As Desventuras e Romances de Percabeth
50 50 - Destino
Notas iniciais
50 – Destino
Faltava um dia para Percy ir para Londres. Ele , Luke , Nico e Grover já estavam com tudo pronto. Vôo , apartamento , dinheiro e malas feitas.
Depois da festa , por alguma razão , Percy e Annabeth não se falavam. Durante a cerimônia de formatura eles ficaram trocando olhares mas não se aproximaram. Percy estava desarmado. Ele sempre tentava falar com a garota , mas nunca saía nada. Ele ficava sem palavras. Annabeth também não sabia o que fazer , ela tentava se aproximar de Percy , mas sabia que o garoto iria embora na manhã seguinte , por isso ela havia se decidido e também iria embora. Seria doloroso olhar para a casa de Percy e não vê-lo sair com o Skate na mão e o sorriso no rosto.
Durante aqueles dois dias ela ficava apenas olhando para a sacada do garoto. Todas as manhãs ele tomava banho , saía com o Skate , e todas as noites , chegava , tocava guitarra , jogava video game , dizia um boa noite e dormia.
Naquela manhã Percy acordou cansado. Ele desligou a Marcha Imperial e respirou fundo. Abriu as cortinas e olhou para a rua Elm. Aquela visão estava sendo um deja vu , ele sempre acordava e via a mesma coisa. Seria estranho não ver isso todas as manhãs. Ir para Londres o assustava.
O garoto foi para o banheiro e tomou a costumeira ducha rápida. Ele voltou e foi até o armário. Estava quase vazio. Umas duas camisas , alguns pares de calças.
Ele vestiu uma camisa cinza do Led Zeppelin e os jeans pretos. Calçou os janoski e colocou uma touca preta da Grizzly. Penteou os cabelos e passou um perfume.
O garoto foi até a cama. Ele pegou as caixas do carregamento. Pegou um dos Shapes HKD da Flip. Uns trucks Indy do Koston , as Spitfire 53mm e os rolamentos Bones.
Colou a lixa e montou tudo com cuidado. Ele colocou o Skate debaixo do braço e pegou o iPhone no criado. O garoto olhou para a sacada de Annabeth. As cortinas estavam abertas mas ela continuava dormindo. Percy ficou olhando para ela por um tempo.
—Tchau Annabeth – ele disse para ninguém.
Percy desceu as escadas correndo e deixou o Skate em cima do sofá da sala de estar.
O garoto foi até a cozinha.
—Pai – ele chamou. Poseidon cozinhava algo no fogão.
—Percy – ele disse de costas.
—Vou roletar por aí , nos vemos de noite – ele pegou uma maçã na fruteira e trocou um soco com o pai.
—Cuidado – ele ouviu Poseidon responder.
Percy pegou o Skate e saiu pela porta da frente. O garoto foi andando pela calçada. Passou pela banquinha de jornal do Sr. Jones e o cumprimentou com um aceno.
O garoto atravessou a rua e colocou o Skate no chão. Percy queria ter um dia sozinho , queria ver NY com olhos diferentes.
***
Percy estava remando por Manhattan já no fim da tarde. O garoto pulava as tampas de bueiro e passava no meio dos carros. Não parou até que notou um guitarrista de rua tocando. Algumas pessoas estavam à sua volta.
O garoto pegou o Skate em mãos e se esgueirou pela plateia.
O guitarrista de rua não parecia ter muito mais que 20 anos. Tocava uma Stratocaster Sunburst da Fender.
Um violão preto estava num pedestal próximo. Percy se animou um pouco. Quando o guitarrista acabou a música o garoto se aproximou. Ele deixou o Skate no chão e tirou a touca.
—E aí – o garoto disse eles apertaram as mãos – Sou Percy.
—Sou Mark – ele estava com a sobrancelha arqueada.
—Posso? – Percy apontou para a guitarra no pedestal. Mark assentiu.
O garoto prendeu a alça e ficou sentado no banquinho ao lado de Mark.
Ele afinou um pouco. A plateia continuava ali , olhando para ele com expectativa.
—Bom , essa música se chama I’m Not Over do Carolina Liar , cantem comigo se souberem – o garoto puxou o riff principal.
As pessoas ficaram animadas , na plateia estavam algumas garotas , elas sorriam para Percy. O garoto retribuiu o sorriso.
—I'm not over
I'm not over you just yet
Cannot hide it
You're not that easy to forget
O garoto ficou pensando na letra do refrão. “I’m Not Over” , eu não superei. “You’re not that easy to forget” , você não é tão fácil de esquecer.
Ele ficou ali pensando em Annabeth , quando a música terminou , a plateia aplaudiu. Percy trocou um soco com Mark e pegou o Skate. Ele pulou em cima e começou a remar pelo transito.
