Notas iniciais
Enfim...
Isso é pra ser uma one shot de no máximo três capítulos, com mais ou menos esse tamanho. Ainda não terminei o resto da fanfic, mas resolvi postar essa parte só pra saber se devo continuar com ela.
Desnecessário acrescentar que reviews são bem-vindas :)
Ninguém teve a sensibilidade de te dizer que cursar Arquitetura pode ser algo bem caro. Principalmente quando se está no programa de Columbia, longe da renda de seus pais, morando numa cidade que não perdoa nem estudante e sem conseguir um trabalho estável.
O material necessário para criar as plantas não é exatamente dispendioso, já que boa parte desse processo é feito em computador, juntamente com algumas maquetes em 3D. Mas nem todos os projetos podem ser apresentados em slides ou em programas em 3D (que também requerem uma licença paga), e é assim que boa parte de seu dinheiro é gasto.
Ah, e eu nem mencionei os livros da faculdade.
Quando você foi aceita no programa de Columbia, logo após uma grande luta pela vaga e uma certa expectativa negativa, grandes planos e elaborações sobre a sua permanência na cidade não foram feitos. Foi basicamente recebendo a carta de aceitação, juntando algumas roupas e livros e deixando praticamente tudo pra trás sem nem pensar duas vezes. Inclusive o pobre Geraldo, seu Hamster Chinês que não suportou os apertos de sua irmã mais nova, Frannie, e acabou falecendo de forma trágica.
Por vezes você ainda consegue escutar em sua cabeça as engrenagens daquela maldita roda que ele ficava girando o dia inteiro.
Mas voltando ao assunto central: sua irresponsabilidade e a dos seus pais por não terem feito planos a longo prazo e simplesmente terem comemorado sua aceitação.
Malditos pais modernos e irresponsáveis.
É claro que você ainda pode pedir a ajuda de seus genitores, mas os empréstimos para pagar a faculdade são tão exorbitantes que eles tiveram que hipotecar a casa. E você simplesmente não consegue mais ligar pra Russell e pedir para ele te ajudar a pagar por uma maquete, que eventualmente será jogada no lixo.
Para os desavisados e sonhadores, aí vai um dica de ouro que todos deveriam saber: morar em Nova Iorque não é nem um pouco barato. As coisas maravilhosas que você vê em séries de TV com flats e apartamentos acessíveis, colegas de quarto super supimpas e que pagam o aluguel em dia? História tão furada quanto a ‘’acidental’’ postagem de vídeos pornôs de celebridades.
E é por isso que você foi obrigada a aceitar o emprego de recepcionista em um estúdio meia boca, recebendo um pouco mais do que um salário mínimo e tendo que se virar para comprar seus materiais e poder manter suas notas.
Trabalhar no estúdio tem lá suas vantagens, você não tem nada absurdamente complexo para fazer, é só saber tratar os aspirantes a artistas metidos a merda, que já se acham o Rei ou a Rainha da Música Moderna. Apesar de ‘’meia boca’’, o local recebe uma gama de artistinhas hipsters da noite Nova Iorquina, por isso tem certa movimentação. O que mais te irrita é quando a agenda de ensaios está lotada e sempre rola alguém querendo prioridade por se achar mais ‘’importante’’.
Apesar desses eventuais ‘’frequentadores’’ desagradáveis, ainda há os estudantes de música com seus projetos e ensaios. E verdade seja dita, esses são os seus preferidos. Alguns deles não se importam de esperar por uma vaga e por vezes são educados o suficiente para ceder seu espaço para outra pessoa – isso quando não se trata de algo para a faculdade. O estúdio está geograficamente localizado perto de Julliard, por isso a grande quantidade de estudantes e alguns merdinhas.
Outra vantagem interessante de trabalhar no estabelecimento é a quantidade de entradas de graça que você recebe para shows. Alguns você nem cogita ir, por já conhecer o som da banda e saber exatamente o que esperar. Outros você não quer ir por esse mesmo motivo, mas os integrantes são tão legais que você releva completamente e acaba indo. E outros (os mais difíceis de acontecer) são de bandas que você realmente gosta e clama por uma entrada grátis.
