As Espadas dos Arcanjos
13 Simpatia pelo Pecado
Notas iniciais
Na madrugada...
Sam estava no quarto sonhando acordado com a noite maravilhosa que havia tido com Kate no parque de diversões até tudo voltar para a dura realidade novamente, ele não conseguia parar de pensar nela, em como seus lábios tinham gosto de maçã verde.
Kate surgiu na porta usando apenas uma camisola branca muito transparente por sinal, ele engoliu em seco olhando para aqueles olhos azuis profundos com um brilho fora do normal, ela estava linda demais para ser ignorada.
—Kate? Você teve outro pesadelo? – Disse tentando não parecer muito ansioso, era uma questão de tempo para ela perceber o desejo que pulsava nele.
—Está tudo bem Sam. – Ela falou de uma forma estranha, alguma coisa não estava certa ali, Sam era inteligente o suficiente para perceber que algo não se encaixava. –Eu trouxe um amigo para você conhecer. – Disse a jovem com um sorriso delicado mais como se fosse uma boneca do que uma pessoa, e então Sam congelou.
— Ela é um poço de ingenuidade, não é? – Disse uma voz vindo da porta, um homem com roupas simples surgiu e Sam sabia exatamente quem ele era. -Excitante não acha? Katherine vai ser a minha rainha e você meu peão. – Lúcifer riu indo até a jovem que parecia petrificada e delicadamente retirou os cabelos do ombro dela expondo a clavícula para depositar um beijo suave, naquele momento Sam sentiu o coração afundar. –Talvez eu até deixe você sentir alguma coisa quando estiver com ela. – Ele riu com certo escarnio e olhou na direção do quarto ao lado.
—Não toque nela seu desgraçado. – Sam falou olhando para o quarto ao lado e Lúcifer apenas riu. –Você não vai conseguir nada aqui, eu não vou permitir. – Sam fez menção de partir para cima de Lúcifer mais o mesmo apenas revirou os olhos estralando o dedo, com isso Kate evaporou como poeira deixando apenas os dois no quarto.
— Eu não estou aqui de verdade Sammy, eu estou aqui. – Disse apontando para a própria cabeça. – Isso tudo é só um sonho. – Disse fazendo um gesto ao redor de si mesmo. –Eu posso ser muito convincente quando quero, mas isso é uma coisa que todos já sabiam. – Ele riu ainda mais tranquilo percebendo o terror nos olhos do rapaz.
—O que quer? — Sam falou sério. – Porque precisa de Kate? – Sam estava sentindo um tremor no coração, então era aquele ser repugnante que aparecia nos sonhos de Kate para atormenta-la?
—Você sabe muito bem o que eu quero. Eu quero o seu corpo para andar nessa terra e mostrar ao mundo que Lúcifer não mais se curvará. – O brilho nos olhos de Lúcifer ficou ainda mais forte, ele estava radiante com todas as possibilidades. – E para isso eu preciso da minha espada é claro, nunca imaginei que Adhariel fosse me deixar um presente tão especial nessa terra, mas quanto ao “ser repugnante” como você está pensando, eu quero deixar claro que sempre apareci com a sua imagem para Kate, devia me agradecer por isso, provavelmente foi o que fez ela se interessar por você cara. – Lúcifer ria, mas Sam não iria permitir seus planos.
—Não importa os seus desejos, não importa o que pensa, nós vamos achar um meio de mudar isso, eu prometo, você não vai vencer. – Sam falou convicto mais aquilo não parecia abalar seu rival de forma nenhuma, Lúcifer apenas sorriu e desapareceu deixando Sam sozinho, ele acordou com o susto e percebeu que já estava quase amanhecendo.
Sam desceu as escadas tentando não fazer barulho, ele sabia que Dean devia ter ido dormir tarde, provavelmente Sophie também. Ele precisava de um copo de agua e respirar um pouco de ar puro.
Ao se aproximar da cozinha ele sentiu um cheiro doce maravilhoso misturado com o cheiro de café fresco, aquilo era algo reconfortante no meio de tanto medo e angustia e lá estava ela, Kate estava de costas para ele, ela parecia despreocupada por um momento, usava uma camisola branca assim como ele havia visto no sonho, mas diferente de lá, ela usava um roupão rosa claro jogado por cima mantendo as partes transparentes protegidas, ele sorriu com aquilo, Kate era tímida demais pra sair seminua andando por ai.
No radio estava tocando What’s up? Da 4 Non Blondes, e divertidamente Katherine cantarolava a música junto enquanto mexia no forno para ver se suas bolachas de nata estavam prontas.
Twenty-five years and my life is still
I'm trying to get up that great big hill of hope
For a destination
I realized quickly when I knew I should
That the world was made up for this
Brotherhood of man
For whatever that means
And so I cry sometimes when I'm lying in bed
Just to get it all out what's in my head
And I, I am feeling a little peculiar
And so I wake in the morning and I step outside
And I take deep breath
And I get real high
And I scream from the top of my lungs
What's going on?
And I say, hey, yeah, yeah-eah
Hey, yeah, yeah
I said, hey! What's goin' on?
