As Estrelas contam-se pelos dedos
1 Introdução
Oi... Vim aqui pra vos contar a história do dia em que meu olhar se encontrou com um certo par de olhos verdes mais reluzentes que as esmeraldas e em como a partir daí o meu mundo ficou de cabeça para baixo. Quero dizer… não foi exatamente nesse instante. Não é por cruzar um olhar que o “nosso mundo” fica totalmente desarrumado, já viram o que era se cada vez que cruzássemos o olhar com uma pessoa na rua o… okay, é melhor parar. Foco. Bom… eu tinha uma vida, não muito boa. Os meus pais divorciaram-se quando eu tinha apenas 3 anos, e então como a minha mãe está sempre a viajar e o meu pai não se interessa nem por saber o meu nome, moro com os meus avós desde essa altura… bem… pelo menos foi assim até ao primeiro ano do secundário, quando repentinamente o meu pai começou a “querer saber de mim”, coisa que não passou de uma estratégia para agradar à noivinha dele. Então, eu, o empecilho do seu maravilhoso plano, tive de ir viver com ele, a loira oxigenada e a loira oxigenada júnior até ter os benditos 18 anos. As primeiras semanas não foram muito más, mas quando a escola começou, aí vieram os problemas. Eu era a nerd da sala: não falava com ninguém, gostava de estar meu cantinho a escrever o que me vinha à cabeça, ou a compor, tirava as melhores notas da sala, usava óculos… mas odiava estudar! Sim, há “nerds”, que também não gostam de estudar! Que pessoa prefere estar a resolver equações com a fórmula resolvente ou a decorar as mil e quinhentas datas dos acontecimentos históricos mais importantes (os mais importantes… imaginem se fossem todas!) quando está um dia perfeito para passear de bicicleta?! A questão é… lá porque eu prefiro passar o dia a ler fics, a twittar ou a ouvir música do que ouvir as mimadas a falar do último batom que saiu ou dos saltos hipercaros que compraram em promoção em Milão, não quer dizer que seja esquisita ou não tenha vida social (mais ou menos… vocês entenderam!). Tenho é mais com que me preocupar tipo o meu futuro. É claro que também tenho ídolos por quem sou louca (porque acham que passo a vida no twitter?!), e coisas do género, afinal sou uma rapariga normal… só sou uma rapariga normal preocupada com o futuro que tem o sonho de ganhar uma bolsa de estudos para Oxford e ser uma das melhores alunas… sim eu sonho alto, e às vezes a queda é muito grande, mas sonhar é oque nos mantem vivos. Sonho estranho? Talvez, mas ainda assim é o meu sonho, e faz parte de quem eu sou. E quem eu sou? Bem, eu sou a Violetta Marie Castilho, tenho 16 anos, estou no 11 ano. Tenho olhos castanhos, e sou morena, embora às vezes dá aquela vontade de ser rebelde e pintar o cabelo de ruivo (nossa, isto é rebeldia? Hahaha)… enfim ninguém se importa. Sou apenas mais uma rapariga neste mundo rejeitada pela sociedade… não sou a primeira nem serei a ultima. A minha rotina era sempre igual: acordar, comer, ir à escola, ser humilhada, comer, ir ás aulas, comer, ir pra casa, comer, estudar, comer, tomar banho, dormir e td se repetia... dia após dia… e sim eu como muito tá? Problemas?! O médico diz que não sou gorda (sou mas okay…), por isso como o que quero. Quem gostar de mim é pelo que sou e não pelo que como… enfim…
Esta era a minha rotina… até ter cruzado o olhar com o tal par de olhos verdes… e eu ter descoberto que as estrelinhas não cruzam por acaso no nosso caminho…
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