As Histórias De Thalia

68 Lidamos com as dores


LUKE

Tão linda, tão crescida, tão distante... Os cabelos estavam bem mais curtos do que me recordava, deveriam cair em ondas sedutoras que lhe emolduravam o rosto, mas no instante estavam apenas bagunçados pela viagem. O rosto pálido, os lábios... Ah que belos lábios... Rosados entreabertos para ela melhor respirar. E os olhos do mais incomum e perfeito azul... Tão tristes... Por minha culpa.

"Como teve a ousadia de fazer tão perfeita criatura demonstrar tristeza?"

–Ele está reagindo... Rápido! Tragam néctar e ambrosia...

–Eu não o conheço mais! — a voz tão partida quanto o mais lindo diamante... Mas diamantes não eram praticamente indestrutíveis?

Ela avançou, as imagens borradas pareciam tão nítidas e tão absurdas ao mesmo tempo: sua lança, minha espada, uma colisão a cada milésimo de segundo possível; velocidade assombrosa e uma violência sem medida. Seus olhos brilhavam, os meus brilhavam.

Era a menina do meu passado, a garota dos meus pensamentos, a deusa dos meus sonhos, e uma estranha magnificamente forte. Era ela, mas... Também não era! Onde havia ido parar os olhares ternos, os meios sorrisos sinceros? Onde estava aquele pequeno ar descontraído em desafio a vida? Eu só vi uma dureza nova, muralhas construídas dos mais resistentes materiais e cobertas por gelo que lhe protegiam tanto a alma quanto o corpo, a coragem estava ainda mais ressaltada e o censo de justiça, a vontade destemida de defender o certo ainda mais evidente.

A eletricidade estralou no ar em luzes amarelas quando Mordecostas colidiu com Aegis; foi como se as duas armas se conhecessem em partes, cada uma guardando força e motivos para o ódio contra a outra. Poderia ter sido magnífico se não fosse tão horroroso... Ela derrubou-me caindo por cima do escudo e me forçando a ficar ali, com o corpo contra a rocha irregular e incomoda... O escudo se desativou e seu corpo estava sobre o meu; apenas as camadas de roupa nos separavam de fato... Tão perto, tão perto... Suas unhas afiadas como as de um águia perfuraram meu ombro e um rosnado de dor me escapou. Fui calado com um soco. Inverti as posições: puxei seu pulso para cima da cabeça imobilizando-o e apertando-o contra a rocha... Aquela pele era tão macia... Descontei o soco em um tapa. Sua pele alva começou a ficar avermelhada e logo me arrependi da agressão. Thalia voltou seus olhos flamejantes em fúria para mim.

Sua perna subiu sobre a minha como que em uma caricia quente; o rastro de calor queimou minha pele, mas não era um calor qualquer: era um calor gelado. O traço do gelo rasgando minhas defesas e minha sanidade, me deixando louco e com dor por não tê-la... Demos uma cambalhota para trás e senti que havia maldade na garota. As unhas cravadas em meus ombros me tiravam filetes de sangue, mas sua força me guiava para cima e para baixo de encontro, mais uma vez, a rocha irregular, incomoda, dura. Meu corpo latejava.

–Você não pode me vencer!

–Fechem as janelas antes que Luke congele de frio... Rápido imprestáveis!

Levantei-me tremendo em raiva. Ela sabia, eu sabia que não poderia vencê-la. Isso vinha desde a nossa primeira luta, nosso primeiro treino e nossas primeiras discussões: ela sempre me vencia. Eu a odiava por jogar esse fato na minha cara... Vadia! Como se atrevia a me envergonhar?

–É o que veremos velha amiga.

Seu corpo pareceu parar bruscamente. Temi ter enxergado chamas quase púrpuras em seus olhos... No segundo seguinte sua lança cortou o ar em um movimento horizontal. A princípio não senti nada, só a incompreensão... Meu peito estava cortado de ombro a ombro. Levei a mão ao ferimento por reflexo; ela voltou rubra do mesmo modo que minha blusa se tingia com o meu liquido quente e espesso... Havia uma onda de lágrimas nos olhos dela, como se não quisesse ter feito o que fez, mas como se eu merecesse... Eu não a compreendia mais inteiramente como antes e isso estava me custando muito caro.

