As Desventuras Sexuais de Dylan Stark
69 Capítulo 68 –Deuses em Fúria –Terra 69
Notas iniciais
—Não é que eu esteja com medo nem nada, mas não é todo dia que se recebe a ameaça de um deus –Eu andava de um lado pro outro na sala da minha casa, Henry e Lucy tentavam me acalmar, não que eu estivesse nervoso, minhas irmãs, Daniele e Dayane assistiam televisão, meus pais haviam saído para o clube do livro, tenho certeza que vão demorar e se divertir bem muito. Espero que voltem com a mente mais aberta, no entanto não importa no que pensasse, sempre acabava voltando para a ameaça de Luz Escarlate –Que tipo de prova ela irá me submeter?
—Desse jeito você vai abrir um buraco no carpete –Me repreendeu Henry.
—Não me pede pra me acalmar!
—Eu não pedi.
—Sério? Pensei que tivesse –Dei uma pausa e voltei a caminhar de um lado pro outro –Até agora os testes tiveram a ver com a especialidade de cada deus.
—Do Cupido, deus casamenteiro, fazer as pessoas se apaixonarem –Prosseguiu Henry.
—Do Eros, deus da putaria, fazer uma orgia –Disse Lucy arrancando risada das minhas irmãs que estavam gostando cada vez mais da forma despojada dela de falar.
—A Luz Escarlate é a deusa dos amores controversos, será que ela vai me fazer transar com um travesti, um transgênero, um aliem? Por que se for isso, vou tirar de letra –Dei um sorriso, mas ele logo vacilou –Não posso ficar aqui de braços cruzados! Preciso saber qual é o teste para me preparar!
—O que você vai fazer? –Perguntou Lucy.
—Vou usar a onipresença para ver o que Luz Escarlate esta fazendo!
Na mesma hora expandi minha presença e visualizei o hotel onde os deuses estavam hospedados. Num quarto luxuoso, Luz Escarlate andava de um lado para o outro sacudindo um cachecol de plumas cor de rosa, David estava sentado na cama.
—Você precisa esfriar a cabeça, minha deusa.
—De jeito nenhum! Tenho que bolar um teste que faça aquele moleque se arrepender de ter cruzado o meu caminho! Quem ele pensa que é pra falar comigo naquele tom?
—Ele ainda é muito jovem, dá um desconto pro garoto.
—Dar um desconto? Ele te seduziu, fez o Tomas me deixar e ainda me ofendeu! Eu sou o único dos deuses que ele atacou! Ele me odeia!
—Não é assim...
—Não ouse ficar do lado dele, David! Estou tão furiosa! Vou fazê-lo pagar por cada ofensa! Eu vou –Ela deu uma pausa e olhou diretamente pra mim. Senti um calafrio, eu não estava lá de fato, não havia nada o que olhar. Foi apenas coincidência, nada de mais. A cara dela piorou, sua raiva pareceu multiplicar-se exponencialmente –VOCÊ OUSA ME ESPIONAR?!
Luz Escarlate deu um passo em seu quarto de hotel e no segundo já estava dentro da minha casa, materializando-se na minha sala de estar como se distâncias não significassem nada para ela. Meus amores e minhas irmãs deram um sobressaltos com a súbita aparição.
—Você não vai parar nunca de me ofender?!
—Eu não tive a intenção!
—Poupe-me de suas desculpas esfarrapadas! Você tem que aprender uma lição! –Ela me golpeou com as costas de sua mão direita, esse simples gesto me arremessou contra a parede, que felizmente era de madeira, a atravessei direto, essa parte não foi tão feliz, voei pelo quintal e caí bolando na areia todo machucado.
Ouvi vozes gritando meu nome, mas fiquei tão atordoado que nem sabia a direção. Olhei pra frente e tive muito medo, Luz Escarlate saltou destruindo o telhado da minha casa e parou sobre mim pressionando seu salto agulha no meu tórax.
