As Gêmeas Colt

15 Não. O Pacto


Lorena e Dean estavam olhando para o corpo dos irmãos há meia hora, Lory estava um trapo ainda com as mesmas roupas que estava naquela cidade, eles estavam praticamente implorando por dentro para que eles acordassem e dissessem que tudo não passou de um sonho. Os dois, Sam e Daphinie estavam deitados em camas separas em um quarto de uma cabana.

– Dean? Lorena? Messa? – Eles ouviram a voz de Bobby e logo depois ouviram a porta batendo.

– A Mellissa foi embora – Lorena disse seca.

Dean olhou para Lorena e os dois se viraram para a porta.

– Trouxe comida – Ele disse mostrando o pote de frango frita e depois entrou para outro cômodo da casa.

– Obrigada Bobby, mas...

– Não queremos – Dean completou o que Lory ia dizer.

– Vocês têm que comer – Ele olhou para a menina que estava com os olhos vermelhos e inchados.

– Já dissemos que não queremos – Ela disse, seu tom frio e ríspido estava cinco vezes pior do que quando estavam naquela cidade. Ela e Dean foram para perto da mesa e o garoto pegou uma cerveja e deu pra ela depois pegou outra e tomou outro gole.

Bobby olhava para aqueles dois, descrente, eles estavam tão iguais mais era tão diferentes ele sabia que tinha os perdidos.

– Eu odeio dizer isso...

– Então não diga –Lory cortou Bobby levantando a cerveja e sorrindo cínica para ele.

– É tão chato, mais não acham que esta na hora de... Enterrarmos Sam e Daphinie? – Ele perguntou fingindo não ouvir o comentário de Lory.

– Não – Dean disse olhando nos olhos de Bobby e depois se sentando, Bobby olhou para Lory com esperança e ela apenas deu de ombros e balançou a cabeça em negação.

– Então podemos... Talvez...

– O que? Cremar o corpo deles? – Dean perguntou com indiferença, porra ele tinha perdido o irmão e a única garota que um dia ele amou, por isso entendia Lory, por mais que ela não admitisse nesses tempos que ficou naquela cidade Sam era seu único refugio, o ponto de paz – Ainda não.

– Quero que venha comigo – Bobby disse se apoiando na mesa e olhando para Dean, sabia que as palavras dele eram as de Lorena então... Por que falar para os dois sabendo que obteria a mesma resposta?

– Não vou sair daqui – Dean disse se debruçando na mesa. Lory foi para a sala e se deitou no sofá, sua cabeça estava girando.

– Dean, por favor...

– Será que você não entende o meu lado? – Dean o cortou – O NOSSO lado? – Ele apontou para Lory que estava gemendo de dor às imagens ainda passavam por sua cabeça.

– Só acho que não devia ficar sozinhos – Ele disse como se fosse ofendido – Eu admito, preciso da ajuda de vocês – Dean abriu a boca mais a fechou – A situação é muito grave, pode ser o fim do mundo.

– QUE O MUNDO SE ACABE – Dean explodiu deixando Bobby assustado e Lory olhou-o incrédula.

– Você não fala sério.

– Você acha que não? – Dean se levantou e foi para perto de Bobby o confrontando — Em? Não acha que já dei o suficiente? Já não paguei um preço muito alto? – Ele disse apontando com a cabeça para a porta do quarto onde Sam e Daphinie estavam – Pra mim chega que se dane e se você fosse esperto daria logo o fora daqui – Bobby o olhou surpreso e triste.

– Dean – Lorena disse com a voz baixa e ele a olhou a expressão dela era de assustada, ela estava com medo dele.

– Desculpe – Ele disse para Bobby, estava mais calmo. Bobby assentiu e saiu da cabana, Dean olhou novamente para o corpo de Sam e começou a chorar.

Dean estava parado há horas olhando para Sam, quando Lory finalmente decidiu ir falar com ele.

– O que pretende fazer? – Ela perguntou o assustando.

– Não sei... Direito – Ela o deixou lá e voltou para a sala, Dean olhou Sam novamente e começou a falar.

– Quando éramos moleques, você deveria ter uns cinco anos, estava começando a ficar curioso ‘por que a gente não tinha mãe’ ‘Por que a gente vivia se mudando’ ‘E... Por que o nosso pai... Por que ele viajava às vezes’ Eu implorei que parasse com as perguntas, você não iria querer saber – Ele disse rindo – Eu só queria que você fosse criança, só por mais um tempinho, eu só queria proteger você, mantê-lo seguro, nosso pai não teve o que me dizer, sempre foi a minha responsabilidade, eu tinha uma função, só uma função – Ele estava à beira das lagrimas novamente – E eu vacilei, fiz besteira, sinto muito meu irmão – As lagrimas começaram a cair e ele as limpou rapidamente – Eu sempre faço isso, sempre desaponto as pessoas de quem eu gosto, desapontei meu pai, a Daphinie, estou prestes a desapontar a Lory e agora eu desapontei você – Como? Como eu vou conviver com isso? O que eu devo fazer? Em Sammy? O QUE EU FAÇO? – Ele gritou e Lorena se assustou e caiu no chão cortando a perna.

– Linny, você ta bem? – Dean veio rápido socorre lá, ele sentia como se ela fosse à irmã mais nova dele, outra que precisava de proteção e ele faria de tudo para que não falhasse.

– Tudo bem Dean – Ela disse – Foi só um corte, por favor... Não me chame de Linny – Ela disse olhando-o e ele entendeu.

– Eu sei o que fazer – Ele disse se referindo a Sam e Daphinie, ela levantou rapidamente e o cortou quando ele fez menção de abrir a boca.