Um espasmo de dor me invadiu o corpo e o aroma doce preencheu o meu ar agora morno.

–Ele é um traidor! Um traidor! — ela não falava comigo; meu peito ardia no sentido literal e figurado. Eu conseguia sentir toda a sua dor naquelas pequenas e significativas palavras... Em instantes confusos conheci apenas a queda... Cair... Cair... Cair... O vento cortava minha pele e dilacerava meus ferimentos; Zeus parecia me castigar durante a queda por... Pelo o que? No que estava pensando Luke? Zeus não se importa com a filha maravilhosa que tem, está me punindo por abandonar minhas orações aos deuses... A colisão foi o fim. Não tem como descrever a dor de ter seus ossos quebrados e de se sentir achatado, colado a pedra como um chiclete... Foi como ter meu corpo mais uma vez em chamas... Seus cabelos balançavam com o vento forte, mas fora isso, ela era só um borrão... Duas gotas de um liquido salgado me caíram no rosto: uma nos lábios e a outra na bochecha... Lágrimas dela? Não! A vadia havia me jogado... Ela cortou-me o peito...

"Do mesmo modo que você jogou o veneno da poderosa Píton nos seios dela enquanto ainda era apenas uma árvore indefesa."

"Eu queria um novo mundo para nós dois!"

"Traiu a confiança dela!"

"NÃO! Ela me trocou por outro insignificante humano..."

"E com quantas outras garotas já partilhou a cama? Traístes a menina das piores formas possíveis!"

Abri os olhos e os fechei com força. Meu corpo tremia violentamente. A claridade da lâmpada foi muito incomoda aos meus olhos. Do pouco que observei, ou sabia, havia um colchão macio sobre minhas costas e não uma rocha. Cada pequeno osso, cada vaso sanguíneo... Não havia nada que não doesse.

–A queda deveria tê-lo matado, senhor — a voz era feminina; havia algum traço poderoso e antigo na voz...

–Vinho — pedi com os lábios rachados e a garganta seca. Um copo de cristal me chegou aos lábios e o gosto doce de chocolate e baunilha me deixou enjoado... Com as costas da mão mandei o copo para o outro lado do quarto — Pedi vinho. Não Néctar — minha voz estava rouca e essa simples fala me gerou um ataque de tosse que me sacudiu os ombros. Senti meus ossos se triturarem com o movimento.

–Como queira — a voz da garota tinha um ar zombeteiro, mas agradável — Todo o exercito ficou perplexo ao te ver no chão. Alguns acham que você não é tão habilidoso quando se trata de mulheres — ela deixou escapar um risinho; um movimento no colchão me deu a entender de que ela estava muito próxima — Outros andam dizendo que a filha de Zeus luta como um demônio — dessa vez ela riu com escárnio — Aquela garotinha não é nada comparada aos verdadeiros demônios. Ela é inferior em todos os sentidos.

Travei o maxilar tanto em dor quanto em raiva. Não queria que ela falasse assim de Thalia, mas não podia negar a minha raiva por aquela prole de deus.

–Como pode saber? — abri os olhos; a garota estava quase sobre mim com um pano úmido nas mãos. Ela era o exemplo perfeito da beleza negra: a pele marcada perfeitamente pelo sol em um tom de cappuccino, os cabelos cacheados castanhos escuros e belos e maldosos olhos negros. Ela sorriu.

–Porque eu sou um.

O pano foi de encontro ao corte já fechado que eu trazia no peito. A ardência me fez ranger os dentes. Virei o rosto para melhor observá-la; um erro, mas não importava tanto assim, eu tinha que aprender a disciplinar minha dor.

–Quem é você demônio?

–Sou Kelli, senhor. Farei com que se esqueça da filha de Zeus — ela acariciou meu rosto em um carinho frio; um sorriso malicioso e impróprio brincou em seus lábios...

THALIA

A noite estava tão linda que era o pior dos insultos a minha dor... Zoe havia ganhado uma constelação digna de respeito e admiração... Perdi a chance de ter tido uma irmã... Meus ombros balançavam acompanhando meus soluços, lágrimas ainda me manchavam o rosto e o verdadeiro vazio me preenchia por dentro. Eu estava aos pedaços e minhas peças foram perdidas, levadas junto ao vento...