—Não sou um mortal qualquer que você pode espionar quando quiser! Sou uma deusa! –Ela me chutou me tirando do chão, como se fosse fazer embaixadinhas –Vou te colocar no seu lugar! –Levei um chute no estomago e bolei pelo quintal arruinando as roseiras de minha mãe e me arranhando todo no processo –Vou te dar uma surra que você jamais esquecerá.
—Dylan! –Henry, Lucy e minhas irmãs vieram correndo para o quintal.
—Pare você vai mata-lo! –Dayane gritou.
—Não vou não, apenas irei machuca-lo muito!
Já enfrentei muitos perigos na minha jornada, mas aquele travesti era uma fúria da natureza. Só tive tempo de fechar os olhos antes de receber múltiplos golpes de seu salto alto.
—Você se acha o bonzão por conseguir usar poderes amorosos? Você já se considera um deus? Você tem que tomar muito caldo de ambrosia pra se comparar ao meu glamour divino! –Ela agarrou meu pescoço e me ergueu sem esforço, seus olhos literalmente faiscavam. Pelos deuses, ela vai me matar.
—Largue-o! –Eu vi chamas nos cobrirem, mas não me queimei, aquele fogo me confortou ao invés de me machucar. Já Luz Escarlate me soltou e recuou.
—Você ousa atacar um deus, garota? –Lucy estava em posição de batalha, seu corpo coberto por chamas.
—Eu já fui uma deusa, não tenho medo de você.
—Pois deveria –Uma luz purpura cobriu o corpo de Luz Escarlate, ela sacode a mão como quem espanta fumaça e apaga as chamas de Lucy, em seguida estrala os dedos, uma explosão multicolorida a arremessa longe.
—Lucy! –Gritei me engasgando com sangue.
Henry e minhas irmãs correram até ela, mas antes que a alcançasse, ela gritou. O que era pra ser um grito humano foi um pio de uma ave, um barulho majestoso e furioso. Lucy se ergueu abrindo enormes asas de fogo. Me lembrei do nosso futuro no Novo Mundo em que transava com ela nessa forma.
—A fênix.
Lucy voou e avançou contra Luz Escarlate, atacando com socos e chutes, a deusa desviava ereta, seu olhar furioso, mas sua postura ainda de superioridade. Lucy atacou com suas asas e este ataque fez efeito. Luz Escarlate foi arremessada contra uma árvore.
—Você mantem resquícios de divindade.
—Não vou permitir que machuque o Dylan!
—Você pode ser poderosa, mas não o bastante para me proibir de nada! –Um impulso semelhante a uma aurora boreal derrubou todo mundo, as asas da Lucy se apagaram e ela caiu de joelhos.
—Droga!
—Sinto sua essência, você é dezenas de vezes mais antiga do que eu, tinha potencial de se tornar uma das existências divinas mais poderosas, no entanto perdeu sua divindade, desconheço como isso aconteceu e pouco me importa. Fique no meu caminho e te esmagarei como um inseto! –Ela deu um chute a derrubando –Continue no chão, mortal!
—Lucy! –Me levantei cambaleante –Não machuque nenhum deles!
—Eu não sou uma deusa ruim, mas sou eu quem foi ofendida aqui! Não os machucarei, mas não posso dizer o mesmo de você –Ela deu um passo em minha direção –Você merece ser castigado.
Luz Escarlate ergueu a mão, me preparei para a dor, mas ao invés disso ganhei um abraço, não, não foi da minha atacante.
—Essa briga acaba aqui.
—Afrodite?
A deusa grega do amor me envolveu em seus braços e lançou um olhar feroz para a outra.
—Você não mais tocará em um único fio de cabelo do Dylan Stark.
—Afrodite isso é uma batalha de homens, tire suas unhas postiças do meu caminho.
—Então você só é homem quando lhe convém?
—Eu posso ser homem e mulher quando eu quiser, até mesmo os dois ao mesmo tempo –Houve três explosões de luz com a aparição dos outros deuses.
—O que deu em você, Luz Escarlate? –Perguntou Eros.
