As Estrelas Caem: o rei e o caçador
8 Tártaro final
Notas iniciais
“- Danael, a chama do tártaro não é má, e parece ter gostado de você.”
Cacieri está pronto para enfrentar a criatura branca, e ela aparece. Suas patas compunham asas, sua face era a de um leão negro, e sua cauda era a cabeça de uma serpente gigante. A criatura não pensou duas vezes e deu o bote em Cacieri; ela o arremessa contra os pilares mas não abusa da força para não derrubá-los, afinal, o que Atlas faz no Tártaro, os pilares fazem na terra. Cacieri empunha seu arco e atira contra a cabeça da besta-fera, mas as suas garras retiraram a flecha do olho, ela pula sobre o desventurado caçador. Ele usa a lâmina para feri-lo.
No Tártaro, o príncipe caído luta bravamente com a fera de três cabeças e serpentes em seu torso e pescoço. Danael se agarra à cabeça da criatura em desespero para sair de suas garras. Ao tentar sair, Danael só consegue criar feridas, que só se cicatrizam pois ele não está vivo. A criatura bate em sua cara como um filhote brincando com um bicho morto. Danael sentia agora dor e fome, mas seus membros cicatrizavam assim que as garras saiam de sua pele. As serpentes da criatura começaram a avançar contra o príncipe. Contraindo suas costelas esganiçadas e expostas, ele escapa, segura-se com força em uma das cobras e escala no Cão.
Danael bate com força bruscamente nas cabeças de Cérbero, o cão docemente revida sacudindo bruscamente seu crânio, mas Danael agarra suas orelhas. As serpentes avançam sobre o pescoço e Danael desvia. Cérbero envenenou o próprio corpo. Magma cai de seu interior. Danael se sente bem, como se não estivesse mais no Tártaro, seu corpo começa a se refrescar, Cérbero é consumido por uma luz forte que sai de seu interior, e que, por pouco não cega o jovem príncipe. Ao recuperar a memória, Danael vê se em vestes dignas de um rei soberano, mas um detalhe lhe veio à cabeça: não havia nenhum brasão em suas vestes, ao invés disso havia apenas um círculo branco. Ele segue o rumo do rio Lete, seguido pelos olhos de Atlas, que lhe grita.
- Danael, a chama do Tártaro não é má, e parece ter gostado de você.
O rei Davi, agora com uma lâmina em punho, e após ter declarado guerra ao reino de Capricórnio; um dos fatores que tornará Zasal o reino caído. Os guardas são reforçados, os aldeões possuem armas e armaduras em suas vivendas; Davi não dorme, não come, apenas jejua, e cada vez mais pensa no irmão de quem não se lembra. Na calada da noite um grito faz Davi sair do castelo, Bárbaros do leste selvagem invadiram Zasal, mataram alguns guardas, mas estavam aos milhões. Nesse compasso, Zasal pediria ajuda aos reinos mais próximos, o do rei leproso e o do Capricórnio, mas não adiantaria, pois esse acabara de invadir junto aos Bárbaros. O Tártaro veio a terra, Davi, não consegue lutar e foge com os aldeões sobreviventes.
No Tártaro após seguir o rio Lete, Danael se depara com uma caverna, aonde o rio entra. Ele segue o curso pela caverna e para em um lago, no fundo uma luz, os Campos Elísios. Ao mergulhar ele escuta a voz de Atlas lhe dizendo “Não beba da água, você está com sede mas bebe do rio Lete significa despedir-se de sua memória.” Enquanto desce, Danael se lembra da história das górgonas, Medusa, Esteno e Euriale, que por sua imensa semelhança com Atena e sua maldade difamava seu nome. Deformou-lhes a aparência, determinada a diferenciar-se. Atena transformou os belos cachos das irmãs em ninhos de serpentes letais e violentas, que picavam suas faces. Transformou seus belos dentes em presas de javalis, e fez com que seus pés e mãos macias se tornassem em bronze frio e pesado. Cobrindo suas peles com escamas douradas e para terminar, Atena condenou-as a transformar em pedra tudo aquilo que pudesse contemplar seus olhos. Assim, o belo olhar das górgonas se transformou em algo perigoso. Envergonhadas e desesperadas por seu infortúnio, as górgonas fugiram para o Ocidente, e se esconderem na Ciméria conhecido como "o país da noite eterna".
Mesmo monstruosa Medusa foi assediada por Poseidon, que amava Atena. Para vingar-se, Medusa cedeu e Poseidon possuiu-a no templo da deusa da sabedoria. Após isso, Poseidon fez com que Atena soubesse que ele tivera aquela que era sua semelhante. Atena sentiu-se tão ultrajada que tomou de Medusa sua imortalidade, fazendo-a a única mortal entre as górgonas. Perseu, filho de Zeus, futuramente arrancou, por ordem de Atena, a cabeça de Medusa, que grávida de Poseidon, sangrou criando uma fonte de onde surgiu Pégaso, o cavalo do Olimpo.
O rei leproso, sabendo da perda do reino, faz uma homenagem ao rei Davi, tocando o hino ao som de quinhentas e doze harpas, “mestre, o mar se revolta.”
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