Notas iniciais
Demorar, demorei, entretanto, contudo, mas, porém... I'M BACK BABY Eu sei, eu sei, demorei séculos (uns 6 meses na vdd, mas ignoremos) e eu sinto muito por isso, escola é uma miséria. Voltei para a alegria (ou não) de vocês e 5 capítulos de vez de presente, e pretendo postar no máximo de dois em dois dias porque quero terminar o livro nas férias Beijos de luz e boa leitura :v

Os alunos que estavam clementes por mais uma música me olharam, surpresos. Provavelmente porque não me conheciam do seu corpo estudantil. Até os solteiros sentados nas cadeiras da frente levantaram a cabeça pra me olhar. Meu coração começou a bater forte. Que ideia de merda essa a minha, cara.

Agora já era. Já tô no palco, já me ofereci, a porra tá feita.

Desgraça.

— Poxa lindinha, é que não temos permissão...

— Ah, por favor, é uma homenagem pro meu namorado, e isso é um baile de dia dos namorados, não é? — Abri ainda mais o sorriso quando o pessoal começou a clamar "Canta! Canta! Canta!" não dando escolha ao vocalista loiro senão me passar o microfone e sua guitarra. — Obrigada, querido.

Falei para os outros membros da banda a música que eu queria cantar, e eles assentiram.

Guilherme sempre disse que eu tenho uma voz maravilhosa.

Mas ele era meu namorado e se dissesse que eu cantava mal levaria um soco.

E eu não canto faz 4 anos. Então... Bora na fé.

Meus dedos dedilharam as cordas da guitarra e o toque familiar de Girlfriend de Avril Lavigne retumbou nos meus ouvidos, eu arqueei as sobrancelhas para Ethan, Selena e o resto adiantarem o lado deles. Quando viram minha expressão, finalmente começaram a carregar o corpo do garoto para fora do ginásio. Tá certo que Luna teve que puxar Ethan, que estava lá parado feito um trouxa, mas tudo bem. Pelo amor de Jesus Cristo, eu estou fazendo uma distração aqui, aproveite ela.

Eu comecei a cantar, e pelos aplausos e os alunos começando a dançar, eu ainda deveria ter uma voz decente. Ainda bem, porque seria realmente triste alguém tacar um vaso na minha cabeça. Mas ainda assim seria uma distração.

Hey hey you you
I don't like your girlfriend
No way no way
I think you need a new one
Hey hey you you
I could be your girlfriend

Hey hey you you
I know that you like me
No way no way
You know it's not a secret
Hey hey you you
I want to be your girlfriend

You're so fine
I want you mine
You're so delicious
I think about you all the time
You're so addictive
Don't you know what I can do to make you feel all right?

Don't pretend I think you know I'm damn precious
And how, yeah,
I'm the motherfucking princess
I can tell you like me too
And you know
I'm right

She's like so whatever
You can do so much better
I think we should get together now
And that's what everyone's talking about

Hey hey you you
I don't like your girlfriend
No way no way
I think you need a new one
Hey hey you you
I could be your girlfriend

Hey hey you you
I know that you like me
No way no way
You know it's not a secret
Hey hey you you
I want to be your girlfriend

I can see the way I see
The way you look at me
And even when you look away
I know you think of me
I know you talk about me all the time
Again and again

So come over here
Tell me what I wanna hear
Better yet, make your girlfriend disappear
I don't wanna hear you say her name ever again
And again and again and again cause

She's like so whatever
You can do so much better
I think we should get together now
And that's what everyone's talking about

Hey hey you you
I don't like your girlfriend
No way no way
I think you need a new one
Hey hey you you
I could be your girlfriend

Hey hey you you
I know that you like me
No way no way
You know it's not a secret
Hey hey you you
I want to be your girlfriend

Oh in a second
I'll have you wrapped around my finger
Cause I can
Cause I can do it better
There's no other
So when it's gonna sink in?
She's so stupid what the hell were you thinking?

Oh in a second
I'll have you wrapped around my finger
Cause I can
Cause I can do it better
There's no other
So when it's gonna sink in?
She's so stupid
What the hell were you thinking?

Hey hey you you
I don't like your girlfriend
No way no way
I think you need a new one
Hey hey you you
I could be your girlfriend
No way, no way

Hey hey you you
I know that you like me
No way no way
You know it's not a secret
Hey hey you you
I want to be your girlfriend
No way, no way

Hey hey you you
I don't like your girlfriend
No way no way
I think you need a new one
Hey hey you you
I could be your girlfriend

No way, no way
Hey you... no way... hey you...
No way no way hey hey!