***
Percy já estava chegando no campus da T. Valley. As aulas já haviam acabado portanto não havia ninguém por ali. O garoto pulou o passeio da rua giratória e subiu correndo a escada princpal.
Ele remou um pouco pelas faixas de concreto e tomou distancia para pular a escada. O garoto estava bem descontraído. O SS Hardflip foi moleza de acertar.
Percy ficou ali treinando algumas manobras durante um bom tempo. Muito depois do sol já ter ido embora ele continuava treinando , andar de Skate faria ele esquecer temporariamente sobre a partida do dia seguinte.
Já estava ficando frio quando ele estava no bebedouro do prédio principal. O garoto foi até o armário. Ele colocou a combinação e o abriu.
Não haviam muitas coiasas. Alguns cadernos que ele nunca tiraria , uns pedaços de Shapes , um par de trucks velhos e uma pizza mofada. Percy já estava fechando quando subiu o olhar para a porta.
Estava coberta de fotos. Ele e Annabeth em todas. Na cabine fotográfica em Londres , em casa , fazendo careta , se beijando e se abraçando. Percy sorriu nostálgico.
O garoto fechou o armário e subiu no Skate. Ele remou um pouco e começou a subir as escadas. Não parou até o 5º andar.
A última escada dava num corredor sem portas. Apenas uma no fundo.
Percy andou até lá e a abriu. Uma lufada de ar o fez segurar a touca. O garoto deixou o Skate no chão e arregalou os olhos com a paisagem noturna do Queens.
Manhattan brilhava no fundo , o céu não tinha nenhuma estrela , as luzes da cidade ofuscavam-nas. Percy ficou ali observando tudo por um bom tempo. Os barulhos de sirene e buzina ecoavam ao longe.
—É bonito , não é? – ele relaxou um pouco ao ouvir sua voz.
—Sim – ele respondeu sem tirar o olhar de Manhattan. Pôde senti-la se aproximar , o cheiro de limão e hortelã adentrou seu nariz como um desejo que não poderia realizar – Como sabia que eu estava aqui?
—Não sei , apenas vim até aqui – Percy olhou de canto para ela , os cabelos louros estavam se chacoalhando suavemente com o vento. Seus olhos brilhavam refletindo as luzes.
—Você me conhece bem – ele tentou algo como um sorriso mas falhou.
—Conheço – ela riu um pouco – Percy eu queria te desejar uma boa v...
—Não , pare – ele respirou fundo e saiu da beirada do telhado. Andou com as mãos nos bolsos e ficou de costas para a garota. Ela estava fitando os tênis.
—Então , o que vamos fazer? – ela sussurrou alto o bastante para ele ouvir.
—Não sei , mas parece errado não ficar com você , não sei explicar de outra forma – ele chutou violentamente uma latinha de refrigerante velha.
—É... – ela olhava para Percy. O coração na boca.
—Eu não quero ter que achar outra Annabeth – ele repetia enquanto andava em círculos pelo telhado.
Annabeth não respondeu.Ela só conseguia pensar no quanto ele estava bonito e no quanto estava com saudade , e em quanta saudade iria sentir de Percy.
Ela não havia contado à ele que também estava partindo na manhã seguinte , não era uma boa hora para falar disso.
Percy deu mais algumas voltas pelo telhado até que voltou para perto de Annabeth. Ele a puxou e a abraçou forte. A garota ficou atônita e retribuiu o gesto.
Eles ficaram parados por um bom tempo até que Percy deslizou as mãos para sua cintura e começou a se mover vagarosamente.
Ela deixou as mãos em seu pescoço e eles ficaram se encarando. Ambas respirações arrepiando-os.
Annabeth pousou a cabeça no pescoço de Percy e suspirou. Eles continuaram aquela dança sem som por mais alguns minutos até que o celular dela tremeu no bolso do jeans. Eles se separaram corados e ela atendeu a chamada.
—Tudo bem , já estou indo , tchau – ela desligou e suspirou.
—Sua mãe? – ela assentiu – Tchau.
—É... tchau – Ela estava indo embora quando ele a puxou. Eles se beijaram por uns segundos até que ele a soltou. O garoto ficou segurando sua mão até onde deu , e quando ela desapareceu pela porta , ele sorriu triste.
Percy ficou olhando para o bosque da T. Valley. Ele viu Annabeth correndo pela escada da rua giratória. Ela passava a mão pelo rosto freneticamente. Entrou no New Beetle e rapidamente sumiu de vista.
Percy ficou olhando para as luzes de Manhattan , mas elas pareciam menos brilhantes , ele queria poder ver algumas estrelas para tentar não pensar em nada.
