As Crônicas do Mundo das Sombras
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Notas iniciais
Raphael Santiago estava sentado no chão empoeirado do Hotel Dumort, as pernas com jeans pretos e velhos esticadas de forma relaxada. Em outro momento ele poderia ouvir conversas sussurradas entre seus vampiros, movimentos, e seria quase impossível ficar sozinho por muito tempo.
Mas ainda era dia. Os vampiros estavam dormindo. Ele deveria estar dormindo. Ao invés disso aproveitara a calmaria antes do pôr do sol para fazer uma ligação importante.
O celular entre seu ombro e seu ouvido, chamando...
Ele já havia começado a achar que não seria atendido quando ouviu a voz.
– Raphael? – indagou Ragnor Fell, parecendo feliz.
– Olá, Ragnor. Achei que não fosse atender.
– Peço desculpas. Esse telefone não funciona muito bem.
– Está em Idris?
– Sim. Mas estava pensando em ir até Londres em alguns dias. Mas então, o que há de bom?
Raphael deu um sorriso maligno, que já assustara até os mais corajosos.
– Você sabia que Magnus está namorando? – perguntou por fim.
– Raphael, não é como se isso fosse uma novidade – murmurou Ragnor, rindo suavemente.
– Ah, mas é uma novidade sim. Acredite. Eu, Elliot e Lily estávamos em um restaurante e então encontramos ele e um rapaz.
– Nós dois sabemos que Magnus é um bissexual bem liberal.
Raphael se ajeitou, escorando as costas em uma parede.
– Liberal ao ponto de namorar um Nephilim?
– O QUÊ?
O vampiro afastou o celular do rosto, fazendo uma careta.
– Devo lhe lembrar que tenho uma audição sensível?
– Desculpe. Mas é que... Eu estou chocado!
– Então somos dois. – Raphael passou a mão por entre seus cachos escuros, deixando-os mais bagunçados. – E eu conheço o Nephilim.
– Quem é? – O vampiro podia ouvir a ansiedade claramente na voz do feiticeiro. E ele não pôde deixar de se divertir com isso, pausando por um tempo e fazendo suspense, até pronunciar o nome:
– Alexander Gideon Lightwood – respondeu, sorrindo.
– UM LIGHTWOOD?
Novamente Raphael afastou o celular. Depois de ter certeza de que sua audição não seria novamente machucada com um dos gritos agudos de Ragnor, ele o aproximou.
– Sim, um Lightwood. Pra ser mais claro: o filho mais velho dos responsáveis pelo Instituto de Nova York.
– Eu estou... Surpreso – disse Ragnor afinal. – Quero dizer, eu sei que Magnus está sempre inovando, mas não achei que ele fosse ultrapassar esse limite. Se bem que não deveria me surpreender, certo? Magnus vive para ultrapassá-los. Mas... Por que você me ligou para falar sobre isso?
Raphael sabia que provavelmente estava sorrindo como um maníaco agora, mas simplesmente não podia evitar.
– Por que eu sei que você vai fazer bom uso dessa informação.
Ele podia ouvir Ragnor rindo.
– Ah, pode apostar que sim!
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