As Estrelas Da Esperança
36 Capitulo 36 – A Luz Deixada Por Eles
Havia apenas escuridão por todos os lados, uma sensação dominava seu corpo, nostalgia, a garota permanecia imóvel no meio da profunda escuridão de seus pensamentos quando ouve uma voz, a voz faz seu coração estremecer mesmo sem conseguir ouvir claramente as palavras, que iam ficando cada vez mais altas, até ficarem de fato audíveis, e uma pessoa veio à sua mente.
– Vamos! – A voz era claramente de um garoto – Corre Adélia!
De supetão a garota abre os olhos e se encontra num cômodo destruído, seu braço estava sendo puxado por alguém que ela não conseguia distinguir pois sua visão estava embaçada e no meio da confusão um grande explosão fez com que uma das paredes desmoronasse, a garota cai e apaga por um instante.
Ao abrir os olhos ela se encontrava descendo as escadas numa completa escuridão, como se ainda estivesse de olhos fechados, ela não entendia o porquê, mas permanecia descendo com grande velocidade, degrau por degrau, ela estava ficando nervosa, quando a mesma voz veio de sua frente, os passos dele sincronizavam com os dela.
– Rápido – Dizia – Acredito que aqui poderemos ficar à salvos, pelo menos por essa noite.
Sem explicação alguma ela se sentiu reconfortada e segura, sua mente estava uma bagunça, mas seu coração estava sereno, coberto por uma grande mansidão.
– Obrigada, Ale... – A garota apaga novamente.
Templo de Leão
Uma gargalhada ecoa pelos cantos do templo que estava praticamente em chamas devido à alta temperatura, os pilares de sustentação tinham cortes profundos e perfeitamente desenhados por algo realmente muito afiados, assim como haviam respingos de sangue por toda parte, o branco das pedras do chão já tinham sido tingidas de rubro.
– Não acredito que vocês realmente acharam que poderiam cansar um corpo imortal! –Disse o ex-cavaleiro de Lince em tom irônico – Como vocês são...
As chamas cobriram seu corpo rapidamente, mas ele logo desapareceu em meio ao fogo que o cobria – Flame Desperado! – A dona das chamas com uma voz rouca estava de pé, com o punho apontado para o exato local que Rapha se encontrava.
Uma corrente de ar passava entre as chamas fazendo elas seguirem por um caminho reto, os olhos dos cavaleiros seguem o rastro e no final dele estava o antigo cavaleiro em preto olhando suas queimaduras de primeiro grau em toda a extensão de seu braço esquerdo, pois o fogo lançado pela amazona aparentemente havia penetrado nas defesas da Sapuris do guerreiro de Hades.
– Bravo – Saudou o inimigo – Eu não devia ter ignorado você, senhorita.
Erick rapidamente observou toda a situação, sua boca se abre e seus pulmões se enchem de ar, e antes que pudesse dizer qualquer coisa o corpo de seu antigo discípulo havia desaparecido e o rastro de vento passando por entre as labaredas eram discretas, mas não passaram despercebidas pelos olhos afiados do Leão dourado que rapidamente lançou seu ataque em direção à sua pupila destruindo tudo ao redor dela.
– Lightning Plasma!
Um som metálico fez com que assim que a técnica de seu mestre se dissipara, Adélia recuara para junto dele e de seu irmão de casa. Do outro lado do salão do templo parado estava Rapha, com um olhar demoníaco para o trio de cavaleiros, ele segurava seu ombro, que agora estava descoberto e com algumas escoriações, mais a frente sua ombreira negra despedaçada ao chão, os cosmos se elevavam, um explosão de energia cósmica vinha em meio à batalha e fazia as rochas tremerem, os olhos do guerreiro de Hades entravam em metamorfose, sua pupila dilatava-se e contraía rapidamente logo em seguida formando um olho muito similar ao de um felino, a batalha entrava em seu clímax.
