As Estrelas Da Esperança
34 Capitulo 34 – Sombras da Noite
O garoto se levanta e logo leva a mão à cabeça, que estava com algumas faixas, ao seu lado, deitada na cama, uma garota dormindo, ele então tenta se mover com extrema cautela para que ela não sentisse que ele estava se movendo, porém cada movimento fora em vão, a pouca iluminação das velas no quarto de paredes de madeira eram suficientes para mostrar o brilho nos olhos da garota que levou a mão à boca.
– M-Mas...Como?! – Ela questionou, mas logo em seguida levou seu olhar ao canto inferior direito mudando completamente sua feição – Você está com eles não é?
O garoto apenas assentiu com a cabeça sentando-se no canto da cama e já levantando-se evitando olhar no rosto da garota. Ela se levantou enquanto o garoto se encaminhava em direção à saída do quarto, um cômodo rústico, feito de madeira e iluminado por pequenas velas. O som da porta se abrindo trazia uma lágrima ao rosto da garota que logo se aproximou e deteve os movimentos de seu amado abraçando-o, ainda com o rosto afundado em suas costas enfaixadas ela soluçava.
– N-Não me deixe...Denovo...não...Linyker...
– Eu...Não tenho como cumprir esta promessa – Disse o antigo cavaleiro retirando os braços que o envolviam de seu corpo ferido – Não desta vez.
Ao sair da pequena construção que já era muito antiga ele olha para o céu banhando-se na luz prateada da lua cheia já descendendo no céu noturno e volta seu olhar na direção que o vento soprava, mais uma chama do relógio de fogo estava prestes a se extinguir. Pequenos e quase imperceptíveis bateres de asas se aproximam com uma sombra gigante sem que o garoto a percebesse.
– “Então eu fiquei todo esse tempo desacordado...” – Pensou consigo mesmo antes de ter sua atenção voltada à porta de madeira que se abria e a mulher que ele amava surgia de dentro do alojamento com um grito que fez seu coração tremer.
– Não!!!!!
Templo de Escorpião
Os três guerreiros de Athena, cada um em uma patente diferente permaneciam encostados nos pilares de sustentação pálidos do templo em um silêncio fúnebre, quando sons metálicos de passos rapidamente chegam ao interior do templo invocando o olhar de todos à entrada que se iluminava pelo brilho natural do grande satélite natural luminoso, revelando dois homens, Nill e Bira já se posicionavam para iniciar um combate quando Matheus estende o braço impedindo-os de realizar qualquer movimento às cegas, e conforme os dois homens se aproximavam, eles se reconheciam mutuamente, exceto por um deles.
– Geovanne! – Exclamou Nill ligeiramente confuso. – O que fazes tão longe de seu templo de treinamento?
– Precisamos levar estes itens ao Grande Mestre. – Disse Carlos mostrando o que carregava – A propósito, sou Carlos de Cães de Caça.
– Bem-vindo – Respondei o cavaleiro de Pégaso – Mas, ainda estou um pouco confuso.
– Também não temos muitos detalhes, mas precisamos entregar os artefatos ao Wes junto com a informação do campo de batalha o mais rápido possível. – Disse Geovanne rapidamente, e já começava a avançar pelo templo. – Por isso precisamos avançar.
– Se é isso, você deveria ter simplesmente passado. – Disse Matheus parecendo um pouco entediado – Eu não tenho permissão de sair de meu templo, avance cavaleiros.
Eles então entenderam que estavam perdendo o tempo que já não tinham, apenas acenaram com a cabeça e prosseguiram correndo para a saída do templo zodiacal e logo chegaram às escadarias, e sem nem mesmo olhar para trás, eles prosseguiram rapidamente degrau por degrau pela promessa que fizeram.
Yomotsu Hirasaka
A escuridão dominava cada canto sombrio do lugar, milhares de vozes estridentes oriundas das almas dos condenados ao inferno agonizavam enquanto caminhavam lentamente para o buraco do Yomotsu. Uma explosão cintilante em azul e dourado de proporções inimagináveis clareia por um instante cada fresta do horrendo local. As almas contorciam-se em pleno ar e um homem caminhava entre elas, e com um estalar de dedos todas tomavam suas antigas formas novamente, guerreiros empunhando armas negras e afiadas assim como as armaduras que cobriam parte de seus corpos que ainda iam tomando suas formas novamente, um sorriso maligno era desenhado no rosto do homem em ébano em meio à sombras que não lhe pertenciam, o cosmos nefasto suprimia qualquer luz e esperança daquele lugar de sofrimento e danação eterna, o mal estava em cada rocha, em cada canto, em todas as sombras, mas este era o que todos ali tinham em comum, as trevas dentro de si.
– Parece que superestimam os poderes dos cavaleiros de ouro – Dizia o homem que caminhava nas sombras. – Você mesmo nos trouxe para este lugar, mas aqui é nosso quintal, você não possui vantagem alguma aqui, Higor.
– Não tem passagem de volta sem a manipulação do Sekishiki, que é um atributo do cavaleiro de Câncer, ou seja, eu. – Respondeu o cavaleiro dourado queimando seu cosmos – Meu trabalho está feito, tirei a ameaça que assombrava o Santuário!
– Hahahahaha Patético! – Exclamou o antigo cavaleiro de Hydrus – Você realmente pensou que éramos os únicos no Santuário?! Que ingênuo!
