As Desventuras e Romances de Percabeth

58 07 — Gerenciamento de Crise


Notas iniciais
7 anos depois e ele está de volta… Tentando conciliar trabalho, estudo, meu livro, a outra fic, rolês. Mas tive um encontro esses dias e me lembrei que eu costumava escrever romance, e prometi à mina que eu escreveria novamente. Aí está. Aproveitem pq não sei se vai ter mais kkkkk —Pedro

07 – Gerenciamento de Crise

Percy desejou que Rachel ainda estivesse junto dele para lidar com as duas alunas esbravejando contra ele por quinze minutos.

Ele alternava o olhar entre Scarlet e Annabeth e batia o pé direito no chão, impaciente.

Francamente, Percy não estava registrando nada do que as duas esbravejavam para ele. A ressaca da noite anterior fazia a cabeça do homem latejar e cada grito ecoava em sua mente.

—MENINAS! — ele finalmente quebrou o silêncio e resolveu retrucar as inúmeras ameaças e xingamentos.

“Infelizmente eu sou um idiota e marquei dois encontros na mesma hora e lugar, mas eu não tenho uma máquina do tempo. Porque não vamos pra algum pub e vocês me contam as aspirações e o que desejam de mim, sem me matarem e se matarem no processo? Se após isso ainda desejarem minha morte, fico à disposição das senhoritas.”

Annabeth bufou como se pensasse “ele ainda tem a audácia de se justificar”

Scarlet era mais compreensiva, ela consertou os óculos de leitura quadrados e suspirou, murmurando um pedido de desculpas à Annabeth, que ignorou. Como sempre, a personalidade forte da loira prevalecia, ela jamais dava o braço a torcer. Entretanto, ela se limitou a sorrir desgostosa e assentir com a cabeça, cruzando os braços.

—Que ótimo — Percy sorriu vitorioso — Chegamos a um consenso.

Annabeth o olhou mortalmente — Ainda não chegamos nem próximo disso, Jackson. Mas estou disposta a tentar, mostre esse tal pub seu.

Percy girou o corpo e fez sinal com as mãos para as duas, indicando o caminho para fora da praça de Iffley.

Os três saíram andando pela rua de pedras e atravessaram a rua, Percy apontou pra alguns dos edifícios da Compton Road enquanto eles se dirigiam ao Cafe Tarifa, na esquina. Ele estava bancando o guia turístico para tentar contornar o silêncio constrangedor.

Ambas o ignoraram, seria mais difícil que o usual, mas ele era persistente.

As portas do Cafe Tarifa estavam fechadas, a fachada do pequeno edifício de 3 andares era decorada com colunas de mármore e janelas de vidro amplas.

Percy foi cavalheiro e parou na soleira, abrindo a porta para as duas mulheres entrarem primeiro.

Ele cultivava um sorrisinho de canto ao encarar as duas com a cara amarrada.

O pub era bastante agradável, com poltronas vermelhas estilo dining room retrô americanas, bancos altos de bar e telas expondo notícias e resultados de futebol da Premier League. Eles estavam na Inglaterra, afinal.

O bar estava relativamente vazio para uma manhã de sexta feira, ainda que fosse um dia de aula na Universidade. Algumas decorações de natal já estavam prontas para as festividades de fim de ano, como luzes piscantes nas mesas e algumas guirlandas nas paredes com textura de gesso acizentadas.

Os três pegaram uma mesa com vista para a rua, as garotas não quiseram se sentar lado a lado. Scarlet se sentou ao lado de Percy, ela não se importava em ceder, mesmo odiando ele um pouco, ela precisava do conhecimento do homem, se colocasse na balança, era melhor que ignorá-lo e não passar em história mongol.

Um garçom apareceu uns momentos depois para anotar os pedidos deles. Percy, pragmático como sempre, pediu um café espresso sem açúcar. O melhor cura ressaca.

Percy se surpreendeu um pouco com o pedido de Annabeth, assim como o garçom. Ela pediu logo um martini para começar o dia.

—Que foi? — ela murmurou — Hoje é sexta, não me olhem com essa cara.

Scarlet pediu um latte e um muffin, britânicos.

