As Desventuras e Romances de Percabeth
5 05 — Ódio mortal?
Notas iniciais
05 – Ódio mortal?
Nas semanas seguintes Percy e Annabeth desenvolveram certo ódio mortal um pelo outro. Eles não podiam se ver e as discussões começavam.
–Eu não vou sentar na mesa com isso – Percy disse, apontando para Annabeth , a garota fechou a cara.
Era uma quarta-feira. Eles estavam no intervalo. Percy havia pego seu lanche e foi na direção da mesa onde estavam sentados Nico, Luke, Thalia, Reyna e Annabeth.
Percy bufou e jogou o lanche no lixo. O garoto se dirigiu ao armário, cumprimentou algumas pessoas, Drew, a garota que sempre dava em cima dele, Chris e Charlie também estavam no bosque.
Ele entrou no predio e abriu seu armário. Pegou o Skate e algumas maçãs.
Subiu no Skate com destreza. Remou e andou sem se importar de estar no prédio principal. Dioniso havia aceitado que Percy nunca ia ligar para regras ou detenções.
O garoto passou em alta velocidade pelas portas de vidro e se desviou de algumas pessoas que andavam pelas faixas de concreto. O garoto continuou remando pela escola. Ele passou pelas faixas de concreto que cortavam o Campus e viu a escada em que vinha treinando. Ela tinha oito degraus de concreto e um corrimão verde de cada lado.
Percy aumentou a velocidade e mirou o corrimão. Se agachou em cima do Skate e pulou pela escada, o Skate deslizou por todo o corrimão, Percy teve a costumeira sensação de voar nas nuvens. Quando o corrimão estava no fim Percy jogou o corpo e o Skate aterrissou no chão de concreto perfeitamente.
Percy ouviu algumas palmas e gritos de admiração. O garoto se orgulhou, sorriu e parou o Skate. Percy andou até embaixo de uma árvore e se sentou no Skate. Tirou as maçãs da sacola e as comeu velozmente, ele estava faminto.
Ele acabou de comer e se levantou determinado.
Subiu as escadas três degraus por vez e tomou distancia, subiu no Skate. Algumas pessoas pararam para assisti-lo.
Percy remou e ganhou velocidade. O eixo do Skate se prendeu no corrimão e deslizou.
Com destreza Percy jogou o corpo, descendo do corrimão perfeitamente. Desta vez ele ouviu mais palmas que antes.
Ele continuou assim por todo o recreio. Caiu algumas vezes mas não desistiu de mandar as manobras. Dezenas de alunos se agruparam em volta da escada e incentivavam Percy.
Luke o desafiou a tentar uma manobra de olhos fechados, as pessoas murmuraram um “UHH” e Percy sorriu para Luke, como se dissesse “Não duvide de mim”.
Ele tomou distância. Respirou fundo algumas vezes e correu, pulou no Skate. Percy sentiu que o mundo passava em câmera lenta – a adrenalina, ele pensou.
Fechou os olhos quando o eixo encaixou. Ele ouviu os gritos bem ao longe, sua mente se concentrou no Skate deslizando e a sensação de liberdade o tomando. Quando o garoto sentiu o corrimão acabar abriu os olhos, o mundo voltou a correr na velocidade normal, o coração de Percy saltou.
Ele pulou do Skate em movimento com um reflexo sobre humano. O garoto se chocou contra ela. No ato de tentar desviar de Annabeth ele girou o corpo e a agarrou, aterrissando de costas no chão com a juba de cabelos louros por cima dele.
Percy ouviu um gemido de dor.
A garota se encolheu de eles se olharam.
O mundo novamente entrou em câmera lenta. O olhar dela era de ódio e de surpresa.
–Percy? O que significa isto? – ele ouviu uma voz em suas costas e o mundo voltou a correr normalmente.
Ele se afastou de Annabeth. Os dois estavam corados.
Ele se levantou e ajudou Annabeth a se levantar. Percy levantou os olhos para a escada.
Parada no topo estava Reyna, o garoto se xingou mentalmente por ter sido pego por ela no chão com Annabeth deitada em seu colo.
Ele andou até a garota. Ela o olhou com os olhos castanhos intensos. Estava confusa e zangada.
–O que foi isso com Annabeth?Porque ela estava no seu colo e vocês estavam no... – Percy a interrompeu beijando-a.
Ela correspondeu ao beijo. O garoto passou as mãos pela cintura dela a puxando para mais perto. Ela apoiou as mãos no ombro dele.
Eles se separaram. Percy viu um vulto loiro passar voando próximo à ele.
Reyna agora sorria bobamente, mas o garoto não prestou atenção nela. Ele sentia algo por Reyna, eles estavam “juntos” por duas semanas. Ela era uma garota simpática e amável, fácil de lidar, de conversar e não era chata e metida à sabe-tudo como você sabe quem.
Ele pensou no momento em que olhou na imensidão tempestuosa dos olhos de Annabeth.
–Cara, acho que você devia conversar com a Annabeth – Percy sentiu Luke se sentar ao lado dele na escada.
Ele não respondeu e olhou para Luke.
O garoto sorria, ele pôs as mãos no ombro de Percy e o olhou significativamente.
–É, acho que vocês não se odeiam tanto assim – ele disse.
