As Crônicas de Vaerda
3 A Revolta da 'Injustiçada"
Notas iniciais
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Os dois garotos andavam pela rua rochosa com rapidez. Connor estava ansioso e não queria ceder, mas sabia que Arthur tinha razão, não possuía ideia do que poderia encontrar lá em cima e seu pai nem mesmo lhe mandou uma carta para contar algo. Arthur agora vestia seu jaleco branco por cima das roupas, tirou um óculos especial do bolso do jaleco e levou ao rosto.
– Chegamos. – Disse ele parando em frente a um rochedo.
– Não tem nada aqui. – Connor respondeu com tédio.
– Claro que tem. – Disse Arthur virando-se de frente para o rochedo e tocando em uma parte específica. Um pequeno buraco se abriu e dele saiu uma pequena máquina onde o mesmo apresentou o polegar. O rochedo começou a se mover para o lado revelando uma passagem. – Certeza que não tem nada?
– Aaaaah... Ok, vamos.
Eles seguiram pela caverna que ficou escura após a rocha se mover fechando a passagem atrás dos dois. Arthur bateu as mãos três vezes e nisso as luzes se acederam. Conforme iam mais a fundo a caverna foi deixando de ter aparência rochosa e parecendo um lugar mais moderno até que enfim eles chegaram a uma porta.
– É aqui, o Dr. Lima deve estar atrás da porta.
A porta abriu revelando uma sala de espera bem iluminada, decorada com tons pastéis repleta de sofás, mesinhas e lugares para se acomodar. Havia uma bancada e uma garota de cabelo loiro liso até a altura dos ombros com uma franja que caía do lado do rosto, olhos verdes e pele bem clara, estava sentada do outro lado dela lixando a unha, estava tão distraída que mal reparara na presença deles. Connor logo a reconheceu.
– E ai Alice, você por aqui?
– Meu pai trabalha aqui. – Ela respondeu sem desviar a atenção do que fazia. – O que vocês querem?
– Quero que seu pai me dê uma habilidade.
Agora sim ele conseguira a atenção dela. Alice olhou incrédula como se aquela fosse à coisa mais absurda que já ouvira na sua vida.
– Só pode estar louco...
– Quer ver o louco? – Mal acabara de lançar o desafio, Connor se dirigiu até a outra porta. Alice tentou impedir, mas já era tarde. Do outro lado da porta havia um homem alto, de cabelos loiros no mesmo tom que o de Alice, porém seus olhos eram castanhos. Fechou rapidamente algum site aberto no computador e desligou o som, mas antes podia se ouvir alguns gemidos vindo da máquina.
– O que diabos acontece aqui? Eu não posso nem... Trabalhar em paz! – Ele exclamou.
Arthur ficou parado na porta rindo que nem uma hiena. Alice tinha a expressão mais assustada do planeta no rosto, mas Connor parecia não se importar com nada.
– Dr. Lima eu preciso que me dê uma habilidade!
– Depois dessa invasão? Por que eu deveria?
Connor explicou tudo sobre seu pai, a viagem para a superfície e a falta de notícias tudo nos mínimos detalhes, Arthur o ajudou em algumas partes. Alice permaneceu calada durante esse tempo.
– Você é corajoso rapaz. – O doutor dizia dando a volta em sua mesa e se apoiando nela. – Mas sabe, essa experiência ela é muito perigosa, não sei qual habilidade você pode adquirir se terá efeitos colaterais... Seu corpo pode não aguentar e vir a falecer.
– Eu não ligo, não tenho mais nada a perder nessa vida.
– Eu farei. – disse o doutor.
– Mas pai, isso é um absurdo.
– Ele quer morrer, então Connor Avila eu vou levá-lo até sua morte.
Connor não se intimidou com a ameaça, naquele momento ele sorriu.
– A morte não me assusta.