Percy alternou os olhares entre as duas mulheres, Annabeth tamborilava os dedos e mexia em um guardanapo, Scarlet tirou o celular da bolsa. Percy interviu.

—Não viemos aqui pra nos alienar no celular — sem pedir ele tomou o celular da mão de Scarlet e pegou o guardanapo da mão de Annabeth, o atirando longe.

As duas o olharam mortalmente.

—Então — ele deu um pigarro — Scarlet precisa de aulas extras sobre os mongóis, e você, Annabeth, quer me usar com que propósito?

Percy não conseguia evitar ser provocativo, estava no DNA dele.

—Arquitetura asiática, minha firma vai abrir uma filial em Shangai em alguns meses, fui designada para chefiar os primeiros projetos de um museu na província de Mpumalanga. Felizmente o CEO frequentou a universidade junto com o seu supervisor, Jackson. Então, pelos próximos meses estarei presa a você, infelizmente.

—Presa você diz — Percy deu um sorriso sarcástico — Então quer dizer que pela primeira vez eu vou ter de te ensinar algo? — ele arqueou uma sobrancelha — Acho que também vou pedir um martini.

Percy conseguiu fazer as duas garotas concordarem em alguns assuntos, e havia esboçado uma escala de estudos semanal. Ele precisaria conciliar o campeonato de skate em Liverpool e as matérias do mestrado em templos budistas da Balliol, além da carga horária de aulas e palestras pro currículo do stricto sensu, isso incluía as aulas que o reitor Crawford obrigou ele a ministrar para a ex namorada do colegial.

Resumindo, Percy Jackson ainda era um cara de muita sorte.

No restante do café da manhã agradável, Percy tentou evitar devorar ambas as alunas com o olhar. Era difícil, Annabeth estava usando uma blusa amarela com uma corujinha estampada na altura do peito, bem parecida com uma velha que ele tanto gostava na época da escola.

Os olhos cinzas dela pareciam mais atrativos e provocativos que nunca, sem falar nas cascatas louras límpidas que escorriam pelos ombros dela, se embolando no cachecol da mesma cor de seus olhos. Por vezes ele se pegou fitando-a por tempo demais — pensou.

Felizmente Scarlet estava ao lado dele, facilitando um pouco as coisas.

Depois de finalmente apaziguar os ânimos, os três até discutiram aspirações com a faculdade, Percy deixou um convite para a expedição do Camboja no ar, mas não obteve sucesso e nem resposta.

—A conversa está ótima, mas eu tenho aula de Neo Clássica em 20 minutos — Scarlet ergueu um dos braços e sorriu para Annabeth. A britânica deixou uma nota de 20£ em cima da mesa.

Ela passou a alça da bolsinha por um dos ombros e tascou um beijo na bochecha de Percy. Ele tentou manter a postura mas deixou um suspiro escapar. A garota de cabelos castanhos se foi andando e murmurou um tchau seco à Annabeth.

Percy a seguiu com o olhar até a porta do Cafe Tarifa. Annabeth conseguiu sentir a tensão no ar.

—Espero não estar atrapalhando nada — ela franziu o cenho.

—Não está — ele respondeu — Não tenho essa sorte. E também preciso ir, tenho outras responsabilidades.

Percy acenou pra ela e se levantou. Annabeth permaneceu sentada, ela estava no terceiro martini. Todavia, antes de ir, o homem pegou o copo pela metade na mesa e o virou de uma vez — Hoje está só começando, e eu preciso de um incentivo para minha aula monótona de metodologia do ensino, como se eu precisasse de metodologia. Até mais!

Percy enfiou as mãos nos bolsos do paletó de tweed e saiu andando em direção à porta. Ele parou subitamente e retornou à mesa, Annabeth estava concentrada no celular.

—Essa blusa aí é a mesma da época na T. Valley? — Annabeth seguiu o olhar dele para a corujinha preta e assentiu com a cabeça — Imaginei, mesmo. Algumas coisas nunca mudam.

Uma fisgada de nostalgia tomou conta do coração dele, mas o mesmo se limitou a apenas murmurar outra despedida, com a sorte dele, não era uma definitiva.

Notas finais
E aí comentem!