As High As Power
3 Capítulo II
Notas iniciais
Capítulo II
Ave e Lobo se encararam por alguns segundos, ou talvez tenham sido minutos. O vento frio deixava as bochechas de Lena coradas, e Robb achava isso um charme.
— Oh, é tão bom lhe reencontrar, primo.
— Digo o mesmo. Uma pena o momento não estar adequado para festejar, — Robb disse a Lena. — Creio que a viagem tenha sido cansativa.
— Estou incrivelmente exausta, nós viemos pela Estrada do Rei —, suspirou. — E a tia Cat?
Robb fungou, entristecido.
— A Senhora minha mãe não sai mais do quarto de Bran. Ela está definhando pouco a pouco.
— Gostaria de vê-la — Lena falou, enquanto caminhava ao lado de Robb em direção ao interior de Winterfell. — Rei Robert e sua comitiva continuam aqui?
— Sim, — confirmou ele, observando alguns guardas Lannisters passarem. — O Senhor meu pai e as meninas partirão antes do sol nascer, sei que seu real interesse é conversar com Sansa e Jeyne Poole — o Jovem Lobo sorriu para Lena, — elas devem estar arrumando as coisas nesse momento.
— Mesmo com o tanto de tempo afastados você ainda parece me conhecer tão bem quanto eu mesma. — Os olhos azuis de Lena analisaram as feições de Robb, ele era mais atraente que o Jovem Falcão; entre o Lobo e o Falcão, Leanora escolheria, sem pestanejar, o rapaz Stark.
Juntos caminharam por entre os corredores de pedra aquecidos do lugar, divagando sobre trivialidades. Lena ainda não estava completamente habituada a ficar em locais, aparentemente, baixos. A menina era uma Arryn, pouco propensa a andar em "terra firme" por tempo demais, ela apreciava alturas e ventanias, não neve e lugares subterrâneos.
— Posso pedir para alguém leva-lá até Sansa. E suponho que não queira ver Arya, desde o incidente da última vez — o Lobo deixou a frase morrer no ar frio do Norte. Ele tinha razão, Lena não queria encontrar a pestinha. — Caso mude de ideia, preciso alertar-lhe: Arya está ainda mais selvagem — e então soltou uma gargalhada gostosa, embora seus olhos continuassem meio vidrados.
— Eu adorava aquele vestido — Lena disse em tom de voz manhoso, como de uma criança chateada. — Era meu vestido mais belo. Possuía bordados de prata e continha safiras nas mangas. Papai havia dado á mim.
Robb pigarreou sem jeito.
— Perdão, Lena, pelo Lorde Arryn... O Senhor meu pai ficou realmente equivocado quando recebeu a notícia, afinal, Lorde Arryn criou-o junto do Rei Robert.
— Está tudo bem — ela pôs a mão no ombro dele, sobe a cota de malha e couros. — Poderia você mesmo levar-me até Sansa?
Com um sorriso encantador ele fez que sim com a cabeça.
Enquanto andava junto de Robb Lena não parava de o fitar de esguelha. Robb era mais alto alguns centímetros, corpulento, com cores Tully embora a honra fosse Stark. Porém, uma coisa martelava sua mente, como um sinal de "ALERTA": Por qual razão plausível ele ainda não sabia sobre a junção dos Arryn e Stark? Será que Lysa havia enganado-a, simplesmente a despachando para longe da segurança do Ninho da Águia? Ou com os acontecimentos turbulentos Lady Catelyn ou Lorde Eddard não puderam despejar a notícia sobre o primogênito?
— Sansa, olhe quem estava a sua procura! — Robb exclamou, e Lena notou que estava defronte com a porta dos aposentos de Sansa Stark, sua prima.
— Lena! — Sansa soltou um pequeno grito histérico, entrementes se recompôs com a mesma velocidade. — Querida prima, há anos não temos a sorte de nos encontrar e logo agora, que estou partindo para Porto Real...
— Apenas abrace-me, Sansa.
Assim foi feito. As duas ruivas abraçaram-se fraternamente. Sansa possuía o cheiro de neve e flores, delicado. Era muito mais fácil crer nos laços sanguíneos entre Sansa e Lena, do que entre Sansa e a jovem voluntariosa Arya.
— Estas do meu tamanho — Lena surpreendeu-se.
Realmente, Sansa era um tanto alta para a idade.
Robb tinha cruzado os braços, sobre o peito.
— Terei de voltar, o treino ainda não terminou.
— Ah, claro. Boa sorte, então — desejou, a menina Arryn.
Assim que a porta fechou-se Sansa puxou a prima pela mão, jogando-a sentada na cama de penas, e sentando-se ao seu lado.
— Conte-me sobre Porto Real. — Os olhos azuis de Sansa brilharam em expectativa inocente. — Cresceu com o Príncipe Joffrey, o que tens a dizer á favor dele? Sou a prometida do Príncipe, querida prima! Isso é tão magnífico. Me sinto em uma das canções que Septã Mordane me canta.
A mais velha fez uma careta. Joffrey não era nem um pouquinho amistoso na época em que viveram — aparentemente — juntos, na Fortaleza Vermelha.
