Notas iniciais
oii meu povo sentiram saudades de mim? e da Marie? Da nossa francesinha vcs sentiram sim, mas com esse cap vao ate enjoar dela shwshwhswespero q gostem, mandem suas teorias viu?!

Heath estaciona o carro na beira do barranco, os quatro descem e olham o precipicio ao lado, uma decida de terra e grama alta que acaba numa estrada de asfalto, provavelmente o retorno. E na linha do horizonte, um céu claro, sem nuvens, sem sol radiante também, a brisa gélida soprando os cabelos deles.

— É bonito — Melanie diz

— É sim — Marie se vira para o posto de saúde e puxa a besta pra frente — Vamos?

— Vamos — Heath também se vira e outros dois juntos

— Espera — ela ergue a mão, no mesmo instante em que torce o nariz, os outros também fazem a mesma careta — Meu Deus…

O som de vários errantes se aproximando é levado pelo vento, eles olham em volta, o primeiro sai de trás de uma árvore, o segundo, de dentro do posto, o terceiro de trás do prédio de saúde. E logo, mais de cinquenta mortos se arrastam na direção deles, os braços esticados e as bocas abertas babando aquela coisa preta podre.

O grupo vai pra trás do carro, na beira do penhasco. Marie abre a porta de trás e se joga pra dentro do carro, batendo as pernas nos bancos, Melanie cai em cima dela, com Heath do lado e Arthur entra no carro em pé, todo curvado e quando ele fecha a porta os mortos se jogam nas portas, circulam o carro, os outros estão se debruçando sobre o capo e arranhando as janelas da frente.

Os quatro do banco de trás suspiram e se entreolham. Arthur passa por cima deles e senta no banco do motorista, Heath se espreme para o carona.

— Isso foi bem radical — Melanie diz com um suspiro animado

— Eu não gostei dessa radicalidade — Marie diz séria e joga a mochila em seus pés — Tira a gente daqui, Arthur.

— Pode deixar, madame — ele liga o carro, engata a ré e acelera. O carro atropela vários errantes, muitos desses vários caem pelo barranco, os sons dos ossos fracos se quebrando, dos tecidos se rasgando e órgãos sendo esmagados são bem recebidos pelos quatro no carro. Arthur para, engata a terceira e agora acelera, as quatro pessoas batem as cabeças quando o veiculo vai pra frente e novamente atropela aqueles corpos, corpos que já haviam sido atropelados, agora retalhados a nada, totalmente desconfigurados e desmontados. Os rostos batendo se arrebentam e pedaços de pele e olhos estourados se espalham pela extensão do vidro frontal.

Melanie e Marie se seguram nos bancos da frente, Heath no seu próprio banco e Arthur aperta o volante tão forte que seus dedos estão brancos. O massacre de errantes continua por alguns minutos, talvez dois, o carro começa a pular quando passa por cima deles, o motor faz barulho e Arthur afunda o pé no acelerador.

— MEU DEUS DO CÉU, ARTHUR! VIRE! VIRE! — Marie grita, os olhos arregalados — VAI ATOLAR O CARRO EM MORTO! ARTHUR!!

— JÁ ENTENDI! ENTENDI!

Ele joga o carro para a direita, mas não adianta, o carro parece pesar toneladas.. Eles já estão atolados em em mortos. Arthur olha o grupo, todos com a cara contorcida em angustia. O céu azul some, agora a paisagem é podre, vermelha, escura.

— Ferrou — Heath diz em tom divertido

As duas meninas olham pra trás, os mortos ainda seguem eles, agora mais destruídos que nunca. — E agora? — Melanie pergunta

Marie puxa o cinto atrás de si e prende atrás de seu tórax — Coloquem os cintos, porque a gente vai tombar.

Todos fazem a mesma coisa, os mortos batem nos vidros, o carro balança para os dois lados, Marie aperta o banco, o coração pula, ela está branca, suando e tremendo. Melanie começa a chorar, o carro se inclina para a esquerda, para o lado do penhasco, vira… vira… vira… e cai de lado, os mortos se abaixam no asfalto. Os quatro gritam e apertam os bancos, Melanie escorrega no banco e bate a cabeça no vidro. Os mortos que estavam do lado esquerdo do carro. O carro balança forte, bate e volta no chão. Arthur olha as garotas pelo retrovisor. Melanie ainda chora, Marie tem os olhos bem apertados, não chora, mas treme muito, Heath do seu lado também fecha os olhos.

Estão rezando?

Na duvida, ele fecha os olhos também.

