As Crônicas dos Semideuses: The Lost Mermaid
16 Capítulo 21
Notas iniciais
Las Vegas a noite era uma confusão. Pessoas andando de um lugar pro outro a todo momento, os cassinos tinham um cheiro forte de bebidas, cigarros e dinheiro. Do lado de fora, porém, era pior; as luzes vindo de todo lugar a todo momento, o barulho das pessoas que falavam sobre qualquer coisa muito alto, reclamando dos jogos de azar, planejando casamentos, comemorando alguma coisa. Ninguém percebeu, nem por um instante, três homens surgindo de repente, na surdina, de um becos. Ninguém viu o homem de cabelos grandes arrumar um facão na cintura, nem notou o sangue seco nos sapatos de grife do mais baixo, muito menos se ligaram no olhar de ódio do loiro. Las Vegas era uma confusão, e era a perfeita camuflagem para eles.
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As correntes apertavam seus pulsos ao ponto de machucarem, ele sabia que se continuasse a puxar elas logo formariam cortes. E com a sua graça voltando eles logo se curariam, isso, porém, nada de bom traria. Gabriel estava no canto de uma sala escura, sem janelas, iluminada porcamente por uma lâmpada pequena no meio da sala. Seus olhos pesavam de cansaço devido a droga que injetaram nele, a cabeça cambaleava de um lado pro outro e ele estava esgotado de forças, mas ele lutava para se manter acordado. Ele NÃO podia dormir, ou logo mais ele não precisaria dormir mais. Há quanto tempo estava ali? Duas horas, ou três? Ou será que não haviam se passado nem meia-hora? Um barulho de chaves foi ouvido e a porta da cela se destrancou e ele se esforçou para levantar a cabeça para observar quem entrava.
— Você – o desprezo podia ser sentido nas palavras.
A garota vestia as roupas pretas como de costume, o cabelo amarrado para trás num rabo de cavalo, ela estava limpa, bem-arrumada, o que contrastava com a visão que tinha a sua frente de um Gabriel fraco e machucado.
— Olá… – ela disse, hesitantemente, como se tivesse ensaiado aquele discurso mais de 10 vezes e, na hora principal, houvesse esquecido as falas. – Eu vim… – ia perdendo a coragem conforme olhava nos olhos cheios de raiva do loiro – Eu vim me desculpar. Não por ter entregado vocês, ou por ter me aliado à Zadimus, eu tenho meus motivos, e vocês não tem nada haver com eles. E-Eu só… – ela respirou fundo, sua voz saia num fio – Eu só queria tirar isso dos meus ombros.
Gabriel sorriu desacreditado, aquela garota já estava o irritando desde que a vira no Bunker, quem porras ela achava que era?
— Você acha que pedir desculpas pra mim vai fazer isso diminuir? Essa sensação de peso? Ah, não querida, não vai, ela vai piorar até que você não tenha para onde correr, vai te sufocar até não ter como respirar. Eu não te perdoo, sabe porque? Porque você é só mais uma humana que cedeu aos caprichos terrenos, a um dos pecados mais antigos que existem. Se ao menos o pedido fosse verdadeiro, mas você só quer se sentir bem consigo mesmo, achar que foi perdoada pelas merdas que fez, independentemente de merecer se redimir ou não, e não sou eu que vou te dar essa paz. Por mim, você pode se punir o quanto quiser e isso não vai me fazer sentir pena de você.
A menina se virou de costas, prestes a sair, mas isso não impediu Gabriel de continuar falando. Alguém precisava botar a verdade na mesa, e se coubesse a ele esse papel, assim ele o faria. Passou a vida inteira que teve na terra fugindo e se escondendo da realidade, muitos dos seus irmãos morreram por isso, por sua negligência, e ele nunca se perdoaria por isso, merecendo ou não o perdão divino. Agora ele via seus erros com clareza, e não voltaria a repeti-los.
— Eu não sou o Castiel, Katherine. Meus olhos não estão cheios de fascinação com a humanidade, eu já provei de tudo que vocês tem a oferecer, eu conheço cada sensação que passa pela sua pele. Eu carrego meu próprio fardo, e, eu posso dizer por experiência própria, o seu vai te acompanhar até o dia em que você morrer. – ele parou ao ver as lágrimas caírem dos olhos da menina – Guarde suas lágrimas para alguém que se importe, porque, entre eu e você, quem está acorrentado e quem o pôs nessa situação? – um soluço escapou pelos lábios finos da garota – Eu sei porque você está fazendo isso, ou, pelo menos, imagino. Ele te prometeu seus pais não é? Imaginei, uma vez que ele quer minha graça pra tomar os céus, com o que ele poderia te convencer. – jogou a cabeça para o lado, tirando o cabelo dos olhos – Mas ele está se superestimando. Todos os anjos estão no céu, porque o “papai” voltou pra casa. Estamos mais fortes que nunca e, mesmo que ele tire toda minha força vital, ele não vai passar nem do portão de entrada.
