As Espadas dos Arcanjos
10 Era uma vez no Paraíso.
Notas iniciais
Muito tempo atrás...
Primeiro Flash do Passado
A luz do sol inundava a câmara principal da Torre do Arcanjo, os pilares pareciam mármore, mas algo muito mais refinado, jamais algum mortal imaginou sequer a beleza das dependências dos anjos. Havia milhares de passagens, milhares de lugares para ir, torres e mais torres, grandes jardins, pátios imensos e bem posicionados, o céu era uma dimensão de construções e natureza que impressionaria qualquer Arquiteto Romano.
As espadas se chocavam repetidamente, um golpe atrás do outro, simples, curto, rápido, o barulho do metal forjado pelos anjos era algo diferente, talvez para a nova criação de Deus significasse uma tempestade, mas para os anjos era música. No centro da grande torre existia uma espécie de arena, um local para treino, claro que somente os melhores dos melhores podiam usar aquele lugar.
—Essa espada combinou muito bem com o senhor. – Disse uma voz cansada porem muito animada as costas de Miguel, ela tentou passar pelo mesmo usando as suas asas mais não conseguiu se esquivar a tempo de um último golpe. – Não vai me vencer tão fácil. – A jovem olhou para o rosto do General e suspirou contente. –Gosto deste formato de lança, foi uma escolha sábia.
—Foi o mesmo que disse para Lúcifer? – O Arcanjo falou respirando fundo enquanto um brilho esverdeado brincava em seus olhos. — Quando ele fez seu treinamento ontem com você? – Miguel falou com um sorriso fino nos lábios, Miguel era imponente, todos os anjos queriam a oportunidade de estar em sua presença, mas esse era um privilégio de poucos, ele estava sempre diante de sua torre, treinando, lutando, se preparando, pronto para o combate iminente que viria em breve.
O grande General dos Generais ganhou apenas um revirar de olhos e um sorriso brincalhão nos lábios, a jovem não era de recuar as suas provocações.
—Se eu não o conhecesse, meu senhor, diria que está com ciúmes da minha opinião. – Disse Adhariel com um grande sorriso que ficou ainda maior com a carranca que o Arcanjo fez, ela nunca se intimidava com a autoridade dele. –E sim, foi exatamente o que eu disse a Lúcifer, ele estava majestoso com aquela lamina. – Ela falou acenando com a mão num gesto de tanto faz fazendo o Arcanjo apertar sua lança com muita força.
—Você sabe que Lúcifer a quer do lado dele, não sabe? – Disse Miguel com a voz mais aveludada o que fez a jovem morder os lábios tentando disfarçar o quanto aquilo mexia com ela. –Gostaria de saber sua opinião sobre isso. – O Arcanjo se aproximou o suficiente para segurar o rosto da menina com uma das mãos enquanto a outra arrumava uma mexa de cabelo que havia ficado sobre seu rosto.
—Eu jamais ficara contra você meu General. – Adhariel sorriu colocando a mão no peito de Miguel que ficou assim por um longo tempo, ele não insistiu, não disse mais nada, mas sabia que “Ficar ao lado dele” Não significava que seu braço direito ficaria CONTRA Lúcifer, e sinceramente era isso que ele mais desejava, no entanto, Miguel jamais diria isso a Adhariel, não dessa forma tão mundana. Ele sabia o quanto ela era próxima de Lúcifer, ele sabia o quanto os dois gostavam de fazer suas apostas, correr, lutar e treinar por toda a grande extensão do paraíso, ele sabia que faltava muito pouco para perde-la, não podia correr esse risco.
Segundo Flash do Passado
Adhariel estava no grande salão cuidando das Armas Sagradas, ela havia sido escolhida por Miguel para cuidar se sua armadura e de todas as relíquias principais do céu, no fundo ela sabia que essa era uma forma de mantê-la ali, por perto, o tempo todo. Gabriel gostava de dizer que se Miguel tivesse um ponto fraco seria Dhara, ela era como um presente para ele e Lúcifer, mas muitos acreditavam que Lúcifer dedicava atenção a garota justamente para provocar o irmão.
—Você devia ter um tempo livre sabia? – Disse uma voz brincalhona as suas costas. –Sinto que você está sendo explorada por todo esse trabalho sem fundamento, se polir mais um pouco esse Elmo ele vai ficar transparente.
—Balthazar. – A jovem falou com um grande sorriso, ela parou o que estava fazendo e ambos caminharam até a entrada de um lindo jardim, eles estavam na Torre principal das forças do céu, ali era a moradia do Arcanjo Miguel, ninguém jamais havia ousado invadir o lugar, apenas Lúcifer costumava fazer isso quando queria irrita-lo.
