As Estrelas Caem: o rei e o caçador
13 Cartas 3
A batalha não demoraria, logo o guerreiro tomara em punho uma lança e, Danael, retira da terra sua lamina.
Com a garganta faiscando e sangrando, o dragão rubro ergue-se e com os próprios dentes agarra de supetão o rei Danael, e em seguida parte em voo, passando por entre as nuvens como um verdadeiro dragão ascendente e, á poucos quilômetros da imensidão do espaço, vê que sua vida se esvai de seu corpo. Larga o rei e entra em chamas soltadas da própria boca para irar seu sofrimento como acontecia com qualquer dragão. Em feroz queda, Danael avista seu alvo e com a brusca força da queda repousa seus pés sobre os ombros do soldado de latão, fazendo com que ambos caíssem ao solo com igual e devastadora dor. O tórax da armadura se rompe com a batida em uma pedra, o que para Danael seria perfeito.Mesmo que a morte não mais exista, ele de perto os vigia, espera apenas que um dos dois caia. Danael já sente o cheiro do Tártaro em seu respirar.- Por quê? – Finalmente o rei berra com a máxima força de seus pulmões e depois repete com um brado quase sem ar a aterradora pergunta ao guerreiro cujo silencio ardia o rei derrotado.aquele silencio azedo, queima forte na alma de Danael, no até então não havia razão alguma para o ocorrido. E quanto mais ele pensa, mais sua sanidade é posta aprova, sendo que seu corpo é rodeado cada vez mais pela própria loucura como um abutre rodeia a carne. O rei dos derrotados porém, se recusa a ceder e finalmente se ergue, se levanta com o desejo nem nunca mais soçobrar, mas ele mesmo sabe que é impossível. Aproveitando do breve momento, ainda que a fria chuva relaxe seus músculos e canse seu corpo, empunha novamente a espada do guerreiro que, tentando se levantar expõe a fraqueza em sua armadura que fora causada pela queda. Danael adentra a lâmina no coração de seu inimigo e, então tira o elmo de sua cabeça. Mais um grande erro para sua imensa coleção.O rosto por detrás do elmo era feminino belo, feições delicadas, olhos cinzas e apesar da grande armadura, Danael já sabia quem era e já sabia o por que de tais devaneios ao passado. Ele retorna a sua primeira caçada novamente, uma traição um dragão, uma melhor amiga. Morta em suas mãos.- Leonor – Seus lábios sopram o nome extraído de seu passado, mas como ela seguiria com vida depois de cruel noite de caçada há alguns anos? O rei não compreenderia até ver o liquido dourado e escarlate que de seu corpo saía. Era icor, sangue com ambrosia digna de um olimpiano.Uma gargalhada sombria soou de seus lábios e encheu o ar, ela não queria derrotá-lo, saiu do submundo apenas para fazê-lo sofrer, dar uma noite em que a sanidade fosse posta a prova e não importa o resultado da batalha. Ela venceu, cumpriu seus objetivos.Erguendo se, Danael a observa com repugnância, finalmente toma de seus braços mortos mais uma peça da armadura olimpiana. O escudo de Ares, Leonor foi a primeira mulher a representar o lorde da guerra em meio físico, mas serviu aos propósitos de tal representação, então após certa reflexão o rei dos derrotados põe um pouco de seu icor em uma pedra rachada que tinha o formato de um pote e segue caminho adentrando na caverna aonde seu irmão Davi deveria estar aguardando-o e com zelo guardando seu elmo, mas o destino zomba do rei. Dentro da caverna, não havia sinal de seu irmão ou do elmo, mas observando tal local, devido a um raio de sol era possível perceber que uma grande piscina natural estendia se até a penumbra, provavelmente seria um rio, a presença de botes antigos repletos de mexilhões raros de água doce no casco provavam sua teoria. Subiu então em um deles e parte para aventurar-se.Remadas arremessavam a água quente que só se permitiram ser vista por fendas no topo da gruta, que agora lhe parecia mais uma caverna e por larvas fluorescentes nas estalactites, era uma bela paisagem, mas seu irmão permanecia sumido, e, durante quatro Grins ele o procurou até achá-lo treinando seu latim.Meias-frases poderiam ser ouvidas.- Septem dracones volant super target nix glacialicus septentrionali.- Quiseste dizer “glacialis”, correto irmão?Surpreendo Davi, Danael o aparece e o corrige mas ele não sabia que já era costume do rei dos caídos realizá-lo.- Danael. A luta demorou, não?- Deveras, era Aries. Deveríamos voltar, estamos indo a nordeste, da floresta.- A correnteza está forte devido à chuva que caí. Devemos tomar cuidado afinal, não sabemos aonde esse rio leva.Mas mais adiante o fluxo do rio se dissipa em uma majestosa queda d’água e assim, ambos os barcos caem ao chão. Observando ao redor, aparentava aos dois irmãos, um deserto, porém a parede de terra que os cercavam acompanhada era de uma vista exuberante do céu e de algumas arvores da floresta do sul aonde Davi e Danael veem a silhueta negra de um senhor de idade que jogou a eles uma corda e disse-lhes:- Cuidado aonde pisam o chão do lago Flamma é feito de rocha de Ançã extremamente fina, então vocês podem acabar por cair se pisarem em falso.E, após um trauma de sanidade e de um resgate bem sucedido o dia finalmente estaria no fim. Danael, porém não via dessa forma, afinal o ancião que os salvara, lhe aparentava bem familiar, familiar a ponto de impedir uma boa comida feita da carne de um cervo que por ventura, aventurava-se no sul.
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