As Desventuras e Romances de Percabeth
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Notas iniciais
47 – Par
Depois daquele momento, Percy estava feliz e triste. Ele pensou na possibilidade de ter algo mais com Rachel. Se sentiu culpado por isso instantaneamente e depois se xingou por estar daquela forma. Afinal, Matt e Annabeth pareciam um casal.
O garoto estava sentado na porta de casa. Ele estava sem camisa e ofegante. Nico e Luke estavam próximos, eles estavam num joguinho amistoso de basquete.
–Então , os manés vão pra Oxford também , invejosos – Percy brincava.
–É, você não iria sobreviver lá sem nós , só está com vergonha de admitir – eles trocaram um soco.
–Vão continuar com a banda então? Quero ver acharem um guitarrista melhor que eu – eles riram.
–E você, vai virar um Arqueólogo? Juro que nunca te vi numa aula de história sequer – Nico gargalhava.
–Para com essa inveja Di Angelo – eles estavam rindo como crianças.
A verdade era que Percy estava muito feliz de poder ir para Oxford com os amigos
E ainda havia Rachel, ela iria para lá também, o que só o deixava mais confuso.
Eles ficaram jogando até a noite. O garoto trocou socos com todos e os viu zarparem na caminhonete de Luke.
Ele já estava guardando a moto na garagem quando viu o carro de Matt aparecer na esquina. Era uma Silverado parata. Bem típico, cara sem graça, carro sem graça.
Percy vestiu a camisa da Flip pois estava esfriando. Ele fez mais algumas cestas, olhando de rabo de olho Annabeth e Matt.
Eles desceram em frente à casa de Annabeth. Não viram Percy. Matt a levou até a porta e eles ficaram um pouco se olhando , o garoto precisava agir logo. Ele pegou as cartas do correio rapidamente e foi como um ninja até eles.
Matt já ia beijá-la quando ele pigarreou.
–Entregaram umas cartas suas na minha casa – os dois se separaram rapidamente , Percy arqueou a sobrancelha pra Annabeth e a entregou um punhado de cartas. Ele nem sabia se eram mesmo cartas de Annabeth e da mãe , mas que bom que pensara rápido.
O garoto foi embora vagarosamente , para escutar o que Matt iria dizer.
–Então tchau – ele deu um beijo na bochecha da garota.
O garoto estava quase em casa quando ouviu a caminhonete ir embora pela rua. Annabeth o chamou.
–Percy , não tem nenhuma carta minha aqui , nem da minha mãe – ela disse o olhando interrogativa. Ele deu de ombros.
–Eu sei.
O garoto entrou em casa. Ele subiu as escadas e já foi pegando uma toalha no quarto. Entrou no chuveiro e tomou um banho rápido.
Ele voltou e vestiu a roupa. Uma blusa da Indy , e um agasalho preto da Nike SB. Calças chino camufladas da Vans e os Janoski pretos.
Ele pegou o iPhone e as chaves do carro. Desceu as escadas correndo e foi até a cozinha.
O pai estava com os óculos de leitura , alguns papéis e calculadoras.
–Eu vou ali na casa de uma amiga , já volto – eles trocaram um soco.
Ele saiu pela porta que levava à garagem e entrou no Audi. Abriu o portão e virou a esquina da rua Elm.
Dirigiu calmamente até a casa de Rachel. A melodia calma de Don’t Swallow The Cap tocava no CD.
Ele chegou até a casa da garota do outro lado do Queens. Era uma mansão na verdade , estilo neo clássico grego , colunas e pilastras brancas , detalhes nas paredes e janelas grandes. O jardim de frente fazia o da Casa Branca parecer o quintal de uma velha florista. O Sr. Dare era um grande empreendedor de NY.
Percy saiu do carro e deu a volta até a beirada da casa. A luz no quarto da garota estava acesa. Ele pegou uma pedrinha no chão e acertou a janela de leve.
Depois de um tempo jogando pedras, Rachel apareceu. Ela abriu a janela e cerrou os olhos.
–Percy? O que tá fazendo aqui? Já é quase dez da noite – ela sorriu.
–Posso subir? – ele perguntou.
–O que? Não, se meus pais te pegam estou frita – ela fez sinal para ele se mandar.
–Ah, não vou demorar, é sério – ele pediu por favor com as mãos.
