As I Lay Dying
21 Pior namorado possível
Notas iniciais
Meredith havia me chamado para ir ao seu consultório, então lá estava eu, sentado há sua frente esperando ela terminar de analisar o resultado do hemograma.
Ela tirou os óculos e largou os papeis na mesa com uma calma excessiva. Depois colocou suas mãos em cima da mesa e me olhou séria.
— Damon, o hemograma acusou uma alteração juntamente com anemia e plaquetopenia. – e as palavras que eu mais temia foram pronunciadas. Engoli em seco e a olhei assustado. – Sabe o que isso significa, não sabe? – assenti. – Certo. Então marcarei seu mielograma para daqui dois dias para que o diagnóstico saia logo e possamos começar o tratamento o quanto antes.
— Certo. Posso ir? – perguntei. Ela assentiu e estendeu sua mão, a apertei e sai da sala.
[...]
Ao chegar em casa Elena estava na sala andando de um lado para o outro, e não era para menos, eu não havia voltado para casa desde ontem quando sai. Ali olhando ela enquanto ela não me notava minha cabeça começou a trabalhar a mil pensando no que fazer sobre nós.
Eu não queria que ela sofresse. Eu sabia que assim que ela soubesse que eu estava doente novamente ela iria querer cuidar de mim, me ajudar. Ela me amava, eu sabia disso e também sabia que ela estaria ali comigo me apoiando a cada momento enquanto eu estivesse lutando novamente contra essa doença. Mas eu também a amava e não queria vê-la sofrer comigo, porque o que ela veria eu sofrer não seria fácil. Eu sabia o que ela sentiria quando me visse na cama de um hospital, apenas pele e osso, pálido e careca. Eu sabia que doeria nela me ver assim. Ela me ver assim não era uma opção, eu não deixaria ela passar por isso.
Elena se virou e me encontrou olhando para ela, ela ficou visivelmente mais relaxada e parecia até meio brava. Lutei para colocar uma expressão de indiferença em meu rosto.
Ela veio me abraçar e contra todos meus instintos eu não retribui.
— Onde estava? – ela perguntou.
— Por ai. – falei simplesmente e sai de perto dela, indo para a adega e pegando uma garrafa de Bourbon e um copo.
— Por ai? Eu passei a noite em claro esperando você chegar, não dormi até agora. – e suas olheiras mostravam que era verdade. Abri a garrafa e enchi meu copo.
— Bom, perdeu seu tempo. Estou bem aqui, são e salvo. – falei irônico. Fui indo para o quarto e ela me puxou.
— Qual o seu problema? Eu estava preocupada com você, ainda mais depois do que aconteceu ontem pela madrugada...
— Já falei que estou ótimo, agora me larga por favor. – e ela assim o fez. – Obrigado. – então ela se postou em minha frente. Revirei os olhos.
— Onde estava?
— No nosso apartamento antigo, pelo menos lá ninguém fica me fazendo perguntas o tempo todo. Para de enche o saco Elena, sai da minha frente. – falei a empurrando de lado.
— Eu só estava preocupada com você! – falou pelas minhas costas e percebi pela sua voz que estava magoada e me odiei por isso.
— E sem motivo. Já comprei meu remédio. – e me tranquei no quarto de hóspedes. Tentei ser silencioso durante a noite, não queria que ela me ouvisse.
Alguns dias depois...
Eu já havia feito o mielograma e o diagnóstico havia sido: leucemia mielóide aguda. Novamente.
Meu tratamento logo começaria e Elena ainda estava comigo. Sinceramente eu não sei como ela aguentava. Eu saia toda noite e passei a não lhe dar explicação, obvio que eu ficava em nosso apartamento, mas ela não sabia, pensava que era outra mulher. Eu via pelo seu rosto que ela me esperava acordada toda noite. Eu era grosso e não lhe demonstrava mais carinho, eu via a tristeza em seu rosto toda vez que tentava se aproximar e eu me afastava mal humorado. Meu coração se apertava cada vez mais, tudo o que eu queria era beija-la e fazer amor com ela ali no chão da sala mesmo.
Até ela resolver que queria uma explicação. Eu estava sentado na sofá da sala assistindo um jogo que eu sequer estava prestando atenção. Ela se postou em frente à televisão e desligou a mesma. Por um segundo pensei que ela me agarraria, porque ai estaria tudo perdido, mas então ela começou a falar.
— O que está acontecendo? – perguntou magoada.
— Não sei do que está falando. – falei indiferente. – Se importa de ligar a televisão de novo?
— Sim, me importo. E agora quero saber o porquê de estar me tratando assim e onde vai toda noite.
— Por ai, já falei que não lhe devo explicações, você não é minha mãe.
— Me diz AGORA aonde você vai toda noite! – disse brava e parecendo conter o choro.
— Por ai com uns amigos. – falei.
— POR AI ONDE DAMON?! – gritou e deixou algumas lagrimas escaparem, eu queria tanto abraça-la e dizer para não se preocupar.
— AHh, ela está bravinha. – provoquei risonho e depois voltei com a indiferença. – Umas festas, só isso.
— Festas?
— É.
— Que festas? – perguntou Elena parecendo perder a paciência, revirei os olhos.
— Festas ué. Com modelos gostosas.
— O que? Vo- Você me traiu? – perguntou agora chorando abertamente. Desconversei, eu não falaria que sim porque eu jamais faria isso.
— Olha, eu acho que isso, — indiquei para nós dois. – não está mais dando certo. – levantei. – Sabe, um cara com eu não pode se amarrar a qualquer uma, um cara com eu tem que ser de todas. Sabe, agora eu descobri tudo o que minha vida tem para oferecer. – ela ficou calada por um tempo.
— Você cheirou é? Cara como você? Preso a qualquer uma? O que você pensa que é? Pensa que é melhor que alguém? O que aconteceu?
— Só acho que nós dois juntos não rola mais. – falei indiferente. Eu preferia engolir acido a falar essas palavras, mas era necessário. Ela paralisou e me olhou espantada e extremamente magoada.
— Está terminando comigo? – não! Eu queria dizer.
— Sim, não é obvio? – dei um riso cínico e levei um belo de um tapa na cara, levei minha mão ao rosto massageando o local atingido. Eu merecia, eu já teria me dado vários desses nos últimos dias.
— Então porque foi atrás de mim? Porque me tirou do meu país? E porque me fez te amar mais do que eu já amava antes? Porque me fez acreditar que me amava tanto? – ela estava na minha frente chorando e soluçando. Apenas virei às costas e sai do apartamento, se eu não fizesse isso eu acabaria voltando atrás e lhe pedido perdão de joelhos. Eu sabia que ela sairia do apartamento, apenas não queria vê-la partir de novo.
Era melhor assim. Agora ela me odiaria e voltaria ao seu país. Mas creio que era melhor do que ver a pessoa que você ama sendo morta ao poucos por uma maldita doença, e o pior, até o último minuto se agarrando há esperança de sobreviver. Eu não tinha esperanças de sobreviver. Não dessa vez.
Notas finais
xoxo, Carolyn
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