Katherine não aguentava ficar mais um segundo naquela sala. Como ele podia ser tão frio? Como… Saiu do lugar quase que correndo, batendo a porta em seguida, mas não foi longe o suficiente para que não ouvisse:
— Sabe o que é irônico? O seu céu já era planejado para ficar com eles.
Bateu com tudo na parede, segurando a cabeça entre as mãos. O que ela fez, como raios ela se meteu naquela situação?! Ele tinha razão não tinha?
Já Gabriel, ofegante, recostando-se no cimento, fechou os olhos. Ele pensou que, pelo menos, o lugar era limpo. Ele fora duro demais com ela? Balançou a cabeça, proibindo-se de sentir pena. Não, ele fora o suficiente, ela precisava desse choque, da mesma forma que ele mesmo um dia precisou. Ela de certa forma o lembrava dele antes dos irmãos Winchester. Sem pais, sentindo-se sozinho num mundo que não entendia, fazendo só o que queria, quando queria, porque podia. Lembrou-se das palavras que um dia foram ditas para si, e de quem as disse. Será que seu Samsquatch estava bem? Espera, seu? Ah não, não não, ele não podia começar a pensar assim. Mas… Será que ele estaria, nesse momento, procurando um jeito de tirá-lo dali?
Tsc, bobagem, eles provavelmente só estariam vindo por causa de Castiel. E, pensando nisso, se viu desejando que o irmão estivesse bem na outra sala.
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Eles entraram no hotel normalmente, com os ternos de grife e os distintivos falsos, eles sabiam que entrar era a parte fácil. Observando tudo a volta, analivam as possibilidades de quem era vampiro e quem era humano. Seriam todos inimigos ali? Haveriam inocentes? Eles estavam indo direto para uma armadilha, e sabiam disso. Se dirigiram até a recepção, que era comandada por um rapaz loiro bem novo, o que era bem estranho. Ele vestia um terno moderno todo preto, com a camisa social bordada pomposa por baixo, a gravata em um nó impecável e as madeixas perfeitamente arrumadas, como se nunca tivessem visto um dia de cabelo ruim antes.
— Como posso ajudá-los? – a voz adocicada parecia, no entanto, artificial.
— Somos da vigilância sanitária, viemos ver se tudo está nos conformes.
Aquilo pareceu despertar um gatilho no moço.
— Ah, sim claro, o que desejam então?
— Passe livre para todos os andares e quartos disponíveis.
Uma sombra de sorriso passou despercebida pelo rosto do recepcionista, enquanto ele concordava e falava para que o acompanhassem. Manteve-se sério enquanto explicava curiosidades sobre o hotel, em que ano ele fora feito e pelas reformas que havia passado. Entraram no elevador de luxo e Sam notou que não haviam câmeras ali.
— Recentemente, um bem feitor investiu um grande fundo monetário para que ele fosse completamente reformado, mas exigiu que mantivessem o ar levemente vitoriano.
— E as pessoas caem nesse seu papinho? – Dean olhava para o jovem, que estava de costas para eles, com a sobrancelha levantada.
Não conseguiu conter o riso que escapava pelos lábios.
— Geralmente não recebemos ninguém que não queremos aqui, muito menos fazemos tours. Deveriam se sentir honrados, ensaiei esse discurso só para recebê-los.
Era só dessa confirmação que precisavam. Antes que o vampiro pudesse fazer alguma coisa, Sam já havia posto o facão em seu pescoço.
— Ora, vamos, pra que essas formalidades? Tire isso do meu pescoço e vamos conversar.
Mas Sam não iria cair nas pegadinhas.
— É o seguinte, você vai nos levar até o seu líder e então vai nos dizer exatamente onde estão os anjos, capisce?
O loiro abriu um sorriso enorme.
— É claro – e com essas palavras, ele apertou o botão da cobertura.
O caçador manteve o facão firmemente pressionado quando as portas se abriram, revelando o salão gigante.
— Zadimus está em seus aposentos, querem que eu vá chamá-lo? – ele não havia tirado o sorriso nem por um segundo desde que o abrira.
— Engraçadinho, lembre-se de quem está com a corda no pescoço.
Eles entraram devagar, prestando atenção em todas as entradas do lugar.
