As Crônicas do Norte e Sul
2 [NXS] A Execução
Notas iniciais
Uma onda de calor invadiu o corpo de Tristan. Ele sentiu o pânico crescer e dominar seu corpo à medida que sua pele lutava contra as amarras de couro. Sua visão demorou um pouco para entrar em foco, mas quando conseguiu enxergar, ele desejou estar desmaiado novamente. Uma multidão rugia à sua frente, desferindo palavrões e ofensas. Tristan apertara os olhos para a onda de seres humanos que se erguia à sua frente. Ele não entendia o porquê de todos eles estarem o odiando, afinal de contas, ganhara a guerra para eles...
Tristan olhou mais adiante. Mechas do seu cabelo louro despencavam sobre seus olhos, banhadas de sangue. Ele sentiu um gosto metálico à boca e percebeu que não estava no campo de batalha, evidentemente. O Sol que fazia sua jornada incansável, se encontrava no oeste, banhando as pessoas em um tom alaranjado deprimente. Seus olhos rugiam e suas bocas urravam, supostamente pelo sangue de Tristan. Trompetes ressoaram pelo local e o silêncio reinou. O Arcano percebeu que as amarras de couro que feriam sua pele estavam atadas a uma espécie de altar. Seus olhos correram pelas construções e ele percebeu um certo padrão ao redor dele. Então, se deu conta de que estava no coliseu.
Não era algo muito grandioso, mas aquela arena era um tanto egocêntrica. Construída no coração da Capital do País, Aquela espécie de coliseu só fora utilizado para Execuções realmente importantes. Tristan deduziu que tinha grandes problemas. Uma voz soou, do Alto. Seus olhos correram até um trono negro, no ponto mais alto das amuradas do coliseu. Um rapaz com olhos de falcão, feições bravas e sarcásticas, barba suave que se estendia apenas pela linha da sua mandíbula, protuberante e uma cicatriz que atravessava seu rosto, rasgando-o diagonalmente. Seus cabelos cresciam para além de suas orelhas, em tufos oleosos. Sem dúvidas, Tristan sentiu um gosto metálico à boca. Era o Rei do País.
Salazhar Tolkien Silver.
O Rei do continente sorriu longamente, Erguendo sua mão ossuda para acabar com o som dos trompetes. Ele lançou seus olhos tempestuosos para Tristan, que estremeceu. Sua boca se abriu e apenas a risada dele ecoou pelo coliseu.
– Tristan Grace. – Disse o Rei com desdém – Você achou que sairia impune? – Sua voz rasgava o silêncio que a multidão proporcionara. – VOCÊ APRISIONOU CENTENAS DE ALMAS. – Ele gritou, Saboreando as palavras – Minha sentença é óbvia – Ele sorriu suavemente, Se levantando do trono e olhando diretamente para os olhos de Tristan, que tremeu. – Terá sua cabeça arrancada e pendurada neste coliseu.
Tristan ficou paralisado. Ele havia salvado todo um continente, sacrificando uma parcela insignificante dos cidadãos, para uma boa causa. Alegava que os mesmos iriam para o céu, cedendo suas almas à sua lâmina, contudo, não foi o que houve. As almas ficaram aprisionadas em sua espada por todo esse tempo e ainda estão lá, agonizando pelo resto da eternidade. Tristan sabia o que fizera. Ele pareceu aceitar sua morte. Afinal de contas, ele merecia isso. Seus olhos correram pela Multidão, então ele encontrou os olhos Azuis pelos quais ele se apaixonou perdidamente. Sophie, sua esposa, se encontrava entre dois Rapagões. Seus olhos azuis gélidos não estavam chorando e ela não tinha um rosto sofrido, tampouco. Seu rosto estava limpo, gracioso e tão lindo quanto sempre foi. Ela não tinha expressão definida, mas Tristan sofreu. Ele esperava ver pelo menos tristeza em seus olhos. Ódio, arrependimento, o que quer que fosse, mas ela fez muito pior. Continuou ali, Sem parecer triste ou feliz. Apenas esperando a morte do seu marido.
– Como TODOS Sabem – continuou Salazhar – Eu, Rei de Warmouth, Sou a pessoa mais justa do universo. – Salazhar gabou-se com desdém. – E, para saciar o sofrimento das almas em sua lâmina, Será condenando, também, a receber uma flechada por alma aprisionada. – O Soberano saboreou as palavras. Tristan sabia o quanto rude era seu Rei, mas não esperava tanta crueldade.
Um Algoz subiu no “palco”, ficando frente a frente com Tristan, que apertou os dentes. O Algoz, tremendamente musculoso, usando um simples traje de execução, com os braços para fora da camisa negra e um capuz que cobria seu rosto, Tinha a pele cor de chocolate derretido e segurava a besta com ferocidade. Ele levantou a besta com uma flecha totalmente negra engatilhada. Salazhar sorriu e ergueu uma mão. O carrasco mirou no ombro de Tristan e a risada do rei ecoou novamente
– PRIMEIRA ALMA – Ele gritou, Então a flecha negra Assobiou pelo ar e Tristan teve o vislumbre da ponta entrando em seu ombro. Ele sentiu a dor descomunal que causara. Sentira sangue em sua boca e se remexeu, mas as amarras estavam apertadas. Seu grito se extinguiu, dando lugar à soberania de Salazhar – VAMOS ! – disse ele — FALTAM APENAS MAIS NOVESCENTAS ALMAS !
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