Senti os olhos da deusa sobre mim e me atrevi a erguer o olhar mesmo que contrariada. Talvez eu esteja enganada, mas consegue ver traços de dor em seus olhos; mas a dor era por mim e não pela sua tenente. Não queria isso de ninguém... Pena. Argh! Eu nunca precisei disso e não suporto receber olhares assim... Mas não era apenas isso: havia muito mais ali. A conclusão de muitos anos atrás havia voltado; ela sabia, eu sabia... Só me faltava acreditar que era o melhor.

Não tivemos mais tempo; Ártemis desapareceu e três pegasus chegaram. Percy, Annabeth e eu montamos. Não devo ter passado mais do que cinco minutos acordada... Mas dormir era um erro, sempre seria um grande e terrível erro.

A escuridão era tudo: céu, terra, leste, oeste... Não havia sentido ou direção. Era apenas um grande e infinito breu. Eu podia sentir meu corpo cansado pela batalha, mas caminhava lentamente pelo negro a procura de uma luz ou... Bom, a procura de qualquer coisa... Mas não precisei procurar por muito tempo: a minha luz no fim do túnel era dourada e se aproximava de mim a cada segundo com uma aura tão forte e perigosa que senti meus músculos fraquejarem durante um tempo. A cada passo que dávamos a luz tomava uma forma humana, apenas o contorno de uma forma humana.

–É mais teimosa do que pensei que fosse, Thalia — a voz cortou o ar — Achei que rever o seu namoradinho a traria até nós... Mas estava errado — a decepção dele me atingiu como facas lançadas ao ar; lâminas tão frias que chegam a queimar cada traço de matéria.

–Você atormentava Luke desde que fugíamos...

–Era necessário, querida neta. Mas você, eu deveria ter previsto, iria estragar meus planos. Desde aqueles dias você tinha o péssimo costume de tirar o filho de Hermes do meu controle... Mas isso não vai ocorrer mais, garanto.

–Ele... — não consegui completar a frase; eu sabia que Luke estava vivo, mas também tinha a certeza de que se Cronos quisesse, sua vida se esvairia para os domínios de Hades.

–Está vivo. Não se iluda, garota: vocês escolheram para qual lado vão erguer as espadas. A filhinha de Zeus e o servo leal a Cronos... — sua risada em escárnio me causou dor e raiva — Não existe mais um caminho que ligue vocês dois; são proibidos um para o outro... — a frieza me lembrava facas raspando contra uma parede de rocha — Ele é seu ponto fraco, querida...

O contorno da mão dourada veio de encontro ao meu rosto... Não consegui me mover, mas Cronos sim: sua "sombra" veio para traz de mim e a escuridão deu lugar a uma nova imagem, uma visão.

Uma menina passava um pano úmido sobre o corte de ombro a ombro; havia malícia em cada gesto dela, o modo como sorria... Luke segurou uma de suas mãos fazendo-a parar de limpar o corte.

–Como pretende conseguir isso?

–Assim — ela se inclinou sobre ele beijando sem pudor; tentei desfiar o olhar ou correr dali, mas Cronos segurava tanto a minha cintura quanto meu rosto, me prendendo a cena.

–Sinta a dor de vê-lo com outra; sinta culpa por tê-lo deixado tão ferido...

Não consegui sentir nada disso. Era como se eu soubesse que Luke Castellan, o menino dos meus sonhos e do meu passado tivessem ficado preso apenas ao passado...

–Péssimo golpe Cronos. Luke não é nada pra mim.

Eu não podia ver surpresa já que não havia um rosto ali, mas ela emanava ao redor de nós dois. Fechei as mãos enterrando as unhas nas palmas... O sangue quente começou a jorrar...

–Lembre-se bem da sua escolha: a filha de Zeus e o servo de Cronos...

Abri os olhos não assustada, não surpresa... Só mais cansada do que quando adormeci. Pensei ter sido apenas no sonho, mas os cortes em minhas mãos estavam reabertos, em carne-viva... Avistei o Olimpo: pura luz e claridade ao contrário do meu breve e infeliz sonho.