O carro inclina mais, e dessa vez nada o para, ele rola, os quatro gritam, as cabeças chocalham em todas as direções, as mãos apertam os bancos inutilmente, as pernas ficam soltas se debatendo no carro. O carro roda sete vezes completa até parar com um tranco, de ponta cabeça.

Melanie abre os olhos, antes quando olhava para sua janela, via a descida do barranco, agora vê a subida que ele se tornou. Os mortos rolam pelo morro, se despedaçam pelo caminho, outros foram esmagados pelo carro.

— Ai, que droga — ela se vira para Marie, ela está acordada, tentando se soltar do cinto — A gente precisa sair. Heath? Arthur?

— Eu tô bem — Heath diz e seu cai no teto do carro, que agora é chão, quando ele solta o cinto e olha o homem do lado, Arthur está zonzo mas acordado também — Ei, cara… Ei.

— To ouvindo — ele procura o cinto — Me ajuda aqui

Marie finalmente solta o cinto e também cai no teto, ela puxa as mochilas do porta malas e do chão/teto, deita de lado e abre a porta, arranhando-a no asfalto e sai. Melanie vem logo atrás, as duas abrem a porta do motorista e ajudam Arthur a sair. Heath rasteja logo atrás.

Arthur é o mais machucado, ele tem a cabeça cortada e o cabelo castanho mesclado de branco está manchado de vermelho, o olho direito coberto de sangue do corte no supercílio e o nariz também sangra, mas não doi como se estivesse quebrado. Heath está com um corte nos lábios e as mãos esfoladas pelo espelho retrovisor que espatifou. Melanie também tem um corte na boca e outro na orelha e no queixo. Marie tem um corte na testa que escorre para a sobrancelha e um no lábio inferior que mancha o queixo. Mas ninguém sente dor.

— Temos que ir — Marie fala entregando uma mochila para cada um, ela olha os poucos mortos que sobraram da queda se aproximando

—Vamos achar um carro e ir pra casa — Heath fala

— Mas e os remédios?

— Olha pra gente, fodidos, sem carro. Vamos voltar

— Não — Arthur diz — Você e Melanie podem voltar, eu vou com a Marie buscar os remédios

—Não vou deixar os dois — a outra se pronuncia

O de tranças suspira — Vamos por aqui então, o próximo posto fica pra lá mesmo. Mas temos que parar e cuidar dos machucados — ele começa a trotar

— Eu tenho uns algodões e álcool em gel aqui — Marie avisa e corre atrás deles.

Eles correm reto na estrada, como pretendiam fazer com o carro e seguir para o próximo posto de saúde, os mortos saem das árvores, esticando os braços para eles e indo atrás, Arthur e Heath vão nas beiradas para empurrar as coisas que se aproximam de volta para as árvores, Marie corre mais mas nesse momento mantém o ritmo deles, não podem se afastar. Melanie ofega do seu lado, eles estão cansando, as mochilas estão pesadas, precisam entrar em algum lugar agora. Sem contar, é claro, os machucados latejando.

Em pouco tempo, um pequeno bando se forma atrás deles e vai aumentando. Arthur ofega, está dificil respirar com o nariz machucado, seja lá o que tenha acontecido, Heath tem gostas de suor pingando da testa, ele respira fundo.

— Mais rápido! — diz e dispara a frente

Melanie arqueja e acelera, os musculos ardem, Arthur baixa a cabeça e faz força para correr mais, ele já não aguenta, Marie toma flego e dá passos mais rápidos e mais largos. A rua se divide em três e Heath vira a direita, o grupo acompanha, a rua é vazia, mas lá no fim, um predio avermelhado aparece, a grama alta cobre a placa que a identifica como uma escola secundária. Os quatro pensam que pode ser cilada entrar lá, vai saber o que ali dentro, mas pode a única maneira de se livrar desse bando.

Marie corre mais rápido e passa de todos eles, cada vez que se aproxima mais um metro da escola, diminui a velocidade. Ela para em frente a porta de vidro, ele se espatifa e ela entra, empunhando a arma a sua frente.

— Ei! — ela diz alto só pra garantir e nada vem até ela e ela não escuta nada.

Melanie se joga pra dentro do prédio, batendo na parede, ela ofega pesado, a garganta queima e o gosto de sangue é tão forte que parece que ela o está tomando. Arthur entra e se crua, respirando pesado.

— A gente tem que sair daqui — Heath diz -Eles já estão nessa rua

— Vamos sair pelos fundos — Marie diz — Devem ter carros lá.Todos tem munição?

Melanie concorda — Sim. Sim… Eu tenho — ela respira fundo — Meu Deus, eu não me lembro de ter corrido tanto assim na minha vida. Eu to morrendo! Uh! — ela fica reta e pega o revolver no cinto — Vamos rápido, por favor.