Quando acabei, eles já tinham carregado o corpo do estudante para fora sem ninguém perceber, me permiti aos meus cinco minutos de fama até perceber que estavam gravando enquanto aplaudiam.

Ótimo, aí quando eu for caçar vou ser parada por uma galerinha dizendo “Ei, eu te vi cantando outro dia!”. E essa é a hora que eu vazo.

— Muito obrigada, galera, até mais e boa sorte na prova de matemática!

Pela expressão deles, a prova de matemática realmente estava próxima. Entreguei rapidamente a guitarra e o microfone ao moço e caí fora, já fiz meu papel de distração. Pelo menos o pessoal me deixou passar rápido. Outra música começou a tocar quando eu entrei no corredor que Sel, Ethan, Nicho e os outros levaram o corpo.

Não foi nem um pouco difícil achar eles. Era só seguir o som de Sel batendo nos armários. Quando achei Sel, ela perseguia o vulto do Mollit, mas sempre acabava dando de cara com os armários, os amassando logo em seguida com um soco. Seus olhos já estavam azuis e ela parecia bastante irritada.

— Sel, só querendo avisar que material escolar não é barato, então a não ser que queira reembolsar os estudantes, eu aconselho você a parar de destruir os armários.

Ela rugiu pra mim. É, ela tá irritada.

Só eu que acho que essa noite vai terminar em merda?

Ah, espera. A noite já tá uma merda. O dia foi uma merda. Minha vida é uma merda. Só vamos fechar com uma chave de merda agora. Por que mesmo que eu não me mato, cara? Desgraça.

Desgraça é minha palavra do dia agora. Tá me definindo muito.

— Parece que ela está em todos os lugares! – Esbravejou.

— Na verdade estou aqui – O Mollit se materializou num canto perto dos armários, assim que Selena tomou um impulso para atacá-lo, ele se tornou um vulto e apareceu perto da escada de incêndio – Ou será que estou aqui? Ah, aliás, obrigada por se livrarem da minha sujeira, eu estava com preguiça.

O Mollit sumiu escada adentro, deixando pra mim a visão dos cabelos pretos e ondulados da minha mãe, e Ethan e Selena foram correndo atrás.

Revirei os olhos. Porque faz muito sentido, correr atrás de uma criatura que nunca se cansa de correr em vez de bolar um plano. Parabéns pela inteligência. Vocês merecem um prêmio Nobel. Luna, Nicho, Jack, Rafa, Aaron, Bryan e eu os seguimos, era o último andar, não tinha pra onde correr. Porém, eu não duvido nada deles pularem de cima do prédio.

POV DO ETHAN

Era impossível acompanhar o Mollit. Pelo menos pra mim era fácil identificar o vulto. Os cabelos vermelhos dela eram realmente iguais aos da Reddie.

Mas os olhos, isso ela não copiava perfeitamente. Reddie tinha uma expressão determinada, fria e intensa. Os olhos do Mollit eram demoníacos e vazios. A cor era mais opaca. Eu podia diferenciar as duas facilmente por isso.

Estávamos no último andar, com a extensão de metade de um campo de futebol, com apenas uma barra de concreto de 20 centímetros de altura protegendo uma queda de três andares. O Mollit parou bem no meio, com os braços cruzados numa pose arrogante.

E aí Selena começou a tirar a saia.

— Mas que porra...? – Eu comecei a perguntar, porque realmente não queria levar um soco de Nicho depois sendo que nem fiz nada.

Já basta de assédio por hoje.

— Estou de calça por baixo, cara. – Ela falou como se fosse óbvio, e aí que eu percebi a calça preta por baixo da saia comprida. – Então, cansou de correr, queridinha?

— Nem um pouco. – O Mollit sorriu maliciosamente.

— Eu também não, vadia. – Ela estreitou os olhos que cintilaram de raiva.

Era um maldito monstro de médio escalão, eu e Selena tínhamos enfrentado coisas piores hoje de manhã.

Se a gente venceu? Obviamente estou aqui contando agora pra vocês sem nenhum membro do corpo faltando então eu posso sim vencer uma merdinha dessas.

