As Desventuras Sexuais de Dylan Stark
76 Capítulo 75 –O Nome de Deus –Terra 69
Notas iniciais
Eu sou Dylan Stark, cumpri os cinco testes para me tornar um deus, no processo desenvolvi vários poderes, mas faltava receber a luz divina. O cumprimento desses testes a despertou, é questão de tempo para que ela brote da essência da Terra 69 e venha até mim. No entanto existe outra pessoa que também pode absorvê-la, seu nome é Alexander Stark.
Assim que pisamos no castelo de ametista ouvimos aplausos.
—Parabéns, Dylan Stark! Enfim cumpriu os testes –Disse Alexander sentado em seu trono. Minhas irmãs, o David e a Violet estavam ajoelhados aos seus pés.
—Liberte meus amigos, seu desgraçado! –Ordenei furioso.
—Devia agradecer que ainda deixei dois para trás –Ele disse olhando para o Bruno e Alexis.
—Você não nos pegou por causa do Suez! –Gritou a mecânica e naufraga do fim do mundo.
—Você sim, mas o Bruno eu poupei porque quis.
Olhei para a Violet, seus olhos estavam vazios e inexpressivos.
—E por que não prendeu a Violet num casulo também?
—Tenho contas a acertar com ela. Essa vadia sempre me deu nos nervos.
—Você continua falando coisas sem sentido.
—Querido descendente, somos uma família, como diz a profecia: “Este mundo segue sem um deus, as duas partes do ciclo se chocarão, um é o início do outro, mas no final apenas um terá o poder de guiar a Terra 69 para liberdade ou destruição”.
—Por que para você essa profecia parece tão clara e pra mim tão confusa?
—Eu poderia desde o início ter revelado tudo, mas resolvi esperar que cumprisse os cinco testes e despertasse a luz divina. Como já o fez, é hora de lhe explicar as coisas, esperei muito por esse momento.
Fragmentos de sua história contada pela Alexis me vieram à mente, “Ninguém sabe como nasceu e nem de onde Alexander veio, ele parecia ter surgido do nada”, “Vocês são o início um do outro”, “Ele é o responsável pela doença que ameaçou este mundo”, “Alexander é o vilão responsável por todas catástrofes”, “É devido a ele que você é imune a doença, por ser seu descendente”.
Alexander se levantou e caminhou em nossa direção, ele ergueu as mãos tirando o capacete. Meu coração quase saiu pela boca, seu rosto era bonito, forte e cheio de confiança, ele devia ter seus 27 anos, ainda assim o reconheci, minhas pernas fraquejaram e tudo pareceu fazer ainda menos sentido.
—Nico?
—Olá, velho amigo.
Fiquei zonzo, o Bruno me segurou para não cair, Nico sorria, mas o momento foi interrompido por uma alta gargalhada.
—Eu avisei! –Disse Erzulie chamando a atenção de todos –Adoro ver esse momento, ver o arrependimento em sua cara, Dylan. Eu disse que você se arrependeria por não ter me dado ouvidos. Entende agora no que consistiu o quinto teste? Não era apenas vingança, mas lhe dei a chance de impedir o nascimento de Alexander, te dei a chance de mudar a história, se tivesse sugado a energia sexual de seu amigo no passado, nem a doença e nem o fim do mundo teriam acontecido, te dei a chance de salvar tudo e você a desperdiçou e sim, adoro jogar isso na sua cara.
—Sei que te deixei sem palavras –Disse Nico –Alguns meses depois da última vez que nos vimos naquele cais, comecei a desenvolver poderes, num certo momento resolvi abandonar o nome Nico Cunha e adotar um de mais presença, Alexander Stark. Você foi o meu início, Dylan, foi a energia que roubei de você que me permitiu evoluir e foi o seu sobrenome que resolvi assumir. Com o tempo juntei as peças e descobri que você se tornaria meu descendente de forma que eu também era o seu início. Como diz a profecia, somos um ciclo.
Tudo era minha culpa, eu era mesmo a pessoa mais “cagada” daquele mundo, tive a chance de impedir tudo aquilo e a desperdicei.
—Espera aí! Parando pra pensar bem, se eu tivesse drenado a energia do Nico, eu nunca teria nascido e ele nunca teria viajado para o passado. Deu até um nó na minha cabeça.
—Na verdade você nasceria, pois entre as oito transas que ele havia tipo até aquele momento, tinha engravidado duas mulheres e daí quando elas souberam que ele era o grande Alexander Stark, adotaram o sobrenome –Explicou Erzulie –Então Nico ficaria preso no passado, você nasceria e teria uma vida normal e mais, seu eu de agora ainda viveria, pois a luz divina te impediria de ser absorvido pelos fenômenos espaço temporais, então você se tornaria de fato o deus da Terra 69.