—Eu não tenho muito tempo, fiquei sabendo que Miguel está fazendo uma reunião com seus comandantes e irmãos, eu não podia perder essa oportunidade. – Balthazar respirou fundo e Adhariel ficou muito séria. –A guerra está chegando e não temos mais nosso pai para resolver tudo, os homens estão evoluindo, Lúcifer os odeia com muita força e Miguel não vai permitir esse desrespeito pelas obras do Pai. – Ele olhou tenso para a jovem e segurou suas mãos firmemente. –Eu estou preocupado Dhara. – Ele a chamou por um apelido que apenas os mais próximos costumavam usar. –Você está bem no olho do furacão.
—Lúcifer e Miguel. – Ela disse séria se afastando do amigo e caminhando ao redor de uma linda arvore florida. –Eu nunca pude dizer qual deles é mais importante para mim, ambos são especiais, eu os amo tanto, gostaria de me dividir em duas, dessa forma ninguém ficaria sozinho. – Ela falou pensativa olhando para um horizonte sem fim e Balthazar ficou muito triste. –Eu não entendo o porquê desse amor doentio deles, acho que no fundo, nenhum dos dois me ama, acho que isso tudo não passa de uma disputa, algo cruel e possessivo. – Adhariel falou sinceramente naquele momento, ela sabia que podia confiar em Balthazar.
—Dhara, me prometa que se houver a guerra, que se eles se enfrentarem brutalmente você vai fugir, vai procurar abrigo entre os homens e vai esquecer tudo o que já viveu até hoje. – Adhariel ficou tão assustada com aquela possibilidade. –Me prometa que não será mais uma vítima dessa história sem fim.
—Eu não sei se consigo. – Disse por fim. –Eu nunca imaginei a minha vida entre os mortais, eu sempre segui as ordens de Miguel. – Ela percebeu para seu espanto que uma lágrima escorria triste e silenciosa.
—Eu estarei lá. Eu não pretendo ficar aqui nessa loucura. – Balthazar tinha planos de fugir o quanto antes, ele estava pensando nisso a séculos, iria precisar forjar sua morte, era obvio que seus amigos iriam procura-lo caso ele simplesmente fugisse, então iria aproveitar a grande guerra que viria, isso seria perfeito para ensaiar uma morte em batalha. –Caso precise de um amigo é só me procurar, porque eu sei que não vai lutar contra Lúcifer e tão pouco contra Miguel, o que a coloca diretamente entre os dois e todos nós sabemos quem vai sair ferida disso.
—Obrigada por se importar Balthazar, eu realmente fico emocionada com isso, prometo que quando chegar a hora, SI chegar a hora, eu vou procurar por você e vamos resolver isso juntos, como amigos.
Terceiro Flash do Passado
—Lúcifer se aproximou com cuidado do grande rio cristalino que ficava nas intermediações da Torre principal, ele sabia que fazia 7 dias que Miguel conversava com Gabriel e Raphael, o que mantinha todo o paraíso livre de seus olhos curiosos. Ele viu com grande desejo a jovem nadar nua nas aguas transparentes, mas teve a paciência de esperar que ela se vestisse e deitasse sobre a relva com uma expressão de jubilo, só depois ele começou a caminhar sereno em sua direção.
—A quanto tempo você está aí? – Disse Adhariel sem abrir os olhos sentindo o calor do sol em sua face.
—Pensei que não tivesse me visto. – Lúcifer falou surpreso sentindo um misto de sentimentos confusos, não sabia ao certo o que era, mas gostava, e gostava muito. –Você estava tão á vontade nua que seria inapropriado se soubesse da minha presença. – Ele falou num tom que parecia algo sutil e longe de suspeitas, mas só de saber em seu íntimo que ela SABIA da presença dele ali e não fez nada para se cobrir, aquilo só fazia seu corpo pulsar.
—Lúcifer, você diz coisas tão engraçadas, de certo queria tocar meu corpo como os mortais fazem? – Adhariel se sentiu ousada com aquelas palavras, numa fração de segundos ela se arrependeu de ter dito aquilo. –Desculpe, sei que não gosta deles.
—Então você anda espiando a criação enquanto eles se multiplicam? – Lúcifer falou com um ar petulante levantando uma sobrancelha e encarando-a como se estivesse entrando em uma brincadeira. –Eu não sabia que admirava o pecado da carne.
—Eu não posso dizer que seja um pecado. – Ela falou simples, não deixaria Lúcifer intimida-la com suas palavras da mesma força que não deixaria Miguel intimida-la com sua força. –Acho que eles criam um laço antes, um laço de amor verdadeiro, por isso se tornam um só corpo e por isso é algo lindo. – Ela disse se sentando na grama e olhando de forma perdida para o rio, Lúcifer por sua vez sentou-se ao seu lado e acariciou o rosto da jovem sem nada dizer.
Eles ficaram assim por alguns minutos, não havia motivo para palavras, não havia motivo para dor ou medo, Lúcifer sempre foi capaz de bagunçar o julgamento de Adhariel e ela nunca conseguia entender como, talvez fosse um feitiço afinal.
