Abraham desce os degraus, tentando identificar quem é a mulher curvada sobre a cerca do lado de fora… Não é a Maggie, nem a Tara… é a Marie, ele finalmente reconhece. Passando pela cozinha, vê na pia um bule soltando fumaça e um coador de café sujo. Ela fez café… às 5:30 da manhã.

Ele enche uma caneca grande e vai para a porta, antes mesmo de se aproximar, Marie já se vira e sorri, ele retribui e sai da casa.

— Boa madrugada — diz

— Boa madrugada — ela responde voltando a olhar para a comunidade, na cerca da varanda, a sua frente um cinzeiro com um cigarro queimando e uma caneca ao lado, uma fumaça branca sai dançando de dentro dela — Porque acordou cedo?

— Eu simplesmente acordei. E você?

— A Bravinha chorou. Não consegui mais dormir.

— Você ouviu?

— Vai descobrir que tenho superpoderes.

— Claro! Você escuta! Drake me falou, havia esquecido

— Então… você é o sargento. Ajudou a salvar eles.

— Na verdade foi mais o Drake quem me fez ajudar, do que minha consciencia.

Marie toma um gole do café — Com assim? — e traga o cigarro

— Quando ele soube que Glenn estava no tunel ao lado dele, que estava tomado por bichos, ele tomou a arma da mão da Rosita e foi… Não podia deixar um soldado ir sozinho.

— Drake soldado — ela sorri orgulhosa

— Olha, garota. Eles gostam muito de você, todos eles. Glenn me contou que vocês são amigos desde o primeiro dia, você e Carl também e que você bateu no Daryl e no irmão dele. Eu já gosto de você.

Ela ri baixinho — Rick… Check — diz fazendo o simbolo com a mão no ar — E quem vai ser o próximo…? — as sobrancelhas dela tremem — Preste atenção, Judith está chorando de novo

Abraham se concentra nos barulhinhos do silêncio e bem baixinho, ele escuta um choro, ele sela os lábio e vaga os olhos pela comunidade, parando na moça ao seu lado e observando as leves rugas em torno dos seus olhos. Ela é mais velha do que parece ou são marcas deixadas pelo nervosismo que passamos nessa merda.

— Qual a sua idade?

Marie sorri e nas sombras provocadas pelas leves luminarias da rua, suas covinhas parecem maiores e seu rosto ganha um ar mais juvenil — Por que essa pergunta repentina?

— Ah… Desculpe.

— Não, tudo bem. Eu tenho vinte e nove. Eu pareço mais velha?

— Não, imagina. achei que era mais nova mesmo.

— Não se preocupe, Daryl não é nenhim pervertido e eu não sou uma papa anjo — agora é ela que olha para a comunidade, para o lago mais a frente e sorri timida — Sinto falta dele

— Só vou acreditar nesse lance de vocês dois quando eu mesmo vir.

— Confesso que eu também não acreditei. Eu só percebi que gostava dele depois que a gente se beijou. E eu fui levando o que a gente tinha, foi crescendo e depois de um ano e muitas quase mortes, um ouviu do outro “eu te amo”.

Abraham concorda — Rosita falou isso e sabe o que eu respondi? — ele a olha, ela traga o cigarro esperando a resposta — Falei “tira essa roupa”

Ela abre a boca espantada — Você não fez isso…

— Fiz. Perdi uma transa e ela por quase três meses

— Por que está me contando isso? — ela diz rindo

— Por que você me contou uma coisa, achei que eu devia fazer o mesmo

— Você é legal, Abraham. Que bom que está no grupo

— Obrigado — ele contorna o generoso cavanhaque ruivo com os dedos — Acha que vai dar algum problema Rick ter surrado o doutor?

— Acho. A Deanna é legal, mas e rigorosa. Rick não vai ser expulso mas vai ser punido, eu acho. Mas o me preocupa agora é meu grupo lá fora. E o Daryl.

— Não me preocuparia com ele

— Por que você não namora ele — ela bebe um gole do café ele acaba

— Graças a Deus.

A francesa sorri e apaga o cigarro no cinzeiro e maneia a cabeça pra frente — Bom dia, Abraham

Ele olha para o céu que começa a se acender em vermelho e laranja — Bom dia, Marie

**************

— Marie, me passa a geleia — Rosita pede

Marie pega o pote e estica por cima do Carl ao seu lado para a moça, Rick, do outro lado, pega a garrafa de café e passa para para Eugene do outro lado. Drake =, em pé se curva por cima da Maggie e pega um copo e a jarra de suco.

