não chegam perto da ideia de que as pessoas tem de vocês. – Digo, Joshua olha para mim e solta um sorrisinho. A garçonete lhe entrega seu suco de maçã, então...
— “Dezeno Mortartes.” – Ele estala os dedos e as 10 pessoas que estavam na lanchonete caem no chão mortas. Fico perplexo olhando aquilo, ele continua tomando seu suco de maçã.
— Viu? A morte é uma arma dos demônios, nem tanto... Mas ainda sim. – Ele se levanta, deixando a caixinha de suco de maçã na mesa e vai andando porta afora. Faço o mesmo com minha torta.
XX
— Então... Joshua, qual o próximo passo? – Pergunto.
— Bem... Vamos andando que eu lhe conto. – Ele diz, então começo a andar de seu lado... Sentia um frio estranho, mas na hora era irrelevante.
— Ok, pode começar a contar coisas como... Teremos que matar os anjos? – No momento que digo isso ele olha para mim com uma cara de quem havia acabado de escutar um debiloide.
— Matar anjos? Não se matam anjos! – Ele exclama. – Se prendem anjos. – Ele gesticula com as mãos, fazendo um quadrado.
— Como assim prender? Em jaulas? – Digo, desviando de um poste.
— Ao longo dos milênios nós nos preparamos para essa guerra, que sabíamos que estava por vir, mas mesmo assim, nunca encontramos uma maneira de matar Anjos, eles são pura energia, não se mata energia. Eu já fui um anjo e sei como é se sentir assim. – Joshua diz, e no fim de sua frase, por um momento... Eu senti uma tristeza em seu olhar, enquanto ele olhava para as nuvens com ternura.
— É verdade então a história dos anjos que caíram do céu? Sabe... Eu nunca acreditei em coisas assim.
— Pode acreditar, é verdade, mas... Não é totalmente verdade. Quando caímos não foram separadamente, mas todos de uma vez, e acredite mais uma vez, não foi por guerra. – No momento que ele diz isso uma mulher de vestido vermelho e olhos verdes passa por nós, eu sinto algo de estranho em sua presença, era diferente, era como se acabasse de ter passado por uma cachoeira, aquela sensação de bem-estar... E não foi só eu que fiquei assim, Joshua também olhou diferente para ela.
— Eu sei, pode sentir isto, certo? – Faço que sim com a cabeça. – É uma Ninfa. Elas tem este poder, ao contrário das lendas elas somente fazem uma coisa: Crescem entre humanos dentro de bebês normais, e atraem ambos os sexos para si mesmo, somente basta um olhar, um contato visual e você se sente atraído.
— Como assim “dentro” de bebês normais?
— Ninfas são seres digamos... Como você chamaria?
— Sobrenaturais? Mágicos? Místicos? – Pergunto.
— Místicos! Acho que esta é a palavra. – Ele então estala os dedos, e um livro negro enorme aparece em sua mão, não consegui ver o título, mas percebi que ele foi até a letra “N” então começou a ler em voz alta: “Ninfas são seres místicos, entre tantos outros eles só conseguem sobreviver dentro de humanos, então ainda quando as mães estão grávidas eles invadem seus corpos e tomam seus bebês, logo nos primeiros meses de gestação, então possuem os pequenos humanos, tomam suas consciências e vivem com eles até quando estão perto de morrer, então saem de seus corpos em busca de outros.“
— O que é isso? – Pergunto, me dirigindo ao livro.
— É uma Enciclopédia Mística. Foi feita por um humano que fez um pacto com um demônio para poder ver as Criaturas Místicas, veja: — Ele me mostra a capa do livro e o nome do autor era “K. L. James.” – E... — Então ele volta a página das Ninfas, havia o desenho de uma criatura parecida com uma fada com grandes olhos.
— Tem algum artigo sobre Demônios aí?
