As Estrelas Da Esperança
49 Capitulo 49 – Lembranças
O vento soprava com força mostrando a altitude, as nuvens passavam vagarosamente apesar do vento forte, o monte rochoso era alto, mas seu pico comportava poucas pessoas, ao se olhar para baixo seria muito difícil a olho nu distinguir qualquer ser vivo que se movesse, mas para os dois que observavam de lá era uma tarefa simples, um homem alto e uma mulher pareciam entretidos, ela em um vestido branco e cravejado em ouro que movia-se conforme o vento.
— Aprecio sua devoção para com os humanos Athena – A voz era grave e suave como se cada palavra fosse cantada e agradável a todos os ouvintes possíveis – É sabido que todos no Olimpo se opõem à sua ideia quase insana. – O homem vestido com uma simples toga que mostravam seus músculos muito bem modelados por todas as aberturas, o homem carregava consigo um bastão com duas serpentes douradas enroladas e se entreolhando no topo, ele caminhava fazendo um semicírculo ao redor da deusa. – Mas minha opinião diverge da opinião dos demais, em meio à loucura, eu vejo o amor, sentimento há muito esquecido entre nós, e aprecio que este sentimento e vossa devoção com estes seres efêmeros a levasse à esta decisão. – Ele se aproxima, a deusa mostra um sorriso gentil, ele a toca em seu ombro. – Sempre estarei ao seu lado.
As colunas brancas se elevavam até o teto sustentando-o, o salão era grande e diversas tochas faziam sua iluminação durante a noite, as janelas abertas para que o vento ameno entrasse tinham detalhes cravados ao redor como pequenas folhas e ramos. A escadaria de mármore branco acabava no grande portão antes do salão, desde sua entrada até o final um tapete vermelho se estendia e belíssimas tapeçarias espalhadas por todo o salão vinham do teto até quase tocar o chão, ao fundo um homem caminha até uma pequena garota de vestido branco, seus cabelos castanhos claros e uma presilha de ouro na lateral impedia que seu cabelo caísse sobre o rosto ainda imaturo, o homem se ajoelha abaixando sua cabeça e logo volta a olhar para a garota.
— Sempre estarei ao seu lado. – O homem trajando uma armadura pesada que cobria praticamente todo seu corpo e banhada em um dourado brilhante sem igual estava ajoelhado, ao se levantar ele olha para frente com um semblante sério e confiante, carregava consigo um bastão dourado como sua armadura, uma esfera em seu topo onde duas serpentes se entreolhavam e seus corpos se entrelaçavam no bastão.
A garota com certa dificuldade consegue descer do assento de pedra acolchoado com o que pareciam ser diversas almofadas, levanta a cabeça o homem e faz um gesto para que ele se levantasse mostrando a imensa diferença de altura dos dois.
— Obrigada Ody..... – A voz ecoava como uma lembrança e falha ao nomear o cavaleiro. – Sei que jamais deixaria nada acontecer comigo e seu juramento foi ouvido cavaleiro de..... – A memória falhava e causava grande dor, a garota abre os olhos, a máscara que lhe cobria o rosto tinha sido destruída e os restos estavam em sua mão, a mesma mão que ela levava à cabeça como seu com isso pudesse aliviar a dor que sentia, ela estava nauseada e com tontura, houve dificuldade para se levantar, mas um pedaço de uma das colunas brancas a ajudou como apoio, então ela percebeu que estava no que parecia ser uma ruína e não tinha a menor ideia de como tinha ido parar ali. Ainda cambaleando por conta da tontura e da dor ela se esgueira por uma passagem onde o sol denunciava ser a saída, após andar alguns minutos ela se depara com uma grande escadaria e decidi descer, chegando assim à um dos templos zodiacais, o qual ela reconheceu imediatamente pelo símbolo.
— Escorpião.
Áustria – Cidade Abandonada
O som ensurdecedor e o abalo no solo acordam as duas crianças, a terra atravessa as fendas do teto do porão escuro em que estavam, a poeira levanta e paira no ar dificultando a respiração, o garoto com o braço na frente do rosto se aproxima da menina que tossia, ele a pega pelo braço e leva em direção à escada e outra explosão vinda da parte mais superior a escada jogam os dois para trás, o rapaz segura a garota no colo antes de se chocar contra a parede e gostas de sangue são expulsas de seus pulmões com violência.
— Você está bem?
—S-Sim. – A garota de cabelos negros em cachos compridos olha com pena para o garoto. – Já estamos fazendo isso há muito tempo, não aguento mais correr de um lugar para o outro, quando isso vai acabar?
— Nós somos apenas dois, não podemos fazer nada...