–Tudo bem – ela assentiu bufando e se foi para dentro do quarto.
Percy se esgueirou até a parede. A casa era cheia de saliências nas paredes , ele facilmente pulou na janela de Rachel.
O quarto da garota estava igualzinho desde a última vez que ele o vira. Paredes pintadas em rosa e branco , contrastando com os posteres de bandas de Rock e os Shapes pendurados na parede. A cama dela era grande e de casal , com um edredom estampado com pandas. Algumas telas de pintura no canto , a guitarra no pedestal , escrivaninha e armário.
Rachel estava pintando algo. Percy chegou por trás.
Era uma pintura bem inusitada. Um panda vermelho com chifres e tatuagens , mostrando dedo do meio e com a cara fechada.
–Que profundo – ele brincou. Ela deu de ombros.
–Pandas são fofos mas esse aqui ficou bem melhor que o normal – ela se levantou e abraçou Percy.
Estava fofinha. Um agasalho cinza da Enjoi , com o panda no peito , mini shorts azuis , estava descalça , o cabelo preso num coque.
Rachel foi até a escrivaninha , Percy a seguiu.
–Vem ver os clipes que eu gravei hoje – ela pegou o computador.
Percy tomou da mão dela e clicou nos atalhos. Era no Queens , ela estava andando na Unisphere , estava sem água , Rachel estava mandando muito. Percy ficou espantado com o quanto ela estava evoluindo. Se tornaria pro em poucos meses.
–Então , eu não acho que você veio até aqui às dez da noite pra ficar vendo uns vídeos da Flip , então fala – ela se sentou na cama.
Percy ficou de pé. Ele pigarreou algumas vezes e sua mão suou. Estava nervoso.
–Rachel Elizabeth Dare , você... você aceita ser meu par para o baile? – ele ficou vermelho. Rachel também. Mas logo sorriu sarcástica.
–Oh meu deus , Percy Jackson está me convidando pra ir ao baile? Não acredito – ela deu um gritinho de garota e cobriu a boca com a mão.
–Pare com isso mané – ele bagunçou os cabelos dela. Rachel soprou uma mecha da frente dos olhos.
–Ah , aceito sim – ela disse e fez uma leve mesura.
Os dois ficaram rindo um pouco quando houveram batidas na porta do quarto.
–Rachel , está tudo bem? Ouvi um grito – era a voz do pai dela.
Ela arregalou os olhos e engoliu uma gargalhada.
–Está sim papai , tudo bem – Percy ainda se perguntava porque ela sempre fazia essa voz de santinha para falar com o pai.
–Tem certeza? – o pai insistiu – Não quer que eu entre? Achou uma barata?
–Não, estou bem pai – ela gritou de volta.
Percy ficou rindo até que ouviu os passos ficarem distantes no corredor. Uma luz foi apagada.
–Então, agora você precisa mesmo ir – ela empurrou Percy e eles se levantaram. O garoto já estava indo para a porta quando Rachel o parou.
–Por aí não gênio, eles podem te ouvir – ela indicou a janela.
–Ah, vai me fazer escalar uma janela com perigo de me esborrachar no chão às onze da noite? – ele fez uma carinha de cachorro.
–Vou – ela deu de ombros e eles riram. Percy foi andando até a janela aberta – Então...
–Então... até segunda, ou sábado se você aparecer no Best Trick amador feminino na Tribeca...
–Ok – Percy assentiu sorrindo. Rachel o abraçou. Ele afundou o nariz no pescoço dela. O cheiro o inebriou. Chocolates e morango. A garota se arrepiou.
Percy ficou observando-a enquanto se esgueirava para a parede. Ele colocou seu corpo para fora do quarto e ficou pendurado na saliência.
–Então tchau...
–É...
Mecanicamente o garoto avançou em direção ao rosto dela. Pressionou os lábios contra os da garota por meio segundo. Aquilo foi quase o bastante para fazê-lo cair.
Rachel corou quando eles se separaram.
–Então, até...
O garoto desceu pela parede atônito , aquele fora um beijo inesperado , e dessa vez ele não havia pensado em Annabeth , nem na relação namoro/arrependimento que o corroía , o garoto só havia pensado em uma coisa. Havia pensado em Rachel , e em como queria seus lábios para si.
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