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Já era noite e as ruas estavam movimentadas no maior reino entre os quatro. Os habitantes sob supervisão de Lucas eram bastante animados, no final do dia as famílias tinham o costume de se reunir, acendiam fogueiras na frente das casas e sentavam em volta dela, assavam sua comida, riam e tocavam músicas no violão.
O ser de grandes chifres, peito peludo, e pernas de bode caminhava pelas fogueiras tocando sua flauta. Todos paravam para olhar e alguns fechavam os olhos apreciando a melodia, aquela flauta tinha poder. Dependendo da música podia desde acalmar até deixar qualquer ser naquele planeta furioso, ela mexia com as emoções e diziam alguns que podia controlar até mesmo as ações de quem as ouvia.
Lucas era o mais tranquilo dentre os quatro Deuses, pregava a paz, sempre simpático, sorridente e amoroso qualidades que diziam os boatos, a Deusa Elza admirava. Ele decidiu sentar-se ao pé de uma árvore, uma cobra rastejou para perto do elemental ela começou a brilhar e no lugar onde antes esteve uma cobra agora tinha um homem, aparentava ter vinte e dois anos e grande porte, tinha pele negra e o cabelo raspado. Aquele era Bernardo, humanoide de Lucas.
– Senhor Lucas, eu trago notícias. – Bernardo foi sentar-se ao lado do mestre, porém tropeçou numa raiz e caiu de cara na terra. – Arg, que merda!
– HAHAHAHAHAH! – Lucas gargalhava segurando a barriga. – Berna, você sempre tão desastrado. Conte-me o que houve? Ariel tacou fogo em alguma floresta outra vez?
– Ai, meu rosto. – Ele exclamou agora sentado ao lado de Lucas. – Não senhor, ela nem é louca de fazer isso novamente, o Reino Ignis é o maior dependente da nossa agricultura.
– Ah sim verdade. Desembuche logo menino.
– Lílian Payne, humanoide do ar veio ao meu encontro. Ela informou que o senhor Ciel deseja uma reunião amanhã cedo com os elementais para se atualizar sobre as atividades dos reinos.
– Ah mas que droga, eu não gosto de ir lá em cima não tem terra, me sinto sem chão, parece que vou cair de uma nuvem a qualquer momento. – Lucas dizia desanimado, não conseguia imaginar como os humanos conseguiam viver lá em cima, sem árvores, terra, lagos e afins. – Ciel é sempre um bom anfitrião e o lanchinho da reunião é tão gostoso. Informe a menina Payne que iremos.
– Sim senhor! – Bernardo exclamou se levantando e tropeçando novamente em outra raiz.
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A menina de traços orientais andava pelos corais em baixo d’água como se aquilo fosse à coisa mais normal do planeta. Espera? Estamos em Vaerda, certo? Não existe uma definição de normal nesse mundo. Ela tinha guelras em seu pescoço que permitiam que respirasse em baixo d’agua, suas mãos e pés pareciam nadadeiras, aquela era a forma que Aiko Minamoto tomava para poder ir ao templo de sua Deusa no fundo do oceano Atlântico.
O templo de Elza era um dos mais belos de todos. As colinas eram cobertas por musgos e algas, outras estavam quase tomadas por corais. Sereias nadavam rapidamente por todos os lados, tanto femininas quanto masculinas – Aiko achava os sereios interessantes, mas somente isso não tinha emoções, logo não se apaixonava – ela continuou nadando até que chegou ao fundo do templo, onde um trono de corais dourados enorme se erguia. Nele estava sentada a Deusa Elza.
Elza tinha longos cabelos negros e lisos que iam até a cintura, seu tom de pele era um azul bem clarinho quase branco, no lugar das pernas ela tinha uma enorme calda de sereia, suas escamas mudavam de cor de acordo com o seu humor e naquele momento elas estavam no mesmo tom de verde das algas e Aiko adorou, pois era sinal de que ela estava de bom humor. A Deusa tinha no rosto alguns traços que lembrava os orientais, mas não tão marcantes quanto os de Aiko. Os seios da Deusa ficavam sempre a mostra, ela não sentia necessidade de vestir nada na parte de cima (nem mesmo quando estava fora d’água).