– O solstício de inverno. O conselho dos deuses.

[...]

Entramos lado a lado na sala do trono. Embora inquieta, eu não via o porquê de ter medo dos deuses; pelo menos, não agora. Doze tronos e todos ocupados por divindades. No teto, brilhavam diversas constelações inclusive a nova Caçadora... Nunca tinha visto um céu mais lindo do que aquele. Ignorei todos os deuses e deusas só para olhar aquela perfeição disfarçada de noite... Nas estrelas, pensei ter visto o leve tilintar de um sorriso...

–Bem vindos, heróis — era a voz de Ártemis; por reflexo voltei a "baixar" o olhar. Um mugido me chamou a atenção: aquele monstrinho inocente nadava em um aquário e Grover estava de joelhos, aos pés de Zeus...

–Vocês conseguiram! — o sátiro se levantou e começou a correr até nós, mas parou lembrando-se dos deuses; ele pediu permissão ao meu pai, mas Zeus pareceu não ouvir de fato... Seus olhos estavam tão intensamente presos nos meus...

–Vá em frente — sua voz era tão profunda... Entendi o que todos falavam: eu me parecia muito com aquele deus de cabelos castanhos muito escuros, os traços bem definidos mostravam sua autoridade, sua rigidez. E tinha aqueles olhos. Os olhos azuis tão lindos e incomuns. Meus olhos. Talvez a única parte de mim que eu realmente gostasse de admirar. Ele vestia um terno escuro, azul marinho talvez, risca de giz, tinha a barba muito bem feita...

Grover abraçou Annabeth com cuidado e carinho, mas muito entusiasmado... E veio até mim.

–Ainda tem medo de me abraçar? — sussurrei com um pequeno sorriso no conto do rosto. Ele sorriu grandemente, embora tivesse as bochechas rosadas. Abracei Grover lhe envolvendo os ombros e parte das costas; respirei aquele odor tão característico dos sátiros: terra e folhas. Fechei meus olhos e sorri verdadeiramente como a muito eu não fazia... Abri os olhos e vi a energia nos olhos do deus dos céus. Um brilho tão magnífico em felicidade que voltei a fechar meus olhos e a sorrir mais.

Ártemis voltou a falar. A deusa caminhava sobre a sala com tamanha graciosidade que capturava toda a atenção para si...

–O Conselho foi informado de seus feitos — ela disse olhando para cada um de nós, mas senti um peso extra sobre mim; desviei meus olhos para o chão. Eu sabia o que tinha que fazer, sabia o que minha consciência queria, mas meu coração gritava com todas as forças que não... "Alma", Atena havia dito para escutar com a alma... Mas ela estava em pedaços! Como eu teria plena certeza do que estava fazendo?

–... Estes meios-sangues prestaram um grande serviço ao Olimpo. Alguém aqui negaria isso? — ela observou cada deus individualmente com seriedade... Tinha tanto poder no mesmo lugar que eu estava de certo modo abismada por ainda existir ar para respirar.

–Sou obrigado a dizer que esses garotos se saíram bem. — Apolo pigarreou e começou a recitar — Heróis ganham louros...

–Hum, sim, foram exemplares — Hermes o interrompeu; ele parecia ter medo de ouvir aquela poesia; o deus parecia abatido e eu tinha quase certeza de que eu era parte do motivo — Todos a favor de não os desintegrar?

Mãos tímidas se ergueram no ar.

– Esperem um pouco – Ares grunhiu – Esse dois são perigosos. Seria muito mais seguro, aproveitando que estão aqui... – ele pegou uma lança comprida que estava ao lado do seu trono e a mirou especificamente em Percy. Me coloquei em frente ao meu primo e ele segurou minhas mão fortemente... Nós não nos entregaríamos, isso era óbvio. Ares sorriu nervoso – Então a princesinha quer ir primeiro? – os deuses não reagiram; Poseidon e Zeus pasmos demais comigo e com Percy – Você não aprende, garota? Por que daria a vida por ele?

–Por que não daria? – perguntei com naturalidade, mas senti meus olhos flamejarem...

–Ótimo. Você primei...

–Ainda não entendeu que não temos medo de você ou de morrer? – Percy rosnou.

–Como ousa...

