As Espadas dos Arcanjos
5 Camas Compartilhadas e Pesadelos Ruins
Notas iniciais
Blue Bird – Motel
Ainda na mesma noite...
O caminho de volta para o motel foi igualmente silencioso, mas dessa vez ninguém disse nada, quando chegaram Sam pegou todas as sacolas de Kate para ajudá-la enquanto ela e a irmã se dirigiram até a recepção para fazer o registro de outro quarto. Kate estava muito mais silenciosa que o normal e Sophie não gostava de vê-la assim.
—O que está acontecendo entre você e o grandão ali? – Disse Sophie para a irmã que corou violentamente desviando o olhar.
—Eu realmente não sei do que está falando. – Kate tentou manter a postura firme mais a irmã riu debochadamente.
—Kate, eu te conheço ok? Eu vi a forma envergonhada que você tem agido quando ele está por perto, é obvio que você está sentindo alguma coisa e... – Mais Sophie foi interrompida pela irmã que a olhou de forma brusca.
—Vamos com calma ok? Eu não estava pensando em nada dessas coisas até alguns dias atrás, então vamos sem pressa. – Kate estava sendo sincera, até mesmo aquelas roupas que usava naquele momento não era exatamente o que procurava.
—Ok então. – Sophie falou e sua irmã respirou fundo. –Mas que está acontecendo alguma coisa isso está. – Disse por fim indo até a máquina de refrigerantes, Sophie sempre gostava de dar a última palavra.
Dean pegou alguns mantimentos que comprou no posto e respirou fundo ao entrar no ambiente silencioso, a única prova da presença das meninas naquele momento era a mochila de Sophie e as sacolas de Kate. Era muito estranho para ele estar viajando com duas garotas “normais” por tanto tempo, normalmente ou eram pessoas relacionadas aos seus casos, ou Ruby ou Anna, por um minuto ele riu sem humor ao se lembrar de Ruby e Anna no banco de trás do impala.
—Enfim sós. – Disse o homem rindo para o irmão que revirou os olhos pegando o celular guardado para emergências. – Vai ligar para quem?
—Para o Bobby é claro. – Sam falou sério e Dean o encarou. – Qual o problema? – Disse percebendo a expressão séria do irmão.
—Tem certeza de que isso é uma boa ideia? Nós acabamos de iniciar o apocalipse, quer mesmo levar mais problemas para ele? – Dean falou muito sério enquanto se escorava no sofá. – Eu sei que o Bobby vai querer ajudar mais não sei se devemos fazer isso com ele.
—Em primeiro lugar fui eu que comecei o apocalipse. – Sam falou encarando Dean por um longo tempo, ele ainda se culpava por ter dado ouvidos a Ruby e ter feito todo o plano de Lúcifer mesmo sem saber. — Eu sinto muito por isso, eu devia ter feito as coisas da forma certa, ter ouvido mais você e o Bobby, e é justamente por esse motivo que eu quero fazer as coisas certas, dessa vez. – Sam respirou fundo. – Ele vai poder nos ajudar a esconder as meninas enquanto descobrimos o porquê dessa ligação bizarra.
— Ok, faz sentido para mim, amanhã de manhã vamos pegar nossas coisas e seguimos para lá, vai ser alguns dias de viagem mais acredito que possamos conseguir sem problemas, meu maior medo mesmo são as coisas que podemos encontrar pelo caminho. – Dean sorriu amargo, ele sabia que sem a presença de Castiel para protege-los e com a vinda de Lúcifer para a terra eles estavam muito em desvantagem.
—Bom eu vou avisar o Bobby...
Mais antes de fazer qualquer coisa Kate entrou no quarto com uma expressão péssima no rosto e Sophie parecia se divertir com a situação, no fundo ela tinha sentido muita falta da irmã nos últimos 4 anos.