—Dhara, não se mova. – Lúcifer falou baixo, quase como um pedido desesperado e lentamente vou se aproximando dos lábios dela, pouco a pouco, centímetro a centímetro, até finalmente colocar seus lábios no dela, sentir aquela pele macia e tenra como o pêssego mais formoso do campo, ele respirou inalando seu perfume, como era floral e refrescante, ela ainda tinha o cheiro do rio em seus cabelos. Os movimentos de seus lábios ficaram mais ritmados, abrindo levemente e deixando passar a língua, a menina arfou com o susto mais o Arcanjo apenas sorriu insinuante mantendo-a firme em seus braços.
—Lúcifer?! – Ela falou sem saber o que dizer, havia medo nos olhos dela, mas havia um sentimento que fazia seu coração explodir. Por fim ele parou, acariciou o rosto dela limpando uma lágrima que teimava em escorrer, ele havia provado o sabor da pureza dela, o primeiro beijo de um anjo.
—Isso é um beijo de amor Dhara, um beijo do mesmo jeito que seus mortais queridos fazem, talvez depois, quando tudo isso acabar nós possamos continuar até o fim. – Ele sorriu malicioso enquanto a menina tentava se orientar, aquilo era um beijo mortal? Talvez viver entre eles não fosse tão ruim assim.
AGORA
Casa de Bobby Singer
—E essa é toda a história. Vocês são filhas de Adhariel, ela viveu milhares de anos entre os homens mais nunca havia se envolvido verdadeiramente, mais ou menos há 30 anos atrás ela resolveu que devia realizar o sonho que sempre teve. Se dividir em 2. – Castiel falou muito sério olhando para as meninas. –Katherine, a espada de Lúcifer, inocente o suficiente para não julgar seu dono, destrutiva o suficiente para exorcizar todos os demônios do estado em apenas um pulsar de poder. – Castiel falava enquanto todos pareciam incrédulos. –Sophie, petulante e indomável como a Lança de Miguel, guerreira capaz de dizimar legiões, mas com o toque da cura, dom dado diretamente por Deus.
Silêncio.
—Não pode ser eu... – Kate se sentia sem chão, então era por isso que Lúcifer estava atrás dela? Ela era uma mera arma? Isso devia deixa-la feliz ou triste? Devia crer que Lúcifer estava apenas em busca de poder e não de possuí-la? O que devia fazer?
—Mas quem diabos contou isso tudo para você? – Sophie perguntou tentando esconder o medo, Dean admirou a menina por isso, não era fácil fingir que conseguia lidar com aquela merda toda.
—Talvez eu mesmo possa explicar isso. – Balthazar se materializou ao lado de Castiel que não parecia nem um pouco surpreso, era obvio que eles já haviam combinado aquela entrada.
—Engraçado, quando tinha um monte de demônio por todos os lados ninguém surgiu do nada para ajudar. – Dean falou escorando na escada enquanto passava a mão pelo rosto, claro que ele não ia mostrar que estava procurando uma posição melhor caso precisasse atirar, afinal já estava ficando cheio de anjos.
—Me desculpe por isso, mas foi eu que pedi a Castiel que não se envolvesse, queria entender o poder das minhas sobrinhas. – Balthazar andou na direção de Kate e a mesma deu vários passos para trás. –Não tenha medo ok, eu conhecia a sua mãe, foi ela em pessoa que pediu para que eu protegesse vocês. – Ele disse sorrindo, mas Sam segurava a faca com força na mão, não iria deixar ninguém machucar sua Kate. –Você tem os olhos dela, veja só, Lúcifer amava esses olhos. – Depois ele foi em direção a Sophie que não se moveu. –Seus cabelos são da mesma cor dos dela, você também tem essa atitude de menina rebelde, o General amava isso, ele não suportava a ideia de perde-la. Por isso bani-la foi tão difícil.
—Mais nossa mãe ficava doente como uma pessoa normal, ela comia, dormia e também envelhecia, como? – Kate falou confusa. –Se ela fosse um anjo nós iriamos saber.
—Sua mãe perdeu a graça no momento em que deu à luz a vocês, metade da graça para você e metade para sua irmã, toda a força das armas dos Arcanjos junto com a graça de um anjo guardião, e voilá, duas jovens perfeitas. – Balthazar falou fazendo um gesto com as mãos mostrando as duas meninas.
—E o que devemos fazer agora? – Sophie perguntou olhando para Dean.
—Vocês devem se preparar, logo ele vai entrar em contato e tudo vai depender disso. – Balthazar falou sério encarando Dean de forma sombria.
—Lúcifer já apareceu nos meus sonhos, mas ainda não sei ao certo o que isso significa, sempre consigo quebrar a conexão antes dele fazer ou dizer algo mais sério. – Kate falou mais o anjo balançou a cabeça de forma negativa.
—Não estou falando de Lúcifer. – Disse ele de forma triste.
—Não? – Disse Sophie confusa.
—Estou falando de Miguel. – Balthazar apontou para Dean que engoliu em seco.
Silêncio.
Naquele momento todas as pessoas olharam diretamente para Sophie que sentiu um medo apavorante, um medo que ela jamais havia sentido antes.
—-Miguel também vai querer a arma dele.
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