Os quatro seguem pela escola, parece estar totalmente vazia, as salas de aula estão abertas, as escadas para os outros andares bloqueadas por correntes.

— Vamos subir? — Arthur pergunta

— Não — Heath responde — Se eles entrarem, a gente fica preso la em cima. Vamos achar os fundos.

Marie vai na frente, Arthur atrás, Heath e Melanie ficam no meio, olhos bem atentos e ouvidos aguçados. Eles passam por ais salas e viram a direita num corredor, o fim deste é uma porta dupla e o letreiro diz “Ginásio/ Acesso ao estacionamento”

Os quatro apressam o passo até a porta, Arthur puxa ela uma vez e a porta balança, puxa de novo mais forte e a porta abre. Cinco errantes em standby se viram abrindo as bocas, Marie dispara uma flecha em um e Arthur arranca a tampa da cabeça de outro com o facão, Melanie dispara um tiro silencioso no terceiro, Heath segura o quarto pelo pescoço e enfia a faca por trás da cabeça dele e durante esse tempo, Marie recarrega a besta e atira no quinto e ultimo. Ela fecha a porta. O ginásio era um acampamento, com seis barracas postas em circulo e no centro seis cadeiras e uma mesinha com um fogareiro em cima. Marie pega o fogareiro e sorri.

— Eu tinha um desse é ótimo pra ficar na estrada — el enfia na mochila

—São seis barracas e cinco mortos, onde tá--

Uma das barracas balança e dedos aparecem no plástico, seguido de grunhidos e rosnados. Heath não termina sua frase, já tem uma resposta.

Arthur dá um giro 360°, procurando a porta para o estacionamento, a unica porta alem da que eles entraram é uma no cantinho do ginasio, a placa diz “vestiario/estacionamento”. Ele caminha até lá, sendo atrapalhado no caminho pelo porta de entrada balançando.

— Eles entraram — Marie o segue — Vamos embora

A porta para o estacionamento é logo a direita, ela tambem está emperrada e Arthur empurra com o ombro, a porta se arrebenta e eles veem no estacionamento um carro so, parado perto do portao. O portão esta fechado com cadeado, Heath abre a porta e olha na ignição, chave pendurada e ele gira, o motor arria, gira outra vez, agora ele liga.

Todos eles jogam as mochilas no porta malas, Marie arrebenta o cadeado num tiro e abre o portao, entra no carro e o grupo segue para o proximo posto de saude.

No caminho, eles pararam e cuidaram de seus ferimentos. Marie não deu ponto na cabeça de Arthur por motivos de: ela acha que nem vai ser preciso e está sem material, fez apenas um curativo grande. Limpou os cortes do rosto dele, estancou o nariz que não estava quebrado e encheu o rosto dele de esparadrapo e algodão.Os cortes dos outros dois também foram superficiais, ela apenas limpou e fechou com algodão e esparadrapo. E o seu corte na testa estava mais para um arranhão fundo, ela também fez um curativo e sua boca já havia parado de sangrar.

***************

A banda The Foreigner toca no carro baixinho. Marie está no volante com Melanie do lado, Arthur e Heath dormem no banco de trás.

As duas vem compartilhando coisas em comum de quando estavam no colégio ou na faculdade desde que trocaram os turnos. Melanie, por exemplo, já sabe que Marie já teve metade da cabeça raspada quando tinha quatorze anos. Marie, por exemplo, já sabe que Melanie usava aparelho nos dentes até alguns meses atrás, quando ela chegou a Alexandria, Pete Anderson removeu para evitar danos já que não havia dentistas lá.

E Melanie agora ri depois da outra contar como foi dirigir pela primeira vez — Tá bom, você me venceu! Bater o carro é bem pior do que morrer na descida.

— Pois é. Tudo bem… Animal de estimação?

— Eu tinha um cachorro quando eu morava com um namorado meu. Mas era dele, quando terminamos, ele ficou com o cachorro. Era um pastor alemão, Bucky. Eu não tive gato ou cachorro quando era crianças por que minha mãe era alergica. Uma vez um cachorro lambeu ela, ela foi parar no médico.

— Que horror! Eu e minha prima vivamos numa chácara, tinhamos três cachorros, enormes, um São Bernardo… Bonaparte. E dois labradores, Brise, e o Crème Glacèe. E um cavalo, Forme Noire.

— Pelas coisas que me falou, era montada no dinheiro.

— Meu tios tinham muito e minha herança era muito boa… Eu realmente não podia reclamar de nada, eu nunca passei dificuldade financeira.

