As Desventuras e Romances de Percabeth
32 32 - Proposta Preocupante
Notas iniciais
32 – Proposta Preocupante
A Londres branquinha dava um ar de aconchego. O barulho do ar nos ouvidos de Percy abafava o som dos carros e buzinas acordando Londres na manhã de Natal. Famílias indo para eventos e desfiles , jovens saindo para curtir.
Percy estava ali , na London Eye , a vista para o palácio de Westminster era magnífica. Ele pensava na noite anterior.
Os letreiros com a mensagem para Annabeth , a patinação a dois , as fotos e declarações de amor. Logo após isso os dois alongaram a véspera até o dia seguinte. Vadiaram como crianças por todo o St. James , entraram nos parques para crianças , até dançaram no alto de um edifício ao som de The Boxer Rebellion , quando o dia estava amanhecendo , Percy convidou Annabeth para ir ver o nascer do sol do alto da London Eye.
O estado crepuscular da cidade dizia que estava quase na hora. A garota dormia nos braços de Percy , ela babava um pouco em sua blusa de frio da Nike. Percy beijou os cabelos dela.
–Annabeth , o sol já vai nascer – ele beijou seu pescoço de leve – Acorde dorminhoca.
Ela se remexeu um pouquinho e espreguiçou sonolenta.
–Bom dia – ela ronronou e o tascou um selinho.
–Bom dia – ele ficou olhando para o rosto dela , queria memorizá-lo no momento , os olhos cinzas claros e calmos , os fios desarrumados e a franja para o lado , a touca torta a dava um ar puro e doce.
–O que está olhando? – ela enterrou a cabeça no pescoço do garoto.
–O quanto você é linda – ele cheirou os cabelos dela , limão e hortelã.
Annabeth havia caído no sono no carro , Percy tivera que carregar a garota até a roda gigante. Ela parecia não notar aonde estava , já que não esboçou reação.
Ela estreitou os olhos.
–Por que quando eu durmo perto de você , sempre acordo em outro lugar? – ela riu.
–Você é levinha e tem sono pesado , fácil de carregar – ele beijou seu rosto – Ou sequestrar.
Ela sorriu e o beijou um pouco. A mensagem na parede havia feito o relacionamento deles dar um salto involuntário , pareciam mais próximos e firmes que nunca. As mãos não desgrudavam , e Percy ficava mexendo no anel de Annabeth.
–O sol já está nascendo , olhe – Percy apontou.
O brilho alaranjado fez os edifícios parecem de ouro. Quando Annabeth olhou para o palácio de Westminster já foi pegando a câmera do pescoço de Percy. Ela tirou centenas de fotos , até o Tâmisa estava bonito , a manhã de Natal parece surtir um efeito especial no lugar.
Eles aproveitaram o calor momentâneo do sol por alguns minutos até que o celular de Percy vibrou.
Era uma mensagem de sua mãe. “Percy , quando você me disse que daria um presente para Annabeth à uma da manhã pensei que pelo menos passaria um pouco da noite em casa , trate de vir pra cá agora , estou falando sério , Mamãe.”
–Hora de irmos – Percy cutucou Annabeth , ela estava com a cara colada na tela da câmera.
Percy se esticou para a beirada da cabine e pegou o telefone.
“Ei , pode descer cara , fico de devendo essa”
Annabeth o olhou curiosa.
–Quem era? – ela indagou olhando para baixo também.
–O Paul , ele trabalha aqui – Percy respondeu.
–Como você conhece tantas pessoas? O operador da London Eye , Sério? – ela bufou.
Percy riu dando de ombros. Paul apertou os controles e eles começaram a descer devagarinho.
***
Percy e Annabeth já estavam quase no Rotherhithe. O trânsito era calmo , algumas pessoas preferiam ficar em casa no Natal , uma folguinha caía bem em qualquer lugar.
O garoto passou pela rua cheia de crianças brincando na neve e estacionou de frente para a casa da mãe.
Os dois andaram de mãos dadas até a porta de entrada , o par de olhos castanhos os fitaram alegres. Tyson abriu a porta sorrindo e sujo de glacê azul. A mãe de Percy era aficcionada com comida azul.
Tyson pulou em Annabeth , o garoto tinha se afeiçoado à garota.
–Annabeth , a Julie me mandou um recado no Facebook , vem ver – eles correram para dentro da casa. Julie era uma paixonite de Tyson , Annabeth estava bancando o cupido dos dois nessa semana , levou eles ao parquinho e ao cinema. Percy se admirava com o quanto ela era prestativa.
O garoto entrou e deixou o agasalho na maçaneta da porta.
–Percy? – ele ouviu a mãe gritar da cozinha.
–Sim – respondeu de volta.
O garoto passou pela sala de estar decorada com mini árvores de Natal e virou para o corredor. A cozinha ficava no fim.
Ele sentiu cheiro de cookies e bolo no ar. Paul estava sentado à mesa , se servindo de chocolate quente e pãezinhos.
–Percy – ele cumprimentou o garoto.
–Paul.