— E desde quando nós somos criaturas místicas? Todo Demônio é um anjo, todo. Somos seres de pura energia, mas energia impura, Anjos são seres de energia pura, por isso não podem morrer, nós podemos, mas não é fácil, mas ainda sim... – Ele então estala os dedos e o livro some como apareceu. Por um momento pensei que as pessoas não pudessem ver o livro.
— E no que um humano seria útil para todo essa plano? – Até agora não havia entendido minha participação no Apocalipse...
— Você aceitou os termos, agora espere e verá qual será sua participação. – Joshua diz, sarcástico. Confesso que nesta hora senti vontade de esmurrar a cara daquele desgraçado, mas segurei.
— Então é isso? Vamos ficar andando por aí? – Pergunto, já havia uns 10 minutos que estávamos andando enquanto ele me contava historinhas.
— Não, vamos comprar umas roupas. – Ele então me mostra um cartão de crédito e aponta para uma loja de roupas, no mesmo momento eu vejo que o cartão de crédito era roubado.
— Só espero não acabar na cadeia... – Digo seguindo-o para a loja de roupas.
Após meia hora saímos de lá cheio de sacolas, ele vestindo um blazer negro por cima de uma camisa gola V branca, uma calça negra juntamente aos sapatos. Eu vestindo uma blusa fina também em gola V, de manga longa, de cor negra, uma calça jeans branca e um tênis super caro nos pés. Nós dois de óculos escuros. Eu me senti num clipe musical.
— Cara, isso tá se saindo melhor do que o esperado! – Digo mascando um chicletes.
— Acredite vai ficar ainda melhor! – Joshua diz, o sorriso sarcástico no rosto.
Ele aluga um hotel e nos hospedamos em um quarto enorme com duas camas de casal, colocamos um rádio para tocar um rock bem alto e então pulamos na cama, pegamos um Champanhe no frigobar e naquele momento eu me senti realmente num Clipe Musical!
Já estava quase anoitecendo quando alguém toca a campainha, vou atender e me surpreendo quando vejo 5 garotas super gatas entrando quase me agarrando, olho para Joshua e ele me responde com apenas uma entortada de pescoço, o que eu entendo como um:
— STREAPERS! – Exclamo.
Foi muita bebida, show de Streapers, e eu não me lembro mais de quando elas foram embora, ou se foram embora com roupas.... Pois quando eu acordei no dia seguinte...
— AI CARA! – Diga ao abrir os olhos e ver Joshua pelado mostrando a bunda para mim da sacada do hotel. – Isso é perturbador!
— Relaxa, essa noite foi louca! Vi coisas muito piores suas! – Ele diz se espreguiçando.
— Há quanto tempo eu não fazia isso? – Me pergunto olhando por debaixo das cobertas, pelo menos estava de cueca. Coloco uma calça por baixo das cobertas e então me levanto, a cabeça ainda doendo.
— Foram ninfas, eu mesmo as chamei. – Olhei para ele, percebi que ele olhava para os céus, a mesma tristeza no olhar, mesmo que ele tentasse disfarçar.
— Então... Não tá com ressaca? – Digo ao pegar um copo e enche-lo de água gelada. Logo depois de toma-lo prossigo: — Tipo... Demônios não são afetados por coisas humanas? – No mesmo momento pego o copo e taco nas cotas dele, só para um teste...
— Tá maluco?! – Ele diz quando percebe que o copo havia se despedaçado em suas costas.
— Espera aí... Você não sentiu quando ele te cortou? – Digo apontando para o sangue.
— Não, definitivamente não. – Ele diz e depois continua a olhar para o céu. Seu ferimento se fecha, o sangue evapora... A essa altura isso era comum.
— Interessante... Foi só pra testar. Agora vai se vestir, pelo amor de Deus! – Digo sem pensar, e depois reflito que eu falei “Deus” perto de um Demônio...
— Deus? – Senti seus olhos alaranjados olharem dentro da minha alma. – É brincadeira. – Ele diz indo ao banheiro, finalmente tapar aquela coisa asquerosa.
— Sabe, Satan! – Exclamo para fazê-lo me ouvir. – Eu percebi que você olha com tristeza para o céu.... É lá que você ficava?