—Não tem...não tem mais quartos. – Ela começou a andar de um lado para o outro, nervosa, parecia que ia ter uma crise de falta de ar ou algo do tipo. – Como pode não ter mais quartos nesse lugar? Não tem tantas pessoas hospedadas por aqui. – Disse ficando ainda mais vermelha enquanto cruzava os braços sobre o peito.
—Kate quase bateu no recepcionista. – Sophie falou vendo a expressão de pânico e consternação da irmã ficar ainda maior. – Foi épico. – Sophie riu animada e Kate a olhou de forma fulminante.
Silêncio.
—Vocês...bem, vocês podem dormir aqui e nós ficamos no impala. – Disse Sam dando de ombros e olhando para Dean que abriu os olhos de surpresa. – Eu acredito que isso não vai ser um problema. – Ele falou franzindo o cenho para o irmão que parecia terrivelmente incomodado com a sugestão.
—Não, eu não posso permitir isso, nós ficamos no carro, nós somos as intrusas aqui. – Kate falou muito vermelha e séria e foi a vez de Sophie quase engasgar pensando nessa possibilidade.
—Gente. Em primeiro lugar, ninguém vai para carro, nós pagamos por esse quarto e vamos dormir aqui. – Dean falou sério abrindo os braços para gesticular sobre o “AQUI”. – E em segundo lugar, ninguém é intruso ok? Vamos passar por isso várias vezes durante essa viagem, por mais que estamos juntos a poucas horas vocês podem ficar tranquilas com a gente, não somos do tipo de criar problemas para garotas perdidas. – Dean falou confiante o que fez as meninas se entreolharem. –Qual é meninas, nós somos os mocinhos aqui ok?
— Ok mais como vamos fazer espertinho, vocês só têm duas camas de solteiro aqui. Sophie falou séria colocando as mãos na cintura.
—Você e sua irmã ficam com as camas, eu e Sam vamos dividir o sofá enquanto dividimos o turno de vigília. – Ele falou sério pegando uma arma sobre a mesa. – Eu sei que é ruim dizer isso mais não sabemos o que realmente está acontecendo, mas sabemos que Lúcifer está lá fora só esperando uma brecha para sapatear nas nossas cabeças, então precisamos estar preparados. – Ele respirou fundo e engatilhou a arma o que deixou Sophie muito confiante naquela atitude toda. -Todos de acordo? – Dean falou e ninguém mais questionou, estava tarde e todos estavam muito cansados.
Todos pareciam satisfeitos com a situação, apenas Kate estava chateada com aquela aproximação toda, mas se era necessário iria ser parte do time, sabia que forças malignas estavam rondando e não iria demorar para que se conectassem.
.... Em algum lugar desconhecido...
A grama era verde e tinha um cheiro bom, Kate percebeu que estava deitada em um lençol macio sobre a grama, o céu era de um azul magnifico, parecia uma pintura de Deus como as madres costumavam chamar dias assim, era como se ela estivesse pronta para um pique-nick seus olhos se arregalaram mais ela não conseguiu se mover, apenas sentiu que alguém a abraçava lateralmente, a princípio pensou ser Sam, mas logo viu o terno branco que pouco combinava com a personalidade do caçador.
—O que quer de mim? – Ela falou num fio de voz sentindo a mão do homem deslizar por seu corpo lateralmente, ele apertou sua coxa com força e ela prendeu a respiração com medo.
— Ah, minha, doce Katherine. Nós dois juntos seremos invencíveis, um casal apaixonado contra o mundo, eu sei que você tem interesse nesse corpo, só precisa aceitar o meu amor verdadeiramente e tudo será perfeito. – Lúcifer falou ainda acariciando a lateral do corpo da jovem.
—Perdão. – Ela disse num tom de voz amargo, até mesmo o Arcanjo se sentiu surpreso por ela usar essa expressão, era mesmo uma criança pura. –Perdão, mais... mais eu não posso, eu não entendo o que você quer, porque tanto interesse em mim? Eu não sou ninguém importante. – Ela falou sentindo o coração batendo muito rápido. — Não posso fazer isso.