–Oi querido , como foi a noite? Deu tudo certo? – a mãe o abraçou , ela estava com seu avental bordado com Skates, o favorito de Percy quando era criança.
O garoto se sentou na mesa da cozinha.
–Vou preparar seu café , deve estar com fome – ela beijou a testa dele.
O garoto se jogou numa das confortáveis cadeiras marfim. A cozinha era toda rústica. Móveis de madeira envernizada. Apenas as bancadas circulares modernas que contrastavam com o aspecto antigo dali.
A mãe de Percy era assim , não seguia nenhum padrão , era controversa e questionadora , por isso havia se formado duas vezes em Oxford , uma em Letras e outra em Filosofia. Os pais do garoto haviam se conhecido na faculdade , Poseidon cursava sua primeira faculdade , Engenharia Civil.
Durante a manhã , Percy , a mãe e Paul conversaram sobre faculdades. O que Percy desejava fazer , em quais ele ia se inscrever , o garoto ficou com medo de levar um sermão ao dizer “Vou me tornar um Skatista Profissional , não vou precisar de faculdade”.
A verdade era que Percy sempre fora um garoto muito inteligente. Tendo sido criado , mesmo que pouco , por uma escritora perfeccionista e um advogado/engenheiro/físico , ajudava nas matérias da escola primária.
Ele sabia muito das matérias humanas por causa da mãe , e sabia muito sobre exatas graças ao pai.
A conversa sobre as faculdades estava se desenrolando até o almoço começar a pular do fogão. Sally havia caprichado , peru assado , arroz , macarrão e salada. Para a sobremesa um bolo de chocolate azul.
Ela chamou Tyson e Annabeth , eles vieram conversando rindo do corredor. Annabeth deu um selinho em Percy e se sentou na cadeira a seu lado. Tyson do outro.
Sally colocou a mesa e Percy a ajudou. Eles tiraram o peru do forno e o colocaram na mesa. O cheiro fez o estomago de todos roncarem. Annabeth , mesmo estando ali por menos de uma semana , sabia que a mãe de Percy era uma mestra cuca de primeira.
O almoço de Natal foi bem descontraído e alegre. Percy e a mãe discutiram alguns filósofos , a conversa tinha que ser posta em dia. Tyson tagarelou com Annabeth sobre garotas. Paul por vezes participava da conversa de Percy e da mãe , mas eles falavam rápido demais , era um ritmo mãe/filho que ninguém acompanhava.
Eles estavam sentados na sala assistindo basquete , Tyson brincava no iPhone de Annabeth , a garota estava sentada no chão , aninhada nas pernas de Percy. Estava aconchegante , a grande árvore de Natal no canto , o tapete felpudo cor de tijolo posto no chão , o friozinho e o calor de Annabeth contrastando.
–Percy , posso falar com você? – ele ouviu a mãe o chamar do corredor.
Ele seguiu o olhar para ela e pediu-a para se aproximar. Ela negou com a cabeça e fez sinal para ele segui-la.
O garoto deu um beijo nos cabelos de Annabeth.
–Já volto.
Ele saiu para o corredor e achou a mãe sentada na mesa da cozinha. Ela o olhava com expectativa. Percy se sentou de frente para ela.
–Então , o que precisa falar comigo? – ele a olhou cauteloso.
–Ei , calma – ela brincou e o balançou com o braço – É só o seu presente.
Ele relaxou um pouco e se esparramou na cadeira , a mãe sempre tinha presentes fantásticos , quando tinha dez anos , ela o deu uma moeda de 1969 , até isso pareceu legal quando ela o olhou com os olhos castanhos calmos e gentis.
–Bom , o que é? – ele tamborilou os dedos.
–Uma proposta – ela sorriu.
“Como você sabe , eu tenho muita influência em Oxford , tendo publicado meu primeiro livro em sua editora independente , ganhei um certo prestígio com o reitor. E esse seria meu presente , como eu exerço certo poder na Universidade , poderia conseguir boas recomendações para você , pois na prova você passaria com meio por cento de seu cérebro. Então , o que me diz? Eu já conversei com seu pai , ele me apoiou imediatamente.”
O primeiro pensamento do garoto foi sim. Oxford , uma das maiores Universidades do mundo , uma das mais prestigiadas no meio acadêmico.
Mas então o segundo pensamento foi , Annabeth. Ele não sabia qual ela cursaria , porém sabia que ela era inteligente o bastante para qualquer uma delas , Stanford , Harvard , Yale. Oxford também estaria na lista , mas só de pensar que ele se mudaria para outro continente o fazia sentir saudades da garota instantaneamente.
Ele franziu o cenho.
–Não tem que me responder agora , você passaria em qualquer uma das faculdades do mundo Percy , com ou sem minha ajuda , isso seria só um presente de mãe para filho – ela apertou a bochecha do garoto – Venha , o jogo já deve estar no quarto tempo , não quero perder isso por nada , Paul apostou contra mim.
Ela se foi pelo corredor. Percy ficou encarando a madeira da mesa. Universidade. Oxford. Distância. Annabeth.
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