—Não se metam nos meus negócios, não me digam que vão todos defender esse garoto? Esqueceram que por causa dele todo o multiverso quase foi destruído?
—Isso é algo grande demais para esquecer –Disse Erzulie me lançando um olhar intrigante, nunca sei dizer de qual lado ela esta.
—Nosso trabalho aqui é testar a aptidão do garoto para se tornar um deus –Disse Cupido –Ele já passou em dois testes, pare de ataca-lo e o teste de uma vez.
—Eu lhes garanto que ele não passará no meu teste!
—Quer começar ele agora? –Perguntou Afrodite.
—Eu... Prefiro dar mais alguns dias de descanso para ele –Disfarçou Luz Escarlate que ainda não tinha bolado o teste.
Eu ainda estava ofegante, a adrenalina corria em minhas veias, há poucos instantes corria risco de morte e agora estava sendo protegido por três ou quatro deuses, ainda não tinha certeza sobre Erzulie.
—Sendo assim –Disse Afrodite me acariciando, respirei fundo e senti uma grande paz, quando dei por mim estava completamente curado, sem nenhum arranhão.
—Muito obrigado, Afrodite! –Agradeci animado.
—Isso foi desnecessário! Por que o curou?
—Será mais justo se ele estiver em plenas condições de fazer o teste.
—Você é muito intrometida! Filha de peixe! –Aquilo pareceu ofender muito Afrodite. Ouvi algo a respeito dela possivelmente não ser filha do todo poderoso Zeus.
—Não fale do que não sabe, querida –Houve muitas ameaças contidas no “querida”. Pela primeira vez vi Afrodite com um olhar tempestuoso –Não pense que só por que estamos numa missão, eu não possa responder à altura.
—O que vai fazer? Me atacar com um manual de adultério? –Aquela alfinetada sobre o caso dela com o deus da guerra foi a gota d’água. Principalmente por deuses se ofenderem facilmente.
—Como ousa?! –O corpo de Afrodite brilhou intensamente numa aura cor de rosa. Inteligentemente me afastei alguns passos.
—Quer brigar comigo, loirinha? Se for briga de puxão de cabelo vou ganhar fácil –Ele disse alisando sua cabeça careca.
—Calma Afrodite, nunca te vi perdendo as estribeiras –Disse Cupido.
—Nunca imaginei que fosse me divertir tanto nesse mundo –Ria Erzulie.
As auras de Afrodite e Luz Escarlate faiscavam, o ar estava estático, trovões gritaram nos céus, uma súbita ventania sacudia suas vestes e cabelos, pelo menos de quem tinha.
—Uma batalha de deuses vai acabar destruindo a cidade –Gritou Henry.
Ele estava certo, eu tinha que parar aquela briga antes mesmo dela começar.
—Chega! –Gritei chamando a atenção de todos –Muito obrigado por me proteger Afrodite. Peço que não briguem. Farei o terceiro teste, até lá, peço que todos os deuses se retirem da minha residência.
Erzulie e Cupido deixaram o queixo cair, Eros riu excitado com minha audácia, Afrodite compreendeu minha intensão e Luz Escarlate entendeu aquilo como mais uma ofensa.
—Pois bem, Dylan Stark, prepare-se para um dos maiores desafios de sua vida! Achou que peguei pesado com esses tapinhas que te dei? Espere só pra ver no terceiro teste –Luz Escarlate desapareceu, os outros deuses imitaram seu gesto, apenas Afrodite se manteve por mais um tempinho.
—Sinto muito que ele tenha te machucado –Ela alisou meu rosto.
—Obrigado por me salvar.
—Você sabe muito bem que gosto muito de você. Torço por sua vitória, quero que se torne um deus e salve esse mundo do que estar por vir.
—Do que esta por vir? –Lembrei do meu sonho, da voz vindo das profundezas. Os deuses tinham me dito que o mundo ia acabar, mas não tinham mencionado como isso aconteceria –Afrodite, como o mundo vai acabar? –Ela ficou apreensiva.