Permaneceu ali por mais uma meia hora até que os ventos se tornaram frios demais para suportar.
Ele pulou no Skate e saiu remando pelo corredor deserto. Não parou até que já estava chegando na rua Elm.
O garoto pulou o passeio e pegou o Skate. Ele entrou em casa e deixou o Skate apoiado na parede. As luzes estavam apagadas. Caminhou até a cozinha e abriu a geladeira. A mão pousou na latinha de Coca.
Ele voltou e subiu as escadas correndo. Abriu a porta do quarto e a chutou atrás de si.
Ligou as luzes e deixou a latinha de coca na escrivaninha. Para um último dia em NY , fora bem. Ele tocara em público , andara de Skate e beijara a garota que amava. Tudo parecia um sonho , mas para ele só piorava as coisas , já que estaria dizendo adeus à tudo isso pela manhã.
Percy abriu as cortinas e deixou que o vento entrasse. Ele olhou para a sacada de Annabeth. A cortina estava fechada.
Ele tirou a camisa e foi pegar a Coca. Estava tomando e olhou para o criado ao lado da cama. As fotos com Annabeth cobriam o móvel.
O garoto começou a se mover mecanicamente. Ele desceu as escadas e pegou o Skate. Saiu pela porta da frente e remou pela rua Elm. Não parou até chegar à floricultura três quarteirões à frente. As luzes estavam apagadas , já deveriam passar das 23h. O garoto escondeu o Skate na caçamba de lixo mais próxima e se esgueirou para pular o muro.
Como um ninja Percy foi até o canteiro dos lírios , pegou apenas um branco. Rapidamente ele voltou e pulou o muro.
Ele voltou e pegou o Skate. Remou pelas ruas frias do bairro. Não haviam muitas pessoas na calçada nem carros na rua , o vento batia e reverberava em seus ossos.
Chegando em casa , pulou o passeio e entrou. Ele subiu as escadas e entrou no quarto. Deixou o lírio na escrivaninha.
O garoto pegou um pedaço de papel e escreveu algumas palavras. Pegou um pedaço de fita adesiva na gaveta do criado. Se levantou pegando a flor e foi até a escada.
Colocou o lírio na boca e o bilhete no bolso.
Anou até a lateral da casa de Annabeth e escalou pela lateral. Se esgueirou pelas trepadeiras e pulou na sacada. A cortina estava fechada.
O garoto pegou o lírio e o pregou na parede com um pedaço de fita. Pregou também o bilhete , um pouco abaixo.
“Você havia me perguntado o que eu queria. Eu não queria e nem quero o que é fácil.”
PS: Rosas ainda são clichês”
Ele sorriu um pouco e desceu novamente as escadas. Aquele era o seu jeito de dizer adeus.
***
Quando a Marcha Imperial soou no quarto na manhã seguinte , a ficha de Percy havia caído.
Ele se levantou bocejando e encarou as malas de frente para a cama , no chão. O Skate estava emcima delas.
Percy se levantou e foi até o banheiro. Tomou a ducha morna e saiu. Foi se vestir. Jeans pretos. Camisa da Flip preta , escrito Love ao invés de Flip. Ele colocou um agasalho azul-escuro da Nike Sb por cima e uma touca cinza.
Carregou as malas juntamente com o Skate e as deixou na sala de estar. Ele foi até a cozinha. Seu pai tomava café calmamente à mesa.
Percy se sentou de frente para ele. Poseidon estava fazendo um certo draminha com a partida do filho , mesmo Percy tendo prometido visitá-lo sempre que pudesse.
O garoto se serviu de suco de laranja e waffles de banana. Aquele era um dos primeiros cafés da manhã em que Percy ficava mais do que quinze segundos. Eles comeram em silêncio por uns 5 minutos até que já haviam quebrado o gelo e conversavam sobre Skate.
Eles estavam rindo quando Poseidon falou.
—Venha me visitar , por favor , vou sentir sua falta pirralho— eles trocaram um soquinho.
—Você não passaria um dia sem mim coroa , eu venho – ele se levantou – Vamos , tenho um vôo pra pegar.
—É , e eu um filho pra perder – Percy riu.
—Pare com o drama meu velho — ele foi andando pelo corredor e pegou as malas. Os dois passaram pela porta da garagem e entraram no Camaro.
Poseidon apertou o botão do portão e eles saíram com o carro. Passaram devagar pela rua Elm. Seu pai parou o carro.
—Esqueceu seus óculos – ele se levantou afoito e saiu do carro. Percy sorriu e olhou para a casa de Annabeth. O sorriso se desfez com a cena.
