A porta pesada não se movia, não importa o quanto de força ela fazia a porta simplesmente não se mexia.
Ela deu a volta, vendo as ruinas se erguendo imponentemente em meio a floresta, estava procurando por um buraco, uma fresta, algo para conseguir entrar.
Lendas diziam que havia um arquivo, com todas as historias já ditas e que já haviam acontecido, mas ela não acreditava, ela precisava ver para realmente acreditar.
Voltou-se para a porta e empurrou novamente, a porta finalmente começou a se mexer, mas ainda esta muito devagar, seu tempo era curto e a noite já iria chegar.
— Essa porta é de puxar, não de empurrar. – Uma voz sombria murmurou vinda das ruinas.
“Corra!” ela pensou, mas sua curiosidade de arqueóloga era maior, ela precisava ver o que havia lá dentro, e de quem era a voz.
Puxou a porta, obedecendo à voz que vinha das ruinas, a porta se abriu sem esforço.
“Ótimo, 10 anos de academia sobre como entrar em ruinas para apenas puxar uma porta” ela pensou, se martirizando novamente.
A luz penetrou calmamente, enchendo o ambiente que parecia sair de uma historia, uma biblioteca monumental cercava cada centímetro das ruinas, livros, pergaminhos, e mapas espalhados por cada canto.
— Meu criador! – Ela quase berrou, derrubando os óculos. – Esses pergaminhos devem ter mais de...
— Incontáveis eras. – A voz ressoou do fundo da sala, uma senhora permanecia ali, trajada como os antigos.
— Esses são mapas de Vineria? Um conto Adbaciano? E... – Ela balbuciava até perceber a senhora no canto. – Mil perdões eu, erm, nome é Giovanna Ravines e a senhora?
— Gladio. – A senhora falou subitamente, sem nenhuma alteração de voz.
— A senhora cuida desses arquivos?
— Sim – Ela assentiu, ainda sem nenhuma alteração de voz.
— Como... O Que... É tudo isso? – Giovanna balbuciou.
— Os Arquivos Lerinianos, tudo sobre o Mundus esta escrito nesses livros.
— Todas as lendas?
— Todas as verdades... – Gladio falou, alcançando um livro – Já ouviu falar na lenda de Semipléia?
Giovanna assentiu, já havia cansado de ouvir da lenda da matadora de maridos, mas como ela tinha certeza, era apenas uma lenda.
— Semipléia, ou como era conhecida, a Viúva-Laranja, era uma assassina de homens, em busca de riquezas. – Giovanna resumiu a historia, apenas para ouvir um suspiro de desgosto de Gladio.
— Semipléia era sim uma assassina, mas as razões são outras, já ouviu falar do pacto de Sangria?
— Demônios, e morte? – Giovanna riu, cética das lendas sobre magia.
Gladio apenas observou, jogou o livro para o alto e como um filme projetado, a historia de Semipléia tocava, apenas para o pavor de Giovanna, a historia da jovem de vestido laranja, possuída pelo demônio rodava em sua mente.
A historia havia chegado ao fim, mas Giovanna ainda estava perplexa, Gladio apenas esboçou um pigarro.
— Não acredite apenas em livros, o mundo é extremamente magico, estórias sussurradas e ferramentas em seus bolsos não iram contar a verdade. – Gladio sussurrou enquanto pegava mais um livro. – Não tenho visitantes, mas se você procura pro qualquer verdade, eu posso lhe mostrar.
Giovanna ainda estava pálida, tudo que havia acreditado, tudo que ela queria, havia se tornado algo tão banal ali, ela não tinha palavras para descrever, apenas uma palavra ressoou em sua mente.
— Fúrias – Ela disse sem pestanejar. – Me conte sobre as Fúrias.
— Qual delas? – Gladio esboçou um sorriso.
— Todas.
Gladio pegou um pergaminho vermelho, que brilhava como sangue fresco, ela soltou um sorriso enquanto acariciava o pergaminho, ao chegar exatamente ao meio da sala ela falou somente uma palavra.
“Vessiry”
O mundo inteiro sumiu, e Giovanna não estava mais ali, ela olhou com outros olhos, sem poder se controlar, apenas observar.
“Eu sou a vingança” uma voz sussurrou.
“Eu sou uma Fúria”.
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