As Crônicas de um Gatinho Medroso
8 VIII. Seria a resposta?
Notas iniciais
— Victor — eu escutava uma voz distorcida soar em meus ouvidos. Eu havia adormecido e nem tinha me dado conta.
Quando minha visão já adquiria nitidez, notei que era meu pai me chamando. Levantei com um pouco de dor de cabeça e cocei os olhos.
— Você esqueceu? Hoje é quinta e você tem trabalho! — o pai anunciou na maior empolgação. Na realidade eu não trabalharia; eu aumentaria minha rinite com um monte de tapetes e cortinas rejeitadas e ficaria de pé atrás de um balcão em uma loja desértica. — O que foi? Aconteceu algo? — sua empolgação foi quebrada ao perceber meu desânimo. Ele conseguia ser bem perspicaz de vez em quando... ou então eu é que sempre fui fácil de ler-se.
— Pai — deixei as palavras saírem de minha boca. — Você escolheria entre sucesso e felicidade?
Ele suspirou. Talvez não estivesse pronto para perguntas idiotas de seu filho.
— Não sei — respondeu, estralando o pescoço com as mãos. — No sucesso eu seria feliz também, mas...
O pai parou e ficou sério. Fazia tempos que eu não tinha o visto daquele jeito.
— Mas...?
— Um dia o sucesso acaba — ele disse, subindo na cama para fechar a janela que se encontrava aberta. — Não precisa trabalhar hoje, Victor. Eu deixo. — sorriu ao descer da cama. — Se esse for seu problema. Pense muito. Seu pai escolheu o sucesso, mas até hoje pensa em voltar atrás.
Mordi meus lábios. Eu sabia que meu pai não havia esquecido o passado.
— É mamãe, não é? — arrisquei-me a tocar no assunto.
— Talvez — pai se silenciou e foi até a porta para sair. Ele a fechou com força, no entanto não fez um barulho tão alto.
Por um momento eu quis entender a história por trás de papai e mamãe. Por que os dois se odiavam tanto?
[...]
Eu observava as gotículas de água descendo lentamente pelo vidro do ônibus. Sentia algo que me deixava inquieto. O ritmo de meus batimentos cardíacos estava em total desordem. Eu ainda tinha o medo de me pronunciar. Talvez o medo da verdade.
Hoje Lindsay, Gabriel e ele viriam depois das aulas até minha casa para fazermos um trabalho de ciências pendente. No ônibus, eu me encontrava ao lado de Lucas, ambos estávamos em um silêncio total. Nós não conversávamos mais como antes desde aquele incidente. Lucas não era o mesmo. Trazia-me desconforto o ver naquele estado.
Pus-me a olhar para seu rosto enquanto ele não percebia. Ele estava sério e sem brilho. Assim que ele se virou novamente, eu fiz o mesmo, bem rápido e tentando disfarçar, sentindo meu rosto queimar em acanhamento.
Um vento gélido provinha da janela semiaberta e batia contra o meu rosto. Fechei-a. Estava um dia nublado; feio. Os céus queriam chorar, mas a agonia deixava-os seco. Era uma garoa fina e sem sentimento algum.
Engraçado. Não me lembro da última vez que chorei.
O ônibus havia parado e descemos. Acompanhei-os até meu apartamento.
Assim que chegamos, pedi-lhes para que colocassem seus pertences no canto da sala. E, então, fomos até o meu “covil”.
— O que vamos fazer primeiro? Quero que termine logo. — o arrogante do Gabriel perguntara. Ele preferia ter feito todo o trabalho sozinho. Lembram-se de que disse que ele aparentava ser alguém fracassado? Exatamente. Ele era um típico CDF filho de diretora, um mimado de primeiro lugar em tudo que se trata de estudos.
— Ei, Victor. O que houve entre você e o Lucas? — indagou Lindsay em um cochicho, ignorando totalmente o CDF idiota. Vi uma veia saltar do rosto de Gabriel. — Eu realmente pensei que ficariam juntos após aquele incidente.
Meu rosto queimou e o senti ruborizando. Tentei o esconder. Lindsay era inconveniente demais! Mas, eu teria que admitir. Será que esse foi o impulso? Ou era só uma dúvida que me atormentava? Tudo era um motivo.
— Vamos começar o experimento — respondi Gabriel e deixei a pergunta retardada da Lindsay de lado. — Lindsay você faz a parte escrita já que é boa com palavras. E Gabriel, eu e Lucas podemos começar o experimento, pode ser?
— Mas por quê?! — Lindsay se exaltou. — Não é correto deixar uma dama sozinha!
— Eu fico com você Lindsay! — Gabriel se revelou com as bochechas gordas como um pimentão. Aquele seria um casalzinho estranho. Gabriel gostava dela, estava na cara; mas Lindsay nem dava bola, talvez o odiasse como todo mundo. Ninguém gosta de gente esnobe, e isso era o que Gabriel era de sobra.
