As Estrelas Da Esperança

14 Capitulo 14 – A Passagem Para Lugar Nenhum


Casa de Touro

A fúria do cavaleiro ferido cessa, e o que sobrara de seus inimigos foi apenas algumas partes de corpos e armaduras retalhadas, o sangue cobria quase que completamente o sagrado solo do templo zodiacal, o resultado de seu último ataque era incalculável, Carlos desistira de correr para ajudar seu novo amigo, ele estava paralisado com o que acabara de acontecer, as vestes que cobriam Grou como um sobretudo, ou o que sobrara delas, ainda estavam caindo ao chão, Cães de caça leva sua mão direita aberta na direção do terceiro espaço intercostal esquerdo, ele podia sentir seu coração batendo forte, ele lembrara de seu passado, então ele leva seu olhar para o que mais ninguém poderia ver, o espirito de sua armadura na forma daquele que retribuíra o seu amor uma vez, o espirito sorri para ele, então ele volta-se novamente para a cena à sua frente, o grande Cavaleiro que estava apenas tentando proteger a casa no lugar de seu mestre que a muito desaparecera observa a reação do desconhecido que adentrara seu templo, ele vestia armadura prateada como seus já conhecidos companheiros de batalha, é então que ele observa suas mão ensanguentadas, o sentimento de remorso começa a consumi-lo descrente de que havia destruído completamente um de seus companheiros prateados durante seu acesso de raiva, então com o punho fechado ele vira-se e reconhece que o que cobre o corpo do cavaleiro era sim uma armadura de prata, agora revelada uma vez em que as vestes que a cobrira estava quase completamente destruídas, e um vento frio passa pelos que ainda estavam de pé.

– Não é permitido teletransportar-se por entre os sagrados templos zodiacais, mas podemos fazer isso dentro deles – O homem de pé voltado para a saída do templo vira-se para aquele que o atacara e sorri, ainda bem que evitamos uma tragédia aqui não é? – Grou ainda estava vivo, porem o manto negro que o cobrira estava apenas da parte amarrada em sua cintura, que escondia uma pequena bolsa de couro, para baixo e seu longo cachecol movia-se com o vento e as estrelas faziam sua armadura em forma de penas brilhar.

– Ainda bem que não se machucou – Exclamou Carlos enquanto caminhava até Vaskes.

– Cavaleiros de prata? Perdoem-me mas eu tive que defender o templo a pedido de meu mestre o cavaleiro de Touro.

– Mas ele não está aqui? “Eu podia jurar que o que acabara de sentir era um cosmo de um cavaleiro de ouro.” – Pensou Vaskes enquanto seguia em direção ao cavaleiro – Sou Vaskes de Grou e este Carlos de Cães de Caça – Continuou enquanto caminhava para cumprimentar o cavaleiro.

– Eu sou Geovanne de Urso e preciso seguir, alguns espectros passaram e... – Antes que conseguisse completar a frase ele ficou tonto, levando a mão à cabeça e perdendo o controle das pernas, ele estava pálido.

Os dois cavaleiros de prata seguem em direção com mais velocidade, mas o cavaleiro de Bronze cai no chão fazendo com que um pouco do sangue ali presente espirrasse para as proximidades, ao alcançarem o cavaleiro a preocupação estava clara nas faces dos cavaleiros de prata, mas Vaskes respirou fundo e observou o corpo do cavaleiro, ai tocá-lo havia mais sangue do que ele havia visto anteriormente.

– Esse sangue...Pertence à dele – Disse Grou.

E ele rapidamente localiza a origem do sangramento, uma vez que o cavaleiro estava praticamente coberto do sangue inimigo, ele apenas toca as ombreiras e Manoplas e Braços da armadura, e todas essas partes simplesmente se soltam, então ele rapidamente retira algumas ataduras de sua bolsa que guardava na região próxima à base da lombar abrindo-as.

– “Essa armadura de fato tem uma ligação com ele mas, ainda assim...” – Pensou Vaskes – Segure-o deixando o tronco dele um pouco levantado por favor Carlos – Exclamou o cavaleiro puxando uma das pontas da atadura – Primeiro precisamos estancar o sangramento.

Então Carlos o ajudou levantando o cavaleiro de bronze, os braço ficaram mais livres e Vaskes pode enfaixa-los estancando o sangramento, o cavaleiro ainda sentia dor por conta de seus ferimentos, mas não demonstrava, apenas através de pequenas feições de dor que eram feitas quando o cavaleiro de prata manipulava o ferimento, notando que Carlos carregava consigo duas bolsas rudimentares feitas de couro de animal.