E foi num desses shows (desses que a banda é terrível, mas os integrantes são legais) que você conhecera ela.
A conquista mais falha e mais sofrida de toda a sua vida.
Falha, pois você tentara puxar papo justamente com o infeliz comentário: ‘’Nossa, se eu não tivesse ganhado esse ingresso como presente já teria arrancado meus próprios dedos com a boca para cola-los permanentemente em meus ouvidos. ’’
E a moça simplesmente olhara de forma perplexa para você e rudemente te respondera que era a banda de seus melhores amigos, antes de te xingar e sair andando.
E sua única resposta foi um ‘’oh merda... ’’ bem sutil acompanhado de uma expressão facial de pura dor e vergonha.
E o sofrida? Ainda estamos no começo dessa história, mais a frente entenderá.
Não que a banda fosse tão ruim assim... Ela era basicamente uma boa merda. Tudo bem que Dani — a guitarrista e o membro mais legal da banda — era um pitelzinho, assim como a baixista, Santana, mas a voz do vocalista principal era praticamente uma tortura aos ouvidos alheios. Sem contar que as letras eram pouco originais e só falavam da mesma coisa: ‘’somos jovens/estamos chapados/vão se fuder/Kurt Cobain não morreu’’. E a quantidade de gritos que o vocalista dava entre os refrãos era extremamente desconcertante.
Quero dizer, até mesmo os melhores amigos devem reconhecer quando seus companheiros são uma merda!
Não preciso comentar que você nem se deu ao trabalho de continuar no show, esperando a oportunidade para cumprimentar os membros e ‘’clientes’’ do estúdio. Com a ‘’vergonha na cara’’ já há muito esquecida, a dignidade beirando a inexistência, você simplesmente voltara para casa torcendo para que a morena não comentasse nada com seus amigos. Afinal, os integrantes, ou melhor, Dani e Santana, estão enquadradas na lista de clientes Super Supimpas.
E para sua sorte, a moça não comentara nada. Ou assim você raciocinou, pois ‘’Dylan and the Crazy Beaches’’ continuava a ensaiar normalmente no estúdio. Sem comentários sobre o nome da banda e o trocadilho fonético intencional.
Por mais breve e doloroso que tenha sido o seu primeiro contato com a morena, a sua figura adorável não conseguia ser apagada de sua memória. Principalmente pelo fato da moça ter se destacado no ambiente de uma forma um tanto estranha. Sem julgamentos em relação à aparência das pessoas, mas não é comum encontrar alguém vestindo um suéter de bichinhos, uma saia de colegial e meias três por quatro em um show de uma banda pseudo-grunge. A probabilidade de uma figura como essa estar presente em um evento desse tipo é praticamente nula.
Você também não consegue tirar o olhar assustado e ao mesmo tempo fascinado que ela direcionava as pessoas ao seu redor.
E foi exatamente isso que te moveu até ela, na esperança de que seu comentário fosse respondido com um olhar de: ‘’Oh! Minha salvadora nesse ambiente lotado de crianças que nunca foram abraçadas pelos pais e agora externam sua raiva em tatuagens e piercings em lugares inapropriados. ’’
Sua vergonha e desapontamento nunca atingiram leveis tão alarmantes.
Por dias a fio a única coisa presente em seus pensamentos era a morena adorável, o fora que ela te dera e os refrãos terríveis das músicas.
Seu trabalho de edificações recebera um B de tão desviado que seu foco estava.
E foi graças a uma mão amigável do destino - e uma briga digna de UFC entre os membros da banda, mais precisamente entre o membro Dylan e o membro Santana, quando ele tentara dar um beijo no membro Dani e, eventualmente, mostrar seu membro a ela –, que você tivera a oportunidade de reencontrar a adorável moça.
E também é desnecessário comentar que ela não pareceu nem um pouco feliz em te reencontrar.
Ao que te pareceu, a banda tinha sido rebatizada para ‘’Puck and The Crazy Beaches’’ e o novo membro e vocalista sabia exatamente que ele não podia mexer com as namoradas alheias. Além do mais, ele cantava consideravelmente melhor.