— Joffrey é excêntrico e, arrisco dizer, mimado.
Sansa entreabriu os lábios, com a acusação. Sua face demonstrava o quão aturdida e acusatória olhava para Lena.
— Cuidado com suas palavras, Lena. Isso é errado... Príncipe Joffrey é galante, educado, valente; ele é um Príncipe.
— Títulos não fazem caráter! — rebateu a outra.
— Sem tolices, prima. — Lady Sansa fez um gesto educado com as mãos. — Mudando de assunto, o quê faz aqui? Boatos por todos Sete Reinos dizem que tia Lysa beira a loucura e escondeu-se no Vale, contigo e Robin.
— Não são apenas boatos — afirmou Lena. — Mamãe parece estar perturbada com alguma coisa... A morte do Senhor meu pai afetou-a tanto quanto a mim, ou talvez mais. Além disso ainda tem o Robin... Meistre Colemon vive dando sonodoce para ele, tentando tratar seus tremores. Tenho medo das reações do corpo dele, meu pobre irmão é fraco demasiadamente.
— Imagino como se sente — comentou Sansa, aérea. — Bran jaz naquela cama, desacordado. Ele iria para Porto Real conosco, antes de tudo acontecer.
— Não sinto falta daquele lugar — disse Lena a Sansa, aprumando-se na cama. — O cheiro de podridão impregna no ar, assim como o burburinho de vozes desesperadas. Porto Real não é tão bela aos olhos como dizem para cá desses lados.
— Mas aposto bolinhos de limão sobre o castelo ser divino — A mais nova suspirou, sonhadoramente. — E os festins? Os Lordes e Ladys, os bobos, as justas e os belíssimos tecidos importados? Um dia serei Rainha, Lena. Imagine... Eu, Sansa Stark de Winterfell, sendo coroada Rainha.
— É —, ela suspirou ruidosamente, — será um sonho tornando-se realidade, imagino.
— Sim, sim! — confirmou alegremente. Sansa se pôs de pé e rodou a saia do vestido azul-escuro e cinza, com o broche dos Stark, lindamente. Ela era deliberadamente elegante e feminina. Leanora poderia até ser uma versão mais madura da garota Stark mais velha, uma versão sabida e experiente em relação a perigosa Porto Real.
"Por quanto tempo ficara em Winterfell?" indagou Sansa.
Este é o momento certo, pensou Lena. Preciso falar-lhe a verdadeira razão de minha visita súbita.
— Preciso segredar-lhe — murmurou Lena, acanhada.
— Diga, prima. Prometo manter segredo — Sansa olhou-a ansiosa.
— Jura? — a mais velha franziu os lábios.
— Juro pelos Sete!
Arryn olhou para os lados, tentando se certificar de estarem sozinhas ali no quarto.
— Casa Arryn se unirá a Stark.
A boca delineada da outra ruiva abriu-se em espanto.
— Não me diga que tia Lysa deseja fazer Robin e Arya...
— Não! — Lena interrompeu. — A união deve ser estabelecida entre mim... E...
— Robb — concluiu Sansa.
— Exato.
— Isso é bom, não é!?
— Não faço a miníma ideia, Sansa. Não sei se a Senhora minha mãe mandou-me para cá por capricho ou se realmente haverá casamento — admitiu em um lamurio. — Como será que Robb reagirá?
— Você virara Lady de Winterfell. Como os Deuses nos tem abençoado... Lena?
— Hum? — reagiu a outra.
— Se será Lady Stark deveria estar com mais ânimos — persuadiu Sansa.
— Esse título não me é garantido, prima. Robb disse alguma coisa? Sobre casar?
Sansa deu de ombros, em dúvida.
— Deve averiguar, Lena. Converse com o Senhor meu pai!
— Prima, você irá sentir-se incomodada caso eu deseje encontrar Lady Stark? Pretendo desejar melhoras a Bran, e quem sabe descobrir a real missão que trouxe-me até aqui.
— Claro que não, Lena. Não irei me incomodar — o sorriso meigo de Sansa trouxe um pouco de paz a Lena. — Deseja...
— Não. Pretendo ir sozinha — Lena disse, docemente. Sansa ficou sem jeito.
As primas despediram-se com um abraço e sorrisos. Lena guiou-se por extinto no castelo, andando pelos corredores bruxuleantes iluminados por tochas presas à parede.
— Por ai não. O caminho certo é pela direita.
Lena se virou, não acreditando estar frente a frente, mais uma vez, com Jaime Lannister.
— Pardal — o homem tentou segurar-lhe a mão, para beijar.
— Não me toque, Lannister! — rugiu Lena. — Não tens a honra de tocar em mim.
— Tome cuidado, Pardal — Jaime alertou, sorrindo enviesado.
— Cuidado? — ela debochou, mesmo estando mortalmente assustada. — Vocês, Leões, é que devem ter cuidado. Uma nova Era está a chegar, Sor Jaime. Agora, com sua licença, irei de encontro com minha tia.
"Passar bem." E dizendo isso ela deu as costas para o membro da Guarda Real, temendo por te-lo afrontado.
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