A verdade era que Percy não odiava Annabeth realmente. Só entrou no “joguinho” dela. Desde o dia em que ele ligou o amplificador no último volume e perturbou Annabeth a garota parecia o odiar pra valer.
Após algum tempo Luke se levantou.
–Ah! E, se você for, o que eu acho que você vai fazer, ela não entrou nos prédio… deve estar andando pelo bosque ou pelos Campus – Luke disse e subiu a escada correndo.
Percy se decidiu. Colocou o Skate embaixo do braço e começou a procurá-la. Ele vasculhou todo o perímetro do Campus da escola. Estava quase desistindo.
O garoto foi até o ginásio de basquete. Não viu ninguém nas arquibancadas. Deu a volta por trás e ouviu movimento á frente.
Ele viu duas pessoas se agarrando. Era uma menina loura e um cara moreno pálido.
Nico.
Percy se aproximou e se escondeu atrás de uma lata de lixo. Iria pregar uma peça no pobre coitado. Percy se aproximou com passadas cautelosas. Nico girou a garota e a prensou na parede.
Ele parou bruscamente. Seu coração falhou. Ele reconheceu a garota. Era ela, era Annabeth. Nico a estava beijando fervorosamente.
–Mas o que...? – ele disse um pouco alto e se repreendeu por isto.
Nico e Annabeth se separaram ofegantes. Percy os olhou incrédulo. Parte dele não estava nem aí para o que via, mas outra parte, uma pequena parte odiou aquilo, ele sentiu certo ciúme.
–Desculpe interromper – ele disse e se virou.
Percy subiu no Skate e remou para longe dali, bufando de raiva. Ele se sentiu traído por Nico mas logo após isso praguejou por se sentir assim, afinal os dois eram arqui-inimigos pro resto da galera.
Percy decidiu matar a aula de Matemática. E quem sabe a de Geografia? E também matar o resto das aulas. Precisava pensar.
Se sentou embaixo de uma árvore, próximo aos prédios da escola. Ele viu Nico se aproximar , fez uma carranca.
–Ei cara, o que rolou lá atrás? – ele perguntou.
Percy queria responder “você estava beijando a Annabeth , porque você estava beijando minha inimiga número 1?
–Não sei – Percy respondeu fitando o longe — Acho que fiquei sem jeito de encontrar vocês se pegando.
–Somos amigos cara – Nico tentou colocar a mão no ombro dele, Percy a afastou.
–Eu sei – Percy murmurou – Não é nada — Nico aproximou a mão na direção do ombro dele e Percy se inclinou se repelindo quase magneticamente.
–Então tá – Nico parecia meio receoso.
Percy assentiu e deixou que Nico entrasse no prédio de Biologia. Ele seguiu o garoto com o olhar, o fuzilando mentalmente.
Andou até a área do prédio de Arte e deu a volta, para a parte de trás. Lá havia um pequeno jardim.
Colheu três rosas e cortou os caules com as mãos. Se viu numa mescla de culpa e determinação. Afastou os pensamentos, iria fazer o que tinha em mente.
Ele correu para o ginásio novamente. Havia pego um grampo de cabelo e uma faca no refeitório sorrateiramente e abriu a porta aonde o treinador guardava suas coisas. Ligou as luzes da salinha e achou o megafone.
Fechou a porta e correu para o bosque.
Ficou sentado na escada onde havia se chocado com Annabeth. Era um ótimo lugar para ele fazer o que estava planejando. A escada ficava próxima de todos os prédios, teria muito público. O fluxo de pessoas que iriam sair dos prédios passavam por ali para ir embora.
Ele esperou pelo que pareceram horas. Tamborilou os dedos e ficou mandando manobras no solo de concreto. Até que finalmente ouviu o sinal soar. Seu coração palpitou.
Ele ajeitou a camisa de flanela verde e preta e tentou fazer os jeans pretos rasgados parecerem apresentáveis. Passou a mão pelos cabelos rebeldes.
As centenas de alunos estavam saindo dos prédios, Percy se animou e a viu. Ela estava saindo do prédio de música, conversava animadamente com Thalia. Ele ficou parado no topo da escada e esperou os alunos chegarem próximo à ele.
Percy ligou o megafone e falou:
–Ei, ei galera! – ninguém pareceu notá-lo, ele colocou a função de sirene policial e todos se viraram para ele.
–Obrigado! – ele gritou no megafone – Devem estar se perguntando o que esse maluco está fazendo com um megafone, vou lhes responder neste instante!
“Acho que a maioria aqui sabe de minha relação com ela” , ele apontou para a garota, ela corou um pouco.
“Eu queria dar um passo a mais nisto”, ele andou na direção dela.
Se abaixou e se ajoelhou numa pose de cavalheiro e estendeu as rosas, a garota parecia um pimentão.
“Reyna, aceita namorar comigo?” , ele perguntou e todos fizeram um “AWN” sonoro.
A garota pegou o microfone da mão dele e disse sorridente:
“Sim, aceito!”.
Percy se levantou velozmente e a beijou. Todos aplaudiram e gritaram vivas.
Quando eles se separaram e ela pegou as rosas da mão dele.
Percy olhou para Annabeth desafiadoramente e discretamente. Ela, sem dar o braço a torcer, sustentou aquele olhar e participou dos aplausos coletivos.
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