— É... Pode se dizer que há um bilhão de anos sim! – Ele exclama.
— Interessante.... – Digo. Estava ansioso para saber qual seria minha participação na destruição do Mundo. É meio estranho de se pensar que humano queira acabar com a própria raça.
— Acho que deve estar curioso, para saber o que acontecerá a partir de agora... Certo? – Ele pergunta, já vestido com a roupa de ontem.
— É claro! – Exclamo.
— Pois não deveria. – Ele diz, abrindo a porta do quarto e me chamando para sairmos. Obedeço após de dar um último gole de água gelada.
— Porquê? – Digo, estava seguindo-o, ele virou o corredor e entrou no elevador, assim eu o fiz.
— Não diga nada... – Ele diz, percebo que seu olhar se direcionou para as câmeras acima de nós.
— Okay. – Assenti com a cabeça e então saímos do elevador, estávamos no térreo, nos dirigimos à recepção.
— Olá. – Joshua diz, a recepcionista já ia dizer algo, virando seu rosto sorridente, quando ela pareceu ficar espantada ao enxergar o rosto de Joshua.
— O QUÊ É VOCÊ?! – Ela grita. Algumas pessoas que estavam no local olham assustadas para nós, eu olho sem entender nada, então olho para Joshua que recitava algo em sussurros.
— Acabei. Vamos. – Ele diz sacudindo o Blazer e saindo pela porta automática, mais uma vez o acompanho. Quando já estávamos do outro lado da rua resolvo perguntar:
— O que foi aquilo no hotel?
— Aquilo o quê? – Ele diz, com o mesmo sarcasmo irritante de sempre.
— Eu vi quando você sussurrou algo para a recepcionista. – Digo, acho que ele não gostou do meu tom.
— Aquilo? É só uma medida de prevenção, mais tarde você saberá. – Resolvi então não perguntar mais nada sobre o assunto.
— Pra onde vamos?
— Estamos em Londres certo? – Ele pergunta, ignorando minha pergunta. – Temos uma reunião em Chicago daqui a 30 minutos.
— Tá louco? Impossível! Teríamos que atravessar o Oceano Atlântico! – Digo, então enquanto caminhávamos sinto algo diferente, então rapidamente uma névoa negra encobre meus pés, assim como os de Joshua, olho para frente e a névoa já havia desaparecido, no lugar da rua movimentada onde estávamos uma outra rua aparece, uma rua escura, sem nenhum movimento.
— Por acaso não estamos em Chicago, estamos? – Pergunto, ainda não acreditando.
— Sim, e olhe. – Olho, e vejo em sua mão uma bengala negra com uma ponta em prata que ele apoiava no chão. – Digno? – Ele pergunta.
— Se enxerga... – Reviro os olhos, e então voltamos a andar pela rua escura, viramos a esquerda e damos de cara para um beco. – Tá, vai abrir uma porta mágica? Virou Harry Potter?
— Não, olhe a esquerda. – Ele aponta uma porta com a bengala, faço um gesto para que ele vá abri-la. – Não posso, só você pode. – Ele assente com a cabeça, e assim eu o faço, ao encostar a mão na maçaneta é como se eu não pudesse fazer outra coisa ao não ser girá-la para a esquerda e abrir então a porta de madeira maciça.
Ao abri-la sinto o mesmo calafrio que senti a primeira vez que andei ao lado de Joshua, só que dez vezes mais forte, atrás da porta havia exatamente o que eu não imaginava que houvesse. Dez pessoas, todos rostos desconhecidos, mas de alguma forma eu pressenti que eles fossem os 5 Demônios mais fortes do inferno, juntamente aos 5 Escolhidos, cujo eu teria que matar até segunda ordem.
Joshua entra logo após eu dar um passo em direção a grande mesa a qual estavam todos reunidos.
— Olá, queridos irmãos, faz tempo que não nos reunimos... – Ele diz, no mesmo tom sarcástico de sempre.
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