— Acreditem – ele deu uma cotovelada na costela de Sam, seguido de uma cabeçada, o que fez ficar meio desnorteado e acabar por soltar o mesmo. Antes que o irmão pudesse ajudá-lo, o garoto já havia se posto atrás deste, dando um chute em suas costas para desequilibrá-lo. Num outro instante, já estava de novo no elevador, arrancando a própria gravata –, eu não esqueci por um segundo. Divirtam-se! – e com ele dando um tchauzinho, as portas começaram a se fechar. Ele porém, as parou com um pé. – Ah, quase esqueci. Já que estavam tão eufóricos em me conhecer, realmente deveriam se sentir honrados em saber que eu mesmo fui buscá-los lá em baixo. Eu geralmente não faço isso. – deu uma piscadela e tirou o pé, deixando a porta fechar.
Das duas outras entradas, saíram três vampiros cada. Com o olhar frio como gelo, eles haviam avistado suas presas.
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Diferentemente de Gabriel, Castiel fora acorrentado pelo pescoço no meio da sala. A camisa aberta manchada de sangue exibia o peito no moreno alguns cortes, agora superficiais, que se curavam lentamente. Ele ouviu, á distancia, a porta abrir e fechar, nem se dando ao trabalho de olhar, porém.
Ouviu passos se aproximarem hesitantes, mas se afastarem conforme outros surgiram pelo corredor, a pessoa dentro da sala se encolheu na escuridão enquanto a outra entrava, destrancando o grande portão de ferro.
— Olá Castiel, pronto pra ter uma conversinha?
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— Me diga aonde os anjos estão presos! – Dean gritou em fúria, ele quase não parecia mais ele mesmo – Fala!
O vampiro embaixo de si, não tirava sorriso do rosto.
— Vocês nunca vão chegar a tempo de salvá-los.
— Não foi essa a pergunta que eu fiz – a pressão no pescoço da criatura era tanta que já estava sangrando, mas, mesmo assim, ele se aproximou do rosto do caçador, ignorando o corte que aumentava ou a dor.
— Vida longa a Zadimus. – com essas palavras, puxou a mão do caçador com uma força brutal contra seu pescoço.
A surpresa foi tanta que o caçador ficou sem palavras, só vindo a fazer algum comentário quando encarou a cabeça rolar pelo chão.
— Que porra esse moleque fez com eles? Isso é insano, Sam! Esse acabou de… – eles trocaram olhares, Sam estava surpreso também, mas não era hora daquilo. – Tá, primeiro a gente pega o membro perdido de Rebelde, depois a gente fala sobre isso.
Chamaram o elevador novamente, estavam surpresos por este não ter sido desativado, mas entenderam assim que viram as opções de botões. Todas as 21 delas. E com certeza os anjos estariam em andares diferentes, suspiraram, sabendo que teriam que se separar ali, contando que, em todos os andares, haveriam vampiros salivando pelo seu sangue.
Tirando o térreo e o andar em que estavam, sobravam 19 andares. Sam ficou com os 8 de cima, Dean com os 8 de baixo e, no final, eles se encontrariam no meio. O mais novo desceria cada andar pelas escadas e o mais velho viria subindo pelo elevador. É claro que nada daquilo fora planejado, mas Dean havia ganhado no Jokenpo, então não poderia reclamar.
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Ela havia tido tempo para pensar no que Gabriel a dissera. Ele estava certo, completamente certo. Ela tinha que fazer alguma coisa. Tinha que merecer o perdão, talvez não fosse tarde demais para aquilo?
Observou Zadimus continuar a conversa com Cas. Tinha ido ali com as chaves apara soltá-lo, mas fora interrompida.
— Me diga Castiel, o anjo caído, você mataria para salvar uma vida? Você mataria pra provar que está certo? – ele encarou o outro sorrindo – Que pergunta besta, não é? Afinal, você já fez ambos. – o sorriso se desfez e Zadimus se agachou pra ficar na altura do outro. – O que te faz pensar que é melhor que eu? Que merece salvação? Você não é nada Castiel, nada senão uma piada. Nem anjo, nem humano, você está preso no meio do caminho, sem saber o que decidir. É sempre vocês contra o mundo na sua cabeça, mas quantas vezes os irmãos te deixaram de lado pra salvar um ao outro? Comigo – ele segurou o queixo de Cas para que o olhasse no fundo de seus olhos –, comigo você terá o que quiser. Eu não preciso te matar se você colaborar e simplesmente me entregar a sua Graça. Você não precisará escolher entre mais nada, você será algo diferente, algo a mais! Imagine, com a sua força, onde chegaríamos. Nós podemos conquistar a Terra, e ninguém poderá nos impedir. Seu lugar no trono está a uma palavra de alcançar.
