Notas iniciais
Gente, quanto tempo... Rsrsrs, ficou grandinho, mas acho que ficou bom. Boa leitura:

Era inegável dizer que muitos sofrem por amor. Amores perdidos com a distancia e traições podem ser os maiores causadores desse tipo de dor emocional. O incomum é as duas pessoas envolvidas sofrerem a mesma dor.

O jovem loiro treinava durante toda a manhã, mantendo o corpo forte e saudável para a futura guerra. Luke tinha recebido ordens diretas para não pensar na menina que assombrava seus pensamentos e sonhos, mas não era fácil manter sua mente focada em algo que não fosse ela. À medida que ele contava os dias para vê-la, ele contava os dias para perdê-la. Luke não fazia idéia de como a menina reagiria com uma guerra entre eles ou em que lado ela decidiria lutar... A moça era imprevisível.

Luke já tinha tentado se aproximar diversas vezes, mesmo sem a permissão do titã. O dia na chuva foi o único em que ele conseguiu vislumbrar o quanto ela havia crescido e amadurecido; pelo menos o corpo. Os sonhos estavam cada vez piores: 1° ele a via na praia sobre o capo de um conversível. A moça beijava um rapaz que não era ele. Naquele mesmo dia escolheu qualquer garota disposta a dividir uma cama com ele. Luke queria esquecê-la se não pudesse tê-la... Mas era algo difícil, já que sentia sua presença o tempo todo... Doloroso. Era essa a palavra que descrevia a ausência e presença parcial da menina.

Isso iria passar. Tinha que passar... Não faltava muito tempo para ele poder se aproximar mais de Thalia. Cronos já tinha lhe dado a resposta para isso. Ninguem o reconheceria por enquanto...

THALIA

Meu celular não parava de tocar a uns três dias. Lion e os amigos viviam me chamando para festas, boates, e outras coisas do gênero. Fora o detalhe de que Lion ainda me contava podres de Nayla.

Era o meio da semana, mas parecia uma tarde de sábado nublado. O outono estava deixando as arvores com lindos tons marrons e dourados e os raios de sol iam sumindo e se tornando menos frenquentes. Era o frio que chagava. Minhas lembranças de um inverno aquecido mesmo nas ruas eram maravilhosas, mas esse inverno chegava destruindo os últimos fragmentos de calor do meu coração. O engraçado era que desde que Felipe me beijou na praia, eu sentia um calor tão grande no meu corpo, contrario ao inicio do inverno que se aproximava, que me fazia ansiar por qualquer coisa para apagá-lo.

Era o fim de tarde, mas todas as minhas amigas já estavam de pijamas, quentinhas e prontas para se aconchegarem sobre o peso do edredom. Annie lia algum livro sobre arquitetura e esboçava em um caderno os esboços de um trabalho para o curso dela arquitetura ou sabe Zeus que matéria era aquela. Pam e Celine discutiam sobre algum filme que queriam ver e eu ainda estava no telefone (usando a calça do pijama, uma regata vinho e aquelas botas ugg), sentada próxima a janela.

... Tinha pedido iogurte com morangos e todo o Gorpo dela ficou inchado como aquele peixe do Nemo.

–Sabe, acho que ela vai para de me incomodar durante um tempo. – contei a ele enquanto tirava a “franja” dos meus olhos. – Mas essa idéia de morangos no iogurte foi demais. – pude sentir o sorriso cafajeste dele quando respondeu.

Eu sei. Gatinha, você devia vir comigo hoje. Vai ser inesquecível...

–Não estou com muita vontade de sair... – senti o olhar de Annabeth cair sobre mim.

Qual é princesa? A gente não se vê desde aquela apresentação ridícula de ballet.

–Lion, eu não sei. Vou pensar no seu caso.

Vou enviar o endereço por mensagem. Eu te espero lá, ok? Leve aquela loirinha gostosa junto...

–Tchau. – me despedi sem confirmar. O aparelho vibrou quando recebi a mensagem com o endereço. Por alguns instantes fiquei tentada a sair daquele cubículo e esquecer a escola, mas não era assim que funcionava.

–Lia – Annie me chamou trazendo minha consciência de volta ao meu corpo – o que ele queria agora?

–Chamar nós duas pra sair. – ele me olhou profundamente tentando desvendar minhas intenções. – Acho que eu vou.

–Então eu vou com você. – nos levantamos da cama e fomos até o guarda-roupa que dividíamos. Enquanto pegávamos calças jeans e tênis, Celine e Pam estavam já dormindo. Annie vestiu uma blusa de moletom com a estampa do Mickey e eu apenas uma camiseta dos Rolling Stones com tênis vermelhos.

