As Desventuras Dos Cavaleiros Do Zodíaco
2 Conto II - Confusão no Santuário
Notas iniciais
Dohko de Libra, em um de seus treinos matinais com o Grande Mestre, acabou tendo um de seus escudos danificado e Shion, vendo o problema, aconselhou o amigo que pedisse a Mu de Áries para consertá-lo.
— E por que você não o conserta? — o Mestre dos Cinco Picos Antigos de Rozan fez uma pergunta bastante pertinente. — Foi você quem o fissurou.
— Essa é simples, meu caro Dohko: Por que eu não quero — falou Shion com a cara mais deslavada do mundo, retornando a passos largos para o Salão do Grande Mestre sob o olhar torto do amigo. Ele estava irritado com o cavaleiro de Libra, por isso mesmo havia feito questão de danificar o escudo. Não, não podia consertar o que fizera sem os instrumentos celestes que estavam com Mu, mas Dohko não precisava saber disso. Conseguira espezinhá-lo com aquele comentário. Mas isso é outra história...
Não achando uma forma melhor de resolver aquele problema, o libriano aceitou o conselho e foi até a Casa de Áries.
De fato, Mu estava por lá, absorto na leitura do manual educativo “Como os pais devem educar seus filhos”, quando Dohko chegou e lhe mostrou o estado em que ficara seu escudo, e Mu, sorrindo, lhe assegurou:
— Não se preocupe, não é um defeito grave. Só precisarei de alguns minutos. Deixe-me pegar meus instrumentos celestes...
Pouco instantes depois de dizer isso, percebeu que as ferramentas das quais dependia para consertar as armaduras haviam sumido, juntamente com o elmo de sua armadura de ouro. Mu, de faces calmas, estava extremamente confuso quando viu algo que não deveria estar entre seus pertences, porém que fazia ficar evidente quem fora o responsável pelo desaparecimento de seus pertences.
Kiki, o pupilo do cavaleiro de Áries, estava na base da escadaria que precede às Doze Casas do Santuário, resmungando alguma coisa quando Mu chegou, dando-lhe um baita de um susto.
— Caraminholas na cabeça, Kiki? — perguntou o ariano, parando diante do pupilo.
— Ah! Mestre Mu, por favor, não me assuste desse jeito — pediu Kiki, exagerado. — Quase tive um enfarte! — E após uma extensa pausa para respirar, prosseguiu:
— O que o senhor deseja mesmo?
— Bem, é que meus instrumentos celestes sumiram e eu gostaria de saber quem os pegou — disse Mu como quem não quer nada, perguntando desconfiado em seguida:
— Por acaso foi você, Kiki?
— Mas é claro que não, mestre Mu! Por que eu pegaria seus instrumentos celestes? — respondeu Kiki de olhos esbugalhados. — O senhor acredita em mim, não é?
— Não há nenhuma razão para que eu duvide de suas palavras — alegou o guardião da primeira Casa e voltou a alfinetar:
— Ou há?
— Não, senhor — negou Kiki, olhando para o chão.
Lá de cima, no arco da porta da Casa de Áries, Dohko aguardava Mu retornar e, quando este o fez, disse-lhe, arrependido:
— Sinto muito, Mestre Ancião, mas precisarei de sua paciência.
— O que houve, Mu? Por que não o conserta agora? – estranhou Dohko.
— Por quê? Bem, é que estou sem minhas ferramentas — explicou o pupilo de Shion, suspirando, e acrescentou, sorrindo:
— Mas logo as terei de volta. Não se preocupe. Eu tenho fé nas pessoas.
* * *
Dois meses depois, Mu ainda não havia consertado o escudo da armadura de Libra e nem outras armaduras que tinham sido danificadas nesse tempo. Contudo, o pior problema não era esse. Um ladrão inescrupuloso estava à solta no Santuário de Athena. Ninguém escapava de suas garras.
Seiya não sabia do paradeiro de seu violão, Shun tivera suas correntes levadas, Milo perdera as botas da armadura de Escorpião, a flecha de Aiolos desaparecera, o colar musical do Mestre Shion fora roubado, e nem mesmo Athena escapara: seu báculo havia sido furtado; entre outras coisas de outras pessoas. Ninguém fazia ideia de quem estava causando todo aquele estrago, e a única pista que encontravam nas cenas dos crimes eram alguns traços de purpurina multicolor.
