As Estrelas Caem: o rei e o caçador

17 Alistaír: poeira e brasas 2°


Notas iniciais
a guerra se aproxima

Sangue voando, o peito arde e as costelas parecem bem atingidas. Danael, mesmo por baixo de sua pesada armadura, lamenta que seja seu fim, pois o caçador empunha uma adaga contra ele.

Porém algo incomum ocorre. Aquele que o havia vencido guarda a adaga e em meio a visão distorcida pelo espaço apertado. Danael observa a mão de seu oponente, ele então recua, porém sede e se deixa ser levantado por Cacieri.

O rei dos caídos então retira o elmo e seu rosto está vermelho. Um soar de cornos avisa a traição e a ordem de ataque é lançada. Danael retira a lâmina do chão e com maestria reflete algumas flechas.

Cacieri, com igual destreza, sobe parte da muralha, e com ajuda de uma cimitarra, se firma para escalar o restante e puxa o arqueiro para baixo onde é abatido por Danael. Inacreditavelmente, os três, incluindo Davi, realizavam um ataque majestosamente bem orquestrado. Logo, não fora difícil a fuga, e, surpreendentemente, os cavalos de Davi e Danael estavam à espera das suas majestades.

Cascos surravam o chão enquanto flechas abriam feridas no corpo dos corcéis e os três heróis rumavam à Zasal, afinal, não poderiam mais utilizar os portos de Landraynor, cabendo a eles apenas a opção de declarar guerra, assim mesmo precisariam da ajuda de Alistaír.

Rumaram durante três Grins até chegarem às ruínas de Zasal. Danael sofre ao ver seu povo, mas se alegra a ver a única pessoa que se lembraria dele, Kendel. Kendel conhecera Danael juntamente à sua irmã na época da grande nevasca que isolara o norte. Ela também se alegra ao vê-lo. Danael, porém, tomado pela lembrança de Leonor, vai direto ao assunto:

— Kendel, você se recorda de onde fica o porto de Ninverna?

— Sim, Ninverna ficava após a ponta do norte. Mas podemos embarcar logo no estreito do norte se levarmos embarcações até lá.

— Pois então – Danael chama Cacieri e pede que recrutem aqueles que estiverem dispostos a rumar até Alistaír e pede para que Davi ordene a comida que os fazendeiros possam doar.

— Rei – Kendel o chama – Onde esteve?

— Passei no mundo dos mortos.

— Viu a minha irmã?

— Não, Kendel, Leonor estava no mundo dos vivos.

— Você a viu? – Os olhos de Kendel brilham da maneira como a dos condenados que gritavam em frente ao “trono” de pedra pertencente ao rei dos caídos. Danael sofre ao se lembrar da frieza de seu reencontro com Leonor, porém entrega o pote com ìcor que havia retirado na batalha.

Ambos cessam o diálogo. Os Zasalenses sabiam do que os Landrinos eram capazes, então ninguém se recusou a ajudar. Logo navios, guerreiros e muitos alimentos estavam prontos para serem levados ao estreito. Danael ficara para trás; estava em conflito, sentindo a culpa como sua e então Cacieri viera lhe dizer algo:

— Quando vivi entre os loucos eu recebi o dom de saltar da realidade geral para a realidade pessoal numa batida de coração. Quando estive do outro lado eu tive tempo para pensar e vi um mundo bem melhor e bem distante, isso então me deu uma vontade enorme de ficar ali, porém, exatamente por isso eu percebi que é bem melhor viver a triste realidade do que uma doce e ilusória insanidade. Por isso cabe a você toda a responsabilidade de cuidar de um reino e de sofrer empatia por seus súditos. Um herói e um bom rei por isso, então eu peço que fale com sua amiga, acolha-a, e a auxilie. Ela precisa do rei que você é, mesmo o rei de um reino caído.

Dito essas palavras, os navios já estavam apoiados sobre toras e o alimento neles estocado. Já era hora de partir rumo à Alistaír e rumo à guerra que se aproxima.