A Moça Do Fora Exorbitante parecia ser só o ‘’suporte moral’’ da banda, mas quando ela teve que ser adicionada para o backing vocal em uma das novas músicas, você simplesmente perdeu todas as noções de certo e errado da sua vida. Pois escutar ela cantando aquelas letras tão profanas com aquela face tão angelical foi algo que mudou sua perspectiva.
Ao final do ensaio, você tinha sua mais nova banda preferida e já estava salvando os áudios do ensaio para colocar no iPod.
Quando você fora cumprimentar os integrantes, todos foram amigáveis como sempre, a exceção da Moça Do Fora, é claro. Que mais a frente na conversa você descobrira se chamar Rachel.
Ela não conseguia nem te olhar direito e só respondeu seu envergonhado ‘’Oi’’ para não levantar questionamentos desnecessários.
Você elogiara a banda – dessa vez com toda a sinceridade possível – e comentara quase que imperceptivelmente que a saída do antigo vocalista tinha sido um grande progresso. E até conseguira um ‘’convite de boca’’ para o próximo show que a banda iria fazer para apresentar o mais novo membro.
Quando você respondera que mal podia esperar pelo evento, Rachel soltou um leve risinho desdenhoso e te olhou com desprezo.
(Observe a parte do Sofrida se desenrolar.)
E sim, você realmente quase morreu de ansiedade pelo convite oficial para o show, que aconteceu algumas semanas depois em um dos ensaios, sem a presença de Rachel. E no interim entre o convite oficial e o show de verdade, você quase sofre de uma severa desidratação ocasionada pela ansiedade da espera. Seus níveis de sudorese nas palmas das mãos aumentaram de forma considerável, chegando a – PASMEM – te atrapalhar no desempenho de uma prova importante que acontecera um dia antes do show.
Mas você simplesmente não podia ligar menos para a nota e o seu desempenho, pois no outro dia estaria novamente na presença de Rachel (as merdas que fazemos quando estamos sexualmente interessados em alguém).
Conselho de desconhecido: sua educação é mais importante que as partes íntimas alheias. Jamais falhe na sua vida acadêmica pela possibilidade de haver coito no futuro. Mas caso isso aconteça, tenha certeza que o outro participante do coito valha muito a pena. Dessa forma você ainda pode pensar: ‘’Perdi toda a minha perspectiva de um futuro brilhante, mas ainda tenho na memória as imagens daqueles gloriosos peitos.’’
E é isso que te move e te faz superar o eventual C que você recebe em mais uma prova de Edificações.
Mas voltando ao show...
‘’Puck and The Crazy Beaches’’ foi mais bem recebida do que ‘’Dylan and The Crazy Beaches’’ e você até viu quando Rachel conseguira vender dois CDS da banda. Se bem que os compradores pareciam mais interessados na morena do que nas mercadorias. Isso te deixou bem incomodada.
- Sinto cheiro de sucesso... – você soltara mais uma de suas pérolas maravilhosas ao se aproximar da morena.
- Estou impressionada em ainda observar que seus dedos permanecem colados as suas mãos e não aos seus ouvidos. – ela respondera asperamente.
Você sorri amarelo e tenta concertar sua grande cagada anterior.
- Eu realmente me arrependo de ter tido aquilo, mas convenhamos que Dylan era o pior vocalista que já existiu, e ele praticamente não conseguia perceber a sua enorme falta de talento como compositor. ‘’My Headband’’ foi a letra de rock mais absurda que já escutei, e olhe que eu nem estou considerando algumas do Nirvana, como Rape Me.
Você realmente disse isso tudo numa tentativa de amenizar a situação e fazer a morena sorrir, mas tudo que recebera – mais uma vez – foi um olhar ultrajado e uma resposta indignada.
- Eu compus essa música!
E foi só nesse momento que você se deu conta que é uma daquelas pessoas que deve se manter perpetuamente caladas. Sua incapacidade de pensar em algo bom o suficiente para dar em resposta a morena só te faz piorar a situação e você acaba soltando um: ‘’spodjaspodkasd’’ e uma tossida falsa e desconfortável. Tudo isso antes de se virar e sair andando sem nem pensar duas vezes.
A tradução de spodjaspodkasd na língua das pessoas imbecis também pode significar: me mate agora.
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