Um momento de silêncio, Cas estava perdido no mundo dentro dos olhos de Zadimus, ele estava vendo o que quer que o vampiro quisesse, e Katherine não poderia deixá-lo assim, ele tinha que lutar, que resistir. Se fosse para fazer alguma coisa boa, que fosse agora. Ele era mais forte que a garota, ele tinha que conseguir. Saiu do seu esconderijo, sabendo que o vampiro nada poderia fazer enquanto mantivesse o contato com o outro. Se agarrando na lembrança de seus pais e do arcanjo, ela criou coragem.
— Não dê ouvidos Castiel, olhe para mim! Castiel! – ela gritou, tentando chegar ao anjo – Castiel! – fechou os olhos gritando a todos os pulmões, com uma força interior que ela não saberia explicar de onde esta saíra, mas ele ainda estava perdido ali. – Lembre-se do Dean, Cas, você o ama, não é? Lembre-se dos momentos, do que é ser humano! – os olhos se encheram de lágrimas, mas isso não a impediu, mesmo sem receber nenhuma reação – Lembre-se do que eu esqueci. Não dê ouvido a ele, pois ele só fala isso pra te enganar! – ela fez um último esforço. – Você foi o cara mais humano que eu já conheci, você tem que sair dessa! Voc- – ela foi impedida de falar por uma dor excruciante.
— Você teria sido uma excelente adição aqui sabia? – girou a faca que havia cravado em seu peito – Pena que escolheu o lado errado. – a dor era enorme e a expressão de Zadimus não demonstrava nenhuma emoção, era uma folha em branco – Agora você sabe o porque não podia ver nada em meus olhos. Eu te usei. – ele chegou perto de seu ouvido para sussurrar – Só que descobriu tarde demais. – mexeu novamente na faca, causando-a mais dor.
— Cas- – um último sussurro seguido por uma série de tosses, se entalando com o próprio sangue, sem forças pra continuar falando, ou para qualquer coisa, na verdade. Sua consciência foi se perdendo e seu corpo caiu no chão com um baque surdo.
O anjo arregalou os olhos, como se finalmente fosse puxado pra realidade.
— O que foi que você fez!
— Me livrei de um peso morto… – rodou os olhos, mexendo no corpo ainda morno da menina com o pé, como se fosse insignificante – Literalmente. – voltou a olhar o moreno – Aonde estávamos?
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Faltavam 2 andares para Sam chegar no meio e ele estava, realmente ofegante, e machucado. Quantas crias esse cara era capaz de fazer. Já havia recebido porrada de tudo quanto era lado e matado uma porrada também, mas eles simplesmente vinham, como se fossem inimigos de jogos, preparando o jogador para o chefão, a cada nível que descia, ficava mais difícil. E então foi como se uma luz se acendesse em sua mente. Talvez fosse essa a intenção, distraí-los por tempo o suficiente para que ele pudesse… Fazer o que fosse. Isso mudava as coisas de figura. O andar em que ele estava já tinha sido limpo. Só sobrava uma sala, mas antes de entrar, mandou uma mensagem pro irmão, para evitar que perdessem tempo. Eles iriam direto para o meio. Mas droga, ele percebeu, ainda faltaria Gabriel… E foi exatamente essa a questão que o outro levantou, dando uma solução logo em seguida. Solução esta que não foi aceita pelo irmão mais novo. Dean queria enfrentar Zadimus sozinho.
“Sem chance”, ele digitou furiosamente, prestando atenção também na porta que sobrara.
“Tarde demais” leu no visor.
Merda Dean! Ele iria terminar esse andar e seguiria o irmão, nem pensar que deixaria o irmão enfrentar aquele monstro sozinho.
Abriu a porta com um chute, preparado pra mais uma leva de vampiros, que não veio.
— Hey Sam. – sorriu o loiro, cansado – A cena de eu, você e algemas que eu tinha mente não era bem essa, sabe?
Suspirou aliviado.
— Gabriel! – correu para perto do outro, levantando seu rosto, checando os machucados – Você parece… bem?
— Só na parte externa. Eles me drogaram. – apoiou a testa no ombro do caçador, que o segurou para que não escorregasse – E nem era o tipo de droga boa.
Ignorou o comentário do mesmo, levantando-se e puxando o loiro junto, mas parou assim que ouviu um gemido de dor do outro. As correntes que prendiam as mãos dele para trás não permitiam que ele se levanta-se.
— Você pegou a chave? – o caçador se bateu mentalmente – Não temos tempo pra você gastar se punindo, ela tá no corredor.
