As If It Were The last Day - 3ª Temporada.
13 The greater good.
Notas iniciais
Rick baixa a cabeça e sorri de lado — Obrigado, eu acho.
– O que você vai fazer?
– Eu não sei.
– Acho que você devia contar pros outros, a gente vota. Tipo uma…
Rick balança a cabeça — Uma democracia.
– Acho que tá na hora de você deixar de ser líder.
– Carl também me pediu isso.
– Digamos que você entregue ela, como, quem vai entregar, onde e que horas?
– Só entregaremos. Não sei quem. Naquele mesmo galpão, meia dia de depois de amanhã.
– A gente tem até depois de amanhã pra decidir se entregamos ela e vamos pra guerra ou se não entregamos ela e vamos pra uma guerra pior ainda?
– Isso.
– Ah, meu pai… — ela olha em volta — Rick, a gente tá muito fodido.
Rick olha em volta também — Eu sei, Ana.
***************
Marie entra na sala dos guardas com a bebê no colo e a roupa toda encharcada, Drake ri e Rick tenta dar um sorriso.
– Obrigado, Marie.
– De nada — ela entrega Judith a ele e se senta do lado do Daryl — No geral, ela gosta de tomar banho, o problema é lavar a cabeça.
Daryl entrega a ela um prato com macarrão instantâneo ela começa a comer, já está frio.
Drake engole a última garfada e se levanta — Vou tirar o Glenn, é meu turno — ele pega um rifle na mesa e vai pra fora do bloco.
Marie bate na perna do Daryl enquanto mastiga, ele leva um leve susto e se vira.
– Que é?
– Nada — ela diz de boca cheia — Só queria te bater.
Ele empurra ela com o ombro e ela ri.
Ana e Rick se encaram, pensando juntos que esses momentos podem estar acabando.
***************
Daryl abre os olhos devagar, ele se senta e olha Marie, dormindo de bruços, com o lençol cobrindo parte do seu corpo, ela está com a perna direita esticada e abraça o travesseiro. Ele fica em pé e pega sua camiseta, sua jaqueta e o colete em cima do sofá, calça os coturnos e pega a besta, sai em silêncio e deixa ela dormindo na sala que agora é o quartinho deles. Daryl entra no corredor de celas e Ana e Rick estão lá na sala dos guardas, ele gesticula e fala baixinho, Ana parece estressada, ela fica esfregando o rosto e colocando as mãos na cintura pra encarar ele.
– O que houve? — ele pergunta e os dois pulam
– Rick tem que falar com você — Ana diz
Rick baixa a cabeça, um mão na cintura e a outra na arma — Mas não aqui.
Os três caminham até o lado de fora, Rick conta tudo a ele e Ana só observa a reação do outro, mas Daryl não demonstra nenhuma.
– Então é assim? Entregamos ela e ficamos livres?
– É o que ele disse.
– E você acredita?
– Não, mas pode ser um dos meios.
– Você tem um plano?
– Diremos que precisamos conversar. Longe dos outros.
Daryl olha pra Ana, ela baixa a cabeça e suspira, é óbvio que ela não concorda com isso. Ele nega com a cabeça, também não concorda.
– Não somos assim, cara.
– Não mesmo, mas ele não quer me ouvir — ela cruza os braços e começa a andar rápido de volta para o C
– Pense comigo — Rick diz quando ela se afasta — Ela tá pensando como garota, isso é comum, não podemos esquecer que ela é uma garota, antes de uma sobrevivente… Então pense comigo… Pense como um líder, Daryl. Podemos sobreviver, você não quer mais tempo com seu irmão? Com a Marie? Eu quero mais tempo com meus filhos.
Daryl pensa sobre isso. E acaba concordando com a cabeça. Quantas manhãs acordando ao lado da Marie ele ainda vai ter? Não pode desperdiçar uma.
– Vamos precisar de uma outra pessoa… — Rick murmura
– Eu falo com ele.
– Eu faço isso.
Daryl volta para o bloco C, Ana está conversando com Michonne e por um momento ele pensa uma besteira, que Ana teria contado a ela, mas não, ela não faria isso. Desrespeitar o Rick? Não é da Ana.
Ana se vira — Sabe… A Michonne teve uma ideia, pra ajudar o grupo.
– Qual?
– Podemos pegar os arames da prisão e colocar no gramado aleatoriamente, se o Governador viesse, ele não veria e seus pneus estourariam.