–Não vai pegar nenhuma blusa?

–Estou bem só de camiseta, Annie.

–Pega uma jaqueta agora! – ela mandou como se fosse minha irmã mais velha.

–Deuses! Nós invertemos os papeis agora? – perguntei rindo e pegando uma jaqueta (de couro!).

Saímos do quarto sem fazer barulho, o que já era uma rotina, descemos as escadas, viramos corredores e chegamos até aquele lindo portãozinho enferrujado. Começamos a nos distanciar da escola em passos calmos. Comecei a pensar em como tudo estava diferente e a confirmação de que o mundo estava “acabando” foi a filha mais certinha de Atena fugir da escola comigo. Não pude deixar de sorrir.

Quando estávamos longe o bastante da escola, arriscamos pedir um taxi. O vento forte bagunçava nossos cabelos no instante em que um homem parou na nossa frente. Aquele carrinho amarelo estava bem mais quente do que o ar lá fora.

–Para onde, meninas? – mostrei o endereço no celular e ele seguiu seu caminho em silencio, mesmo estando desconfiado. Pelo visto ele conhecia o endereço.

–Nós não vamos demorar, não é? – Annie não conseguia bancar a mais velha por muito tempo, pelo menos, perto de mim.

–Não. – tranqüilizei a menina – Eles vão aprontar alguma coisa, eu tenho certeza – contei a ela – Mas não precisa se preocupar. – a loira sorriu e passou a observar a paisagem ir mudando. Os ruídos da cidade grande adentravam o carro e me pareciam convidativos ao mundo lá fora. O taxi percorreu por quase 20 minutos até parar na frente de um autódromo clandestino. Descemos do carro e, enquanto eu pagava o senhor desconfiado, Annie olhava para a arquitetura do lugar.

–Vão ficar aqui mesmo, meninas?

–Não. Vamos continuar o caminho a pé. – contei a ele segurando uma mecha de cabelo longe do meu rosto. – Vamos visitar um tio que teve problemas com alguns criminosos – ele arregalou os olhos – Não podemos chegar até lá de taxi, mas muito obrigada por se preocupar. – sorri docemente e acenei enquanto ele ia embora.

–Você é muito boa com mentiras. – Annabeth comentou ainda olhando os detalhes da construção.

–Fazer o que? Vamos. – comecei a procurar uma entrada que não chamasse tanta a atenção.

–Espera! Nós vamos mesmo lá dentro? – a filha certinha de Atena voltou.

–Qual é Annie? – olhei para ele sem saber como aparentava estar – Chegamos até aqui. Você já fez o que nenhum filho de Atena faria. Você. Fugiu. Da. Escola. – eu disse pausadamente como se falasse com uma criança pequena.

–Não sei se quero ir ai... – ela abraçou o próprio corpo.

–Ótimo. Volte para o internato. Isso fica por sua conta – Annabeth parecia ter voltado aos seus sete anos, quando ela não conseguia ficar sozinha sem ter medo de ser abandonada.

–Prometeu que eu não te perderia.

–E nem vai. – suspirei e segurei as grades de segurança do portão. – Lembra quando falávamos sobre o quanto queríamos ser normais? Quero fazer loucuras e me arriscar. Sabe o quanto é estranho as pessoas esperarem sempre mais de mim só por ser filha de Zeus? – ela baixou a cabeça; ela lembrava tudo o que passei e sabia que os filhos dos três grandes eram sempre mais testados. Principalmente os filhos de Zeus, até porque Hera nunca foi muito simpática com esses.

–Lia eu... – sua voz falhou.

–Quero esquecer que sou filha de um deus por alguns dias, talvez minutos. Uma guerra indesejada está chegando mais uma vez e eu não faço a menor idéia do que teremos de fazer para enfrentar isso. Eu só... – foi a minha voz que falhou – Só quero um intervalo. Só isso. Se quiser ir embora, não vou ficar chateada. – a tranqüilizei. Minutos se passaram em silencio e quando eu pensei em desistir de uma resposta, Annie falou:

–Não vamos demorar, né?

–Não, não vamos. – eu sorri e nós duas entramos naquele lugar escuro e grande. O som indiscutivelmente auto de vários motores quebrou todo o silencio. Às cegas, Annabeth e eu andamos de mãos dadas até sairmos na pista de terra. Ao longe, vimos Lion e seus amigos testando os motores de motos velozes. Assim que nos viram, o loiro e um amigo dele caminharam até nós.