Lindsay apenas iria recusar de ficar com um balofo babão, seria mais o jeito dela. E eu também não queria ficar somente eu e ele! Não após o que aconteceu...
— Mas é claro, Bielzinho — Lindsay mostrou um sorriso misterioso junto àquele apelido que me enojou. A maldita estava contra mim. Óbvio!
Lucas lançou os olhares para mim e após isso virou o rosto. Ele estava sério e quieto; estranho.
Fui até a sala com ele, pois lá que iríamos começar. Nem precisei o guiar, pois a minha casa ele já conhecia assim como o alfabeto. Tantas eram as vezes que ele esteve comigo que até já havia perdido as contas!
Eu espalhei os ingredientes do experimento no chão. Eu não sabia ao certo por onde começar e minhas mãos tremiam. Talvez eu não conhecesse mais Lucas.
— Certo, Madeira. Podemos começar? — Lucas pronunciou-se e colocou um pequeno sorriso no rosto, mexendo nos ingredientes um tanto curioso e confuso. Senti um brilho crescendo aos poucos sobre ele naquele momento. Já eram tempos que eu não ouvia o apelido tão feio e épico.
— S-sim — gaguejei ao falar, pegando uma folha com anotações sobre o experimento.
Falei a ele o que deveríamos fazer e aos poucos íamos realizando o experimento com um silêncio reinando o local. Eu, por um lado, estava inquieto tentando dizer algo. Não queria que aquele Lucas sério existisse. Queria aquele Lucas de sempre. E quem quebra é quem tem que consertar.
Abri minha boca para dizer.
— Victor — Lucas parou o que estava fazendo, me interrompendo. Ainda bem, eu não sabia o que falar. E colocou seus olhares aos meus, tentei desviar me concentrando no experimento. — Eu sei que você está puto comigo. Desculpas seriam aceitas?
O vento que vinha de uma janela semiaberta preencheu o momento de tensão. Quem deveria pedir desculpas?
— Só direi se disser o mesmo.
Lucas soltou uma risada de leve. Sorri escondido enquanto ainda realizava o experimento. Era aquilo que eu queria de volta.
— Tudo foi por culpa de uma ligação. E eu fui atingido por isso, querendo descontar minha raiva em alguém — Lucas suspirou. — Não foi sua culpa.
— E o que aconteceu?
— Teatro. Ligações. Velhos amigos. Suicídio. Enterro. Reencontro — Lucas soltava as palavras de sua boca. Eu não entenderia nada daquele jeito. — É uma história longa e eu precisaria de tempo para contar, entende?
A fisionomia de Lucas mudou em questões de segundos. Pensei melhor em não mencionar naquilo, por mais que eu quisesse muito saber de suas mágoas e angústias.
— Certo, eu entendo...
— Por esse incidente decidi que não deveria fazer a peça e nunca mais me envolver com teatro ou algo do tipo — Lucas esclareceu. Essa seria a hora da verdade? — Mas queria passar a minha paixão pela arte de atuar para alguém e escolhi você sem seu consentimento.
— Mas...
— Eu colocaria seu nome na urna do lobo se não fosse pela professora que virou e me fez colocar na urna errada.
— E eu estava com raiva de você desprezar seu talento e coloquei seu nome na do lobo.
Eu olhei para ele por alguns segundos, sem dizer uma palavra, e me acabei de rir. Rindo alto e histérico. Parecia ser sem motivo, mas aquilo tinha uma graça. Estávamos brigados por isso mesmo? Ele se juntou às minhas risadas.
— Você teve sorte de eu ser o lobo. Imagina se fosse o Erick, cara, iria ser bem pior. Ou então o esquisitão do Fernando que provavelmente pôs seu nome na urna?
Eu ria ainda mais enquanto ele falava. Era um convencido. E aquele seu brilho voltava me atacando. Eu queria ser como ele.
— Ei... — falei após a crise de risos, tentando adquirir um tom sério na fala. Fazia um bom tempo que não ria tanto. — Eu vou ter que te beijar. Isso vai ser estranho.
Lucas soltou uma pequena risada. Eu corei. Por que fui tocar logo naquele assunto?
— Acha mesmo que não mudarão o roteiro? E, de qualquer jeito, é apenas uma encenação. Isso não vai provar que somos gays.
— É mesmo — Dei uma risada forçada.
— E, além disso — adicionou Lucas. — eu tenho uma namorada. O nome dela é Jéssica.
Meu coração acelerou. Era mentira, só podia. Lucas não tinha uma namorada, ele teria me dito isso bem antes e com detalhes.
— Você deve ser feliz com Jéssica — deixei as palavras irem. Parecia ciúme, mas talvez fosse inveja?
