As Eras do Amor
3 As veias abertas de Segismundo
Vitória de Santo Antão- fevereiro de 1985.
As mãos encostavam com força na lona do assentamento do MST, com as mãos no pescoço da amante. ele a penetrava docemente, ela gemia baixinho e dava prazer ao amante.
— Para Segismundo, eu tô com uma vertigem.
—Vou pegar uma água pra tu, Elsa.
—Vô voltar pra casa.
Naquele dia Maria Elsa esqueceu o anticoncepcional em cima da mesa da casa de Segismundo, voltando pra casa ela encontra Josefo na companhia de políticos da antiga ARENA e sente nojo, sempre a favor da democracia, pensava diferente daquele homem.
Março de 1985.
Maria passou uma semana vomitando e resolveu procurar um médico , com o exame em mãos foi para a consulta de retorno.
—Parabéns!
—Seu esposa vai ser pai, senhora Hanna, está feliz?
—Você não sabe o quanto.
Maria Elsa, vomitou no vendedor de soverte da praça do fórum, só de nervoso, o sexo com Segismundo era bom, porém seu pai não aceitaria um cara do MST, ela evitava Josefo que era apoiador da Ditadura, u seja, um urubu.
Severino Acyoli havia notado uma certa estranheza em sua filha, enquanto Glaura tramava o casamento de sua rebenta com Josefo que seria feito prefeito de Petrolina, com o apoio da elite local, o pai encontrara o exame de Maria Elsa em cima da cama.
—Glaura! Vem cá!
—O que é? Homem?!
—Quem é Hanna?
—Tu vem perguntar pra mim?
—Isso é coisa de Maria Elsa!
Maria Elsa gela da cabeça aos pés, quando vê o envelope nas mãos dos pais.
—De quem é?
—O quê?
—Não se faça pra mim, Maria Elsa!
—Maria Elsa, pelo amor de Deus, diz pra mamãe, que não é de quem eu tô pensando...
—É de Segismundo Oliveira, militante do MST.
—Um comunista? Como você Pôde?!
—Prefiro isso do que me curvar a essa Ditadura.
Maria Elsa leva uma cipoada na cara e uma pisa de cipó, ela tem um deslocamento de placenta e vai parar em um hospital de Recife.
—Acabou a regalia Maria Elsa, você vai ficar em Recife até o parto.
—Vai pro inferno!
A casa localizada no Espinheiro era perturbadora, toda fechada, ideal para ela ser colocada sem ver ninguém, o clima tão confortável quanto um cárcere inquisitorial.
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