– Escuta aqui Dean Winchester, eu tenho que ficar aqui o dia todo concordando e aceitando tudo que você faz ou diz, mais agora que você disse que ‘sabe o que fazer’ eu não vou ficar de braços cruzados vendo você se sacrificar sozinho, a irmã é minha também e eu VOU fazer o que tiver que fazer e VOCÊ não ira me impedir – Ela disse ameaçadoramente para ele que apenas assentiu e mandou que ela entrasse no carro.

Eles saíram dirigindo ao som de AC/DC, ela estava no banco de carona quieta e ele estava dirigindo sem ao menos olhar para ver se ela estava bem, eles dirigiram assim por algumas horas até Dean em fim parar o carro. Ela viu a onde eles estavam.

– Pretende fazer isso? – Ela disse apontando para a encruzilhada – Pretende vender sua alma para o demônio? – Ela perguntou incrédula.

– Não quer sua irmã de volta? – Ele perguntou para ela que abriu a boca umas três vezes para retrucar mais fechou sem resposta e ele sorriu em vitória.

– Não vai fazer isso sozinho – Ela disse pegando uma caixa que estava em sua jaqueta e a abrindo, estava tudo pronto do jeito que deveria estar.

– Lory...

– Dean, a irmã é MINHA a responsabilidade é MINHA, posso ser a mais nova mais a culpa dela estar morta é toda minha – Ela disse, Dean podia ver a raiva que ela sentia de si mesma e não pode fazer nada, apenas assentiu.

Eles cavaram um buraco fundo ao centro da encruzilhada e colocaram as duas caixas se encararam como se fosse a ultima coisa que eles fariam na vida e ele a abraçou forte.

– Ora, ora Dean Winchester e Lorena Dallas Colt – Eles ouviram uma mulher dizer as costas deles – Lory, não esperava te ver aqui tão cedo – Dean não entendeu e Lory fechou os punhos desejando com toda a força do mundo que sua adaga estivesse com ela – Dean – Ela disse com a voz sedutora – Que prazer te ver de novo, é serio, olha só para você, a sua família esta morta e você esta sozinho no mundo, que delicia – Ela disse e Lory fez um barulho como se fosse vomitar – Você também não é Lorena? A sua única família, te deixou.

– ELA NÃO ERA A MINHA FAMILIA – A menina disse irritada, sabia que o demônio se referia a Melissa.

– É preciso aproveitar esse momento – O demônio disse ignorando a garota – É preciso parar e cheirar as rosas.

– Devia mandar você direto para o inferno – Ele disse.

– Oh devia? – Ela perguntou cínica – Mais você não vai, e eu sei o, por que.

– Sabe é? – Ele perguntou a encarando.

– Sim, esta seguindo os passos do seu pai... Quer fazer um trato – Ela disse e olhou para Lorena em seguida – Oh, desculpe, mais não é só do seu pai que esta seguindo os passos – Ele olhou para Lorena, confuso mais ela nem o encarou – Quer que eu ressuscite o Sammy e você... – Ela se virou para Lory – Quer sua irmã de volta e vamos ver... Oferecem as próprias almas?

– Deve a ver uma centena de demônios querendo se apoderar dela – Ele disse e ela riu – E ela é toda sua só precisa ressuscitar o Sam e a Daphinie e nos dar dez anos, dez anos antes de vir me buscar.

– Só podem estar brincando – Ela disse.

– É o mesmo trato que faz com qualquer um...

– Você não é qualquer um e nem você – Ela olhou novamente para Lorena, Dean jurava que só faltava aquele demônio se curvar diante de Lory – Por que te daria o que você quer? – Ela disse se aproximando de Dean – Fique com sua alma, já não é grande coisa.

– Nove anos...

– Não – Ela disse rindo.

– Oito.

– Já disse que não – Ela olhou de esguelha para Lorena que sorria cínica.

– Não está tentando comprar o Dean não é? – Lory disse divertida – Esta querendo comprar a mim, e a preço baixo, para vocês seria como comprar uma Ferrari por 100 dólares, não é mesmo? – Lory disse rindo e assustou Dean – Esta bem eu aceito – Ela disse fazendo uma reverencia ao demônio – Faço tudo para ter Sam e Daphinie de volta, o que quer?

– Lory...

– CALA A BOCA – Ela disse olhando para Dean.

– Primeiro: Parem de se humilhar, carência não é nada atraente e não faz o forte de vocês, olha eu não devia fazer isso, posso sair prejudicada, mais sempre tive uma quedinha por você, Dean – Ela se virou para Dean – Você é igual a um cachorrinho, tão divertido para brincar, aceito – Ela disse olhando de Dean para Lorena e visse e versa.

– Vai ressuscitá-los? – Dean perguntou.

– Eu vou sim – Ela disse – E por ser uma santinha vou dar a vocês um ano, mais só um ano – Ela disse calmamente e Lorena a fitou, incrédula – Mais tem o seguinte, se um de vocês tentarem me passar à perna o trato já era e tem mais, Lorena fará o trato para Sam e Dean para Daphinie, e já que estão todos apaixonados... Não poderão ficar juntos se não seu querido Sam e sua querida Daffy caem mortos no chão e voltaram a ser carne podre. Então? Seus pais não conseguiram trato tão bom – Ela disse olhando para a boca de Dean – O que acha? – Nem precisou responder e Dean a agarrou e a beijou. Fazendo isso o demônio logo depois beijou Lorena também. Aquele gosto ficaria marcado para sempre na memória dos dois.