Ainda naquele dia, Vanessa passou na loja dos vestidos onde foram marcados os ultimos detalhes, fato é que sua mãe havia comprado todos os tamanhos mas nenhum lhes servia.

"Desculpe, senhoras, só vestimos até o 36"

Vanessa parecia estar preparando um grito tão alto capaz de estourar todos os cristais do quarteirão,mas sua mãe interviu.

"É o time, querida, você é a lider de toricida agora, se esqueceu?É só um inchasso"

Lider.

Ela havia saido da base da pirâmide para o topo, isso aconteceu quando seu pai se tornou o secretário do prefeito que era na verdade um primo distande dele, o que o fazia praticamente dono da cidade, que era tão mediana quanto rica. E um dono era um dono, naquele tempo ninguém falava em nepotismo apesar da expressão ser conhecida; era só alguém poderoso o suficiente estralar os dedos que um pobre coitado estaria pronto para ajudar.

***

Carrie odiou a escola e todos os olhares estranhos que havia recebido. Que olhares não eram estranhos? ela queria se afundar dentro de seu conjunto jeans e evaporar daquele lugar como o Drácula fazia.

História, Matemática e Artes eram as coisas que ela mais odiava depois de se mudar, as matérias , assim como as cidades, mudavam. Cada professor achava algo essêncial para ser discutido, nesse dia foi Segunda Guerra, Polinômios e Religião, por estranho que pareça.Crer é arte e negócio.

Na saída ela se apressou, com passos largos saltou os corredores tomando o maior cuidado para que não esbarrasse em ninguém e causasse o importuno no primeiro dia mais uma vez. Pensando nisso uma bela imagem lhe veio a cabeça, mas rapidamente desapareceu com a força de um fusca desgovernado, ela havia esbarrado em uma menina, alta e gorda, além de usar preto por todo o corpo, as coisas de Carrie estavam em uma estranha mistura no chão, com várias folhas de um diário de letras borradas e vários livros que aparentemente eram da biblioteca, pois quando encostou neles fez surgir a camada brilhante das capas novamente.

_ Me desculpe- Ela se adiantou, demorou alguma fração de segundos a mais para a garota gorda se inclinar e começar a pegar as próprias coisas. Carrie suou frio no meio tempo, houve um súbito medo de que uma briga se iniciasse, para algumas garotas isso seria o bastante.

_ Não foi nada- Ela respondeu recolhendo as folhas,secamente, no meio dela havia um grande livro que estava aberto, as folhas eram amareladas e rachadas como pergaminhos e as letras vermelhas se alternando em escuras de tom vinho, havia um desenho nela, como uma gravura de uma foto colada, uma montanha feitas de partes humanas. Pernas, braços, dorsos e rostos, horríveis rostos gritantes que levavam a um trono, tão alto como uma montanha. Ela tentou lher a legenda mas as páginas se fecharam tão violentamente contra ela que por um momento ela pensou que aquilo havia sido obra do sobrenatural, a garota com a qual ela ajudara havia pego o livro com suas unhas negras como carvão, ela se levantou e seguiu pelo corredor sem ao menos olhar para Carrie, que estava pálida com aquela imagem. Uma figura clara como giz desenhada tão firmemente naquela capa, que de meio caminho ela pensou ser um homem nu, mas quando olhou seu rosto viu que era a cabeça de um bode ostentando um pentagrama no meio da testa, não uma estrela ou coisa pareciada, um pentagrama claramente desenhado cheio de simbolos estranhos e figuras que ela não tentou imaginar o que seria; ela se indeireitou para frente, ajeitou seu jeans e alinhou seus livros, tudo parecia 'novamente' perfeito enquanto ela pagava um livro de seu armário novo, que apesar de parecer realmente novo acabou travando algumas vezes até a porta abrir, ela o fechou fortemente com um grande baque, por um segundo havia se esquecido de sua timidez, até ver alguém olhando nos olhos dela.

_ Oi- Ele disse olhando fundo em seus olhos, Carrie sentu vontade de correr, fugir dalí, ela estremeceu e abaixou a cabeça.

_ Oi- Respondeu finalmente, olhando para ele.

_ Você ainda não me disse seu nome, eu sou o Ben, acho que já disse.

_ Com licença, eu preciso ir- ela desviou dele em direção ao emaranhado de alunos saindo da escola, ela temia ficar presa lá dentro. Ben cruzou seu caminho com um sorriso no rosto e uma mão estendida.

_ Só um instante. Eu só queria falar com você, tudo bem?, deve ser difícil... um primeiro dia em uma escola nova, cheio de a garotos e garotas da sua idade e faltando pouco tempo para o baile...

Ela nem tinha pensado nisso, em quase nada daquilo, só queria terminar os estudos logo e ser livre do colegial. Baile? Ela pensou fingir estar doente e pronto.

_ Então... — Ele continuou- Sou o Ben.

Ele estendeu sua mão, mas ela nem chegou a olhar para ela.

_ Eu s-sou a Carrie

_ Bem, Carrie, é melhor sairmos, parece que nosso horário de aula já acabou.

Ela juntou com força os livros contra seu peito e seguiu ao lado dele em direção a saida, o corredor estava escuro e o sol avermelhado sobre as janelas, lançando um estranho halo morno sobre os alunos no pátio. Aquele lugar parecia só fumaça e gritos, como todas as outras escolas.

_ E então- Ele lançou a mão na nuca e bagunçou o próprio cabelo- Você é nova aqui, não é?

_ Sim... — Parecia que a voz dela iria falhar a qualquer momento.

_ Veio com seus pais? por quê se mudaram?

Eles estavam na porta de entrada agora e ela olhando diretamente para a rua enquanto uma pequena turma ainda estava saindo.

_ Meus pais estão mortos, Ben.

Aquilo soou dolorosamente, a forma dela dizer e o som do seu nome, ele imaginou que aquilo deveria doer, sentindo a própria dor de suas palavras.

_ Me desculpe... eu sinto muito, muito mesmo.

_ Foi a muito tempo... eu era uma criança que aconteceu. Não tem porque se desculpar.

"Ainda bem" ele pensou, aquilo era como nos filmes, ninguém pedia desculpas por falar na morte dos pais de Bruce Wayne.

_ Oh, sim- Ele teve confiança de sorrir novamente- Entã-

_ Ei, Ben- uma voz aguda o cortou.

_ Oi... Tiffany.
Ela olhou Carrie de cima a baixo, como se ela fosse uma espécie recém descoberta.
_ Eu só vim te avisar que a Vanessa saiu mais cedo- Ela sacudia o celular rosa na mão direita- É obvio que você está esperando ela- Carrie, que olhava para baixo, seguiu andando sem que Ben percebesse. Até aquele momento.
_ Oh, sim. Claro- Disse enquanto via Carrie se afastar e sumir na calçada- Olha... obrigado- E ele saiu enquanto os ultimos alunos deixavam o pátio.
Tiffany abriu seu celular e digitou os números gritantes de Vanessa, o papel de parede era uma foto com ela:
_ Alô, Vanessa?... eu tenho uma coisa pra lhe contar.