— Que benção. Nunca teve que pedir dinheiro emprestado pra parente?

Ela nega — Que diferença isso faz agora né?

— Bem isso. Eu to devendo 80 pratas pro meu irmão até hoje. E eu tenho guardado lá em casa. Ele tá vivo. Tenho certeza, só não o achei ainda.

— Como tem certeza?

— Ele mora na capital com minha mãe e meu pai, quando tudo começou ele me mandou ir pra lá por que ele conseguia proteção militar com uns amigos que não sairam do exército. Mas eu tava sozinha e realmente foi muito dificil. Eu não desisti de encontrar eles, mas Alexandria me faz lembrar das coisas do jeito que eram antes. Não acho que terei isso numa base militar.

— Eu consigo entender — Marie umedece os lábios — Eu tenho um grupo e eu me perdi deles, dois desse grupo eu conheço há anos e o restante parece que eu conheço há anos. É ótimo estar em Alexandria, mas não tem um dia que eu não lembre deles. Essa noticia do Aaron e do Eric ficar mais um tempo lá fora tá criando esperanças em mim de que são eles.

— Eu vou ficar na torcida pra que sejam eles. Eu gosto de você, faz um tempo que não tenho uma amiga — ela move a cabeça para os lados — Sabe.. De fora. As mulheres de Alexandria são meio fora da minha realidade.

Marie sorri — É… Eu gosto da Jessie, ela é a mais próxima de normal dali.

— Sim, ela é um doce.

— Ela não tem muita frescura. Ela cuida dela e dos filhos e o resto que se foda. É mais tranquilo conversar com ela por que as outras parecem sempre estar me julgando. No meu grupo nossa maior vaidade era manter o cabelo desembaraçado, que vivia preso.

— Que papo de mulherzinha é esse?

Marie olha pelo retrovisor e Melanie vira a cabeça pra trás pra ver Heath se ajeitar no banco, ele torce as costas que estão duras e bate com o cotovelo em Arthur, que desencosta da janela e esfrega o rosto.

— Não era papo de mulherzinha

— … Mas era fofoca — ela diz

— Afe… Já estamos chegando?

Melanie olha para o mapa improvisado desenhado por Spencer e segundo os pontos que ele marcou falta pouco mais de meia hora, ela avisa o grupo e Heath pede para Marie acelerar.

— Quero chegar lá antes de anoitecer — ele disse.

***************

Os quatro descem do carro com suas armas em mãos. Marie dispara uma flecha no único errante que caminha ali. Heath vai até a porta dupla de entrada do posto de saúde, ele bate no vidro e no mesmo instante outro la dentro se quebra e vários mortos, vestidos tanto quanto pessoas comuns quanto de médicos correm para a porta, eles se jogam contra ela e o grupo dá um passo atrás.

—Caramba são muitos — ele diz e conta rápido — Mais de vinte só aqui

— Vamos arriscar. Pete foi bem claro quando disse que precisamos de remédio a todo custo — Marie diz

— O que faremos?

— Eu sugiro entrarmos pelo fundo

— Só isso?

— Não é tão ruim quanto parece — ela mexe na mochila e tira uma lanterna pequena de lá, liga e deixa no chão — Vai escurecer logo, vai distrair eles por um tempo, isso não quer dizer que não teremos que matar alguns, ou todos.

— Isso é uma teoria ou já fez antes? — Melanie pergunta

— Conheço alguém que fez e funcionou.

Glenn.

— Bom… tem uns vinte zumbis ai — Arthur fala calmo — Cinco pra cada um, é moleza. É só não morrer.

— Isso! — ela põe a besta a sua frente e começa a dar a volta no pequeno hospital. A porta do fundo é porta de emergência e ela toma muito cuidado para não fazer barulho.

Está tudo arrumado ali, como se ninguém tivesse passado ali ainda, exceto insetos que são vistos por toda parte, quando a porta abre, algumas baratas imensas correm pra se esconder. O lugar fede a carniça e mofo. É possível escutar os grunhidos dos mortos na porta e das mãos batendo contra o vidro. Eles se encostam na parede ao lado de um corredor, o corredor que leva direto para a entrada principal, direto para os mortos.

Marie se vira para eles e arqueia as sobrancelhas, perguntando o que será feito. Heath mostra a lista de remédios nas mãos e aponta para a escada logo depois do corredor. Ela concorda e respira fundo, espia com cuidado e vê que nenhum deles está virado para trás, nem um pouquinho de lado. Ela se vira completamente e espera mais alguns segundos. Começa a suar frio, respirar rápido e as mãos ficam fracas.

Medo.

Medo?!