Demos uma finalização ao experimento assim que Lindsay e Gabriel foram ajudar-nos. Gabriel, obviamente, colocava defeito em tudo. E Lindsay acabou corrigindo os erros que fizemos. Podia não parecer, mas Lindsay conseguia ser eficiente quando queria.
Fomos para o meu quarto e Lindsay insistiu em lermos o trabalho grandioso que fizera com Gabriel. Após fazermos isso, peguei um lanche para nós para nos distrairmos.
— Que lanche bom, Victor! — Lindsay disse com a boca cheia e comendo como se fosse uma pessoa esfomeada. — Ei, me deixem perguntar — a garota fez uma pausa para engolir todo aquele pão que enfiou dentro da boca. — Desde quando você e o Lucas se conhecem?
Entreolhamo-nos. Não fazia tanto tempo, porém, parecia.
— No primeiro dia de aula — Lucas respondeu. — Por quê?
— Por nada — Lindsay disse com aquele seu tom misterioso e voltando a dar uma mordida naquele pão que havia destroçado. — Vocês gostam de alguém da sala? — a menina comilona perguntou um tanto suspeita. Ninguém perguntaria algo assim do nada.
— De ninguém! — Gabriel gritou, parecendo envergonhado. Ah! Mentira dele. Estava escrito na testa dele “Lindsay”.
Mas, então me coloquei a pensar.
— E vocês? — Lindsay insistiu com a pergunta.
— Da V-victória! — eu respondi dando como resposta a última coisa que me veio à cabeça. Todos me olharam por alguns segundos e caíram na gargalhada.
— Espera — tentou dizer Lindsay enquanto continha suas risadas. — Você sabe que essa menina nunca vai gostar de você. Vocês não se combinam.
Fiz um bico e virei meu rosto para o lado, com cara de emburrado. O que Lindsay disse podia ser verdade; entretanto, aposto que eu não era o único iludido. Garotas costumam escolher os piores rapazes para gostar.
Apesar de tudo, eu tinha que admitir: Eu e Victória não tínhamos química nenhuma.
— Eu preciso ir — Gabriel limpou sua boca com um guardanapo e olhou para seu relógio de pulso. — Não posso demorar nem mais 5 minutos.
— Ah! Eu vou com você, Gabriel! — Lindsay disse, enfiando o resto de seu pão inteiro na boca, após isso, bebeu todo o suco que eu tinha colocado. — Até mais!
Os dois foram juntos pegar suas coisas na sala e nos despedimos. Bem. Gabriel só mandou um aceno fraco, era um típico inteligente e orgulhoso por não ter amigos. Eu poderia ser um fracassado, mas nunca seria um fracassado terrível como aquele garoto mimado.
Lucas, o preguiçoso, não me ajudou a lavar a devastação deixada pós-lanche; ou seja, realizei sozinho enquanto o idiota girava pelo quarto, com aquela maldita cadeira giratória.
Quando voltei para o quarto o safado estava mexendo nas minhas preciosas figuras de ação. Eu já tinha o avisado, mas ele nunca ouve! Fui até ele e tentei tirar de suas mãos minha Nyaruko-san, mas, infelizmente, Lucas era muito mais alto e forte do que eu.
— Ei, deixe os amigos mexerem em suas figuras de ação — Lucas disse com aquela voz zombeteira, elevando ainda mais a pobre Nyaruko-san. Eu jamais iria recuperá-la, mesmo pulando o mais alto o possível.
Em um movimento errado, Lucas tropeçou em alguma coisa do chão e caiu para frente. E adivinham? Caiu em cima de um ser chamado Victor e deixou a Nyaruko-san cair no chão! Ainda me perguntam o porquê de eu não deixar mexerem em minhas figuras de ação...
Mas quem era eu naquele momento para se preocupar com a Nyaruko-san abandonada no chão frio? Eu precisava me preocupar comigo mesmo, no chão frio, e com um ser em cima de mim!
Estávamos muito perto. Era uma aproximação exagerada e eu não conseguia me resistir. Eu conseguia sentir seu perfume, sua respiração que batia sobre minha face. Eram mil e uma as sensações que percorriam pelo meu corpo, junto àquele arrepio estranho que voltou a aparecer.
Eu queria esconder meu rosto com as mãos ou enfiar a cara dentro de um buraco e não sair mais. Apostava que um rostinho alvo feito o meu estava agora vermelho como um pimentão!
Lucas se levantou, pegando a pobre Nyaruko-san do chão.
— Viu? — ele disse, na maior descontração, me deixando um pouco nervoso. — Ela está bem!
Em um ato involuntário me levantei e fui até a cozinha devagar, sem o responder, e logo já apertava meus passos. Por quê? Porque eu era um tonto!