O grupo todo para o que está fazendo e encaram a porta quando escutam as batidas na porta, o grupo para o que está fazendo. Rick se levanta e vai até lá. O grupo fica em silêncio para ouvir.

— Spencer — diz o líder.

— Bom dia, Rick. Eu estou aqui a pedido da minha mãe… Ela gostaria que você passasse lá em casa.

— Eu passo sim

— É importante. Ela precisa falar com você, então o quanto antes melhor.

— Pode deixar.

O grupo espera enquanto Rick volta para a cozinha, ele se senta já olhando para Marie — Tem alguma ideia do que pode ser?

Marie balança os ombros mastigando pão — Acho que ela vai te dar uma bronca.

— Bronca? — questiona em tom ironico

— Sim. Em você e no Pete.

Depois do café cada um seguiu para a sua tarefa. Mas como Marie não tinha nenhuma, ela ficou com a bebê

Michonne desce as escadas com a roupa de policial e a francesa ri.

— Desacato — Michonne diz

— Desculpa… Policiais? As vezes Deanna viaja

— Não concorda?

Marie nega — Sei lá, talvez ela só queira passar a imagem de proteção

— Acho que é bem isso — ela suspira — Mas eu vou lá. Meu trabalho é andar pela comunidade

— Até mais então — Michonne sai de casa e Marie aperta a bochecha da bebê — Você já engatinha? Tá na hora… — ela para e faz as contas — Não. Já passou. Você é atrasadinha — diz com pena — Mas você vai aprender tudo — ela esfrega seu nariz com o da pequena que ri

***************

— Eu conversei com a Marie hoje

Drake olha para Abraham no volante ao seu lado — E…?

— Eu gostei dela.

— É difícil não gostar dela. E você ainda não viu ela em combate. Ela é boa. Ela corre muito, não para e não cansa.

— E faz um café muito bom.

Drake ri — Faz um café muito bom, sim — ele aponta um corpo caído há alguns metros — Vai pegar?

— Claro.

Quase se aproximando do corpo jogado no chão, que estica os braços pra eles, Abraham joga o carro de leve para a esquerda, embolando nas rodas os braços que arrebentam e se soltam do corpo e a cabeça estoura, soltando massa cinzenta podre e sangue pelo asfalto e por mais alguns metros onde a roda passa.

Na comunidade, Marie desce os degraus da escada e a primeira pessoa que vê é a Jessie, sentada na varanda da sua casa, do outro lado do lago. Ela caminha de ate´lá e Jessie a vê quando ela está no meio da pequena ponte do lado

— Oi, Marie — ela se levanta e abraça a outra, depois afaga a cabeça do bebê — Nunca ia imaginar que você era do grupo deles.

— Quem imaginaria… Você está bem?

— Uhum.

— O Peter?

— Na enfermaria. Deanna vai fazer uma reunião hoje com todo mundo. Parece que a bronca não vai ser só para o meu marido e Rick.

— Foi o que eu pensei… O que você tem achado deles?

— Seu grupo? Todos são muito amigaveis, Mas acho que a Ana não gosta muito de mim.

— Não ligue. Ela estava passando por um momento difícil.

Jessie ajeita o cabelo e olha para algo mais além de sua varanda, Marie se vira e as duas observam Rick descer da casa da Deanna

— A gente se fala, Jessie.

— Tchau.

Marie desce a escada rapidinho, abraçando Judith e seu peito e indo em direção ao Rick, ele dá uma corridinha e eles se encontram no meio do caminho, a filha se joga pra ele e os dois caminham de volta a casa.

— Reunião? — ela pergunta

— Sim. Hoje a noite.

— Jessie disse que foi a mesma coisa para o Peter.

— Ela vai por nós dois de frente um pro outro, perante toda a comunidade pra… Fazer as pazes — ele parece indignado

— Sempre tem mulher no meio

Rick segura o braço dela — O quê?

— A briga foi por causa da Jessie, não é?

— Pete bate nela.

— Isso com certeza é motivo, defendo você. Eu moeria ele na porrada se tivesse sabido antes… Mas tem outra coisa.

— Não.

Ela ergue uma sobrancelha, Rick se dá por vencido- Gosto da Jessie

Marie continua andando e Rick vem ao seu lado

— Olha, Rick, eu vou te defender quando o assunto for marido batendo em mulher, mas quando o assunto é você afim da esposa do cara, ai não. Até porque nesse quesito eu prefiro você no Time A.

— Como assim?!

— Não é nada. Você vai ficar com ela ou vai pro seu turno?

— Vou ficar com ela e encontrar a Michonne

— Eu vou passar na casa do Eric, buscar minhas coisas.

— É… Volte pra casa

Ela sorri — Pode deixar.