Ela enruga a testa, aperta bem a besta e dá cinco passos rápidos e leves para o outro lado, se encosta na parede e espia de leve. Deu certo pra ela.

Melanie é a próxima, ela espreita e não espera nem um segundo a mais, só vai. Chegando do outro lado ela solta o ar do pulmão, percebendo só agora que segurava a respiração. Arthur vem logo em seguida e Heath depois, sem complicações.

Novamente, Marie sobe primeiro, eles haviam resolvido isso por que ela tem a melhor audição, se ouvisse alguma coisa, eles poderiam sair de lá antes que a coisa sentisse eles. Agachados, eles chegam ao segundo andar e ela consegue ouvir o som de passos arrastados lá, parece ser apenas um e ela sinaliza isso com um dedo erguido. Aponta para si e faz um sinal positivo com o polegar, o grupo entende e concorda. Ela passa a besta para as costas e pega a faca do cinto, se levanta e corre na direção do médico que se vira para ela mas não é rápido o suficiente, mal se virou e as mãos dela já estavam agarrando seu pescoço para enfiar a faca pela parte de trás da cabeça.

A faca entrando faz um barulho de algo sendo arranhado e a faca saindo faz um barulho de sucção e libera uma bolha de sangue coagulado fedido, Marie deixa o corpo cair por cima do seu e fica segurando. O grupo vem e Heath a ajuda a colocar no chão sem barulhos.

O lugar que estão é vazio, com várias salas com a porta fechada e tem mais um andar ainda.

— Eu vou subir sozinha — ela diz sem som e sobe o ultimo lance de escadas, o andar estava completamente vazio, com as salas fechadas também, em cada porta um placa com o nome do médico que atendia ali. Com a faca na mão ela abre porta por porta, mas aquele lugar está limpo, tão limpo e organizado que nem parece pertencer aquele mundo.

Depois ela desce, Heath maneia a cabeça e ela balança a mão ao lado do pescoço.

***************

O grupo está separado pelos dois andares, enchendo suas mochilas com todos os medicamentos que encontram, mas principalmente os que o doutor pediu. Marie encontra algumas cartelas de anti alérgicos, provavelmente vencidos mas quem sabe se ainda é útil é o Dr. Anderson.

Ela joga na mochila e a fecha, é quando escuta um click de uma arma sendo destravada em seguida, sente um cano na cabeça.

Capeta.

— Erga as mãos — diz uma voz masculina atrás dela e ela não reconhece, não reage — Erga as mãos. Você não vai ser burra o suficiente para gritar, tá cheio de bichos lá em baixo

— Você não vai ser burro o suficiente para atirar em mim, tá cheio de bichos lá em baixo.

— É… Agora erga as mãos.

Ela faz como ele manda, ele segura a mochila e puxa.

— Vire-se, moça.

Ela se vira para seu assaltante e observa bem aquele cara todos sujo, cabelos curtos loiros, com uma barba grande e o mais curioso, um “W” marcado na testa.

— Você está bem limpa pra uma simples sobrevivente. Tem um acampamento? Está sozinha aqui?

— E você?

Ele pressiona a arma na testa dela — Quem faz as perguntas sou eu, bonitinha. Tem um acampamento?

— Não.

— Pra que os remédios?

— Nunca sabemos quando vamos precisar.

Ele inclina a cabeça — Está mentido. Você tem sim um acampamento e vai me levar pra lá.

— Eu não vou te levar pra um lugar que não existe.

— Me de o arco

Ela o tira das costas e estica para ele, ele joga no ombro.

— A arma.

E ela obedece.

Mas parece que haverá uma reviravolta quando ela vê pelo canto do olho, Arthur aparecer na porta, mas evita mover os olhos para o “W” não perceber, Arthur pega a faca no cinto.

— Agora a faca

— Pelo menos me deixa com a faca. Você quer me assaltar não me matar, não é?

— Se você não tem um acampamento, você sabe se virar. Logo arranja outra faca.

Ela retira a faca e entrega a ele, depois volta a erguer as mãos. Agora, Arthur já está dentro da sala, agachado com a faca pra cima, caminhando lentamente na direção deles.

—O homem com o W dá um passo pra trás, ainda com a arma mirando pra ela — Eu vou te dar mais uma chance.. Onde é seu acampamento?

— Eu não tenho — Arthur se ergue atrás do homem e coloca a faca de lado — … Estou aqui pegando o que eu encontrar e você acabou de levar tudo — Arthur inclina a cabeça para a esquerda e Marie entende — Você pode me seguir pelo tempo que quiser, nunca vamos chegar a um acampamento. Porque eu não tenho.