Após decretar pena de morte para o ladrão, o Grande Mestre formou uma assembleia com todos que tiveram seus pertences levados. Haviam se reunido para conversar sobre aquelas pistas deixadas pelo criminoso. Aquela purpurina... Depois de muito confabular, Athena acabou se lembrando que no Natal dera um presente que continha tal material. Um álbum de figurinhas. E sabia a quem o dera.
— Tem certeza, Athena? — perguntou Shion. — E para quem foi que a senhora deu esse álbum?
— Ao Kiki — respondeu a deusa convicta.
Tomados por uma sede de justiça, todos se dirigiram para o quarto do pupilo de Mu. Este estava na porta com uma cara esquisita, e ao vê-los tentou correr, mas Shaka o impediu, pois até ele tivera um pertence malocado: uma caixa de barras de chocolate da Cacau Show, dada por Ikki.
Quando entraram no quarto, tiveram uma visão incrível. Todas as coisas roubadas, jogadas pelo chão, em pedaços. Depois daquilo, não houve saída. Kiki foi arrastado até o Salão do Mestre para ser julgado e logo após, executado. Em meio ao desespero, o pequeno implorava:
— Por favor, eu não roubei nada disso, eu juro. Eu não quero MORRER!!!
Mas suas súplicas foram ignoradas.
— Ponham-no na guilhotina – ordenou Shion impassível, e soldados rasos do Santuário pegaram Kiki pelos braços e o colocaram onde o Mestre mandara: com a cabeça presa à barra da base do executório. Seu tempo de vida chegara ao fim.
Sem mais delongas, a corda que detinha a lâmina no alto foi solta por Máscara da Morte e desceu sibilando, voraz. Quando deceparia a cabeça do aprendiz de cavaleiro, Mu, que não comparecera a assembleia nem ajudara na captura do réu, a deteve com seu Muro de Cristal, pedindo:
— Por favor, esperem. Preciso falar com ele antes — e se aproximou, agachando-se para ficar frente a frente com o pequeno condenado, e perguntou severamente:
— Kiki, onde estão meus instrumentos celestes? — quis saber dos objetos que por sinal ainda seguiam sumidos, ordenando calmamente depois algo que deveria ser pronunciado em tom de ameaça:
— Responda.
— Eu não... — choramingou Kiki, sem olhar o mestre nos olhos.
— Vou soltá-la — ameaçou Mu sorrindo mordaz, olhando para a lâmina.
Se Kiki o desobedecesse, lhe custaria à vida.
— ESPERE! Está bem, fui eu quem os pegou! — revelou a verdade o menino exaltado.
— E o meu elmo... — Mu não sorria mais e seu semblante se tornara sombrio. — Onde está?
— Tanto os instrumentos quanto o elmo estão embaixo de minha cama. É que eu estava brincando com o seu elmo e acabei dando de cara com o senhor Shion, que estava no meio de um acesso de fúria e o quebrou por pouco não me quebrando junto! — Todos os presentes, com exceção de Mu, fuzilaram o Grande Mestre e este deu um sorriso nervoso. Lembrava-se de ter quebrado algumas coisas pouco antes de ir treinar com Dohko... — Então, peguei suas ferramentas para consertá-lo e não consegui. — Kiki tentou evitar o olhar de censura profunda de seu mestre, desviando os olhos para o chão, tentando se explicar para ele, quem sabe, salvar-lhe o pescoço. — Fiquei com medo de devolvê-los depois que o senhor deu falta... Perdão!
E essa foi a confissão de Kiki.
Mu se levantou, ainda segurando a lâmina, e declarou:
— Soltem-no, por favor. Ele é inocente.
— O que?! — O pânico foi geral.
— Vou consertar tudo. É que eu queria que ele aprendesse que mais vale uma triste verdade do que uma doce mentira.
— Então, o responsável... — gaguejou Shion, perplexo, recebendo um olhar cético de alguns dos presentes.
— Sim, meu mestre, fui eu — afirmou Mu, semicerrando os olhos e sorrindo, tornou os pensamentos de alguns em palavras. Palavras bem suaves. — E pensar que tudo isso começou por causa de meu elmo quebrado...
Engolindo em seco, Shion disse:
— Declaro o réu inocente de todas as acusações. Afinal, isso não passou de um simples mal entendido!
Como ele é compreensivo, pensou Dohko, revirando os olhos.
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