Ele concorda e deixa elas duas conversando. Maggie e Glenn entram na sala dos guardas, e Ana reconta o plano, pede ajuda dos dois.
Daryl entra no quartinho dele e Marie está dobrando os lençóis que eles usaram, de camiseta e sem calça, linda. Ela se vira e sorri — Bom dia.
– Bom dia — ele deixa a besta e se encosta na porta.
– Tá tudo bem?
– Tá.
– Ou não — ela deixa o lençol e se aproxima dele, abraçando sua cintura — Eu sinto quando sua áurea tá pesada.
Ele ri fraco e segura o rosto dela, entrelaçando os dedos na sua nuca. Ela beija a boca dele demoradamente e ele finaliza mordendo seu lábio inferior.
– Se alguma merda acontecer, me desculpa.
– O que você vai fazer agora, Daryl?
– Não vou fazer nada, não eu.
Ele sai e deixa ela sozinha. Ela veste a calça correndo e vai atrás dele descalço — Hey, Daryl! Não me deixa falando sozinha, o que houve?!
Ele para e fica olhando o chão ainda de costas pra ela.
– O que aconteceu, bonitão?
– Rick vai entregar a Michonne ao Governador. Esse foi o real trato deles.
Daryl continua andando, ela esfrega as mãos e volta para o quartinho, pôr as botas.
Ana, Glenn, Maggie, Carl e Michonne vão até o gramado para botar o plano dela em prática, Maggie e Carl desce batendo em panelas pelo corredor entra as cercas da prisão chamando atenção dos mortos, e os outros vão nos carros, Glenn e Ana pregam rapidamente os arames e voltam pra dentro do pátio, mais rápido ainda.
Rick escuta a gritaria e sai do bloco D, onde ele conversava com Merle, correndo. Ele abre o portão para a caminhonete entrar.
– Colocamos os arames lá, se tentarem entrar, vão ter os pneus furados — Glenn diz.
– Boa ideia.
– Foi da Michonne — Ana diz olhando intensamente para o líder.
– Não precisamos vencer — a mesma fala — Só dificultar as coisas pra que não valha o esforço.
Maggie e Carl entram no pátio pela torre 2, Rick os leva pra dentro do bloco de novo.
Marie fica indecisa com quem falar agora, só o Daryl sabe? Será que o Glenn sabe? Na dúvida, ela fica quieta.
Daryl caminha em direção a saída do C, ele está perdido, não sabe onde ficar, com quem falar… Ele a olha antes de sair, Drake enruga a testa.
– Brigaram de novo?
– Não. Dessa vez foi com o Merle — ela diz convincente. — Ele tá estressado.
– Muito comum — ele volta a contar as munições.
Daryl vê Glenn tentando colocar um dos portões no lugar, numa das quadras do pátio, ele caminha até lá, deixa a besta na mesa e ergue o portão.
– Ela já disse que sente muito? — pergunta fechando um cadeado que segura a corrente que mantem o portão em pé.
Glenn tranca o cadeado que mantem o portão fechado e não responde.
– Porque ele sente.
O coreano pega a caixa com muitas garrafas de vidro e leva até a mesa.
– Ele vai fazer as pazes. Eu vou fazer com que ele faça. Tem que ter um jeito. Só vai ser preciso um pouco de perdão.
– Ele me amarrou numa cadeira. Me bateu. E colocou um errante na sala. Talvez possamos estar quites, mas ele… — Glenn respira fundo — Ele levou a Maggie a um homem que a aterrorizou, a humilhou. E eu me importo mais com ela do que comigo, será que consegue entender, por acaso sabe como é?
Daryl baixa a cabeça e vai pegar a besta — Eu sei como é — ele vai agora para o bloco D, onde Merle fica, está tudo destruído ali, os colchões estão rasgados e o irmão não está ali. Ele vai até a cozinha do bloco, o vestiário do bloco, a lavanderia do bloco e nada.
– Merle, está aqui? — ele pergunta quando chega a sala dos geradores — Merle?
– Ei, caçula.
– O que tá fazendo?
– Eu já ia gritar de volta.
– O que tá fazendo aqui?
– Procurando um pouco de exctasy.
Daryl balança a cabeça e dá uma meia volta.
– É, eu sei, eu sei. Isso vai acabar com a minha vida logo agora que está indo tudo bem.
– Já falou com o Rick?
– É. Eu tô dentro! Mas ele não tem estomago pra isso e ele vai desistir, sabe disso, não é?
– É… Mas se desistir, desistiu.