Pátio do Santuário
Os três lemurianos entravam no primeiro templo zodiacal em um silêncio fúnebre seguidos pelo mais novo cavaleiro de prata, Vaskes observa ao seu redor e encontra num canto próximo à entrada as ferramentas douradas utilizadas para reparar as armaduras, neste instante uma pequena lágrima cai pelo rosto do cavaleiro que se martirizava pelo ocorrido, ele então se aproxima, abaixa e empunha as ferramentas que se destacavam pelo brilho na lua que descendia no céu trazendo consigo as pequenas luzes do amanhecer adentrava o templo obliquamente pela entrada principal fazendo com que a sombra dos três que o acompanhavam se projetassem à sua frente, neste instante ele notou que seus companheiros haviam trazido consigo algumas urnas de armaduras do exército de Athena e tinham deixado próximos à um corpo de uma pequena garota, ao reconhecer tudo ao seu redor ele se lembrou de seu treinamento sobre as armaduras, parte fundamental da vida de um descendente do continente de Um, tanto sua mãe quanto seus mestres lhe ensinara técnicas fundamentais para o suporte do Santuário, tudo isso vinha à tona de uma vez e um sorriso finalmente se abriu em seu rosto, o cavaleiro de prata se levanta e olha para seus colegas de treinamento.
– Qual o motivo destas urnas estarem aqui? – Questionou apontando para as mesmas.
– Mestre Higor fora instruído a nos dar a missão de recolher as armaduras espalhadas pelo Santuário – Respondeu Hakurei.
– Ordem vinda de cima – Concluiu Sage.
– Então há armaduras espalhadas por todo Santuário... O golpe não foi apenas nos templos zodiacais, mas sim no Santuário inteiro...
– Isso quer dizer que...
– Exato! — Continuou Vaskes – Provavelmente os inimigos tinham mais de um objetivo, além de claramente estarem atrás dos artefatos de Jamir, da vida de Athena, eles queriam reduzir ao máximo nosso poder bélico! – O cavaleiro de prata parou e pensou por um instante e logo prosseguiu. – Por favor, continuem a busca e tragam as armaduras para mim, a partir deste ponto já é possível utilizar o teletransporte, então acredito que não seja tão difícil encontrar as armaduras restantes se combinarem com...
– Clarividência. – Disse um dos gêmeos – Sim, aqui podemos utilizar livremente nossas habilidades! – Num piscar de olhos os dois haviam sumido em pleno ar.
O cavaleiro de prata caminha em direção às armadura e as carregam para o centro do templo, o antigo cavaleiro de bronze parecia estar realmente muito confuso com a conversa entre os Muvianos e suas habilidades excepcionais, por isso permanecia estático tentando compreender algo que pudesse fazer sentido para si mesmo quando um ruído chama sua atenção.
– Quem era esta garota?! – Questionou Vaskes apontando para a antiga Amazona de Vela.
– Minha mestra, a amazona de Vela – Disse Chaffin com sua voz rouca e tremula.
– Meus sentimentos – Cumprimentou Vaskes. – Mas agora não é a hora de luto, e acredito que a armadura que ela vestia pode ser uma peça importante para sabermos exatamente o que está havendo aqui.
– M-Mas, como?! – Perguntou o cavaleiro de Vela.
–É melhor eu mostrar à você do que lhe explicar, por favor retire sua armadura e monte seu object aqui.
–Certo – Assentiu o jovem cavaleiro balançando a cabeça, após fazer o que lhe fora pedido perguntou – E agora o que farás?
Vaskes caminhou até Chaffin e viu que havia uma ferida muito recente em seu braço, logo ele a abriu novamente com um rápido movimento banhando sua mão no sangue do cavaleiro fazendo com que o mesmo emitisse um som abafado de dor, logo com dois pequenos passos ele estava de frente para a armadura prateada de Vela, a armadura estava cheia de falhas e rachaduras por toda sua extensão, mas logo um brilho surgiu entre o cavaleiro e a armadura.
– Observe. – Disse em voz serena o cavaleiro de Grou enquanto tocava o ápice da armadura de Vela com a mão embebida no sangue de seu novo dono, após alguns segundos o sangue fora sendo absorvido pela armadura e algumas pouquíssimas rachaduras se amenizando, os olhos anteriormente fechados de Grou abrem-se como em um susto e uma palavra ecoa solitária. – Inacreditável...