Os outros terminaram de subir a escada. O vento zunia nos meus ouvidos e parte do Mollit parecia acompanhar seu movimento. Selena arreganhou a boca, suas presas aumentando. Mas Reddie deu o primeiro tiro. A bala passou de raspão na testa do Mollit que só fez andar um passo para a direita para desviar. O sangue escorreu do ferimento que logo cicatrizou.

Entretanto o Mollit focou seu olhar em Reddie e Nicho, que estava ao seu lado. Reddie deu mais um tiro, e sua cópia apenas deu mais um passo pro lado.

Eu sei que não é hora pra isso, mas um espaço a mais entre esse dois me agradaria muito. Só um comentário.

— Vocês... Vocês dois são interessantes. Gosto disso – Então a versão demoníaca de Reddie estava bem a frente da verdadeira que hesitou somente por um segundo antes de apertar o gatilho e dar três tiros seguidos em seu peito, mas o Mollit não saiu do lugar, agarrando sua cabeça e a olhando fixamente – Ataque todos. Mate eles.

— Eu não vou cair nessa. Desista. Eu não posso ser hipnotizada – Ela sorriu – Também tenho meus truques.

— Então vai ser você que vai fazer o trabalho sujo. – O Mollit olhou para Nicho, que piscou atordoado – Mate todos eles. Use todo o seu poder.

Nicho caiu de joelhos, puxando os seus cabelos.

— Não, eu não vou fazer isso! – Ele rangia os dentes, como se uma terrível enxaqueca o tivesse matando por dentro – Não pode me obrigar.

Reddie empurrou o Mollit, mas ele não cambaleou, apenas virou um vulto para se distanciar novamente. Então ela se ajoelhou ao lado de Nicho.

— Vamos, cara. Lute, é mais forte que isso. – E deu um tapa na cara de Nicho, que gemeu de dor, como se a enxaqueca tivesse piorado.

— Nicho? – Selena o chamou, a expressão em seus olhos de raiva pra preocupação em questão de segundos. – Nicho, fala comigo.

Nicho gritou e seus olhos sangraram, como se estivesse tendo uma hemorragia no cérebro. Ele contorceu o pescoço, e seu rosto assumiu uma expressão sombria e vazia. Ele se levantou e se afastou um pouco de nós.

— Nicho, não se atreva a fazer isso. – Selena rosnou. – Nós somos seus amigos!

O cabelo de Nicho ficou branco. Como o do Jack Frost. Os fios ficaram arrepiados, como se uma rajada de vento gelado os tivesse levantado. Seus olhos ficaram no tom de gelo, quase brancos. Ele tremia, como se ainda estivesse lutando internamente contra as ordens do Mollit. Sel prendeu o cabelo num rabo de cavalo e encarou Nicho.

— Eu não vou ter pena de você, Nicho.

— Eu também não vou ter pena nenhuma com vocês. – A voz dele estava alterada, mais grossa. O canto esquerdo de sua boca se curvou pra cima.

— Vão embora! – Selena berrou pra nós. – Eu cuido dele!

— Eu vou fingir que você não disse isso. – Reddie disse enquanto se colocava ao seu lado, apontando sua arma pra Nicho.

— É melhor fugir. Quem ficar vai morrer essa noite. É a última chance de vocês.

— Vamos, Nicho, eu não quero lutar com você.

— Mas eu quero lutar com vocês.

— Rafa, faça o que tem que fazer. Se o Nicho sair do controle demais, Aaron cuida disso. – Então ela se colocou em posição de ataque.

Eu me movi, andando um passo a frente, mas bati em algo e cambaleei para trás. Estendi minha mão e senti uma barreira, era invisível, mas fria ao toque. Eu não podia passar.

— Nem tente. – Rafa me disse.

— Que merda é essa?

— Uma barreira de proteção.

— E elas vão lutar sozinhas com ele? – Perguntei indignado – Enquanto ficamos parados?

— É a Selena. E a sua amiga também parece bem forte. Elas dão conta. Não precisamos arriscar mais gente na briga.

A essa altura todo o resto estava batendo na barreira, tentando atravessar.

— É idiotice. E se elas se machucarem? Vamos ficar olhando? A Reddie é humana, ela não se cura que nem a Selena!

Ele ficou calado, e eu percebi que não adiantaria discutir. Eu iria ver a luta sem poder fazer nada. Olhei para cima, a lua estava avermelhada. Como um espécie de eclipse. Mas não tinha uma sombra a cobrindo, ela simplesmente estava vermelha. Em conseqüência, as nuvens ao seu redor pareciam carregadas de sangue. Como se literalmente fosse chover sangue naquela batalha. O Mollit estava a dois metros de distância de Nicho, o usando como escudo humano.

