As High As Power
1 Prólogo
Notas iniciais

Prólogo
"É sobretudo na solidão que se sente a vantagem de viver com alguém que saiba pensar." — Jean-Jacques Rousseau
A manhã chegara límpida e fria, com uma aspereza que sugeria o fim do verão. As nuvens quase não apareciam no céu cinzento, mascaradas pela pouca luz que emanava do sol; o vento, gélido e cortante, aflorava-se ao redor do castelo dos Arryn, em Ninho da Águia, nas Montanhas da Lua. Pela janela da Torre da Donzela, uma jovem observava o assoviar da brisa, como sempre. O Vale abaixo dela quase não era visualizado devido ao excesso de camadas e mais camadas de ar denso.
Ela tinha as típicas cores dos Tully. Os cabelos eram muito volumosos e espessos, de um tom arruivado, seus olhos, azul-esverdeados, esquadrilhavam todo o território á fora das torres protegidas do castelo. Tudo ali era tão solitário que a fazia sentir saudades da época em que vivera com os Baratheon/Lannister em Porto Real, e por mais que a Rainha Cersei fosse incrivelmente frívola e manipuladora ainda assim era bom ter a companhia de Myrcella e Tommen.
Lena apenas estava farta de viver presa naquela fortaleza, cercada apenas de sua mãe insana e irmão adoentado. Toda aquela loucura a estava levando junto, a menina não conseguia encontrar saída se não ceder todos os caprichos da mãe e de Robin.
— LENA!
O grito de Lysa propagou-se por todo o cômodo. A mulher estava lá, parada, olhando-a com uma expressão indiferente e, ao mesmo tempo, materna e protetora.
— Sim, mãe. — Lena virou-se, levantando do batente da janela em que antes estava apoiada, — precisa de ajuda com o Robin?
— Não.Não seja tola, garota — resmungou Lysa. — Eddard Stark se tornou mão do Rei, assim como o esperado.
— Mamãe mas...
— Calada, — ordenou Lysa, lunaticamente. — Vista-se e me encontre no Alto Salão, tenho novidades para lhe contar.
Lena assentiu com a cabeça, fazendo uma leve reverência para mãe em sinal de respeito enquanto a mesma caminhava para porta. Lysa parou do lado de fora, pôs a cabeça ruiva dentro do local e disse, em alto e bom som:
— É melhor conseguir aguentar o frio de... — E dizendo isso fechou a porta, deixando para trás Lena totalmente pensativa.
Optou por não perder tempo imaginando qual seria o final da frase. Rumou para seus aposentos e lá estava sua aia, Gaia.
— Seu banho já está preparado, Lady Leanora. — Gaia era um pouco mais velha que Lena, tinha cabelos escuros e olhos sem brilho de um verde muito opaco. Ela caminhou, quase como se flutuasse, até Lena. — Lady Lysa estava lhe procurando, mandou-me preparar seu banho e arrumar-lhe.
Lena consentiu, sendo guiada pela aia até a banheira espumante localizada no canto do quarto. Gaia retirou as sedas da jovem Lady ajudando-a para entrar na banheira que exalava um perfume floral junto ar quente.
—Temo pela minha mãe. Pela sanidade dela—, Lena quebrou o silêncio letárgico.
Gaia grunhiu em resposta, enquanto desfazia o trabalhoso penteado dos cabelos flamejantes da menina Arryn.
— Entrementes, tenho mais medo ainda do futuro de Robert, meu irmão. Nossa vida está uma completa bagunça... Pelos Sete!
A aia puxara seu cabelo forte demais. Lena, meio rude, afastou as mãos dela de si, desfazendo ela própria os pequenos trançados do cabelo.
Depois desse incidente, Lena, não divagou mais com Gaia, apenas tomou o banho, esperando ficar relaxada o suficiente antes de descobrir mais alguma noticia estressante.
***
Entrou prontamente no longo e austero salão, com paredes feitas de mármore branco com ranhuras azuis. O cenário combinava bastante com suas sedas azuis e brancas. Além do quê, seu cabelo flamejante contrastava com toda brancura de sua pele pálida e fina, como porcelana.
Lysa jazia imóvel, virada para uma longa janela, encarando o nada. Lena pigarreou, porém não fez efeito nenhum.
— Aqui estou — ela disse, repentinamente, fazendo sua mãe se virar para a encarar.
— É algo rápido, — Lysa falou, antes que Lena pudesse puxar uma cadeira para sentar-se à mesa de mármore.
— Claro — a ruiva fez um gesto displicente, olhando cabisbaixa para os pés.
— Você pegará amanhã o caminho para Winterfell...
— Como é? — a garota encarou a mãe totalmente incrédula, como se a chamasse de "louca" em um gesto mudo.
— Irá para Winterfell, — repetiu Lysa, alterando a voz.
Já havia o quê? Cinco ou seis anos que não viajava até sua tia Catelyn e seus primos, e agora já estava com 13 anos de idade, quase quatorze, era uma mulher florescida. Entre todos ela gostava bastante de Sansa, talvez porque ambas fossem demasiadamente parecidas no quesito aparência ou simplesmente por serem apaixonadas por cantigas e histórias de cavalheiros galantes e belas damas.
— Disso já sei, minha mãe, quero dizer... O quê irei fazer tão ao Norte?! — questionou, franzido levemente os lábios rosados.
— Você, Leanora da Casa Arryn, será a prometida do primogênito de minha irmã e Eddard Stark, Robb. Se casará com ele e tornara-se Rainha do Norte.
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