– Minha senhora, eu venho lhe trazer um recado de Ciel, o senhor do ar. – Aiko dizia enquanto se ajoelhava diante do trono.
– Pode se levantar, Aiko. – Elza dizia com sua voz melódica e doce. – Diga-me o recado.
– Ciel deseja uma reunião dos Elementais. – Aiko deu o recado agora de pé. – Eu confesso que achei que fosse uma desculpa para fazer à senhora subir. Sabe como o senhor Ciel parece gostar de você...
– Ciel é um amor. – Elza comentou sorrindo. – Eu amo a sua sinceridade Aiko, aposto que fez esse comentário com a menina Lílian, estou certa?
Aiko nada disse, deu um pequeno sorriso de canto bastante imperceptível. Ela não precisava dizer nada, o elo com Elza era tão forte que tinha quase certeza de que a mestra lia sua mente. Não havia problemas em fazer aquele tipo de comentário com Elza, com os anos se tornaram boas amigas e confidentes.
– Ele é um amor, mas a senhora não está interessada.
– Bem, isso não vem ao caso agora. – Elza respondeu mudando de assunto. – Envie uma das sereias mensageiras até a superfície para mandar uma mensagem ao Reino Aer. Eu irei.
– Sim, senhora. – Aiko assentiu virando-se para tomar seu caminho.
– Aiko espere! – Elza exclamou e a humanoide parou e se virou. – Ariel também foi convocada?
– Lily disse que sim. Ela me disse inclusive que precisou lembrar o senhor Ciel que Ariel existia, se dependesse dele ela nem seria convocada.
– Ariel é muito debochada. Nada que um pouco de água para acalmar os nervos não resolva não é mesmo? – Elza dizia soltando uma pequena risadinha no final.
Aiko riu da piada e depois nadou para cumprir a ordem dada.
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Se tinha uma coisa que Lílian odiava mais do que ter que descer do Reino de Aer, era descer de lá para pisar em Ignis. O chão parecia que fervia em baixo dos seus pés descalços, como as pessoas podiam viver ali? Além do mais tendo Ariel e Ace como seus governantes? Achava os dois igualmente irritantes e insuportáveis. Decidiu calçar suas sandálias estilo gladiadora, não aguentava mais pisar naquele solo. Ela continuou a caminhar até que parou em um lugar que parecia uma praça em péssimo estado de conservação. Algumas mesas e bancos de pedra estavam quebrados, um inclusive meio pontiagudo alguma criança poderia se machucar facilmente ali.
– Ora, ora, ora. Olha só o que temos aqui.
Lílian virou-se e deu de cara com Ace o humanoide do fogo.
– Sentiu minha presença a quantos quilômetros?
– Muitos. É um cheiro de poluição familiar. – Ele dizia com um sorriso maldoso no rosto. Assim como Ariel e Ciel não se suportavam, Ace e Lílian com o passar dos anos foram pelo mesmo caminho.
Tudo começou antes mesmo dos elementais acordarem, quando Vaerda ainda era Terra. Ace deixou seu posto do templo de Ariel, com o passar dos séculos ele havia se questionado algumas vezes se aceitar a proposta da Deusa em troca da imortalidade havia sido a escolha certa. Sentir o vazio da falta de sentimentos o incomodava, observava as pessoas crescerem e criarem famílias, aquele havia se tornado seu passatempo. Escolhia um bebê e ia acompanhando de longe sua vida conforme crescia até o momento de sua morte, para Ace era como assistir a um filme. Numa dessas escapadas de posto, Ace encontrou Lílian – que também havia abandonando o seu posto – e acabaram ficando amigos, porém ter um pouco da personalidade do seu mestre fazia parte do pacote da imortalidade, suas personalidades divergiam muito, o que causaram discussões e opiniões divergentes, até que Ace ofendeu Ciel despertando a ira de Lílian. Os dois travaram uma batalha que durou três dias, até que Ace derrotou Lílian que demorou muito tempo para se recuperar.