And I sing, hey, yeah, yeah-eah
Hey, yeah, yeah
I said, hey! What's going on?
And I try, oh, my God, do I try
I try all the time
In this institution
And I pray, oh, my God, do I pray
I pray every single day
For a revolution
Quando finalmente Kate tirou a assadeira do forno e se virou, teve um grande susto ao ver Sam, ela quase deixou a mesma cair no chão mais se recuperou rápido voltando o equilíbrio e depositando tudo na mesa, ela olhou sem graça para ele sentindo seu rosto corar, talvez fosse o calor do forno, talvez fosse o roupão pesado que usava, ou talvez fosse o fato de Sam estar usando apenas uma calça de moletom larga e uma camiseta de pijama cinza, mas isso ela não sabia dizer.
—Porque está acordada tão cedo, não são nem 6:00 da manhã. – Ele falou baixo dando a volta na mesa com cautela, depois da sua experiência no sonho queria ter certeza de que não era outra ilusão.
—Eu...bem, eu não conseguia dormir mais. – Kate falou com um sorriso triste. –Depois de ter visto Sophie ser levada por aquele anjo, e depois de ter ouvido todas as coisas que ela me falou sobre Miguel e tudo o que ele planejou pra ela, bem, eu não consigo ficar calma. – Kate respirou fundo passando a mão pelos cabelos e sem perceber seu roupão acabou abrindo um pouco.
—Olha, eu sei que está com medo, sei que está preocupada com sua irmã, mas não pode ficar remoendo isso o tempo todo, se continuar assim as coisas só vão piorar pra você. – Sam falou calmo. –Eu sei disso porque passamos pelos mesmos problemas, quando Dean foi levado ao inferno eu surtei, tentei de tudo para traze-lo de volta, eu quase enlouqueci na época. – Sam olhou triste para Kate mais ainda sim de forma significativa, ele andou diminuindo o curto espaço entre eles, com cuidado colocou uma das mãos envolta dos cabelos loiros da jovem que teimavam em cair sobre sua face, ele arrumou os fios com muita suavidade e por fim deu um beijo casto e cheio de ternura.
—Eu não sei o que fazer. – Disse Kate com seu rosto vermelho como um tomate, Sam riu com aquilo, ele jamais havia conhecido uma mulher tão inocente quanto ela, mas aquilo o deixava feliz, era algo novo, e era muito prazeroso poder ensinar essas coisas a Kate. –Mas não quero parar. – Ela sorriu para o jovem que sorriu de volta, ele também não tinha intenção nenhuma de voltar atrás.
Kate tomou a iniciativa dessa vez e beijou Sam com um pouco mais de vontade, o caçador não estava preparado para aquilo e deu uns passos para trás, mas logo ele recuperou o folego e não quis perder nem mais um minuto. Sem dizer nada Sam derrubou o roupão de Kate revelando uma camisola branca quase transparente muito parecida com aquela do sonho, por fim ele a segurou pelas nádegas e a jogou sobre a mesa se encaixando entre suas pernas, Kate arfou como numa sequer imaginou ser possível, seu corpo inteiro tremia como se o mundo fosse acabar ali.
Quando Sam a puxou colando ainda mais seus corpos ela pode sentir a ereção dele roçando sua virilha e quase enlouqueceu de desejo, jamais tinha feito sexo com alguém, jamais sequer havia pensado nisso, mas agora, naquelas circunstancias não havia mais nada em sua mente, mas nada que não fosse Sam Winchester.
Os gemidos de Kate enquanto o rapaz acariciava seus seios se tornaram altos demais, Sam precisou abafa-los com um beijo intenso e prolongado, ele sabia que ali não devia ser o lugar certo para aquilo, provavelmente alguém iria descer, ele precisava tomar uma decisão, não queria ser egoísta, mas antes de fazer qualquer coisa Kate o empurrou para olha-lo nos olhos.
—Sam...eu...eu.... – Ela mordeu os lábios enquanto lágrimas enchiam seus olhos. –Eu não posso fazer isso assim. – Disse num fio de voz tremula enquanto sua respiração estava totalmente entrecortada. –Nunca imaginei que teria algo com alguém e Deus, como eu queria que esse alguém fosse você mais eu estou com medo. – Ela disse sincera e Sam sorriu calmo enxugando as lágrimas dela com muita delicadeza.
—Katherine Peterson, vamos fazer do jeito certo então. – Sam falou se abaixando para pegar o roupão dela enquanto Kate se levantava da mesa apesar de sentir suas pernas bambas. –Eu sei que você merece muito mais do que amassos na cozinha.
—Me desculpe. – Ela disse abraçando o próprio corpo ao vestir o roupão novamente.
—Não se desculpe, você não está fazendo nada errado, na verdade eu é que deveria me desculpar. – Sam falou se aproximando deslizando as mãos ao redor dos ombros dela.
—Vamos fazer assim, ninguém precisa se desculpar com ninguém. – Kate falou com um sorriso simpático e Sam acabou sorrindo junto.