—Mas eu não teria os meus amores!
—De acordo com o principio de funcionamento do multiverso, as alterações temporais de um mundo não podem afetar outro, então sua viagem pelos mundos não seria alterada. Henry ainda existiria, Violet e Lucy lembrariam de tudo e provavelmente seriam expelidas de volta para seus mundos natais. O Henry deveria reaparecer em Storybroke o que geraria uma confusão por já haver outro Henry lá.
—Resumindo: Eu fodi com tudo.
—Isso mesmo. Já pode dizer: “Erzulie, eu devia ter te escutado”.
—Ok, eu cometi um erro, mas não esta tudo perdido –Encarei o Nico –Não posso acreditar em toda dor e sofrimento que você causou –Caminhei até ele –Você é mesmo um traidor.
—Você tem coragem de se fazer de vítima? Você sempre fica com as melhores partes, eu sempre fui o outro, o garoto nerd esquisito como a Violet fazia questão de destacar, nunca entendi porque desde a primeira vez que nos encontramos ela tinha me odiado. Mas a farei se arrepender, ela viverá para sempre como minha escrava.
—Você esta deixando mais fácil te odiar.
—Ótimo, estamos destinados a lutar, não há nada que mude isso, mas primeiramente quero que veja as coisas que vi e que senti. Receba esse “beijo de judas” e contemple minha história.
E foi assim que beijei a boca do meu maior inimigo.
Todas as lacunas foram preenchidas, as terras sagradas de Alexis eram na verdade o lugar onde ficava a caverna do dragão-bruxa, era o lugar da traição de Nico. Senti a poderosa inveja que ele sentia de mim, mas também senti o amor, fomos amigos de verdade, ambos gostávamos mesmo um do outro. Senti que as visões eram uma via de mão dupla, ele também estava vasculhando o meu passado, vendo minhas aventuras, vendo meus sentimentos. Vi o Nico aprendendo a usar o beijo leitor do passado, a seduzir as pessoas com a luz do orgasmo, ele até mesmo aprendeu a conjurar uma cópia da espada do cavaleiro de cristal que usou nas guerras que travou. Vi o dia em que abandonou o seu nome.
Ele estava numa taverna, dezenas de homens e mulheres rastejando gemendo aos seus pés, era sua primeira grande orgia, seus olhos brilharam violetas pela primeira vez naquele dia. Depois de dar à todos uma transa épica e inesquecível, um cavaleiro deitado exaurido no chão perguntou seu nome. Seu lábios se moveram formando a primeira sílaba de Nico, mas pararam. Ele não era mais aquele garoto sexualmente frustrado, ele era um senhor do sexo.
—Eu sou Alexander... –Ele se lembrou de nossa última transa.
“–Que cu gostoso, Dylan Stark!
—Me arromba, Nico Cunha.
—Pelos deuses, até seu sobrenome é melhor do que o meu.
—Você pensa de mais”.
—Meu nome é Alexander, Alexander Stark.
E assim nasceu o mito e o sobrenome de minha família.
Vi a inveja se tornar ganancia, vi o momento em que ele decidiu dominar o mundo. O vi derrotar reis, fazer de exércitos seus escravos. Vi gigantescas orgias, vi a antepassada de Alexis e seu lobo Suez. As terras sagradas sendo abençoadas. O vi sendo trancafiado numa jaula de pedra e ser preso no centro da Terra 69. Senti a raiva e solidão, a energia sexual começando a se esvair. O vi decidindo não desistir, começando a se masturbar com frequência para manter a energia, enquanto atacava constantemente uma parede poderosa. Vi a surpresa dele quando seu esperma acumulado ganhou vida. Foi divertido, pois ele pode transar com as criaturas. Naquele tempo pensava muito em mim. Muitas vezes sonhava com nossos dias na casa do Bruno, outras vezes servi de espiração para suas punhetas, mesmo tendo raiva de mim, fora eu quem tirara sua virgindade.
Senti seu coração disparar quando ele escapou da jaula e me viu. “Lá esta ele, lá esta o Dylan Stark em carne e osso!”. Dois mil anos preso era para enlouquecer qualquer um.
Nosso beijo terminou, mantemos nossos rostos encostados por mais alguns instantes, recuamos e nos encaramos, só então percebi que meu olhos estavam encharcados de lágrimas.
—Nico, eu...