— Presta bem atenção…

Arthur se joga pra frente, segura a cabeça do cara tampando sua boca, a mão direita com a faca subindo para a têmpora dele. Marie se joga para a sua direita e cai no chão. O homem, no ultimo ato da sua vida, tenta lutar mas é lento e acaba com uma faca na cabeça. Arthur segura o corpo dele e lava ao chão com cuidado.

Marie se levanta confusa — Achei que ele iria atirar.

— Eu também, por isso tem mandei ir pro chão — ele a olha — Você tá bem?

— Sim. Obrigada — ela se abaixa ao lado do corpo e pega a arma, verificando-a — Está vazia. Filho da puta. Ele rouba as pessoas na sorte — ela joga a arma dentro da mochila e pega suas coisas de volta

— Que diabos é isso? Ele tem um W na testa

— Talvez algum tipo de reconhecimento?

— Não sei e não quero ficar para descobrir.

— Cadê o Heath e a Melanie?

— No andar de cima. Eles nem sabem o que aconteceu aqui. Vamos chama-los e ir embora, esse cara pode não estar sozinho.

— Okay.

Os dois sobem as escadas, encontrando Heath e Melanie saindo de portas opostas.

— Pegaram tudo? — Heath pergunta

— Sim. E precisamos ir embora — Marie diz

— O que houve?

— Um cara esquisito rendeu a Marie ali embaixo, está morto — o outro explica

Os outros dois se sobressaltam e concordam

— Então vamos embora daqui — Melanie sussurra arrumando a mochilas nas costas.

Marie desce primeiro, sozinha, já está escuro e ela torce para que a lanterna ainda cumpra com o planejado. Ela para na curva que a escada faz antes de chegar ao térreo e estica o pescoço. Ainda está vazio

Esses bichos são muito burros, ela sorri e chama o grupo, eles descem as escadas pé-ante-pé e repetem todo o processo, que funciona de novo. Marie abre a porta de emergência com cuidado e eles saem, mas o que encontram ali não é nada agradável.

Um bando em volta do carro deles.

O grupo congela enquanto os mortos avançam sobre eles.

Marie corre na direção contrária — Vou distrair eles, cheguem ao carro — ela para na frente do carro — OOOO! OLHEM AQUI!

Alguns se viram arrastados e esticam seu braços tentando correr na direção dela, ela vigia as próprias costas também. Heath, Melanie e Arthur puxam suas facas e matam aqueles que se aproximam

— Venham pra cá! — eles gritam

Do outro lado do carro, a francesa sozinha está sendo seguida por mais de dez errantes, ela começa a dar passos pra trás

— Marie! — Arthur chama

— Não me esperem! Continuem, eu me viro! — ela joga a mochila pelo alto e Arthur consegue pegar, com isso ela começa a correr pra dentro da floresta.

Ela não escutou tiros ou gritos, o que significa que o grupo conseguiu. Como os mortos não cansam, ela acaba correndo por uma hora seguida, pegando uma distância considerável entre eles. Marie se senta encostada numa árvore e respira fundo várias vezes. As corujas piam, o céu está estrelado e a lua cheia bem brilhante, uma nevoa fina dança sobre a grama vindo de algum rio próximo que ela não conhece, por que não sabe onde está. Ela umedece os lábios e sente a garganta arranhando de tão seca.

Como aquele bando chegou a eles? O que era aquele cara com o W na testa? Marie escuta um graveto se quebrando atrás de si e espia. Nada. Ela se levanta olhando além das árvores bem atrás de onde ela está e dá um passo pra trás, erguendo o pescoço e vê as cabeças surgindo no horizonte. Bufa estressada e volta a correr.

O terreno que ela está é desnivelado entre troncos que se projetam no chão, ela pula entre eles se segurando nos galhos, precisa despista-los. Ela faz um curva brusca, rápida, sem pensar e se ela tiver sorte, eles vão seguir em frente.

E com um tranco, batem em alguma coisa que a segura e tampa sua boca, ela esperneia e bate no homem que está a sua frente.

— Sh, sh. Eles estão vindo

Ela para e olha bem para os dois grandes olhos esverdeados e lindos que a encaram. O homem usa uma bandana vermelha cobrindo o rosto e o cabelo comprido loiro escuro está preso num coque mal feito.

Ele a solta e ela estapeia ele — Me larga!

— Está fugindo de quê?

Ela ajeita a besta — Do mesmo que você aparentemente.

— E está indo pra onde?

— Lugar nenhum.

— Tem um acampamento?

Eu não aguento mais ouvir essa pergunta hoje — Nao. Estou sozinha tem algum tempo. E você?

