As Estrelas Caem: o rei e o caçador
22 Grovandia 3º
O metal começa a rasgar a pele de seu ombro liberando uma fina trilha de sangue. Zasalem acabara de ferir sua própria prole, feriu o ombro direito de Davi que estoca o ferimento causado por seu pai com a mão direita.
– Aprenderás a tratar seu pai como se deve. – Ele pressiona o solado de seu pé contra o torso do rei das sombras e ele cai ao chão. Um golpe arriscado, em se tratando de um rei tão armado, porém sem nenhum guarda presente. Davi não era mais do que uma criança, mesmo assim essa criança se levanta. Zasalem utiliza o cabo de sua lamina para esmurrar o estomago de Davi, que se assenta pouco abaixo de seu trono negro quase sem ar como uma criança que acabara de ser disciplinada pelo pai em Byron. Davi se apoia ao trono e as cinzas que saem dos corpos que queimaram no fogo grego – e que cobriam de maneira disforme sua pele branca – agora ficam à mostra.
Um movimento ligeiro do pulso e os joelhos de Davi encontram o chão na tentativa de estocar suas feridas. Os olhos de Davi se enegrecem de maneira espetacular, e agora mais pareciam luas de sangue em um céu nublado noturno, brilhando quando em ausência de luz e se ofuscando com o brilho ensolarado do astro rei. Os cortes em seu corpo soltam colunas de fumaça fervente enquanto se cicatrizam uma a uma. Davi se ergue, e com um chute de força estrondosa, arremessa seu pai contra os grandes portões do castelo, atraindo a atenção dos guardas que tentam forçar a entrada pela porta trancada de carvalho nobre. As cinzas negras em seu corpo começam a dançar como nuvens sobre o céu de Winifreda.
Os guardas arrombam finalmente a porta; os olhos de Davi se enchem de medo e retornam a forma natural, como se algo maior estivesse ocorrendo dentro de sua própria mente.
Seria Drynuk? Zasalem não se atrevia a pensar nisso, ele já havia selado o destino de Davi. Um erro de julgamento ou não, ele já havia chegado ao seu veredicto. Ele permite ser carregado pelos guardas.
Danael, antes de seguir em frente, observa o poço de onde emergiu ao mundo dos vivos pela ultima vez. Com uma visão aguçada, ele consegue ver a margem do rio Estrús, bem ao lado do Lete. Ali, algemas aguardavam um novo prisioneiro.
– Davi – sussurra.
Com ajuda de Artelas, o poço é selado com uma enorme rocha, agora é a ultima chance de Danael em vida.
Buscando uma pista qualquer do local aonde vieram parar, o rei dos caídos e a sua amada vagam por um longo período de tempo até que avistam um reino misteriosamente belo.
Tanto suas casas como seus pontos comerciais eram feitos de madeira nobre, clara e lixada suavemente. Cada estrutura possuía entalhes trabalhados em fogo, o seu pequeno território era rodeado por acesas tochas de chamas brancas. Seu castelo se encontrava em uma grande colina à oeste da cidade, porém com sua face voltada para dentro da mesma, sendo assim tocada pelo brilho da órbita dourada em todas as manhãs. O que, de fato, aumentaria seu esplendor, retirando a atenção de qualquer observador de outra construção igualmente bela no centro da cidade. Uma torre que supera as do castelo em tamanho e beleza. Era feita de mármore branco e madeira nobres, igualmente trabalhados em fogo.
Seguindo o curioso edifício com os olhos em sua altura, se notava que até mesmo as nuvens se afastavam do local de maneira natural, se dividindo em duas e também desviando ora para a esquerda, ora para a direita.
Artelas possuía o brilho nos olhos de uma criança de Arkell, que está prestes a possuir sua primeira besta, espada ou arco, faltando poucos dias para sua caçada.
– Danael, este é continente Médio. Viemos parar na cidade lendária.
– Cidade lendária? – Tomado pela curiosidade Danael pressiona uma resposta.
– Estamos em Lareira. A cidade onde seu avô materno, Martyn se aventurou com os outros seis grandes antes de atingir sua maioridade. A cidade que deu origem a magia. A torre que está em seu centro é que possui a chama de todo mago.
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