—Nossa que cheiro bom. – Disse a voz de Bobby vindo da entrada secundária para a cozinha, ele percebeu os olhares cumplices entre Kate e Sam e não disse nada, mas era óbvio que ele estava de olho nos acontecimentos desde o início. – Você está bem Kate? – Porque levantou tão cedo? – Ele falou examinando cada traço da menina que ainda parecia muito perdida.
—Ah eu...bem, eu estava muito preocupada com todos esses acontecimentos, então resolvi levantar mais cedo e fazer o café para todo mundo. – Ela disse recobrando sua postura. –Inclusive senhor Singer, o senhor devia estar na cama, acabou de sair do hospital, precisa recuperar suas forças, não devia estar andando pela casa tão cedo. – Ela falou indo em direção a Bobby e puxando uma cadeira para que ele se sentasse.
—Qual é, francamente, eu não sou nenhum inválido aqui. – Bobby ficou nervoso principalmente quando Sam riu da situação. –Você não pode me tratar como um velho decrepito.
—Não, não posso. Mas posso trata-lo como um homem da família, como alguém que eu aprendi a amar muito, então senhor Singer, eu vou trata-lo exatamente como gostaria de tratar um pai. – Kate falou serena e beijou a testa de Bobby com muito carinho, o homem não disse mais nada enquanto a menina se afastava para próximo da escada. –O café já está pronto, eu vou subir e tomar um banho, preciso trocar de roupa para ir na cidade comprar algumas coisas pra casa. – E com isso ela saiu sorrindo deixando algumas lágrimas emocionadas para trás.
Algumas horas mais tarde – Oficina
Dean remexia em algumas ferramentas para concertar um amassado na lateral do Impala, a última caçada havia deixado algumas sequelas. Ele tinha tirado sua jaqueta e colocado em cima do capo, estava usando sua camisa preta habitual e pensava muito no que Sophie havia falado sobre ele ser o corpo de Miguel. Em breve Zacariah iria retornar com aquela conversa, talvez fosse a hora de unir forças com os anjos amigos numa tentativa de acabar de vez com os inimigos.
—Quer mesmo enfrentar anjos de igual pra igual? – Disse Balthazar surgindo ao lado de Dean dando um grande susto no loiro.
—Puta merda. Qual o problema de vocês? – Ele falou sério olhando ainda com desconfiança para o anjo que mantinha seu sorriso habitual no rosto e trazia consigo uma mochila preta. –Você deu de ler a mente das pessoas agora? – Dean falou debochado.
—Na verdade não é preciso ler sua mente depois de tudo o que aconteceu com a aparição de Miguel. – Balthazar estava ficando um pouco tenso e Dean se perguntava o porquê?
—Você amava ela não é? – Dean falou depois de alguns minutos em silencio enquanto resolvia parar de trabalhar e encarar o homem que sorriu triste. –É por isso que resolveu ajudar quando Castiel pediu, é por isso que tem estava presente nesses últimos dias ensinando as meninas a lutar e se proteger, você amava a mãe delas. – Dean não estava perguntando, ele estava apenas fazendo uma constatação.
—Adhariel era a escolhida de Miguel, ama-la seria um grande pecado, pecado esse que apenas Lúcifer se deu o direito de viver, para a sorte dele Dhara era tão amorosa que nunca o culpou por esse amor, na verdade eu acho que ela tinha suas dúvidas sobre com quem verdadeiramente devia ficar. – Balthazar falou respirando fundo e olhando para o céu.
—Eu sinto muito por isso cara, só espero que essa sua presença na vida das meninas não seja pra reivindicar alguma coisa porque se for eu vou ser obrigado a tomar uma atitude. – Disse Dean engatilhando sua espingarda de cano cerrado enquanto conferia as armas do arsenal.
—Não seja tolo Winchester. Eu fui o melhor amigo de Dhara, cuidei dela em todos os momentos principalmente quando ela decidiu viver entre os homens, eu a orientei, protegi e eduquei, mas jamais cobrei isso e jamais deixei meus sentimentos falarem mais alto, eu fui apenas o amigo e nesse caso com as meninas eu quero ser apenas o tio excêntrico. – Ele sorriu melancólico e por um momento Dean entendeu que aquilo era verdade, que Balthazar estava apenas cumprindo seu dever.
—Mas e então? Porque está aqui agora? – Dean perguntou curioso e o anjo jogou a mochila sobre o porta malas do carro despejando 4 laminas angelicais. – Puta merda. – Dean parecia abismado.
—Pode incluir na sua coleção de armas, foi difícil consegui-las, mas agora vocês têm uma vantagem com anjos menores pelo menos, acredito que dessa forma Zacariah vai pensar duas vezes antes de aparecer por aqui.
—E eu posso saber porque só agora você teve essa brilhante ideia? – Dean falou encarando o anjo com certo receio do que seria dito mais Balthazar apenas sorriu.
—Castiel encontrou Raphael. Vamos enfrentar um Arcanjo muito enfurecido.
Mais essa agora, o que será que eles teriam que fazer para obter as respostas que tanto precisavam sobre o Apocalipse e os planos de Deus?
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