E bem, Lílian era bastante rancorosa e odiava perder. A amizade se tornou inimizade que já estava durando séculos.
– Esse planeta já não é mais Terra pra você falar de poluição. – Ela dizia fazendo uma careta. – Serei breve, sabe que tenho vontade de vomitar ao olhar para a sua cara.
– Você diz como se eu estivesse feliz que nem um fauno tocando flauta por ver você. – Ele retrucou irônico.
– Ciel está marcando uma reunião, vá com Ariel ou não né, vocês dois não fazem mesmo falta. Eu fui até boa de sugerir ao senhor Ciel que os convidasse.
– Nossa quanta gentileza de sua parte. – Ace mantinha o tom de ironia.
– Claro querido disponha sempre.
– Disponha? De que? Ganhar uma rajada de vento na cara?
Naquele momento Lílian se dissolveu no ar. Uma rajada extremamente forte foi de encontro ao peito de Ace que fora empurrado com força contra o tronco de uma árvore. O humanoide tossiu sangue, e o ar foi se materializando novamente em Lílian que estava o pressionando o pescoço de Ace contra a árvore.
– Gostou da rajada? Na próxima vez, eu mando um furacão. – Ela dizia com ódio.
– Seu oxigênio só aumenta mais minhas chamas. – Dessa vez quem se dissolveu foi Ace, em fogo. Como estava em forma sólida, Lílian se queimou. O fogo se distanciou alguns metros e logo Ace estava de volta em sua forma sólida e livre das mãos da Payne.
– No tempo em que eu era um humano normal, talvez achasse até atraente essa sua forma grosseira de lidar comigo.
Lílian teria rugido para ele se fosse um cão, mas ela apenas resmungou de raiva amaldiçoando o humanoide em sua mente. Suas queimaduras já estavam quase cicatrizadas e logo a ruiva se desmaterializou em sua forma gasosa deixando o garoto em chamas para trás.
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Connor corria, corria como se sua vida dependesse disso. Estava quase sem fôlego, o ar fugia totalmente de seus pulmões e sentia que pudesse cair a qualquer momento. O solo em que pisava era quente, mas precisava chegar até seu pai a todo custo, ele precisava da sua ajuda ou iria morrer sentia isso. Ouviu um grito agudo de um homem até que...
– Connor?
Os olhos de Connor abriram e agora olhava para os grandes olhos verdes de Alice.
– A-Alice? Mas o que... AAAAAAAAAAAAAAAAAAARG!
Uma dor extremamente forte tomou conta de sua cabeça, o que diabos seria aquilo? Será que o procedimento do Dr. Lima havia dado errado? Ele estava morrendo? Ok tinha dito que morreria, mas ele não esperava morrer de verdade.
Connor se debatia na cama de dor de cabeça e Alice estava desesperada tentando acalmá-lo.
– ARTHUR, ARTHUR CHAME MEU PAI DEPRESSA ACHO QUE ELE ESTÁ MORRENDO!
Arthur saiu correndo porta a fora. A loira tentava segurar Connor que se debatia, mas ele era naturalmente mais forte que ela. Ele deu um tapa forte na mão da garota e se levantou da cama.
– Você me bateu? CONNOR VOCÊ ESTÁ FICANDO LOUCO? VOCÊ ME DEU UM TAPA! – Ela havia dito a primeira frase bem baixinha como se não tivesse acreditado naquilo, mas depois gritou as palavras cheias de fúria.