– O que carregas nestas bolsas? Elas são muito semelhantes à mochilas de hidratação que alguns povo por onde treinei utilizavam – Perguntou Grou.

– Carrego água, pois venho de uma terra longínqua – Respondeu Carlos com uma cara de dúvida.

– Que ótimo! – Exclamou Vaskes – Por favor, ceda um pouco dessa água para nosso companheiro por favor! Assim ele será capaz desse recuperar.

Cães de caça assentiu vendo que era pelo benefício de seu amigo de armas e cedeu a água que ele tinha, Urso ainda estava consciente e enquanto o cavaleiro de prata levava a água à boca do cavaleiro ele respirava levemente ofegantes mostrando que tinha dificuldades ao respirar por causa da fúrcula esternal, mas ainda assim tinha seu estado sendo estabilizado, sua força de vontade era impressionante, os dois guerreiros de prata acomodaram o grande corpo do cavaleiro e Urso e se levantaram para prosseguir, mas quando estavam indo em direção à saída do templo uma grande mão recobre o ombro dos dois cavaleiros, eles voltam-se para trás e vê Geovanne com seu cosmo mais poderoso do que antes sorrindo, ele levanta os dois com um abraço e deixando-os no chão novamente revela uma feição séria.

– Vocês partiriam mesmo sem mim? – Questionou o homem – Não deixarei que vão sozinhos.

– Mas você está ferido, perdeu muito sangue! – Exclamou Vaskes.

– Isso não importa, eu jamais morrerei por perda de sangue – Disse o cavaleiro rindo – “O detentor da bainha da excalibur jamais morrera assim.” – Pensou. – Então vamos!

E empurrando os dois cavaleiros eles saíram da casa de Touro e com o consentimento de todos, eles partiram em direção à terceira casa.

Entrada da Casa de Gêmeos

Uma grande horda de espectros que conseguiram passar pela casa de Touro se acumulam na frente do terceiro templo zodiacal, seu líder prossegue cautelosamente sendo seguido pelos demais soldados, o templo estava completamente coberto por um imenso cosmo, ninguém sabia o que estava por vir, mas eles tinham uma missão a cumprir e não poderiam falhar, o som metálico de seus passos ia ecoando pelo templo enquanto ele entrevam aos poucos, o local, apesar de estar embebido em um poderosíssimo cosmos, aparentava estar vazio, todos então prosseguiram ingenuamente para a saída, e ao passarem pelo arco que permitia sua saída, se depararam com uma escadaria descendente, mas não qualquer escadaria, era a mesma que eles haviam subido, e quando todos viraram-se encontram a entrada do templo de Gêmeos, com dois grandes querubins esculpidos, uma grande confusão começara, porém não durou muito, a terceira chama se contorcia diminuindo gradativamente sua intensidade, agora encontrava-se com a metade da potência original.

– Calem-se! – Gritou aquele que ferira o cavaleiro de Urso, temos que prosseguir e encontrar este maldito e acabar com ele para passarmos!

A frase do que possuía olhos de feras soou como um grito de guerra, ao chegarem novamente à entrada, algo diferente estava lá, uma placa com duas setas contorcidas apontando em direções opostas mas ainda assim para dentro da segunda casa, na seta estava escrito “Vivos” e na outra “Mortos”, intrigados os soldados de Hades se dividiram e entraram indo cada grupo para uma direção diferente o grupo que o estranho homem comandava foram pelo lado dos “vivos” e enquanto prosseguiam o salão escureceu completamente, em instantes chamas azuis foram acesas gradativamente pelo local, ele se encontravam agora em uma grande escadaria circular, todos olharam para baixo, onde nada além de uma escuridão imensa podia ser vista, enquanto prosseguiam, as chamas iam se acendendo, o silencio pairava, quando um gemido o quebra, todos param o voltam-se para a base da escadaria, de lá ouviram uma sequência de gritos em uníssono, eles pareciam estar sofrendo, então o som de metal sendo estilhaçado começou entre os gritos de pavor, todos ficaram paralisados, quando um dos espectros que tomaram o caminho oposto surge ao fundo na escuridão desprovido de pele, suas fibras musculares podiam ser vistas, ele se arrastava nos degraus, e de pouco em pouco mais de seu corpo podia ser visto, até que quando ele chegou em um ponto na escada, perceberam que o homem já não tinha mais as pernas, seu corpo acabava no abdome e parte do conjunto dos ossos do cóccix estavam expostos, enquanto o resto já não estava ali junto, todos começaram a correr na direção oposta à escuridão. Enquanto isso dentro do templo um homem em vestes douradas se levanta, e caminha calmamente em direção à um ponto escuro.

– Vocês escolheram seu destino – Disse o jovem — E que a diversão comece!