— Mesma coisa — ele olha por cima do ombro dela — Melhor correr

Marie checa rapido há que ele se refere e sem falar mais nada ou olhar para ele, corre.

— Ei! — o homem dispara atrás dela

— O que você quer?

— Eu tô sozinho, você também… A gente podia se ajudar

— Não, obrigada.

E mesmo assim ele continua atrás dela. Depois que se afastam de novo dos cadáveres, ela para e ele se joga numa árvore, se apoiando em um braço

— Deus do céu! — ele ofega — Você não para?

— Por que está me seguindo? Quem é você? — ela o encara e um pensamento passa pela sua cabeça, isso a faz tirar a arma do coldre e apontar para ele — Foi você que levou aquele bichos até o posto não é?! Você é dos W?

— Quê?? Que posto?? — ele entende e relaxa as sobrancelhas franzidas — Ah… Você perdeu sua gente agora?

— É — ela mente e faz uma cara triste — Eu escapei

— E você não tem pra onde ir?

— Sei lá. Por que você tá comigo? Vai embora, ou eu vou acabar te matando.

Ele baixa a bandana e suspira, o homem tem uma barba por fazer — Eu preciso de uma ajuda, e em troca eu te ajudo.

— O que é?

— Eu preciso de um carro

— E eu ganho o quê em troca?

— A ajuda que quiser — ele abre os braços e sorri — Posso contar com você garota?

— É, pode.

— Legal. Obrigado. Qual seu nome?

— É Marie.

— O meu é Paul.

— Tanto faz.

**************

Marie junta as mãos em concha e se curva sobre o vidro do carro para olhar. Está vazio e a chave pendurada na ignição

— Ei — ela chama

Paul deixa o outro carro e corre até ela

— Seu carro

Ele abre a porta e dá a partida. O carro precisa de algumas tentavias mas liga, o ponteiro mostra que o tanque está pela metade. Paul sorri para ela — Você quer alguma carona, garota?

— Não. Eu quero sua jaqueta e você pode ir.

— Claro — ele tira a jaqueta jeans e entrega a ela — Está frio mesmo

Marie veste por cima do moletom, fica grande, mas vai ser ótimo pra passar a noite

Paul estica a mão — Muito obrigado, Marie.

Ela aperta — De nada

E Paul vai embora. Marie fica sozinha, no escuro, no meio do nada, ouvindo os mortos grunhirem pela floresta e os pneus do carro que vai quebrando pedrinhas. Ela respira fundo e vai para o outro carro, não tem chave, mas ela pode tentar fazer ligação direta. Rick já tinha a ensinado várias vezes.

Mas pelo resto dessa noite ela precisa dormir.

***************

Marie pula quando algo se bate contra o vidro, e observa o cadáver esfregar a cara na janela enquanto arranha inutilmente. Ela gira a maçaneta para a janela abrir um pouco e ele enfia a boca na fresta. Depois se levanta e enfia a faca pelo queixo dele, ele vai parando de se mexer e o corpo desmonta no chão.

Rick havia dito que ligação direta se faz com os fio embaixo do painel, e é o que ela faz, pega os cabos desencapados e aproxima uma ponta da outra, faíscas saem mas o carro não liga, ela tenta uma duas, três vezes e nada. Respira fundo e recomeça, numa das tentativas o motor liga, mas desliga rápido.

Deve ser a bateria, Ela nunca entendeu nada de carros, mas viu na prisão Daryl ou Drake fazendo uns ajustes várias vezes nos carros de lá. E dava certo. Ela desconecta os cabos da bateria e conecta de novo, é o máximo que ela vai saber fazer, depois volta a tentar a ligação direta, dessa vez o motor liga por quase dez segundos e morre. Ela tenta de novo, agora acelerando o carro e finalmente, pega.

— AE, CARALHO! HAHA! PORRA!

Marie bate a porta e acelera o carro, manobrando para a rua contrária, que se ela estiver certa, faz conexão com a estrada para Alexandria.

O caminho para Alexandria é tranquilo como foi nas outras udas vezes que ela foi pra lá. Pela contagem dela, levou quatro horas até lá e parece ser meio dia, o sol arde no céu azul. Ela estaciona e desce, indo direto para o portão, mas quando chega lá, ele abre sozinho. Marie sorri — Oi, Francine!

— Marie! — as duas se abraçam — Bem vinda de volta

— É bom estar em casa

— Onde estão Heath, Arthur e Melanie?

— Nos separamos. Eu não sabia para onde eles iam, então pensei que o melhor lugar de encontro seria Alexandria.

— Sim, fez bem.