Connor empurrou a maca onde estava deitado no chão. Ele agora visualizava um homem na sala, mas não era o Dr. Lima e muito menos Arthur, aquele era seu pai. Esticou o braço para tentar alcançá-lo, mas a imagem simplesmente se desfez. Ele estava delirando de tanta dor. Ele levou as duas mãos a cabeça e se jogou no chão, virou para o lado e lágrimas caíram de seus olhos já não estava aguentando mais.
– Connor? – Alice dizia se abaixando ao lado dele e levando uma mão ao ombro do garoto.
Connor nesse momento virou o rosto e olhou para Alice, seus olhos castanhos escuros agora estavam cinzas e fizeram contato com os verdes de Alice.
– AAAAAAAAAAAAAAAARG!
Alice gritou e levou as mãos até a cabeça, agora era ela que sentia dores horríveis logo após o contato visual. Dr. Lima e Arthur entraram correndo na sala, o primeiro tratou de segurar Connor e tampar seus olhos enquanto o segundo levantou a maca e colocou Alice deitada sobre ela.
– Connor! Acalme-se está tudo bem, isso é tudo está na sua mente precisa se acalmar e a dor vai passar, precisa controlar a sua mente. – O Dr. Dizia enquanto Connor se debatia em seus braços.
– Está doendo... Eu não consigo...
– Sinto muito então. – O Dr. Dizia tirando uma seringa de dentro do jaleco e injetando o líquido no braço de Connor que caiu instantaneamente no chão inconsciente.
No mesmo momento em que Connor desmaiou, Alice parou de gemer de dor. A loira foi recobrando a consciência aos poucos até que se sentou na maca.
– Alice, você está bem? – Arthur perguntou.
– Sim, mas ainda dói um pouco. Alguém sabe me explicar o que aconteceu aqui?
O Dr. Lima acomodou Connor em outra maca e o olhou por alguns segundos com curiosidade. Pegou uma pequena lanterna e levantou as pálpebras do rapaz uma por uma, as iluminou e percebeu que as orbes do mesmo estavam cinzas.
– O que aconteceu foi que minha experiência deu certo. Ele adquiriu Telecinese.
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Existia um lugar que marcava o centro do planeta, era o círculo de pedra. Haviam quatro grandes rochas que distribuídas formavam um círculo e em cada uma delas havia um desenho com o símbolo de cada reino. A fênix de Ignis, a flauta da Terra, as assas de Aer e o kraken de Aqua. Era ali que Ciel gostava de marcar as reuniões, aquele local era conhecido por todos os habitantes como sagrado onde apenas os Deuses podiam pisar, nem mesmo os humanoides iam até lá. Eles ficavam a certa distância observando ou então discutindo como era o caso de Ace e Lílian.
Ciel costumava ser pontual, as vezes adiantado. Ele caminhava até sua posição em frente ao rochedo de Aer, descalço utilizando apenas uma toga para cobrir seu genital e glúteo. Lílian tomou seu posto um pouco mais distante dali.
Não demorou muito e Elza chegou, para andar em terra a Deusa trocava sua bela calda por um par de pernas. Usava um vestido branco bem longo com uma calda que arrastava no chão que andava.
– Elza, faz tempo que não a vejo. Fico feliz que tenha vindo. – Ciel a cumprimentou segurando a mão da elemental e lhe dando um beijo.
– Também é bom te ver, Ciel. – Ela dizia talvez de forma menos calorosa que ele.
A terra tremeu a alguns metros diante dele, ela então começou a subir e a criar forma até se transformar em Lucas que agora estava diante dos dois.
– HOHOHO! CHEGUEI! – Ele gritou animado. – Olá Elza, você está bonita na verdade quando não está né? – Ele dizia contente dando um abraço em Elza. Ciel arqueou uma sobrancelha intrigado. – Ah Ciel, estou feliz que tenha mudado de ideia sobre a reunião ser lá em cima, sabe que não me dou bem com as alturas.
– Sim, eu compreendo.
