As Dunas
1 Capítulo 1, Parte 1
Marlon morava na Fazenda das Dunas, a ultima grande fazenda a essa distancia do litoral. De lá era possível ver o deserto e receber seus ventos quentes durante o dia. À medida que se aproximava da sede, um conjunto de cinco prédios brancos em forma de colmeia, ele via as dezenas de janelas do seu alojamento, no prédio mais largo dentre todos. Aquele prédio não era conhecido pelo conforto, mas graças à ele era um alívio trabalhar nessa fazenda. Ouvir os diversos pés nos cascalhos do caminho, que ainda era longo, era como ser embalado por um som pouco agradável, mas repetitivo e suave, fazendo pesar para Marlon o cansaço e o sono do dia trabalhado. Depois de muitos minutos distraído pelo som da caminhada, a voz de seu companheiro de trabalho o assustou:
“Rapaz... o que eu não daria para ter uma casinha pequena, só minha, em uma fazenda menor” disse Gilmar.
“Para morrer no primeiro ataque das tribos do deserto...” respondeu Carlos, “...ou ter a casa levada por um vendaval ah, ah!” quem falou rindo foi Ivan, seguido de murmúrios de aprovação e risadinhas abafadas.
Para Marlon era possível entender a ideia de Gilmar, não viver com um bando de desconhecidos em quartos minúsculos na Sede, por outro lado a segurança falava mais alto, as pobres cabanas dos trabalhadores das fazendas menores eram alvos frequentes de ataques e muito frágeis contra o tempo. A brisa de hoje não era nada com que se preocupar, mas o lembrava dos ventos que castigaram a região antes, sempre derrubando diversos pequenos alojamentos nas fazendas menores.
Quando estavam próximos das portas do térreo, no alojamento, o céu já havia escurecido mais do que era confortável para quem ouviu tantos rumore sobre os ataques noturnos. Marlon pensava em andar mais depressa de volta para o alojamento amanha. Ele sabia que seus companheiros o seguiriam e isso tranquilizava. Alguns dos lavradores que trabalhavam até muito tarde, sem companhias para voltar ao alojamento, sumiam misteriosamente.
Mas ainda assim Marlon parou à porta, ele queria ver as ultimas luzes do sol que já havia se posto tingindo o céu de rosa. Nesses momentos o jovem voltava a pensar como Gilmar, em não viver nessa colmeia de humanos, em ser mais livre e conhecer o mundo que se via na televisão, que se ouvia no rádio, ou nas poucas informações achadas online sobre o que havia fora dali.
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