As Histórias De Thalia

23 Ensinamos tudo uma filha de Atena


LUKE

Foi à cena mais linda que eu poderia ter imaginado!

Escondido nas sombras pude observar quase todo o dialogo das meninas. Não quis interromper as duas. Eu estava encantado com Thalia. Ela não apenas compreendia a menina, mas também a apoiava e consolava. Thalia agia como uma irmã mais velha. Ou mesmo uma mãe. Ela repeitava o espaço da menina, mas não deixava de se importar.

Quando Thalia começou a fazer a trança no cabelo da loira, sai das sombras e coloquei em uma mesa alguns mantimentos para nós três. Antes de me virar para encarar as duas, pensei em como contaríamos a nossa pequena Annie quem ela realmente era.

Contive um suspiro.

Viro-me para elas com um sorriso no rosto.

– Bom dia princesas!

– Bom dia!- Elas respondem ao mesmo tempo.

Thalia estava quase acabando a trança da menina.

– Então... Quem ta com fome? – eu pergunto as duas.

Thalia prendeu as pontas do cabelo da menina e então as duas se entreolharam e sorriram.

– Eu – de novo elas disseram ao mesmo tempo e nós três rimos.

Sentamos ao redor da mesa e passamos a comer tudo a que tínhamos direito. Devo admitir que fiquei impressionado comigo: consegui alguns pães muxos, mas na nossa fome pareciam salada de frutas, pães, queijo, leite. Uma refeição balanceada e muito melhor do que qualquer outra. Precisávamos de energia para seguir em frente e qualquer pedaço comestível era válido.

Eu tinha certeza de que não poderíamos ficar naquele refugio por muito tempo. As defesas não aguentariam muito tempo com três semideuses La dentro. Principalmente se um deles fosse filho dos três grandes.

Durante a refeição troquei um breve olhar com Thalia cheio de significados, mas não sei se ambos entendemos os reais significados.

Quando toda a comida desapareceu, Thalia e eu trocamos mais um olhar. E esse dizia claramente “precisamos contar a ela agora!”.

Eu não fazia a menor ideia de como começar esse assunto, então lógico que foi Thalia quem perguntou:

– Annie, como era a sua mãe? – Thalia perguntou com todo o cuidado.

– Eu nunca a conheci. Nunca a vi. Nem ninguém da família dela. – Annie falou olhando nos olhos de Thalia – Ela também não me quis! – Então baixou os olhos marejados.

Thalia sorriu.

– Ela te ama Annie. Mas não pode estar com você.

– Como assim? – Desnecessário dizer que ela estava confusa.

–Acreditaria, se eu dissesse que sua mãe é uma deusa grega? – Foi a minha vez de falar.

Ela simplesmente olhou para nós sem saber o que fazer.

– Eu não sei.

– Você tem dislexia, certo? E déficit de atenção? – Eu perguntei praticamente afirmando.

– Tenho. Mas como sabe disso? – ela estava desconfiada.

–Porque você é como nós. – Thalia disse mantendo o tom de voz calmo e controlado – Você é uma semideusa, Annie.

Ela ficou alguns segundos de queixo caído e então perguntou:

– Vocês também são? Semideuses? – ela perguntou com a voz fraca.

– Somos sim. – Respondi sorrindo – Eu sou Luke, filho de Hermes e ela – eu digo apontando para Thalia – é Thalia, filha e Zeus.

– Então quem é a minha mãe? – ela perguntou interessada no assunto

– Tem certeza que não sabe Annie? – Thalia perguntou docemente sorrindo. – Você é muito inteligente para a idade que tem!

Annabeth pensou durante alguns minutos, mas se chegou a uma conclusão não deixou transparecer.

– Você é Annabeth, filha de Atena, deusa da sabedoria e estratégia em batalha. – Thalia respondeu

Annie sorriu como se soubesse no fundo que não estávamos mentindo e que ela era mais do que uma criança especial.

– Por favor, me contem tudo o que sabem!

Ela pediu com um sorriso.

Thalia e eu nos entreolhamos e sorrimos.

– Por onde começar? – Thalia perguntou a si mesma.

Nós três rimos.

Foi uma manhã incrível. Contamos tudo para Annabeth: sonhos, armas, ambrosia e néctar, monstros, e as habilidades que cada meio-sangue possui.

A menina compreendia tudo com facilidade e estava sempre curiosa. Mas o que mais agradou aquele coraçãozinho, foi saber que sua mãe a amava.

Depois de todas as explicações possíveis passamos a ensinar Annie a manejar a faca. A menina tinha certa habilidade por ser uma semideusa, mas não tinha experiência alguma. Passamos a ensina-la a atacar e se defender. Thalia e eu ensinamos cada truque que sabíamos para ajuda Annie a sobreviver.

Annabeth, por ser filha de Atena, compreendia tudo com facilidade e executava os movimentos com firmeza.

Por volta da uma da tarde estávamos todos cansados e imundos. Annie ainda estava com um pijama.

– Bom vamos fazer assim: Annie, você vai tomar um banho. Thalia fica aqui para proteger o local, caso as defesas falhem e eu vou arrumar uma roupa para você, pequena. Pode ser? – Perguntei.

Era possível perceber que as duas repassavam o plano por suas mentes procurando por qualquer defeito mínimo que nos colocasse em perigo.

Elas apenas assentiram e eu saí mundo a fora.

Quando voltei Annie ainda não tinha terminado seu banho e Thalia estava sentada no sofá mexendo na sua blusa no local onde, eu supunha, estava o camafeu prateado.

Ela percebeu minha presença, mas não deixou de mexer em sua blusa.

Ela levantou e pegou as roupas da minha mão e levou para Annabeth.

Durante segundos me senti levemente desconcertado, sem saber o que falar; como agir... Era como sentir culpa por ter visto algo que Thalia não mostrara a ninguém. Não trocamos uma palavra ou um simples olhar. Isso me deixou totalmente desconcertado.

Annie saiu vestindo uma calça jeans e uma camiseta branca. Ela se sentou no sofá e começou a calçar seu tênis.

Sorri e ajudei a pequena a amarrar os sapatos.

Em menos de dez minutos depois, Thalia saiu vestindo um short jeans, uma regata cinza e uma jaqueta de couro preta, uma das roupas compradas pelo garoto ruivo. Só de lembrar me arrepie todo.

Thalia percebeu minha reação e se limitou a sorrir.

Assim como Annabeth, Thalia se dirigiu em direção ao sofá e começou a calçar suas botas de cano curto.

Thalia pegou uma toalha seca e jogou-a ao redor do meu pescoço sobre meus ombros e sorriu para mim.

Dirigi-me até o banheiro e a ultima coisa que ouvi antes de deixar a água cair sobre mim foi:

– Thalia, faz outra trança em mim?

Um sorriso se formou no meu rosto.