Sam foi e voltou no que pareceu um piscar de olhos para Gabriel. Um piscar bem longo, sentia-se relaxado agora que sabia que o outro estava lá por ele.
— Ei ei ei, não dorme não, você mesmo disse que a gente não tem tempo. Acorda. – ele soltou suas mãos, apoiando-o em seus braços. – Eu vou avisar o Dean que eu te achei e que vou encontrar ele agora, eu realmente espero que aquele teimoso não tenha ido sozinho encontrar Zadimus. -- isso atraiu a atenção do loiro.
— Vocês sabem onde Zadimus está?
— Claro, ele fez essa coisa ridícula parecer um jogo. Sabemos que ele está no meio do prédio – Gabe tentou interrompê-lo, o que falhou miseravelmente – e Dean estava indo pra lá agora. – tentou novamente, mas sua voz foi abafada pela do caçador – E eu tenho certeza que ele não aguenta o cara sozinho.
— Sam, me escuta! Eu to tentando falar que você se enganou. – segurou o rosto do caçador, espremendo as bochechas com uma mão – Só eu entrei no elevador e mudei de lugar! Castiel nunca deixou o andar em que estávamos.
O moreno arregalou os olhos.
— Isso significa que-
— Dean vai ficar bem, vamos até o elevador, você busca ele e eu mostro pra vocês o andar. Mas rápido! – ele tentou tomar a frente sem o apoio do caçador, mas seu corpo não obedeceu – Merda!
— Eu tenho uma ideia melhor. Você fica aqui e eu vou buscar ele. – agora Gabriel se sentia ultrajado.
— Besteira! Me leve até o elevador. Eu não queria ter que usar minha graça se não fosse pra lutar, mas é necessário – ele fez uma careta de dor, enquanto uma aura começava a envolvê-lo.
Sam obedeceu, a contragosto, não poderiam perder tempo discutindo e ele mesmo não gostava da ideia de deixar o arcanjo ali desarmado. Quando chegaram ao elevador, Gabriel ainda parecia sentir dor, mas já se mantinha em pé sozinho.
— Não é tão forte assim – disse enquanto a porta se fechava. Sam o encarou, curioso. – Só dói por causa do feitiço. É literalmente feito para nos impedir de usar a qualquer custo. – respirou longamente, se endireitando – Depois nós vamos pro 18.
— Mas eu já-
— Não, tem alguma porta secreta, eu ouvi eles falando quando acharam que eu estava desacordado.
As portas se abriram e revelaram um Dean nada mais nada menos que puto, com o rosto coberto de sangue, que eles tiveram certeza que não era dele.
— Ele não estava aqui.
Hesitante, Sam puxou o irmão pra dentro do elevador.
— Não… Mas agora sabemos onde ele está…
O caçador mais velho bufou.
— Se ele tiver feito alguma coisa, o que eu fiz com essa prole dele não vai ser nada comparado ao que eu vou fazer com ele.
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— E como você pretende tirar a minha graça? Só anjo é capaz de tal coisa. A não ser que…
— Eu tenha um feitiço. O que é exatamente o caso. – passou a mão pelos cabelos suados de Castiel – Mas isso custaria sua vida. O que seria realmente uma pena, já que você pode se tornar um verdadeiro soldado. Não será que nem esses bonecos de teste substituíveis.
— E Vincent? Ele não era o seu pet preferido? Ou ele é só mais uma marionete?
A mão de Zadimus retesou e Cas pôde, pela primeira vez, ver alguma emoção passar pelo rosto dele.
— Vincent é… Um caso a parte. Não é atoa que eu o mandei pra longe. – a expressão se tornou limpa novamente – Esse não é ponto aqui, é?
— Pra que você quer realmente usar minha graça? O céu é inalcançável pra você agora, e você sabe disso. Então porque?
Um brilho passou pelo olhar do vampiro.
— Nada que te interesse, na verdade.
Castiel o encarou, não sendo mais afetado pelos olhos do loiro.
— Então fique a vontade pra tirá-la sozinho.
Zadimus suspirou.
— Bem, não se pode dizer que eu não tentei.
Com um corte fino e preciso na garganta e algumas palavras recitadas, a Graça começara a sair de seu corpo. Ao mesmo tempo que suas forças, e como doía. Quase num golpe de misericórdia, o vampiro o golpeou no peito. Ele morreria do mesmo jeito, porque não acabar logo com isso? Sacrificara muita coisa só para aquele momento, até mesmo o segundo anjo que capturara. Mas tudo bem, só precisava de um, de qualquer maneira. Não tinha tempo a perder.
A porta foi aberta com um estrondo atrás de si, mas já era tarde demais.
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