—Meu nome é Alexander, Alexander Stark! –Ele me deu um chute no tórax, fui arremessado com tanta força que parei fora do castelo de ametista, isso passando por várias paredes até me estatelar no lado de fora à mais de cem metros do local inicial.
—Ai, essa doeu –Disse me levantando e olhando para o castelo. Vi um pontinho saltando no céu e logo percebi que se tratava do Alexander segurando a espada do cavaleiro de cristal e voando em minha direção. Aquilo me fez lembrar de Luz Escarlate saltando em minha direção quando me atacou na minha casa, naquele dia pensei ter sido o momento mais assustador da minha vida, de certo modo até foi, pois agora mesmo correndo um risco mortal, eu não seria só um saco de pancadas, eu lutaria até o fim –Droga, não tenho escolha.
Puxei meu pingente que se transformou na minha adaga, a sacudi expandindo-a na espada de cristal. Alexander caiu sobre mim e as duas espadas se choraram.
—Você não é tão especial quanto imagina, Dylan! –Ele me atacava ferozmente, com dificuldade bloqueei seus golpes, nossos olhos faiscavam procurando brechas para uma investida –Você não passa de um bebê enquanto eu sou um ser de milênios de experiência!
Levei um chute na lateral esquerda e fui arremessado pro lado, atravessei um enorme cristal de ametista, por dentro era um prédio antigo, me choquei contra moveis de escritório e paredes e quando saí pelo outro lado Alexander já me esperava com a espada erguida. Pensei que seria partido ao meio, quando num milésimo de segundo tive uma ideia e me dividi em dois. Meu inimigo ficou surpreso ao golpear o ar e me ver em ambos seus lados. Minha dupla o chutou nas costas, ele caiu no chão abrindo uma enorme cratera. Me uni voltando a ser um só.
—Você se acha mais forte por ser mais antigo? Você só transou com pessoas por alguns anos e os milênios de que se gaba passou trancafiado. Enquanto você absorveu a energia sexual de simples humanos, eu experimentei o de vários tipos de pessoas e seres!
Meu corpo brilhou envolto de uma aura azul intensa, disparei como um raio em sua direção, ele se levantou rapidamente, mas golpeei seu tórax abrindo uma fenda em sua armadura, vi a fúria em seus olhos e continuei atacando e falando.
—Eu transei com ciclopes, dragões, bruxas, anjos, demônios, deuses! Eu sou o verdadeiro Stark! Eu sou melhor que você!
Houve uma explosão de poder, cristais de ametista e escombros voando para todo lado e uma nuvem de poeira nos ocultando.
—Melhor do que eu? Esse sim é o verdadeiro Dylan, egoísta, soberbo, cheio de si. Você não merece ser um deus! Você não passa de um adolescente pervertido que só sabe pensar com a cabeça de baixo –O corpo dele brilhava envolto por uma aura violeta.
—E você é diferente? Quem é o nerd pervertido aqui mesmo?
—Nico não existe mais! Alexander é um grande rei! O rei dos reis! Sou eu quem deve se tornar um deus! Mesmo que você tenha transado com seres diferentes, eu transei com milhares a mais que você! –Sua aura brilhava intensamente ficando mais poderosa a cada instante.
—Então essa é uma discursão sobre quantidade e qualidade? –Me esforcei para canalizar ainda mais poder.
A cada instante uma aura brilhava mais que a outra, o dona da menor rugia e se esforçava para ficar maior que o outro, parecíamos dois pré-adolescentes competindo pra ver quem tinha o pau maior.
Ainda assim, no meio disso tudo consegui usar a onipresença para saber o que estava acontecendo no castelo de ametista.
—Não posso acreditar que o Nico é o Alexander Stark! –Exclamava Bruno chocado –Nós três éramos melhores amigos e agora os dois estão lutando para se tornar deuses, enquanto eu...
—Vai parando por aí mesmo! –Repreendeu-o Alexis –Já temos problemas suficientes com um amigo invejoso ressentido, nem comece a trilhar esse caminho!
—Eu nunca ficaria contra o Dylan!
—Acho bom mesmo. Agora vamos fazer algo de útil! Vamos salvar os outros! –Alexis caminhou rumo a sala dos casulos, mas teve seu caminho bloqueado pelos escravos de Alexander.
—Não deixaremos que façam isso! –Disse David.
—Em nome do mestre Alexander Stark vamos prendê-los em casulos também –Ameaçou Violet.
—Violet, somos nós! Somos o trio das missões secretas, lembra? –Bruno tentou despertá-la, mas sua resposta foi sacar uma chave inglesa.
—Cuidado, Bruno! Eles estão sendo controlados!