Marie fica na casa do Eric por algum tempo e ele a ajuda a arrumar sua mala

— Eu vou sentir sua falta — ele disse abrindo a porta pra ela

— Que mentira, eu estou a três casas

Em casa, Carl que não tinha o que fazer, se dispôs a ajudar ela a desmontar a mala e ela guarda, suas roupas nas prateleiras vazias do guardarroupa no quarto do Daryl e de todas as roupas dele, ela só reconhece uma, uma camisa preta, com mangas rasgadas, o resto são roupas novas ou trapos que ele provavelmente pegou no caminho.

— Você já percebeu — ela diz dobrando um vestido preto — que todas as casas daqui são iguais e enooooormes?

— Sim! Essa casa tem cinco quartos — ele responde entregando uma calça a ela.

— A casa do Eric tem três. Só que enormes. Todos eles têm suites.

— Só esse aqui tem banheiro. Não era esse que o Daryl queria, nem foi ele que escolheu. Ele achou que a Ana iria querer esse, mas ela pegou o com guardarroupa espelhado.

— Vaidosa

Ele sorri e balança a cabeça, agora entregando um par de botas. As botas que ela usava na prisão com strass do lado.

— Carl… o que houve com o rosto da Ana? Foi no Terminus?

— Não. Tivemos problemas com umas pessoas na rua. Foram imobilizar o Daryl… Descer a porrada nele e a Ana tentou parar o cara, outro pegou ela, cortou o rosto e bateu a cabeça dela contra a janela do carro. Tiramo caco de vidro até da palpebra dela. O corte foi a coisa mais leve que poderia ter acontecido.

— Ainda faltam algumas lacunas pra serem preenchidas pra mim. O que aconteceu? De onde esse Padre Gabriel? O que houve com a Beth e oTy?

— Eu não quero comentar, de verdade

Ela sela os lábios — Entendo… — Marie pega dentro da mochila a camiseta xadrez laranja do namorado e coloca no meio das coisas dela também — Melhor não falarmos disso mesmo.

***************

Marie desce os degraus da casa cobrindo o cigarro com a mão e acendendo um isqueiro na sua ponta, ela traga forte e ele queima, solta a fumaça e antes de começar a andar, olha para os dois lados. A rua está vazia, mesmo ainda não tendo escurecido e com um sol leve que esquenta eles. Nenhuma das crianças está para fora de casa, nenhum idoso…

Atravessando a ponte que passa pelo lago, ela encontra com o Padre Gabriel

— Boa tarde, Marie.

— Boa tarde, Padre.

Sem conseguir evitar, ela olha para trás e o vê apressando o passo, indo direto para o portão.

Ele vai sair?

Ela decide continuar seu caminho. Passa pela casa dos Monroe , pela casa da Sra Neudemeyer, a casa dos Anderson, a casa da Francine e então entra na rua ao lado, dando a volta pelo quintal da casa e entrando no terreno vazio.

Ela suspira com a primeira nova lapide que vê

“Aiden”

— Eu lamento muito — diz, umedece os lábios — Eu não gostava muito de você, mas nunca te desejei o mal, você devia estar aqui, você não merecia isso, Deanna com certeza não merece isso — ela estica levemente a mão para o arbusto a sua esquerda e arranca um broto de flor — Eu sinto muito, muito mesmo.

A segunda lapide tem um nome desconhecido

“Noah”

— Eu nem te conhecia, e você passou por tanta coisa com as pessoas que sao importantes pra mim, ajudou tanto, obrigada. Obrigada por ajuda-los a chegarem até a Beth, por ajudar o Glenn — novamente ela arranca uma flor e coloca sobre o monte de terra — Eu lamento por sofrerem.

— Ei — alguém diz baixinho atrás dela

— Deanna.

— Eu sempre venho aqui. Oro pelo meu filho todo dia — ela se abaixa em frente ao nome do filho e coloca ali uma única flor, sem caule nem nada — Ele não está em pa, isso que me destrói

Marie franze a testa sem entender bem.

— Não atiraram nele. Meu filho ficou preso — sua voz falha — E eles vieram — agora ela chora — Ele tá lá. Preso. Como

— A mesma coisa para o Noah. Ele e meu filho está lá. Por covardia de alguém que eles confiavam. Nicholas não foi homem o bastante para ajudar eles. Eu o odeio por isso.

Mesmo sendo alguns centímetros mais alta que Deanna e mais magra, quando a abraça, Deanna se sente confortavel e bem envolvida pela moça.