–Muito gata... – o loiro me admirava. – Gostei dos seus cabelos assim. Te deixam mais sexy. – eu ri.

–Vai correr, felino? – ele fez uma pequena careta.

–Vou. E você vai torcer por mim.

–Isso não pareceu um pedido. – reparei.

–E não foi. – ele chegou mais perto; meu corpo parecia gritar em protesto com essa aproximação, mas não liguei. Aquele calor ainda me consumia.

–Acontece que sou eu quem dita às regras, querido. – me aproximei e acariciei seus cabelos ondulados sem dar muita importância ao que fazia, mas sabendo que ele estava surpreso – Eu mando e você obedece, lindinho. – ele sorriu.

O moreno que tinha vindo junto era o “peguete” da loira. O interessante era que o menino tinha uma aparência próxima a do meu priminho: a pele bronzeada, os olhos verdes (mas claros) e os cabelos, ao invés de preto, eram castanhos escuros.

–Então, vamos até lá... – o garoto comentou para uma Annabeth acanhada – Vou te mostrar o lugar...

–Eu não sei, não... – ela passou uma mecha de cabelo para trás da orelha. Ignorei Lion e me aproximei dela para sussurrar em seu ouvido.

–Pode ir. Eu não conto ao Percy. – me afastei e vi o rosto ruborizado da menina. – Annie, se divirta. -Comecei ame afastar deles e ir em direção a arquibancada que ficava mais para cima, longe de onde os corredores competiam. Lion vinha logo atrás... Parei de andar bruscamente.

–Por que ela esta aqui? – quase rosnei para o menino e o vi se encolher. Nayla estava ali com seus jeans extremamente colados e as suas cachorrinhas de confiança.

–Elas sempre vêem pra esses lados. Aqui é um refugio nosso. Se eu não as convido, outro moleque faz isso. – ele disse erguendo as mãos em sinal de rendição.

Deixei o assunto de lado e voltei a caminhar naquela direção. Lion enlaçou minha cintura e caminhou ao meu lado até lá. De longe notei o ódio que Nayla sentia de mim só por causa de Lion. Nas arquibancadas, o loiro beijou minha bochecha e foi se preparar para correr. Nayla espumava pela boca... Por esse detalhe reparei mais nela e nas pessoas a sua volta. O baseado de maconha entre os dedos e uma lata de cerveja barata aos seus pés... Isso era algo muito interessante... O ruído dos motores voltou a se fazer presente e as motos dispararam na pista de terra.

[...]

Aquela seria a décima volta e eu já tinha perdido quem era quem ali no meio. Em algum momento Annie apareceu ao meu lado e um pessoal veio nos oferecer as drogas. Recusamos diversas vezes e voltamos a olhar a corrida... Lion ficou em segundo lugar, mas não estava fulo da vida.

Um drogado se aproximou da loira tentando não apenas agarrá-la, mas também fazê-la experimentar da sua droga. Era óbvio que semideuses sabem se defender muito bem, mas Annabeth estava com medo, alem do mais, ela nunca havia presenciado um momento com drogados... Eu passei boa parte da minha vida com pessoas desse tipo.

Agarrei o braço do individuo e o torci. O seu tão precioso baseado caiu no chão e ele expressava dor. Chutei-o arquibancada abaixo e vi todos os olhos ficarem entre nós três.

–Lia, por favor, vamos embora! – ela se encolheu com frio e medo. – Você prometeu que não ia demorar!

–Vamos. – Começamos a nós afastar, mas percebi que estava sendo seguida. Empurrei Annie para o lado e, ainda de costas, joguei o drogado no chão mais uma vez. Reparei que um filete de sangue escorria por sua testa... Ele voltou a se levantar e fechou os punhos. Entediada, tirei a jaqueta de couro e joguei para uma filha de Atena aterrorizada. – Quer brigar machão? – desafiei o homem negro e forte na minha frente.

Ele rosnou e tentou desferir três socos seguidos em mim, errando todos eles. O curto treino de boxe foi útil: acertei dois socos no rosto, uma joelhada entra as pernas e um chute no abdômen. Caído no chão, mais um filete escorria por seu rosto. Apoiei minha mão nos joelhos e inclinei meu corpo para frente.

–Não provoque mais a loira, ouviu? Não tente nada com ela ou vou te dar uma amostra de como pode ser o inferno. – rosnei e voltei a sair de lá com Annabeth. Corremos para fora daquele lugar clandestino e não nos importamos com o vento frio batendo na pele. Tínhamos gastado 20 minutos vindo de carro, então eu só acho que vamos levar umas duas horas para voltar para a escola. Paramos em uma cafeteria qualquer e saímos tomando cappuccinos quentinhos; só então tivemos a coragem de chamar um taxi.