Marie aponta o polegar para o carro — Abra o portão, esse carro é difícil fazer pegar — ela entra na comunidade e para ao lado da moça do portão — Aaron e Eric já chegaram?

— Há alguns dias, mas o Aaron já saiu de novo.

— Então eu vou lá ver o Eric, saudades dele.

— Bom te ter de volta

— Obrigada — ela dirige até o sobrado que mora com o casal e estaciona em frente, desligando o carro, não vai precisar dele ligado tão cedo, talvez não mais. Ela desce e sobe para a porta, que se abre e uma garota sai de lá que ela não conhece. Morena, bem bonita, magra, usa bermuda, sandália e uma regata. Elas se cumprimentam com a cabeça enquanto uma passa pela outra.

Eric está na cozinha, mexendo nas panelas — Marie!!! — ele larga tudo na mesa balcão e dá passos rápidos e desajeitados até ela para a apertar num abraço — Que bom te ver de volta! É horrível ficar sozinho em casa.

— Por que está sozinho? Francine disse que o Aaron já saiu de novo.

— Sim. Na nossa última busca eu quebrei o tornozelo. Aaron me tirou da dupla e colocou outro no meu lugar, eles sairam tem dois dias.

— Eu torci o tornozelo nessa ronda também — ela sorri — Mas você tá bem?

— Sim, estou. Eu tenho que usar botinha, mas é um saco. Como foi lá fora?

— Aconteceram umas coisas estranhas…

— O outros estão bem?

— Sim. Vivos. Mas eu não sei aonde. Nos separamos. Tinha um cara W e um bando e eu não sabia onde encontrar eles, ai eu voltei. Mas como estão as coisas aqui?

— Aconteceu muita coisa desde que Aaron e eu voltamos.

— Tipo…?

— Vá tomar banho. Não é hora de falar disso. Nem terminei o almoço ainda. Minhas cebolas vão queimar — ele volta a mexer na panela

— Eu vou falar com a Deanna primeiro — ela finalmente tira a besta e deixa apoiada ao lado da porta.

— Isso

— E quem era aquela moça que estava aqui?

— A nova funcionária da enfermaria, Rosita.

— Hm… Do recrutamento?

— Isso. Tem umas pessoas muito amaveis nesse novo grupo.

Ela sorri — Então eu vou lá… Já volto

Marie caminha pela comunidade, está vazia, silenciosa. Será que todos estão em casa? Ela sobe as escadas do sobrado da líder e bate a porta

— Deanna, sou eu, Marie.

Nada. Ela bate de novo — Deanna?

— Entre, Marie.

Ela abre a porta e já se vira para a sala, Deanna está sentado no sofá, sozinha, escolhida no canto, enrolada numa coberta fina, por um instante parece doente, mas então Marie percebe que ele estava chorando. Está descabelada, com profundas olheiras e os olhos vermelhos e inchados.

— Oi.

— Sente-se

Ela faz como se pede — Está tudo bem? O que houve?

— Primeiro você. Relátorio?

— Sim, relatório. Eu me separei dos outros, eles mandaram alguns noticia?

— Não, os rádios andam difíceis esses dias. Por que se separou?

E então Marie contou tudo e Deanna não falou nada durante todo o tempo. No fim, ela apenas concordou com a cabeça — Então estão vivos.

— Sim.

— E por que não trouxe esse Paul com você?

— Por que ele já tinha pra onde ir. Ele estava limpo demais pra alguém… “Do mato”, barba feita. E ele sabia que eu também pertencia a algum lugar. Ele só precisava do carro e eu da jaqueta.

Novamente, a Sra. Monroe concorda num aceno leve — Aiden está morto.

Marie abre a boca extremamente chocada — Ai, meu Deus, eu sinto muito… Como aconteceu?

— Foi numa ronda. Ele, Nicholas e um grupo novo saíram e Aiden atirou num morto que tinha uma granada, explodiu — a voz dela falha, ela aperta o nariz e e volta a falar normal — Ele ficou preso e não conseguiram tirar. E aparentemente, ele só ficou lá por que o Nicholas foi um covarde e abandonou meu filho, os outros dois garotos não conseguiram tirar ele.

— Como assim? Nicholas e ele eram amigos, isso é verdade mesmo? Não pode… Ele não faria isso. Esse grupo pode ter mentido.

— Acho que você vai mudar de ideia agora.

— Por que?

— Porque os outros dois garotos pertenciam ao grupo de Rick Grimes.

Notas finais
aiaiai esse grupo closeiro do Rick né shwhswhsw ♥ Vcs ja sabem o q tem nos proximos caps beeeeeeeeeeeeeeijos