Higor serra os dentes e os punhos, parecendo surpreso e espantado ao mesmo tempo, o que ele havia feito era algo aparentemente sem fundamento uma vez que ele falhou em defender todo o santuário em sua perspectiva.
– Bom, então só tenho que matar todos vocês...
– De novo?! – Interrompeu Hydrus – Ainda não aprendeu que aqui o poder da imortalidade é muito mais intenso do que em qualquer outro lugar?
– Tanto faz – Higor deu de ombros parecendo não se importar com as provocações de seu inimigo, neste momento todos os soldados já estavam de pé novamente e prontos para a batalha, preparados para atacar o cavaleiro dourado a qualquer momento – Serão vocês a cair!
Com o final de sua frase, o cavaleiro de ouro inicia seu ataque destruidor, seu cosmos era tão intenso que com apenas um simples golpe, conseguia dilacerar os soldados facilmente, o que ele já havia feito algumas vezes antes, por isso mal havia emoção em seu olhar, que permanecia, mesmo durante seu ataque, cravados em Arth, que não esperou o ataque se prolongar mais e foi pra cima do cavaleiro de Câncer com poder e velocidade equivalente ao do cavaleiro de ouro, e novamente uma feroz batalha se alastrava pela entrada do portal do mundo dos mortos, os corpos dos soldados derrotados caem ao chão ensanguentados, libertando mais uma vez suas almas imortais que pairavam ao redor da batalha entre os dois guerreiros mais fortes ali, Higor então se aproveita do ambiente e de sua habilidade especial.
– Sekishiki Kisoen! – Num instante as dezenas de almas dos soldados ali derrotados transformaram-se em chamas azuladas ardentes com um brilho levemente dourado ao redor do núcleo das chamas que como um feixe de luz envolveram o braço direito do cavaleiro de Câncer e com um soco, atravessa o poder assustador do cosmos de Arth, atingindo-o no poito destruindo um pedaço da armadura e fazendo-o engasgar-se com seu próprio sangue por conta do grande impacto flamejante, mas um sorriso tira a feição de vitória do rosto de Higor, então presas saem de diversas partes da armadura de Hydrus e atingem em vários pontos o braço de Higor fazendo as chamas se dispersarem rapidamente. – M-Mas como?! – Indagou o cavaleiro dourado.
– Foi bem cavaleiro. – Disse Arth se afastando e cuspindo sangue depois de receber o golpe do cavaleiro de ouro – Mas agora estás sob efeito de meu veneno que atinge não apenas seu corpo, mas também sua alma!
– Por isso eu não consigo...
– Sim, não poderá repetir este golpe com seu braço direito, pois não controlas mais as almas com este braço.
– Não preciso disso! – Gritou Higor queimando ainda mais intensamente seu cosmos e ergue seu braço esquerdo, num instante todas as almas próximas tornaram-se grandes chamas que rodeavam o antigo cavaleiro de prata.
– Uma vez você mesmo me disse: “A mesma técnica, não funciona duas vezes contra o mesmo cavaleiro”, como ousa tentar utilizar a mesma...
– Quem disse que é a mesma técnica?! – Hydrus negro ficou espantado – Pereça antigo cavaleiro... Sekishiki Konsou-Há!!!
Uma explosão incomensuravelmente maior do que a anterior tem início realizada com as almas, usadas como pólvora, e suas chamas queimam em azul com seu núcleo dourado por alguns minutos, Higor suspira e olha para seu braço direito que ardia com o veneno que estranhamente continuava com seu efeito, porém retardado desde o início da explosão. A nona chama do Grande Relógio de Fogo se extingue, assim como as chamas no Yomotsu, então a imagem do imponente monstro chamado Hydrus se forma do centro da explosão, a armadura do guerreiro das trevas havia sido parcialmente destruída, e sua face direita havia sido incinerada, deixando apenas seu olho e lábio livres do fogo azul, ele caminha em direção de seu oponente que reluzia em ouro, uma expressão de fúria dentro da Hidra de cosmos aparecia no rosto queimado, Higor se posicionava incrédulo do que via, a marca de um pentagrama brilhava na testa do cavaleiro de Hades emanando um poder ainda maior do que o que ele possuía anteriormente, o ar pesava a cada passo que ele dava.
– Maldito seja! – Trovejou Arth – Morra!!! – Todas as dezenas de cabeças da Hidra feita de cosmos se voltam ao cavaleiro de Câncer, que as afasta um pouco percebendo que já estava À poucos metros de distância do buraco do Yomotsu, a batalha se alastrou até aquele ponto sem que nenhum dos dois percebesse. – Hydrus Thousand Paralyze Claws!!! – As cabeças abriram as bocas mostrando as presas envenenadas e todas atacaram simultaneamente de todas as direções, deixando o cavaleiro de ouro sem escapatória, ele então brilha se cosmos dourado e ergue o braço esquerdo abrindo a boca para interpelar por sua técnica, mas ele não teve tempo suficiente, e foi brutalmente atingido e lançado contra a boca do portão do submundo, acalmando assim a fúria do guerreiro negro, que ainda cuspia sangue, e simplesmente desaparecera do Yomotsu em uma luz arroxeada. Higor estava em queda livre, quase inconsciente, ele já havia se conformado com sua derrota, mesmo sem compreender de onde Arth havia adquirido tal poder, um hexagrama prateado se forma ao redor do cavaleiro de ouro e uma mão toca no espaço Inter escapular de suas costas e uma voz lhe traz de volta a si.
– Reaja cavaleiro!
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