Ela e a mãe estavam carregando o carro com malas. Annabeth estava encolhida com os braços cruzados e tinha em mãos o lírio e o bilhete. Percy precisou de muita força pra não sair do carro e ir até lá. Ao invés disso , seu pai voltou com e entrou no carro. Ele estendeu os óculos e um livro.
—Passa tempo no vôo – Percy pegou o livro , era de Bukowski.
“Há um lugar no coração que nunca será preenchido
Um espaço e mesmo nos melhores momentos
E nos melhores tempos
Nós saberemos
Nós saberemos mais que nunca
Que há um lugar no coração que nunca será preenchido
E nós iremos esperar e esperar
Nesse lugar.”
Foi a poesia que mais o chamou a atenção. Ele ficou pensando em diversas formas de interpretação no caminho , mesmo quando seu pai passou nas casas de Luke , Nico e Grover ele estava distante. Pensava no poema , e pensando no poema , pensava em Annabeth.
Eles já estavam quase no JFK quando Percy começou a aprofundar os pensamentos. Ele se lembrava de tudo sobre Annabeth. Do primeiro dia de aula , quando chegou atrasado e a viu com a blusa dos Strokes , de derrubar seus livros , dela o elogiando na primeira aula de arte.
De quando ele tocou Shook Me All Night Long para irritá-la , de quando a viu beijando Nico e morreu de ciúme , se lembrava de Will Solace jogando charme para cima dela , de quando ela se declarou no Central Park , ele se lembrava de tudo. Do primeiro beijo no refeitório do Summit , de serem jogados no lago , de sua primeira vez , do pedido de namoro na chuva. Das surpresas em Londres e em Manhattan Beach. Se lembrava de tudo , de quando os dois terminaram no show de talentos , mas isso não importava agora , ele não estava pensando. Ele a queria. Simples assim.
—Pai , pare o carro , preciso descer – ele falou mecanicamente. Ninguém levou à sério. Nico e Grover estavam rindo enquanto Luke o olhava sério – Eu não estou brincando – o tom que ele havia usado havia feito Nico e Grover pararem de rir.
—O que vai fazer? – Seu pai deveria saber que se tratava de Annabeth.
—Não sei , só preciso ir – o pai parou o carro no acostamento. Ele foi até o porta-malas e pegou o Skate juntamente com o porta-retratos com a foto de Annabeth em Picadilly . Ouviu uma segunda batida de porta.
—Ela está no La Guardia , ela e Thalia – Luke olhou para ele sério. Percy assentiu com a cabeça.
Percy colocou os fones nos ouvidos. I’m Not Over , do Carolina Liar começou a tocar.
O garoto pôs o Skate no chão e remou para o que seria a maior loucura da sua vida. Ele não sabia o que estava fazendo , nem o que diria para ela. Só precisava dela , não sabia porque estava levando o porta-retratos , mas não estava questionando seu cérebro naquele momento.
O tempo pareceu ficar em câmera lenta. Percy remava com toda força em direção ao La Guardia. O refrão de I’m Not Over ressonava alto em seus ouvidos.
A Unisphere de Flushing passou como um borrão. Ele seguiu sem parar até que ouviu ao longe os barulhos de aeronaves ao fundo. Quase fora atropelado ao pegar o Skate e entrar no aeroporto.
Rapidamente o garoto correu até o painel de voos mais próximo. Atlanta , Detroit , Chicago , Los Angeles , onde está Sao Francisco? – ele pensava.
Seus olhos se moviam rapidamente até que ele o achou. São Francisco. Embarque Imediato , 9:50h.
Seu coração acelerou ao olhar as horas. 10:20h. Portão C , 2º piso.
Ele correu até as escadas e subiu 3 degraus por vez. Os portões A e B passaram rapidamente , quando chegou ao C seu mundo despencou e ele deixou o Skate e o porta-retratos cair no chão.
O lugar estava fechado. Sem sinal dos passageiros. Tarde demais.
Tarde Demais.
Tarde Demais.
Tarde Demais.
Tarde Demais.
As palavras ficaram se repetindo em sua mente como se ele estivesse sobre efeito de alguma droga alucinógena.
Stanford. Mais de 8500KM de distancia de Oxford. Annabeth , mais de 8500KM de distancia de Percy.
Talvez o frio bafo do destino que fazia cócegas em seu pescoço quisesse que fosse assim. Talvez a opção mais fácil poderia ser a menos dolorosa. Talvez ele tenha sido tolo ao achar que poderia ir até lá e resolver todos os problemas.
O vidro do porta retratos estava espatifado no chão.
“Feliz Natal Annabeth , quero passar muitos deles com você,
Com Amor...Percy.”
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