—Você não se sente digna, eu entendo criança, é muita responsabilidade surgindo assim, não é? Mais você não terá escolha, no fundo ninguém tem escolha de verdade. – Lúcifer falou triste e naquele momento o cenário mudou para um lugar muito conhecido por Kate, o internato, mais especificamente a capela onde fazia as orações da manhã, havia sangue por todos os lados, muito, muito sangue mesmo é aquilo desesperou Kate.
—Você fez isso com elas? – Kate conseguiu dar alguns passos para trás e o Arcanjo ergueu a sobrancelha de forma curiosa.
—Vejo que você conseguiu quebrar meu controle sobre sua alma, muito interessante isso. – Ele sorriu dando alguns passos na direção dela enquanto por sua vez Kate se afastava sentindo o controle das pernas voltando. –Você realmente tem os poderes dela, e claro, alguma coisinha a mais. – Ele riu e seus olhos brilharam de interesse deixando Kate ainda mais apavorada.
—Do que está falando? Os poderes “dela”, dela quem? – A menina falou tentando se afastar mais foi nesse momento em que pisou numa poça de sangue ainda fresca, aquilo quase a fez vomitar, era tudo muito sombrio.
—Ah mais é claro que você não sabe da verdade. – Ele riu irônico se aproximando e colocando sua mão na face da jovem enquanto acariciava suas bochechas. –Nós nunca ficamos sabendo de toda a verdade, é uma pena, mas no fundo nossos pais não querer que saibamos das nossas capacidades, dos nossos poderes. – Lúcifer beijou o rosto da jovem num gesto quase puro.
—Por favor, não me machuque. – Ela falou com um fio de voz que Lúcifer apenas a olhou de forma cansada.
—Eu não pretendo machucar você Katherine, não entendeu ainda? Mas se você continuar se recusando a ser minha, todos, a sua volta, irão morrer. – Lúcifer puxou Kate para um beijo mais antes de tocar seus lábios ela acordou aos gritos.
Sam tinha adormecido sobre o notebook enquanto fazia sua última ronda, antes de pegar no sono ele havia olhado uma última vez para a jovem que dormia na cama que devia ser sua, ela parecia tão linda e inocente, não tinha tirado o vestido branco com flores amarelas, provavelmente tinha ficado envergonhada, isso parecia ser algo típico dela.
Ele acordou assustado com os gritos agudos de Kate e por alguma razão já sabia do que se tratava, ele também sentia aquela dor, Lúcifer estava na mente dela e de alguma forma ainda estava na mente dele também, talvez fosse uma questão de tempo até procura-lo.
— Kate? – Ele se aproximou dela mais Kate se afastou rapidamente deixando Sam entristecido e apavorado, mas no momento em que ela percebeu que era ele, que era ELE, Sam Winchester, acabou cruzando o curto espaço entre eles e abraçando o rapaz com muita força.
—Sam?! – Ela disse com a voz chorosa e o rapaz sentiu seu coração cortar em mil pedaços.
Dean olhou assustado para a cena, viu Sam sem saber o que fazer no começo, mas depois dando um jeito de passar a mão pelos longos cabelos loiros da jovem e acalma-la com frases de força, ele não podia fazer nada, seu único pensamento foi em sair e dar mais espaço para eles, talvez Sam realmente fosse o único capaz de entender o sofrimento da jovem. Com um movimento de cabeça ele fez sinal para Sophie e ambos saíram do quarto sem mais explicações, por mais que Sophie parecia angustiada.
—Ele me quer. – Katherine falou com um fio de voz enquanto permanecia sentada ao lado de Sam na cama, ele a abraçava lateralmente enquanto ela tentava enxugar as lágrimas. – Ele me quer como companheira, eu não consigo entender. – Ela falou sentindo o rosto muito corado mais encarou os olhos de Sam.
