As Estrelas Caem: o rei e o caçador
18 Alistaír: poeira e brasas 3°
Alistaír: poeira e brasas 3°
Em meio às águas frias e turbulentas, uma demorada e sombria expedição ruma à ilha deserto Alistaír, cujo nome fora dado em homenagem ao final da guerra dos continentes pelos reis da ilha que até então não possuía relação alguma com o grande continente.
As ondas esmurravam cada tábua do navio e uma a uma chacoalhavam com a tripulação fiel de soldados e camponeses, e, para testar tal fidelidade, Danael, durante a passagem por Charlton, exclama para todos em alto som:
— Para todo aquele que não pertencer à Zasal tiver parentes de fora ou for de nascimento de Landraynor, deixo os barcos pequenos para que retornem caso queiram continuar com vida e com seus familiares.
A tripulação, no entanto, nem se moveu. Todos conheciam o risco, tanto de ir quanto de ficar nas ruínas, mas todos ali preferiam lutar até seu ultimo suspiro para que houvesse paz a passar seus últimos dias com a família correndo o risco do massacre no reino se repetir. Então, com o ar que as embarcações recebiam para velejar, surge o brado poderoso e que em coro havia sido proclamado. “Para que não caia sangue inocente, deve se derramar sangue”.
No entanto essa frase, que de bom grado e determinação havia fugido de seus lábios, escondia um segredo mais sombrio que os próprios zasalenses não reconheciam. Um significado que fez com que as estrela caídas na terra se estremecessem, e que os raios parassem de cair sobre a noite.
Danael, após passarem pela ilha de Arkell, começa a encarar seus próprios demônios, pensa profundamente em Leonor e em Davi, afinal, se o destino fora tão cruel como já havia sido a ele, o que reservaria a seu irmão? O que reservaria a Zasal, o reino que ele amava e que poderia mais tarde trair? Outro assunto que o assombrava em Davi era o fato de seu irmão já agir como tal, afinal, não havia Davi se esquecido dele graças ao pacto de Ah Puch?
O irmão estava também a refletir observando atentamente cada um dos itens divinos que Danael a ele confiara cegamente. Que motivos o levam? Por que Davi pouco se lembrava de seu irmão e mesmo assim o confiava a sua própria vida?
O momento de reflexão não pertencia apenas a realeza. Cacieri possuía também seus segredos e um passado igualmente nebuloso a discutir. E na escuridão, ambos os três eram embalados pelo passado. E alguns grins depois, bem à frente estava Alistaír. Os barcos clandestinamente embarcaram na área desértica de Runant e estavam logo os habitantes a rumar em direção à Caelus.
O calor do deserto e a solidão do vazio demográfico que era a central de Alistaír não importava muito aos habitantes, havia comida e bebida o suficiente para todos durante a maior parte da viagem; suportar um tempo sem alimento não seria uma tortura tão pesada e qualquer ataque de nativos seria praticamente impossível, pois um grupo de quatro cavaleiros, sendo eles Danael, Davi, Cacieri e Horace, protegiam o grupo. Ao chegar com quase todos os zasalenses vivos, com exceção de um aldeão que caíra bruscamente em um dos “poços corpóreos” teve, como de traje, a precaução de trazer presentes que representassem a realeza aos representantes do rei, e sarcasticamente um dos presentes fora o amuleto de peregrinação dado à Danael por Martyn de Howkar.
O rei os recebera de bom grado, e mesmo vendo as vestes em frangalhos sabia que falavam a verdade, por razões que ele próprio desconhecia. Um jantar então foi realizado para decidir se seus instintos eram reais ou se os homens à sua frente eram apenas plebeus.
O jantar fora como de costume em Alistaír, carnes exóticas como a de morcegos, escorpiões, animais de grande porte e peixes, todos fumegantes e confeitados com especiarias raras e de exclusiva exportação de Arkell.
Como também de costume, copos com sangue de serpente foram distribuídos, porém Cacieri, com sua sabedoria, já havia descoberto o plano do rei apenas de observar sua bebida.
— Com toda sua licença, majestade, esse copo pertence a ti, o anfitrião, ou então a um de meus reis. É de traje que a pessoa que oferece o alimento receber o copo com sangue e o coração ainda pulsante de uma serpente alistreia.
O rei sorri, toma para si o copo e ordena que os cavaleiros se retirem para conversar com o o rei caído e o caçador. Ordena também que convoque parte de parte da população alistréia que realmente desejasse proteger a ilha.
— Então os lendários gêmeos de Zasal são não-idênticos e desejam a ajuda de Alistaír para destruir o povo landrino? Isso é realmente impagável. Muitos aqui em Alistaír possuem um desejo latente por vingança, barcos velhos e baratos de mercenários e mercadores podem ser utilizado para cruzar o mar menor até nossos portos no Grande Continente, assim enviaremos presentes ao reino Leproso para que também nos auxiliem. Com certeza na companhia de Davi, e com vestes mais a altura, eles não terão como não permitir. Todos os reinos estão desejosos, todos anseiam por vingança. Mas apenas nós já somos necessários para deter uma horda de bárbaros e de landrinos.
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