Quando voltamos ao nosso quarto, ofegantes, mas sem fazer barulho, encontramos as meninas adormecidas. Não posso reclamar: já eram quase 03h00min da manhã!

–Isso vai ficar só entre a gente?

–Vai. – respondi e voltamos a pegar nossos pijamas. Vesti minha calça, a regata e, surpreendendo Annabeth, coloquei mais uma vez as botas ugg. Peguei um elástico de cabelo e prendi meus fios. – Vou invadir a cozinha e comer alguma coisa. – disse ao olhar questionador dela. Assim Annie entrou embaixo do edredom e fechou os olhos. Enquanto eu descia, mais uma vez, as escadas, senti meu celular vibrar. Ignorei até chegar à cozinha, sentar em um balcão e pegar uma maçã.

“Até sexta à noite; vc eu e as meninas na boate, ok?” – Era Lion.

“Quem mais vai?”

“A boate é famosa; talvez + minas e uns muleques...” — Suspirei.

“Te vejo lá”

Mordi a maçã enquanto pensava. Era melhor eu me divertir do que ter um colapso nervoso causado por uma dislexia irritante e uma estranha claustrofobia.

[...]

Era sexta. A esperada noite (menos para mim) em que iramos para a balada se aproximava. As meninas estavam bem animadas, mas acabamos descobrindo que o destino é cruel: Nayla e suas amigas também iriam. O inexplicável era nenhuma de nós ter perdido o entusiasmo. Annie e as outras estavam no refeitório para o almoço; eu me dirigia para lá quando, acidentalmente, olhei por uma janela.

Existia alguém lá embaixo. A figura masculina não tinha uma aparência chamativa; nem feio, nem bonito. Apenas comum... Se não fosse o calor que senti apenas em olhar para baixo. No mais fundo de mim, eu o reconhecia por sua essência, mas seu rosto não me dizia nada de familiar. O jovem homem olhou para cima e me encontrou. Meus cabelos voaram com um vento típico de outono e eu me debrucei ainda mais sobre a janela (já que eu não estava em um andar muito alto, mesmo sabendo que isso não importaria). Parecia que nenhum de nós quebraria a troca de olhares.

... O grito de desespero cortou o ar e me encheu de adrenalina. Quebrei aquela estranha conexão com o estranho e sai correndo pela escola... Mais gritos encheram o ar, mas o único que me importava era o mais alto de todos. Annabeth precisava de mim. Precisava muito.

O refeitório estava uma perfeita bagunça: existia comida caída no chão, meninas gritando e subindo nas mesas, aranhas... Bichinhos nem tão pequenos e arroxeados caminhavam por todo o refeitório. O interessante era que Nayla e seu grupinho riam... Mas todas as aranhas pareciam redirecionar seus rumos para a loira filha de Atena.

Annabeth estava em um visível desespero: lágrimas involuntárias escorriam por sua face branca como papel. Eu estava em um estado perigoso de raiva; senti meus olhos faiscarem e minhas mãos tremerem de fúria. Corri até minha amiga, mas pulverizei as aranhas que passaram em meu caminho. Annie me abraçou fortemente e eu pude sentir seu corpo tremer e se encolher... Mais aranhas chegavam e me dei conta de que eram venenosas... Virei meu corpo e olhei para as meninas que se encolhiam como Annabeth, depois para as vadias e só então para as aranhas. Atrás de mim, Annie segurava minhas mãos... Meus olhos queimavam e eu bati o pé no chão... A menina soltou minhas mãos quando levou um pequeno choque; as aranhas não existiam mais com vida.

...Nayla estava no chão sem que eu ao menos soubesse como eu havia chegado nela tão rápido. Fechei meus punhos e uma lâmpada explodiu. Ia cair em cima dela e arrebentar aqueles dentinhos que Nayla tanto exibia em um sorriso falso... Mas não pude. Mãos me seguraram firmemente e me afastaram daquele corpo no chão.

–O que aconteceu aqui? – era a voz da diretora que estava ao meu lado. Algum professor forte o bastante ainda me segurava; eu, por outro lado, segurava minha fúria e vontade de matar uma mera mortal.

–Tinha muitas aranhas... – alguma menina gemeu.

–Muitas, muitas...

–Elas eram roxas... – outra choramingou – Nayla as trouxe.

–E você estava fazendo o que Thalia?