—Alguma coisa esta se erguendo das profundezas –Me arrepiei pela menção que combinava com o meu sonho –Não sabemos exatamente o que ele é, mas ele tem alguma ligação com a doença que quase aniquilou sua raça.
—Você quer dizer que seja o que for, essa coisa foi responsável pela primeira destruição da Terra 69?
—Isso, mas como o planeta foi reconstruído, ele veio junto e furioso, dessa vez quer destruí-lo e garantir que jamais volte a existir.
—Mas o que eu me tornar ou não um deus tem a ver com isso?
—Nós não podemos enfrenta-lo, não temos permissão para salvar este mundo, isso cabe apenas aos moradores daqui, ou seja, você precisa se tornar um deus para ser forte o suficiente para enfrentar a ameaça que se ergue das profundezas. Caso falhe, você e todos que amam iram perecer, mas sem preção.
Ela deu um sorriso e desapareceu no ar.
—Espera! –Ela voltou a aparecer.
—Minha saída tinha sido enigmática, por que me chamou de volta?
—Você podia curar a Lucy também?
—Oh! Claro –Ela moveu a mão direita como se espantasse fumaça, mas na verdade espantou foram os machucados da Lucy.
—Valeu aí, Afrodite –Ela agradeceu.
—De nada –Ela se voltou pra mim –Deixe-me pensar numa frase de impacto... Oh! Sim! Dylan Stark, esteja preparado para o próximo teste, Luz Escarlate fará de tudo para destruí-lo, eu confio em você, não me desaponte –Afrodite falava num tom sério, depois deu uma piscadela pra mim e voltou a desaparecer.
Fui até os outros e os abracei.
—Obrigado por me defender, Lucy.
—Sinto muito por não ser forte o bastante para tê-lo salvo –Ela se lamentou.
—Você foi brilhante! Suas chamas, foram belíssimas, suas asas eram como as que vi no deslumbre do futuro –Ela sorriu e me beijou. Depois abracei o Henry.
—Fiquei tão preocupado com você.
—Eu estou bem.
—Nunca ouse morrer! Eu... Eu não sou nada sem você, nem sou uma pessoa real, então...
—Pode parar por aí, você é real sim, você é nosso Henry! –O beijei. Por último abracei minhas irmãs.
—Da próxima vez quando verem perigo corram pro lado inverso.
—E perder de assistir uma grande batalha? Nunca –Elas nunca me obedeciam, essas pestes. Estava um clima muito bom até ouvirmos um grito desesperado.
—Meu jardim! Minhas rosas brancas! O que aconteceu aqui?! –Minha mãe ficou desesperada. Quando ela e meu pai vieram até nós atrás de respostas viram o buraco enorme na parede e no teto.
—Nossa casa! –Gritou meu pai!
—Pai eu posso explicar.
—Não foi culpa dele, pai! –Disse Daniele.
—Relaxem, nós podemos dar um jeito nisso –Disse uma nova voz entrando no quintal.
—Violet? –Perguntaram Henry e Lucy ao mesmo tempo. A inventora vinha sendo seguida pelo Bruno e Alexis. Abri um enorme sorriso ao vê-los.
—Nós somos bons em concertar coisas, fiquem tranquilos que consertaremos sua casa em algumas horas.
—Graças à Deus –Suspirou minha mãe –Nós vamos sair de novo, espero não ter um infarto quando voltarmos –Ela puxou meu pai pelo braço e partiu. Todos abraçaram a Violet. Eu só conseguia fazer uma pergunta.
—Vocês conseguiram? –Ela me olhou confusa e então pensativa obteve sua resposta.
—Onipresença. Você sabe o que fui fazer.
—Sei, vocês conseguiram? –Violet olhou e sorriu para sua equipe e foi Alexis quem respondeu.
—Conseguimos, o projeto esta completo.
Sorri, seja o que for, eles me trouxeram uma arma capaz de enfrentar deuses, aquilo me deu uma injeção de animo, apertei os punhos, Luz Escarlate que me aguarde, eu serei um deus e salvarei aquele mundo, custe o que custar.
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