Bruno e Alexis recuaram, o lobo Suez rosnou, mas os quatro escravos continuaram avançando.
—Que povo chato –Disse Erzulie indo na direção deles.
—Erzulie, eles foram capazes de vencer os outros deuses! –Avisou Alexis.
—Acredito que Luz Escarlate preferiu ser derrotado do que machucar o David e que Afrodite não quis machucar as irmãs do Dylan, eu por outro lado... –Fios dançaram no ar agarrando os quatro escravos e os jogando com violência contra as paredes de ametista –Não tenho problema nenhum em lhes dar uma boa surra! Vão, eu cuido deles.
Bruno e Alexis montaram em Suez e correram para sala dos casulos. Violet se soltou dos fios e correu atrás deles, Erzulie fez menção de para-la, mas foi bloqueada pelas gêmeas.
—Três de quatro é uma boa pontuação, eles que se virem com a inventora zumbi.
O castelo inteiro tremeu, na verdade a cidade toda, isso deveu-se ao impacto da batalha dos Starks. Nossas espadas se chocavam em altos estrondos, nos movíamos como raios, nossos corpos se digladiavam e nossas línguas ferinas também.
—Traidor!
—Narcisista!
Parei para respirar, parecia que meu coração ia explodir, apertei o cabo da espada, minhas mãos tremiam. Parecia que nossa luta estava equilibrada, mas meu corpo estava exausto, enquanto o Alexander parecia incansável. Eu tinha que acabar logo com isso, se não seria vencido pelo cansaço.
—Acho que você começou a sentir a diferença entre nosso poder –Alexander sorriu percebendo minha exaustão –De fato você consegue lutar de igual para igual comigo, mas por quanto tempo?
O encarei em silêncio, de repente percebi aquela estranha calmaria no ar, Alexander também notou e olhou em nossa volta. Todo barulho parecia ter cessado, até mesmo o vento parou. O que estava acontecendo? A quietude foi quebrada por uma explosão embaixo de nossos pés, saltamos nos protegendo e então vimos a origem daquele fenômeno.
—Isso é... –Diante de nós uma taça de ouro brilhava como um pequeno sol, era um cálice divino –A luz divina! –Aquilo era a divindade!

O cálice pousou sobre a carcaça de um carro como se fosse um altar. Sua presença era majestosa, era ambrosia, uma hóstia, um fruto proibido. Só de olhar eu sabia que quem o bebesse se tornaria um deus.
Eu e Alexander nos olhamos e então corremos em direção ao cálice, a luz divina tinha despertado, um de nós se tornaria o deus da Terra 69. Depois de cinco testes a decisão seria uma corrida?
Por favor pernas, não me traiam agora! Corri como se meus músculos fossem se rasgar. “Este mundo segue sem um deus...”, a Terra 69 seguia sem rumo, foi dominada pelo Conde Olaf, foi repreendida pelo moralismo que recriminava a liberdade, o povo precisa de amor, de luz, de libertação! “...as duas partes do ciclo se chocarão, um é o início do outro...”, eu e o Nico somos amigos de infância, ele roubou meu poder e meu sobrenome, graças à mim ele se tornou Alexander Stark e graças à ele minha linhagem teve início. “...mas no final apenas um terá o poder de guiar a Terra 69 para liberdade ou destruição”. Apenas um de nós será deus!
Eu estava mais perto! Meus dedos se fecharam em volta do cálice.
—Dessa vez não! –Tudo aconteceu muito rápido, ouvi o barulho da lâmina cortando o ar e depois de algo atingindo meu peito –Dessa vez não, Dylan! Essa é a minha vez de brilhar.
Engasguei, senti o gosto de sangue subindo por minha garganta e escorrer pelos meus lábios, olhei para meu peito, a espada do cavaleiro de cristal me transpassava! Estávamos sobre a carcaça de um carro, um altar mau feito, eu de joelhos segurando o cálice e Alexander segurando a espada atravessando meu corpo. Com a outra mão ele tomou o cálice de mim, apoiou a perna no meu peito e me empurrou puxando a espada, caí no chão e uma poça de sangue se formava ao meu redor.
Olhei para cima, o corpo de Alexander tapava o sol, ele levou o cálice à boca e bebeu seu líquido até a última gota, quando terminou a taça se desintegrou e o corpo dele brilhou, ouvi seus gritos, sua armadura se desmanchou o deixando pelado, suas veias brilharam douradas, seu sangue estava se tornando licor de ouro. Diante de mim estava o primeiro e único deus da Terra 69 e seu nome era Alexander Stark.
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