– Quer que ele desista?
– Eu vou fazer o que ele disser.
– Cara… Você ao menos tem um par de bolas, garoto?
Daryl começa a balançar a cabeça.
– Quer dizer, elas estão ligadas a você? Ao menos te pertencem? Você chamava pessoas assim de ovelhas. O que aconteceu com você?
– E o que aconteceu com você… Glenn e Maggie?
– Já fiz pior. Você precisa crescer por que as coisas são diferentes agora. Seus amigos me olham como se eu fosse o diabo. Fazendo aquilo com os pombinhos?! — ele faz uma cara falsa de surpresa — E agora querem fazer igual. Mas as pessoas fazem o que for preciso pra não morrer, não acha?
– Não pode mais fazer as coisas sem pessoas, cara.
– Talvez vocês precisem de alguém como eu por perto, alguém pra fazer o trabalho sujo. O cara mau. O que você acha disso?
Daryl toca o ombro dele — Eu só quero meu irmão de volta.
Aquilo bate em Merle, ele se lembra da primeira vez que viu Daryl, um bebê gorducho no colo da mãe, ele ainda criança tentava assimilar como seria ter um irmão, e agora aquele bebê é um homem feito, mas ainda assim, seu irmãozinho.
– Sai daqui — ele diz se afastando.
Sentimentos não é muito o forte dos Dixon.
Daryl vira as costas e vai embora. Merle respira e pega aquele telefone atrás de si, aquele cabo deve dar…
***************
– Ah, Daryl, você está aí, bonitão — Marie diz enquanto caminha até ele, ela para entre as pernas dele e joga as mãos nos seu ombros — O que tá fazendo?
– Nada — ele põe as mãos dentro do bolso de trás da calça dela.
– Percebi, você só tá sentado aí, mas o quê houve?
– Nada, só estou sentado.
Rick sai do bloco C olhando em volta, quando foca a visão nos dois vem marchando — Está desfeito! Vamos nos arriscar.
– O quê? — Marie pergunta
Rick não sabe que ela sabe, e se vira para Daryl — Não acho o Merle nem a Michonne. Eles sumiram
– Vamos lá — Daryl se levanta e corre para o D, Rick e Marie atrás, os três vão até a sala de geradores e só param de correr quando chegam lá — Ele estava aqui, disse que queria drogas. Disse mutia coisa, na verdade.
– Tipo o quê? — Rick pergunta
– Tipo que você mudaria de ideia. Aqui ó — ele se abaixa e ergue um pano com um pouco de sangue — Eles lutaram e ela o levou.
– Droga. Eu vou atrás deles.
– Você não sabe rastrear.
– Então vem comigo.
– Deixa que eu vou…
Marie suspira, óbvio que o Daryl quer sair, se ele não se arriscar pelo grupo ele se sente inútil? É deve ser.
– … Eu disse que eu ia. E quando eu voltar, precisam estar prontos — ele olha Marie e acena com a cabeça saindo pela porta de trás.
Rick encara Marie que tem as mãos fechadas no colar de avião, ela corre atrás do outro.
– Espera, bonitão, espera! — ela para na frente dele — Deixa eu ir com você.
– Não, eu vou sozinho.
– Eu vou com você. Você sabe que precisa de mim. Eu serei mais silenciosa ainda com a besta. Não vai sozinho.
– Eu prefiro você aqui.
– Eu prefiro eu lá, vamos ser um dupla dinâmica, um cobre o outro.
Ele faz uma careta de insatisfação, ela segura seu rosto e faz ele olhar pra ela.
– Eu tô com você, cara, sempre. Você é meu homem. E eu vou te apoiar e te ajudar em tudo, então é melhor me deixar ir.
– Puta que pariu — ele resmunga e agarra o rosto dela pra um beijo nada delicado, ele vai indo pra cima dela, fazendo ela se curvar pra trás e dar vários passos, ela agarra o colete dele pra mante-lo mais perto e ele, novamente, enfia a mão no bolso de trás da calça dela, aperta e ergue, ela geme um pouco e se afasta.
– Tamo junto nessa?
– Sim.
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Os dois andam por meia hora, sem se falar, Daryl penas faz gestos e ora sim ora não eles correm, ela corre mais que ele, então tem que se controlar pra ficar atrás, já que é ele que está rastreando. Ele para e se curva pra respirar, Marie continua reta, sem alteração de fôlego.
– Mulher maravilha, hein.
Ela sorri de lado — É por que você fuma.
– E você não, claro.