— Muitos sobreviveram, nós os vimos algumas vezes, juntos nós podemos...
— Não! – Gritou o rapaz puxando e abraçando a garota. – Essa loucura começou quando ainda éramos crianças, e não é agora que a deixarei partir sem mim.
— Não peço que faça isso. – A garota empurra o rapaz para trás e se levanta. – Nós precisamos lutar, precisamos retomar nossas casas, não podemos simplesmente deixar que todos morram dessa forma deprimente! E eu sei que você me entende.
O garoto abaixa a cabeça e fica alguns segundos em silêncio, quando as mãos mornas da garota acariciam sua face fazendo-o olhar em seus olhos castanhos, as madeixas em espiral negra quase cobriam um de seus olhos, ele simplesmente sorri, se levanta e começa a caminhar em outra direção onde havia uma outra escada ligada à uma porta onde ele com força a abriu revelando uma nova saída com um sorriso no rosto o rapaz ergue sua mão, que logo é tomada pela garota e ambos sobem pelas escadas e chegam à saída onde se deparam com as casas em chamas e ruínas, imediatamente o semblante deles mudam de forma drástica, corpos jogados para todos os lados, de pessoas em trapos como roupas, outros com armas ainda em mãos e alguns usando o que parecia ser um uniforme, mas alguns corpos jamais poderiam ser reconhecidos pois foram brutalmente consumidos pelo fogo, logo passos são ouvidos e estavam próximos, os dois adolescentes instintivamente correram na direção oposta por alguns metros onde esbarraram com um jovem, porém a aparência já era mais velha que os dois e certamente ele não residia naquela região, o homem trajava roupas típicas da Grécia e carregava algo nas costas que não podia ser identificado pois estava coberto por diversas faixas.
— Um mercador, aqui? – Questionou o garoto claramente aflito. – Por favor, nos tire desse lugar por onde o senhor viestes.
Sem esboçar reação o homem realiza um discreto aceno positivo com a cabeça e começa a fazer a rota inversa, mas os passos pareciam vir de outras direções também, então os três começaram a correr, sempre seguindo o heleno em seu semblante um tanto frio. Alguns metros a frente em uma das ruas de terra entre duas construções de madeira quase intactas um grupo do que pareciam ser soldados armados com armas de fogo apareceram e os identificaram, de imediato todos recuam pela esquina, alguns tiros são ouvidos, mas o mais próximo acertou uma das construções, gritos são ouvidos da direção em que o trio se encaminhava e com a mesma velocidade mudaram novamente de direção que os levou à um estreito beco sem saída, a garota incrédula se aproxima em desespero e ofegante batendo na parede como se a punisse por existir.
— Eu só queria ser... Mais forte. – O homem se aproxima com o punho fechado.
—Você sempre foi, sempre foi forte por nós dois! – Exclamou o rapaz, seus olhos cor de mel brilhavam como nunca, os cabelos negros apesar de curtos e desgrenhados balançavam ao vento e o sorriso entre a barba curta – E será ainda mais forte, eu acredito em você Adélia! – Ao olhar para o homem que carregava algo nas costas ele acena com a cabeça e o homem retribui entendendo o que o jovem de olhos de mel queria. – Deixe-me ser forte por nós apenas essa vez. – E sai correndo antes que qualquer um pudesse dizer uma palavra sequer.
O homem então aplica um soco em baixa velocidade contra a parede que se desfaz como areia, puxa a garota e a leva pela nova passagem que acabara de criar, Adélia permanece sem reação por mais alguns instantes. Alguns metros para trás, o grupo de soldados perseguem a atiram contra o rapaz que agora, mais rápido do que nunca, evadia com perfeição como se soubesse onde cada projétil iria acertar até que se encontra em outra rua sem saída, mas já era tarde demais para recuar, ele tinha sido alcançado.
— Olha o que temos aqui. – Disse um dos homens que se destacava entre os demais, sua arma parecia nova de tão brilhante e bem cuidada. – O ratinho finalmente saiu da toca e veio direto para a boca do leão. – O rapaz continuava sem responder nada.
“- Mate-os, mate-os, mate-os!” – Uma voz soava em sua mente e não conseguia distinguir a fonte. “- Mostre a salvação para estes seres imundos!“ – O rapaz cai de joelho, uma imensa dor de cabeça o acometera.“- Acabe com eles, todos eles!” – O rapaz tentava compreender o que a voz queria. “- Jure lealdade e lhe darei o poder, poder para subjugar estes seres, apenas diga a palavra. “
O jovem urra com a dor, mas se levanta com um olhar assombroso para a pequena tropa que o encurralara, com movimentos rápidos ele corre na direção daquele que tinha as roupas mais bem-feitas e estrelas de metal dourado presas na lateral de seu uniforme, seu grito podia ser ouvido de qualquer canto da pequena destruída cidade assim como um único disparo que silenciara tudo. O sangue corria rapidamente no chão, os soldados pareciam assustados e não tinham nenhuma reação, o corpo estava no chão de terra quente.