—Não consigo entender o porquê de um Arcanjo poderoso como Lúcifer precisar de uma mulher humana, qual será o objetivo dele? Só Deus poderia responder essa questão. – Sam falou tenso enquanto cerrava os punhos pensando nos horrores que Kate devia viver em seus sonhos com aquele maldito. – Mas você é adorável Kate, digo, qualquer homem ficaria feliz em ter você como companheira. – Sam falou meio atrapalhado se sentindo ridículo por dizer aquelas coisas, era um território desconhecido para ele.
—É você. – Ela falou ficando ainda mais vermelha, se é que isso podia ser possível.
—Como é? – Disse Sam se virando um pouco e ficando frente a frente com ela. Ele parecia transtornado.
—No meu sonho... ele sempre aparece com o seu corpo, só que usando um terno branco, ele parece gostar disso. – Kate não conseguia mais olhar para o homem ao seu lado, Sam deixou um sorriso de surpresa surgir mais preferiu esconder isso antes que Kate ficasse ainda mais chateada. Eles ficaram em silencio por muito tempo até que Sam conseguiu colocar sua mão com cuidado sobre a mão da garota.
—Eu fui escolhido para libertar Lúcifer e liderar um exército de demônios quando eu era apenas um bebê. Sinceramente eu não entendo o porquê disso até hoje, porque dentre tantas crianças e famílias tinha que ser justamente eu? – Sam falou com uma grande tristeza no olhar. – A questão é, você pode sim ser a escolhida de Lúcifer, mas isso não te torna má ou amaldiçoada, infelizmente foi algo que aconteceu na sua vida e você vai precisar aprender a lidar com essa verdade.
—Tem razão. – Kate falou ficando de pé num salto. –Você tem razão, por mais que ele me persiga em minha mente ainda não foi capaz de me encontrar aqui, ele não sabe que estamos juntos e não imagina que podemos enfrenta-lo. – Ela falou confiante mais sua expressão mudou drasticamente quando ela se lembrou da cena do internato. –Sam por favor ligue a TV e coloque no canal de notícias de Phoenix. Sam obedeceu e todos os canais relacionados com aquela região só falavam sobre um assunto.
“O Internato para jovens promessas das irmãs carmelitas foi destruído na noite de ontem por uma força misteriosa, muitos disseram que parecia um terremoto, o que não pode ser descartado, mas o que chamou a atenção de todos foi a quantidade de corpos espalhados por todo o local, ninguém sobreviveu, exceto uma das madres que não estava presente pois havia sido chamada por uma fiel para orar em sua casa, entretanto todas as outras foram encontradas mortas, desmembradas e sem coração.”
—A meu Deus Sam. – Kate sentiu as pernas amolecerem, mais antes de cair de cara no chão foi amparada por braços fortes que a seguraram com força. Sam a abraçou e sem perceber Kate aninhou seu rosto contra o peito forte do homem sem se incomodar se aquilo era apropriado ou não. Lúcifer realmente não estava para brincadeira, ele iria fazer de tudo para perturba-la até que ela resolvesse ficar ao seu lado.
...do lado de fora do quarto...
—Você acha que devo deixar ela sozinha com ele? – Sophie perguntou mordendo os lábios, Dean percebeu que aquele era um gesto icônico quando ela estava assustada. –Sei lá, Katherine nunca teve contato com homens assim antes, eu fico preocupada com ela.
—Olha, o Sammy sabe como ninguém o que é ser perseguido por forças do mal, eu tenho certeza de que ele vai saber dizer as palavras certas para sua irmã, e enquanto isso nós podemos buscar o café e começarmos a preparar o carro para a viagem. – Ele falou com um sorriso curto.
—E para onde vamos? – A menina perguntou curiosa.
—South Dakota, para a casa de um amigo. – Dean sorriu ainda mais e Sophie percebeu que estava começando a gostar daquele sorriso.
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