Não estava certo! Era Victória. Só Victória. Ninguém mais. Nenhuma pessoa ocuparia o lugar no meu coração e nem invadiria minha mente, muito menos um garoto. Claro! Pois eu estava apenas enganado comigo mesmo. Lindsay sempre me mostrou aqueles animes gays e eu nunca senti nada. Além disso, eu nunca seria correspondido se isso ocorresse. Lucas é tão hétero quanto eu, tem até namorada! Isso tudo se chama “frescura”; eu devo estar doente.
Lavei minha cara na cozinha com a água da torneira da pia. Precisava me convencer de uma vez; afinal, Victória é linda e uma boa garota. Era ela. Apenas ela.
Bebi água e enrolei um pouco. Estar no meio do incerto não era legal.
Ouvi uma voz indo até à cozinha. Duas. Eram Lucas e meu pai conversando.
À medida que o som se aproximava eu ia dando passos curtos para trás, como se estivesse em um filme de terror.
Vi Lucas com sua mochila nas costas e o pai pegando as chaves no molho que ficava ao lado do arco de entrada da cozinha.
— Filho, eu irei à confeitaria de seu avô — ele disse fazendo aquele barulhinho irritante com as chaves. — Até mais, meninos.
— Tchau, tio — Lucas respondeu, jogando a mochila no chão da cozinha. Ele iria conversar comigo, mas digo que eu não estava mentalmente preparado para isso. Seria só eu e ele naquele ambiente incômodo da cozinha e com aquela brisa fresca da janela que me irritava.
Resolvi não responder à despedida de meu pai, provavelmente eu iria gaguejar e nunca me mostro acanhado para meus familiares.
Quando ouvi o barulho da porta se fechando eu arrisquei-me em começar uma conversa com meu amigo:
— V-vai embora? — disse praticamente o expulsando. Pois foi como isso soou. E, claro, com os gaguejos, ugh!
— Vou — Lucas olhou para o lado e deu uma risada leve. — Por quê? Queria que eu fosse embora?
Eu corei. Sabia que tinha sido um tanto grosseiro.
— Não é isso, bobão. — tentei conter os gaguejos, berrando e deixando o silêncio dominar após pronunciar-me.
— Por que está tão longe? — Lucas perguntou dando passos para frente. Senti um enorme sentimento de insegurança me dominar. E era verdade, enquanto o coitado estava na entrada da cozinha eu estava o evitando no local mais longe.
Dei um passo para trás para não chegar muito perto dele; no entanto, era uma falha, pois havia uma parede bem atrás de mim no qual eu bati com as costas com força.
Olhei para o rosto de Lucas, estava próximo do meu. Vi seus olhos negros e brilhantes me capturarem e me deterem em uma prisão de sensações. Avistei o brilho restante que o preenchia. Era aquele Lucas.
Recuei meu rosto para o lado e senti uma mão macia virá-lo para frente delicadamente. Contemplei novamente a vista, contudo por pouco tempo. Em um movimento rápido, Lucas me puxou pela cintura e nossos lábios se uniram em um encaixe perfeito. Senti a brisa mudar de frequência, agora estava mais rápida e brincava com as madeixas de meus cabelos.
Meu coração palpitava e aprendi à compreender a corrente elétrica que me possuía.
Assim que notei que sua língua queria adentrar em meu território, em uma ação involuntária o repeli para trás, retirando-me do beijo. Estava errado. Era errado.
— E-espere — afastei-me um pouco, com o rosto quente, batendo novamente na parede com as costas. — A Jéssica... Você... Ela...
As palavras não saíam de minha boca corretamente. Aquilo me deixava inquieto. Abaixei a cabeça a fim de que pudesse processar o que havia ocorrido agora.
Notei que Lucas deu um passo à sua vanguarda e colocou uma de suas mãos em meu queixo, o levantando levemente. Pude ver seu rosto de novo e nele continha um sorriso que não consegui desvendar o significado.
— Não se preocupe. É apenas um ensaio — ele retirou a mão de meu queixo e bagunçou meus cabelos. — Jéssica é sensata. Sabe que tudo não se passa de encenação.
Abaixei novamente a cabeça e dei um soco de leve no ombro daquele retardado.
— Idiota... — murmurei. — Não deveria fazer esse tipo de coisa.
Ele deu uma risada de leve e tirou seu sorriso do rosto em seguida.
— É? — perguntou em tom de ironia. — Se fosse Victória você aceitaria. — disse de forma quase inaudível. Sorte que não sou tão surdo assim. — Eu já vou.
Ele pegou a mochila do chão e colocou-a nas costas, lançando um aceno meio fraco. Eu o correspondi com outro e o vi saindo do local. Eu o levaria até a portaria, mas acredito que o Victor Madeira aqui acabou de fracassar em algo.
— Tchau — deixei minha voz sair em tom de sussurro. Senti meu coração sair do compasso.
Eu era bobo o suficiente. Mencionar Victória? Vá com sua Jéssica!
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