— Queimem-no! – Ordenou o comandante da pequena tropa ao se levantar, pegar a arma do chão e limpar de forma superficial seu uniforme. – Queimem-no!!! – De imediato dois homens mais jovens se aproximam e jogam um liquido e o outro ateia fogo à um palito e lança sobre o corpo do rapaz de cabelos negros debruçado no chão e agonizando, com um buraco do projétil indicando que havia atravessado seu tórax e saído pelas costas, e ao mesmo tempo em que as chamas começam a incendiar o liquido jogado algo é ouvido:
— Sim... – As chamas queimam em preto, um absoluto e profundo negro, se espalha rapidamente pelo chão tomando o corpo de todos os soldados, um a um, consumindo seus corpos ainda vivos.
O rapaz se levanta, as chamas em seu corpo tinham a forma de um grande pássaro negro, seus olhos estavam sem vida, mas ele continuava caminhando enquanto os demais agonizavam com uma dor imensurável, ao voltar à si as chamas se apagam, os corpos eram apenas cinzas agora, mas ele apenas fica ali como se esperasse alguma coisa, quando cavalos relinchando são ouvidos e uma linda carruagem negra se aproxima dele, parando em sua frente, a porta se abre e a mesma voz anuncia:
— Vamos, Alexander. – A voz ecoou profundamente como seu tocasse sua alma imortal, uma luz arroxeada tomou conta de todo o ambiente, o chão tremia, a respiração ficou pesada. O rapaz acorda, seu sonho de uma lembrança distante viera atormentá0lo mais uma vez, aquela mesma luz tomava conta de seu quarto, ele passava a mão no rosto e limpava o suor da testa. – Já começaram...
Ilha dos Curandeiros
Duas pequenas crianças brincavam em um jardim de rosas vermelhas como sangue, a grama cobriam seus pés descalços, as vestes estavam sujas de terra e eles corriam rindo sem parar, o jardim era imenso, árvores forneciam sombra sem igual, de lá podia ser ouvido o som do mar e sua brisa, assim como as aves que ali viviam.
— Vamos, vamos explorar a ilha! – Gritava uma das crianças.
— E-Eu... Não deveria. – Respondeu a outra soltando as mãos. – Você também não deveria estar aqui e sabe disso Lil.
— Você sabe que deveria saber que só as pessoas da minha família podem entrar aqui sem problema nenhum! – O garoto puxa o outro e cruzam uma pequena cerca que servia apenas para delimitar o perímetro da modesta propriedade e ambos correm para dentro da floresta.
O sol já começava a baixar, as aves e o mar já eram ouvidos com dificuldade, os dois corriam por entre as árvores brincando e rindo, se afastando cada vez mais até que uma das crianças tropeça em uma pedra e cai, rolando por um barranco pequeno e caindo dentro de uma gruta estreita, ele atinge a água que se depositava em uma irregularidade do chão, logo seu amigo chega preocupado.
— Você está bem Bruno?! – Perguntou aflito.
— Sim, só um pouco... – Então ele nota os cortes em seus joelhos e mãos. – Dói um pouco. – Eis que uma luz ao fundo da gruta chama a atenção dos pequenos infantes que se aproximam maravilhados.
Ao se aproximarem da fonte da luz, perceberam que seu núcleo era composto por dezenas de flores brancas espalhadas por toda a gruta, e ao centro, em uma formação rochosa mais elevada, cercada por um pequeno lago cristalino, uma das flores com maior brilho e aparentemente ainda mais bela que as demais se destacava, frequentemente uma gota de água caía sobre suas pétalas, uma energia gigantesca emanava da flor, claramente uma espécie de lírio branco, uma das crianças quase em transe se aproximava sem notar a grande presença da flor quando é interrompida pela outra.
— Não! – Gritou o garoto puxando as mãos machucadas de seu amigo. – Você sabe qual é essa flor não sabe?! – Bruno olhava um pouco amedrontado. – É a flor das lendas, se tocá-la você pode não sobreviver.
— Mas... Você não esta ouvindo?! – O garoto se soltava e continuava a caminhar em direção à flor, ele entrou no pequeno lago que o cobriu até o tórax e escalou a formação. – Ela está me chamando. – Ao aproximar a mão da flor, uma pequena gota escorria por uma pétala, o sentido que a água passava era contraria ao que a gravidade sugere, a gota sobe pela pétala grande e branca, movendo-se devagar e cai sobre o dedo indicador da criança, imediatamente seus ferimentos cicatrizaram-se, um impulso de energia fez o pequeno se desequilibrar e cair no lago, seu amigo corre e o tira da água.