– HAHAHAHAHA! Lucas você é tão engraçado. – Elza ria como uma criança das graças de Lucas. Até então nada fora do normal.
Uma rajada de fogo passou entre eles acabando com o clima alegre que Lucas havia criado. Ariel tinha chegado e não parecia estar de bom humor, na verdade quando é que ela estava de bom humor não é mesmo?
– Eu espero que essa reunião seja breve. – Ela dizia agora sentada sobre sua rocha.
– Ela será. – Ciel respondeu seco. Há anos não se dava bem com Ariel, às vezes se arrependia do acordo feito com Ace, porém tinha de admitir que o equilíbrio natural não ocorria sem ela.
Cada um tomou a sua posição e aguardou Ciel começar.
Ciel foi breve ao falar do progresso em Aer, seu povo vivia muito bem e seu exército estava desenvolvendo melhorias nos arcos que utilizavam. Elza afirmou estar tudo normal em Aqua, enquanto Lucas os convidou para uma festa que estava marcada em seu reino na próxima semana.
– Acho lindo que tudo sejam flores para vocês, mas meu reino vive na pobreza e miséria, meus homens de fogo morrem por não conseguirem controlar seu poder já que é proibido treinar. – Ariel dizia curta e grosa. – Eu vejo essa reunião apenas como uma situação para o senhor aqui. – Apontou para Ciel. – Esfregar na minha face, o quanto ele ou então vocês dois são melhores do que eu.
– Hã? – Lucas exclamou confuso. Elza permaneceu calada.
– Sermos melhores do que você é consequência apenas. Realidade seja dita, seu reino não cresce por puro descaso seu. – Ciel retrucou com rispidez. – Você fez uma boa escolha em ter Ace com braço direito e eu reconheço suas habilidades, porém nem mesmo ele pode erguer um reino inteiro sozinho com as condições impostas.
Ao ouvir os elogios de Ciel para Ace, de longe Lílian franziu o rosto.
– Condições que atrapalham o crescimento, condições feitas apenas para me humilhar. Você não está pensando no povo Ciel, pensa apenas no quanto sente ódio por mim. – Ariel pulou da rocha e se aproximou do Deus. – Você criou essas regras estúpidas porque sabe que se estivéssemos nas mesmas condições eu te derrotaria, meu exército iria massacrar o seu...
– MENTIRA! – Ciel gritou.
– VOCÊ NÃO É TÃO JUSTO QUANTO DIZ! – Ariel gritou de volta.
Ace e Lílian ao longe pareciam inquietos com toda aquela situação. Aiko e Bernardo permaneciam imóveis.
–CALEM-SE OS DOIS! – Elza gritou, e os pararam para fitá-la.
– Quem você pensa que é para gritar comigo assim? – Ariel esbravejou.
– Alguém que pode apagar seu fogo com um estalar de dedos. – Ao término das palavras de Elza, Ariel fechou a cara. – Não vou aceitar brigas numa reunião para discutir a prosperidade. E sinceramente acho que já podemos encerrar.
– Concordo com ela. – Disse Lucas.
– Essa reunião está encerrada. – Ciel virou de costas e voou na direção de Lílian. – Vamos embora.
– CIEL! – Ariel gritou novamente e o elemental virou o rosto para olhá-la. – EU VOU PROVAR TE PROVAR!
Ele simplesmente ignorou os gritos e num feixe de luz desapareceu com Lílian. Lucas cumprimentou Elza e desapareceu na terra sendo seguido por Bernardo. Elza deu uma última encarada em Ariel antes de partir com Aiko.
Ariel se distanciou do solo sagrado e foi na direção de Ace.
– Minha senhora eu juro que estava quase pisando no solo sagrado só para dar um soco na face daquele infeliz.
– Não havia necessidade. Vamos, precisamos conversar.
As chamas subiram alto e quando apagaram os dois já não estavam mais ali.
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