****************

O grupo andando pelas ruas escuras de Alexandria parece marchar para a parte de trás da igreja, onde Deanna marcou a reunião com a comunidade. Todos sérios, sem falar nada, e se não fosse por Marie segurando Judith no colo, iria parecer que eles estavam mesmo marchando.

A comunidade toda já está ali quando eles chegam, ao que parece so faltam os dois que serão, de alguma forma, punidos.

O silêncio reina por um tempo, o pessoal parece desconfortável já.

— Cadê o Rick? — Ana sussurra para ninguém específico.

No exato momento Rick aparece na parte da trás da igreja, coberto de sangue, com um corpo sobre os ombros. Ele para no meio da roda e joga o corpo no chão.

— Estava aqui! Andando pela comunidade! E ninguém viu! E depois vocês ainda dizem que sabem se proteger! Um só poderia ter feito um massacre aqui… Vocês precisam acordar pra nova realidade, vocês precisam a gente! — ele aponta seu grupo — Glenn salvou dois, enquanto um de vocês abandonou ele. Abraham e Drake salvaram uma de vocês enquanto os outros se escondiam! Aqui dentro vocês vivem uma vida que não existe! Vivem no passado, onde marido bate em esposa. E depois — ele vira para Deanna — vem me dizer que eu estou descontrolado?!

— Rick… — Deanna chama

— Não! — ele se vira, desnorteado

Mas então quem aparece ali é Peter Anderson, ele carrega a espada da Michonne e seu olhar é mais insanos que o do Grimes.

— Eu vou te matar — ele diz — Eu vou te matar.

Rick puxa a arma e aponta, Marie da um passo pra trás com a bebe e aperta contra o seu peito

— Com que direito você acha que pode chegar aqui e começar a comandar tudo? — Pete brande a espada, Rick dá um passo pra trás com a arma ainda apontada — Mande eles embora daqui, Deanna! O lugar de vocês — ele gesticula para o grupo todo com a Katana — é na rua! VOCÊS PERTENCEM ÀQUELE MUNDO DOENTIO! — ele abre os braços sem se dar conta de que a lamina é muito comprida.

O suficiente para acertar a ponta no pescoço de Reg Monroe, um jato de sangue espirra na direção do grupo de Rick que estava bem em frente e o liquido vermelho vivo suja as costas de Judith, o rosto da Marie e as roupas de Ana e Drake, o arquiteto cai de joelho levando as mãos ao corte.

A comunidade arqueja junto, Deanna desaba ao lado do marido, gritando, chorando. Spencer, o filho mais velho parte pra cima do Doutor, junto com Abraham e o jogam no chão. O médico larga a espada, a consciência de seu ato pesando. Reg olha para a mulher com uma expressão sofrida, ele não aguenta mais tentar respirar, tentar se manter vivo e finalmente para. Deanna está aos prantos. Ela respira fundo e olha para Rick.

— Faça, agora.

Rick dispara um tiro na cabeça de Peter sem hesitar, sem nem olhar direito para ele, Jessie e o filho, Sam gritam, Ron, o mais velho treme e não sabe se olha o pai ou Rick. Jessie se joga em cima do corpo e arqueja alto antes de começar a chorar. Abraham se levanta calmamente e Spencer agora rasteja para o lado da mãe e do falecido pai.

— Rick?

E as próximas três reações são simultâneas:

Rick dá um giro completo e para perplexo, olhando seu velho amigo, aquele que o salvou quando ele acordou desorientado no hospital, dois meses depois do mundo acabar, há quase dois anos, Morgan.

Eric sorri abertamente ao ver quem está do lado esquerdo do homem, ele já estava morrendo de saudade, Aaron.

Marie perde o fôlego e começa a tremer, ela empurra a criança para quem está ao seu lado, no caso Glenn que a pega meio sem jeito. Ela se curva cobrindo o rosto, é um misto de emoções, não sabe nem como reagir. Daryl no portão, deixa a mochila no chão, a besta e passa por Morgan, olhando para ela com uma expressão de quem está prestes a desmaiar.

E ignorando todos os ultimos acontecimentos ali, Marie corre e pula no colo dele, abraçando a cintura dele com as pernas, Daryl aperta as costas dela e enche seu rosto de beijos, murmurando “eu te amo” entre um e outro.

Ela o olha com o rosto encharcado e Daryl vai colocando ela no chão. O casal se beija por segundos, mudando a expressão de todos de aterrorizados e/ou confusos para surpresos.

— Oi — ela sussurra

— Oi.

Notas finais
AE POURRA SHWSHWHSWHWSWSH FELIZES COM O REENCONTRO? GENTE DO CEU, VINTE ANOS DE ATRASO PEEEEEEERDAAAAAAAAAO ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.