— Vamos, vamos sair daqui e...
— Eu sei... – O garoto ficava inconsciente.
A porta se abre fazendo um barulho característico de ranger de madeira e da dobradiça solta, o homem se levanta rapidamente da cama se descobrindo e fechando o punho, mas ao reconhecer a pessoa que entrava pela porta seus músculos relaxaram-se, seu braço abaixou-se e a expressão de raiva mudava.
— Podia bater Lil.
— Já faz um tempo desde a última vez que me chamou assim. – Riu o homem. – Mas eu bati e você não respondia, já passou do horário que combinamos e vim te buscar, você não se lembra do caminho e sou o único que conheço o local exato.
— Certo. – O homem se levantava, colocou as botas foi até o local onde havia um espelho e alguns potes de vidro, ele jogou a água de um recipiente no rosto e tomou algo que tinha em um dos frascos o cuspindo logo após. – Vamos.
Os dois saem pela porta que range ao se movida novamente e caminham pelo jardim de rosas vermelhas até atravessarem o que um dia foi uma pequena cerca, adentrando a floresta, as aves estavam quietas e o mar parecia mais agitado do que o comum para aquele horário e época do ano, mas prosseguiram sem se importar com nada ao seu redor e em silêncio continuaram a caminhar por um bom tempo, o sol movia-se indicando o quanto de tempo já tinha passado, mas logo a caminhada chegava ao final, a pequena formação rochosa entre a grama verde clara e intacta, se apertando um pouco ambos conseguem passar pela fenda e na gruta a luz indicava até onde deveriam ir. Mais à frente uma galeria aberta e as flores brilhavam com intensidade, a luz branca que havia guiado os dois tinham sua fonte revelada mais uma vez, Bruno levou a mão à cabeça como se sentisse dor e logo se recordou do lugar e sem demora caminhou até o pequeno lago onde a água agora chegava próxima a cintura do cavaleiro.
— Tem certeza disso?! – Questionou seu amigo.
— Sim. – Sua resposta foi firme e imediata, era para isso que ele tinha percorrido todo o caminho. – Tenho certeza!
Ao se aproximar, a luz ficava ainda mais forte, sem sair da água o cavaleiro alcança a flor mas uma força estranha o impedia de tocá-la, então ele inconscientemente começa a usar sua cosmo energia e com sucesso entra em contato com a flor que reage com um brilho dourado imenso, as demais começam a ficar ofuscadas e uma pequena explosão de energia foi o suficiente para toda a água que circulava recuasse e levantasse como uma onda, logo a energia começava a eclodir juntando-se toda no lírio inclusive a energia do cavaleiro, neste instante a água começou a levantar-se e formar uma esfera ao redor de Bruno e do Lírio, seu amigo agora estava ciente das consequências mas um estranho sorriso estava marcado em seu rosto, a energia do cavaleiro era absorvida pela flor com tamanha velocidade e ele não conseguia soltar-se dela, a esfera estava fechada pela água e a luz dourada cobria o lugar, tão intensa que ninguém fora da área do lado conseguia enxergar o que estava havendo.
— Logo estará acabado... Amigo.
Castelo Heinstein
A luz arroxeada iluminava toda a propriedade, cada centímetro dela havia sido engolida por essa luz, era um poder maligno de proporções inimagináveis, a terra começou a tremer incessantemente, os tremores atingiam nível altíssimos, os poucos seres vivos que estavam ali caiam no chão sem vida e logo entravam em níveis avançados de decomposição, o castelo ascendia como se uma montanha nascesse e em seu pico fosse gerado o castelo do imperador do submundo, a terra se desprendia criando grandes blocos, retangulares como gigantescas escadas e formando uma espiral ao redor da montanha em que o castelo agora se encontrava, totalizando oitenta e oito blocos, estranhamente cada um soava um som diferente ao se posicionar, entre eles, o que pareciam ser sete pequenos templos se posicionavam. Mais acima o palácio do que era dos deuses gêmeos se divide formando três palácios menores que goravam em sentido horário e a espiral flutuante de rochas e templos giravam na direção oposta, a luz ia enfraquecendo gradativamente até que não sobrasse mais luz, apenas aquela estranha modificação geográfica, o brilho do que pareciam ser duas camadas finas de papel circulavam o perímetro indicando que havia algo ali, o cavaleiro ferido havia observado tudo com extrema dificuldade e no final percebera.
— Duas barreiras... Os templos de Hades... Eles estão prontos.
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