Cacieri treina justando em seu cavalo nos jardins que se localizam no topo da torre branca aonde o corpo de Artelas deveria repousar. Os campos eram de uma tonalidade verde viva e a torre se assemelhava em muito à visão do poço.

— Criaturas repugnantes!

— Acalma-te, Cacieri, esses cavaleiros são apenas frutos da necromancia básica de minha pessoa.

— Em exato por isso que digo tais palavras, milady. Sabes que eu sou o melhor no que faço.

— Cacieri, já disse a ti! Tem de preparar-te, Danael é uma peça fundamental, matá-lo é mais que sua obrigação, mas se debilitá-lo poderá chegar até Alistaír com minha permissão.

— Então diz-me, “mea regina”, em alto e limpo latim. Como segues com vida?

— Digamos que o sangue do gélido norte nunca perde seu poder, caçador. Principalmente depois da onda de tempestades de gelo que ocorrera e fez muitas famílias migrarem para Zasal. Fora nessa época que eu conheci Danael.

Mesmo que Cacieri de inicio não entendera, não importou-se, afinal sua carne esfolada e ensanguentada precisava descansar.

A lua já repousava em seu ponto máximo quando Danael e Davi despertaram e, à sua frente, pedras com o mesmo brilho das encontradas na gruta. Acima das paredes rochosas, uma pequena parede de lama que dava para o céu da noite.

O brilho das rochas revelava em pouco uma enorme embarcação em madeira nobre e mexilhões em seu casco, com três conveses, quarenta e dois canhões, teias de aranhas aos montes e em sua frente, uma pequena lâmpada do deserto acesa com uma chama fraca.

— Davi, Danael! — Martyn os chama – Estão todos bem?

— Não tanto quanto antes. – Davi responde.

— Conseguem sair por aquela caverna à vossa esquerda?

Antes que um dos reis pudesse assentir, a aparência de Martyn se tornou negra com uma silhueta dourada, era uma tocha. Ele se vira e parece conversar com alguém durante um bom tempo, o que para Danael e Davi já pareciam bons Grins.

Logo outro rosto surgiu, ambos os reis conheciam as vestes de tal homem. Era ele um dos guardas.

— Davi, “rex meus”. Milhares do acampamento de Zasal estão sendo mortos por landrinos, estão a procura de um senhor chamado Danael.

Danael resmunga algo que parece já ter dito na frente do palácio de Artelas e então grita.

— O que querem eles comigo?

— Por causa sua, Danael, milhares de homens puros agora estão sobre as mantas de Hella e Perséfone. Tens de justar contra o caçador.

— Normalmente, nobre Horace, eu iria, mas para ser sincero não possuo corcel.

— Como me conheces? – ele não prefere prosseguir com a questão. – Diz não possuir animal, para montar mas eu vejo ao vosso lado nobres equinos.

Os olhos de Danael e de Davi se deparam com dois corcéis em tom castanho escuro e selas magníficas. Ao tocá-los, Danael sente que a sela de tais animais arde como se estivesse seu metal acabado de sair da forja.

Cacieri desce da torre de tijolos brancos pela escadaria de fora e, após a retirada de maligna governanta, ele adentra na torre. Duas escadarias e um tapete se encontravam em meio a flores, no centro esta um caixão de carvalho puro e pouco humilde. Cacieri ousa se aproximar para, ao abrir o caixão, observar o que tanto temia dentro do túmulo. Artelas repousava ali.

— Finalmente caçador – uma voz masculina falava enquanto seu dono descia as escadas em roupas esfarrapadas e com uma barba mal-feita em seu rosto. – Pensei que tardaria a descobrir a verdade.