Yomotsu
O cavaleiro dourado permanecia abalado com que estava havendo e com a voz que havia ouvido, ele se despertara e ainda se encontrava no brilho prateado, o símbolo que estava ao redor do cavaleiro movia-se em sentido horário e o cosmos cobria seu corpo, sem entender muito o que estava acontecendo a chama do cosmos de Câncer voltava a queimar intensamente, o sentimento de desistência havia sumido do corpo do cavaleiro apesar de sua situação preocupante, em pleno ar na escuridão ele se vira e apesar de não encontrar um rosto familiar sabia que ele estava do seu lado, pois havia ouvido histórias sobre o portador da armadura que ele se deparava.
– Então você é...
–Não temos tempo para apresentações – Interrompeu o misterioso homem que vestia prata – Sua vida depende de quão intensamente consegue queimar seu cosmos nos próximos segundos. – O guerreiro em prata moveu-se para o lado e despencou para a absoluto escuridão do interior do monte de Yomotsu – Lute cavaleiro, por Athena!
Apesar de não terem sido muito esclarecedoras as palavras do homem, o que ele realizou ali foi o suficiente para fazer com que as estrelas da constelação dourada brilhasse novamente abaixo de um manto sombrio no céu, tão sombrio quanto a queda que aguardava o cavaleiro, que por sua vez se viu num mundo onde nenhum de seus sentidos funcionavam, ele apenas podia sentir seu cosmos, a característica que predominava entre os cavaleiros de ouro era o poder do sétimo sentido ao alcance de todos eles, mas a sensação que o cavaleiro sentia, o repentino desejo de viver, e de proteger seus aliados e sua Deusa eram maior, maior do que tudo o que ele já tinha sentido, por um segundo que lhe pareceu uma eternidade, sua consciência desapareceu na escuridão, e ao abrir os olhos e olhar para cima, não consegui encontrar o céu, pois ali ele não existia, uma mão lhe fora aproximada e com ajuda o cavaleiro de ouro se levanta ao lado daquele que lhe havia salvo segundos atrás.
– Onde...Estamos?! – Perguntou o jovem cavaleiro de Câncer pasmo com o que estava vendo.
– Bem-vindo ao submundo.
Décimo primeiro templo zodiacal
A chama que representava Aquário já perdia ainda mais suas forças, o grupo de guerreiros de Hades entraram juntos no penúltimo templo, onde aparentemente não havia nada vivo, e prosseguiram com a mesma velocidade com que adentraram a casa, quando foram envolvidos por uma forte neblina congelante onde não podiam ver nem ao menos meio palmo de distância à sua frente, o que fez com que todos parassem, suas respirações foram ficando dificultosas devido à rápida queda da temperatura, os pulmões dos soldados de Hades já não funcionavam mais corretamente, cada inspiração era dilacerante.
– Soldados medíocres!! – Gritou o cavaleiro negro que guiava à todos brandindo sua capa negra e fazendo com que seu cosmos em forma de ventania liberasse a visão para todos ao seu redor – Não mandei que parassem suas criaturas feias!
Uma risada se estendeu por um canto escuro com o final da frase do antigo cavaleiro de Athena, passos com a dicção metálica soaram oriundos do mesmo local, canto que parecia estar com mais neblina do que os outros, o ar frio foi ficando cada vez mais insuportável, o tilintar das armaduras se rebatendo pelo extremo frio que dominava o ambiente numa velocidade estupenda fora aumentando.
– Mesmo depois de tantos anos, você continua o mesmo Leonardo. – Soou a voz masculina vinda de uma sombra de um homem claramente vestindo uma armadura se aproximando do canto mais frio do salão do templo. – Que tal permanecer com esta aparência para sempre?!
– É exatamente o que pretendo! – Respondeu o Lagarto negro em tom irônico, e antes mesmo que pudesse ver seu inimigo, o provocava. – Mas não ficarei eternamente aqui neste frio como desejas, Mestre João!
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