Ela se vira para um grunhido baixinho, e ai o som acaba, como se alguém tivesse matado ele.
– Bonitão — ela sussurra e aponta na direção do som
Daryl caminha abaixado e se esconde atrás de uma árvore e ela atrás dele.
– É a Michonne — ele diz e corre pelo gramado — Ei!
Ela ergue a cabeça enquanto enfia a espada na testa da cabeça que ela cortou, sangue vaza e a cabeça para de mexer a boca e os olhos.
– Cadê meu irmão?
– Ele me deixou ir.
– Não deixe ninguém seguir a gente — Daryl passa por ela e corre, Marie vai logo atrás e deixam Michonne lá.
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Ana passa a mão nas costas do Rick ao passar por ele e ele a segura por um segundo depois a deixa se sentar do lado do Hershel, com Drake, Glenn e Maggie chegam logo em seguida.
Já que estão todos ali, ele começa a falar: — Quando eu me reuni com o Governador, ele me ofereceu um acordo, ele queria que eu entregasse Michonne. E eu ia fazer isso, mas eu… — ele olha Ana que sorri e encoraja ele a continuar — Eu…
Não, não foi ele, foi ela.
– Mas mudaram minha mente… Só que agora o Merle levou a Michonne antes que eu o impedisse e Marie e Daryl foram impedi-lo e não sei se é tarde demais. Eu errei em não contar pra vocês, o que eu disse daquele jeito, na primeira noite depois da fazenda… Não pode ser daquele jeito. O que fazemos, o que faremos, o que somos, não pode ser eu a decidir, e eu não posso sacrificar um de nós por causa do bem maior, por que nós somos o bem maior. Nós somos… Como vivem… Como morrem… não depende de mim, não sou o “governador” de vocês. Nós escolhemos ficar, nós escolhemos ir, mas nós vamos ficar juntos. Nós votamos, podemos ficar e lutar, ou podemos ir.
Ele olha cada um e então vai embora.
Ana e Drake se encaram apreensivos.
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– Agora toma cuidado, muito cuidado.
– Você também — ela sussurra de volta
Os dois saem da floresta de trás do galpão que Rick e o Governador combinaram de fazer a “entrega” de Michonne. Tá cheio de mortos, tanto dos mortos mesmo, quanto dos errantes. Alguns dos andarilhos se alimentam de alguns homens recentemente assassinados, e nem prestam atenção aos dois ali, Marie ergue a sua besta e Daryl ergue a sua, dão alguns passos rápidos sem serem percebidos e baixam de novo.
Eles caminham entre vários contaminados mortos por tiros na cabeça, alguns homens com mordidas pelo corpo, o cheiro de podridão e sangue paira sob o ar. Marie dispara a flecha em um dos errantes que estava comendo e atrapalhando o caminho deles e prepara a besta de novo, Daryl se prepara para fazer o mesmo quando vê alguns caminhando sem direção e esses podem perceber eles, mas para e encara um dos errantes, Marie mira com a besta em volta e se vira para o que ele olha, percebendo que ele parou no lugar.
Daryl já reconhece, ele reconheceria em qualquer lugar, de qualquer jeito, até mesmo daquele. Marie se concentra no morto que come um pedaço do braço de um garoto, na hora ele ergue a cabeça, ainda mastigando e um pedaço de pele cai no canto da boca.
Ela baixa a besta e sente Daryl ofegando do seu lado, ele vai indo pra trás enquanto ela está parando o olhando. Mas escuta quando ele começa a chorar.
Merle se levanta e passa por cima do corpo do homem, um tiro no peito foi o que o matou, ele vai pra cima dos dois e Marie ainda está parada olhando ele, os olhos avermelhados nos cantos, começando a ficar esbranquiçados, o cadáver vem com sua prótese de aço no braço, cambaleando e estica o braço na direção dela, ela dá um passo pra trás e Daryl o empurra.
– NÃO!
Ela vai mais pra trás e Merle investe contra ele de novo, Daryl o empurra e ele gira, a faca no braço passa raspando da barriga do irmão, ele volta e é empurrado de novo, ainda chorando, Daryl tira a faca do cinto e vai pra cima do irmão, ele o joga no chão e respirando uma única vez enfia a faca sete vezes no seu rosto, e ai se joga no chão, chorando como uma criança.
Marie se senta do lado dele, ele se vira e deita a cabeça nas pernas dela, soluçando, ela se curva e junta suas testas e ele se encolhe indefeso.
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