–Pensei que estava claro que eu quero esganar essa menina mimada. – rosnei ainda fuzilando uma Nayla assustada no chão. Me virei para a diretora – Acho bom você fazer alguma coisa antes que eu faça.

[...]

Depois daquele irritante episódio no refeitório, fomos as quatro para o dormitório. Na mesma cama, Annie se deitou no meu colo enquanto eu afagava seus cabelos, confortando-a. Sempre soube do seu medo incomum por aranhas, mas nunca tinha visto um surto ao vivo. Celine e Pâmela não sabiam bem como agir, então a ruiva se comprometeu a buscar um chá forte de camomila.

– Vá tomar um banho. Daqui a pouco nós vamos pra balada, lembra? – sorri para a menina ainda assustada. Ela tentou sorrir, mas fez o que eu “mandei”. Foi algo rápido, assim que ela saiu, Line chegou com seu chá. Nos revezamos para tomar banho e logo começou as discussões por roupas, acessórios maquiagens... Até Annabeth se animou; pelo visto, toda garota tem seu lado menininha. Quando eu achar o meu, pretendo afogar em uma banheira.

Vesti um short curto de couro preto, um salto da mesma cor e uma regata simples e branca. Meu bracelete e um maxi colar de caveiras prateado faziam o charme extra da produção. Como sempre, os olhos bem marcados pela sombra preta esfumaçada, dessa vez misturada com um pouco de sombra prateada. Passei um gloss incolor e deixei os cabelos soltos.

Por ser sexta, não precisamos sair escondidas pelos fundos. Éramos dispensadas para nos divertirmos com juízo. Chegamos a tal boate de taxi, mas o caminho era fácil para voltar a pé; digo fácil, não rápido. Luzes de neon iluminavam fracamente o ambiente dançante e escuro. Existia um barzinho no fundo e muitos rostos conhecidos pela escola... Ao longe pude ver Lion babando por uma garota que se insinuava em algum canto.

Entramos e pareceu que capturamos grande parte da atenção. Caminhei até o barzinho junto com as meninas. Todas as bebidas continham doses de álcool e elas timidamente pediram sidra.

–E você, querida? – um homem cafajeste perguntou para mim.

–Um uísque. – recebi os olhares arregalados de muitos que estavam por perto. Falei para as meninas irem dançar ao som eletrônico e viciante. Lion veio conversar comigo e segurava nas mãos uma latinha de cerveja barata. Francamente, se é pra beber, que bebe algo com gosto melhor do que água suja! Minha bebida cor de âmbar foi sumindo vagarosamente, mas eu não sentia os efeitos do álcool.

Nossas palavras pareciam não dizer nada importante, palavras vazias sobre assuntos vazios, coisas fúteis. Desviei meus olhos do menino loiro de olhos verdes e olhei para o resto da boate. Meninas dançando, gente bebendo e um estranho olhando para mim. Não! Ele não era estranho. Era o cara da janela. Tinha qualquer coisa nele que me incomodava e atraia...

Virei o resto da minha bebida e puxei o loiro para dançar sabe Zeus que musica era aquela. Nossos corpos iam e vinham ao som da musica. Não era nada desesperado como as meninas que apelavam por atenção, mas também não era nada tão inocente. Em algum momento, Lion grudou seus lábios nos meus e me senti suja por fazer aquilo... Me afastei e disse que pegaria outra bebida.

Enquanto me afastava dele e me esquivava das pessoas, tentei me livrar da sensação de nojo que eu sentia, mas era algo não que saia de mim. Eu estava começando a pensar na idéia de beber num nível superior ao da minha mãe só pra esquecer isso, mas não precisei. Estava tão distraída que acabei trombando com alguém que virou meu "mundo" de cabeça para baixo... Você já experimentou (por um azar da vida ou por vontade) o calor do fogo? Não digo apenas aquele conforto de uma lareira, digo manter a pele nas chamas?

Vi meu cabelo voar quando me virei para o estranho que queimava minha pele. O cara da janela me segurava pelo braço e eu sentia minha pele formigar com aquele calor. Meus olhos ficaram presos nele por alguns instantes confusos, mas eu podia ter sumido o tempo que fosse, eu nunca esqueceria aquele toque.

Sua aparência poderia ser outra, mas eu sabia que magia existia. Por baixo de toda aquela aparência comum existia um rapaz de cabelos cor de areia e olhos azuis claros... O motivo de toda aquela angustia e atração tinha um nome.

Aquele era Luke. Luke Castellan.

Notas finais
Muitas emoções e Annie não saiu impune também... Rsrsrsrsrs, mereço coments? :/ Bjss