–Ares – interrompeu Poseidon -, eles são heróis valorosos. Não vamos fazer meu filho em pedaços. – sai da frente do menino e ganhei um abraço de lado e uma mão segurada firmemente por um sátiro; do outro lado Annie também abraçava Percy.

–Tampouco minha filha – Zeus grunhiu – Ela agiu muito bem.

Apoiei meu rosto no ombro de Percy e fitei o chão sentindo um novo calor me subir à face. Era estranho demais ser defendida por alguém que eu nunca vira realmente, e ser elogiada então... Mas os deuses por si só conseguem arrumar ainda mais brigas: Ares, Atena, Dionísio... Mas foi Ártemis quem nos salvou.

–Não vou permitir que sejam punidos. Mas sim recompensados. Se destruirmos heróis que nos prestam favores, então não seremos melhores do que os titãs... Eu vou premiá-los.

Meu corpo pareceu gelar; eu sabia o que isso significava: uma nova escolha... Thalia, o que você quer? Escolha com cuidado, com o coração e com a mente; escolha com a alma... Apertei a mão de Grover com mais força e me distanciei de Percy que argumentava sobre Bessie. Zeus refletiu olhando em meus olhos.

–... Preciso de uma nova tenente. E tenho a intenção de escolher uma. Mas, primeiro, Pai Zeus, devo falar-lhe em particular.

Eu temia isso. Meus instantes de reflexão haviam se esgotados... “Esqueça os deuses! Esqueça a profecia! O que é melhor para você? O que irá impedi-la de sofrer mais?”

–Eu terei uma nova tenente. Se ela aceitar o convite. – a deusa sorria – Thalia, Filha de Zeus. Quer se juntar a Caçada?

Um silencio perplexo se instalou no grande salão. Eu não posso culpá-los. Todos os deuses tinham uma grande noção do meu passado, do meu amor por Luke... Luke... Só o soar de seu nome me arranhava o peito... Chega de sofrer por algo inalcançável!

–Eu quero – minha voz soou firme, mas meu peito ardia em protesto... Não importava. Eu tinha que aprender a lidar com a dor.

–Minha filha, pense bem... – Zeus me olhava atônito; ele via o quanto aquilo doía em mim, ele sabia o quanto eu o amava... E eu via nos olhos do meu pai o quanto a minha dor o incomodava.

–Pai, eu não vou fazer dezesseis anos amanhã. Nunca farei dezesseis anos. Não deixarei que a profecia seja minha – porque se for, o mal vence, não tenha dúvida – Ficarei com minha irmã Ártemis.

Me ajoelhei de frente a minha irmã, ignorando o olhar impotente de Zeus, a tristeza de Afrodite e mágoa da compreensão que era o olhar de Hermes... E proferi os votos... No mesmo instante, senti um grande peso sair dos meus ombros, não era o suficiente para eu me sentir inteira, mas era um alivio, uma leveza muito grande... Há quanto tempo eu estava presa a esse fardo? Não importava; levantei sabendo o que eu tinha de fazer: eu havia, de certa forma iludido Percy... Annie não queria entrar na Caçada, não totalmente.

Assim que levantei envolvi meu primo em um abraço apertado e caloroso; ele estranhou a principio, mas correspondeu. Não importava quem estava vendo. Percy era meu amigo, minha família... – Cuide bem da Annie, Cabeça de Algas – murmurei em seu ouvido e senti seu corpo esquentar; segurei um riso. Percy estava corado.

–Estou reverenciando um amigo. Eu preciso me juntar a Caçada, Percy. Talvez por motivos que você não entenda, não totalmente... Mas boa sorte com a profecia.

–Grande – ele murmurou arrasado.

–Tenho muito orgulho de ser sua amiga, Jackson... Não faça isso mudar.

–Eu prometo – ele sorriu, mas algo dentro de mim pareceu trincar.

–Eu vou cobrar.

–Eu sei.

Notas finais
Pois então; eu teria postado antes, mas minha net caiu =( O livro praticamente acabou, né? Daqui para a frente, vou contar as aventuras na caçada da filha de Zeus, ok? Ocorreram algumas mudanças nas falas desse ep, mas não achei que ficou ruim... Bom, me digam vocês... Bjss =D