O corpo de Nicho se erguia a centímetros do chão, flutuando, e seus olhos estavam cada vez mais opacos, o rosto ainda sujo com filetes de sangue.

— Desistam e corram enquanto podem.

— Desistir – Reddie deu um riso de escárnio — Essa palavra não existe no meu vocabulário.

— Vamos lutar, sorvetinho. – Selena rosnou, então abriu um sorriso diabólico

Nicho juntou as mãos e uma rajada de gelo veio como um raio na direção de Selena e Reddie, que saltaram em direções opostas. Reddie atirou uma adaga na direção do Nicho. Nicho fez uma barreira de gelo surgir ao seu lado e a adaga se cravou na barreira, com a ponta da lâmina a centímetros de seu ombro. Ela nunca acertaria uma parte vital dele, não de propósito, e parecia estar realmente se esforçando pra isso.

Nicho fez mais uma rajada de gelo sair de seus dedos e congelou as pernas de Sel, que afundou no meio do salto, mas colocou toda sua força para cair no chão, quebrando o gelo no momento do impacto. Enquanto isso, Reddie corria na espreita, e eu percebi que o verdadeiro alvo dela naquela luta era o Mollit, e deixaria Selena cuidar de Nicho.

— É o máximo que você tem? – Sel gritou e saltou para cima dele.

Então Nicho percebeu movimento a sua espreita e na mesma hora o gelo atacou Reddie, se aproximando pelo chão de onde surgiam espécies de estalagmites, com pontas escuras, como se embebidas de veneno e afiadas como lâminas. Meu coração começou a martelar dentro do peito.

Selena tentou atacar Nicho e ele se protegeu com uma camada de gelo sobre seu corpo.

Eu acho.

Meus olhos não se desviaram de Reddie recuando do ataque até tropeçar na barreira curta que protegia de uma queda, cambalear, soltar um grito ao não encontrar apoio e cair.

Eu corri e cravei minha faca na barreira, o que resultou somente num baque surdo e minha mão cortada.

— DESFAÇA ISSO AGORA! – Gritei para Rafa, tentando desesperadamente ver algum sinal de que Reddie havia se prendido de algum lugar e não sido esmagada na queda.

— Você não vai a lugar nenhum.

Eu fui até ele, segurei o colarinho de sua camiseta e apontei minha lâmina para sua garganta. Até uma gota minúscula de sangue escorrer pela faca.

— Desfaça agora ou eu te mato. Ela precisa de ajuda.

Ele estreitou os olhos como se duvidasse da minha ameaça, mas logo estalou os dedos e eu soube que tinha desfeito. Eu sabia que estava com aquela expressão insana. Aquela expressão que tenho quando as pessoas com quem eu me preocupo estão em perigo de alguma forma.

Eu corri para o lugar onde ela tinha caído. Na luta, Nicho havia criado uma espada de gelo e agora duelava duramente com a espada celestial de Selena, cujos olhos brilhavam cada vez mais de ódio enquanto os olhos de Nicho a desafiavam.

Olhei pela barreira de concreto, inseguro do que eu queria ver. Ela podia estar morta no chão, ensaguentada e com os membros do corpo num ângulo estranho.

E talvez por alguns instantes meu cérebro me pregou peças de Reddie com o pescoço quebrado.

Porém, para meu alívio instantâneo e coração extremamente mais leve, Reddie se pendurava com dificuldade com as duas mãos numa barra de tijolos que parecia que iria quebrar a qualquer minuto.

Pelo menos ela tá segurando em algum lugar e não estatelada no chão. Ela parecia querer sorrir de alívio quando me viu, mas desistiu da ideia.

— Desgraça, será que dá pra me ajudar?

— Vai me dever algo depois.

— Então me deixe cair que eu prefiro morrer. – Ela revirou os olhos – Me ajuda logo, antes que minha dignidade não me deixe mais pedir.

— Que ironia você querer agora ficar de mãos dadas comigo – Sorri sarcástico.

— Idiota.

Estendi minhas duas mãos o máximo que podia por causa da barreira de concreto que me impedia de me esticar mais. Quando sabia que não daria mais, ela soltou uma mão e a estendeu para agarrar a minha, cerrando os dentes com o esforço.

Quando seus dedos estavam prestes a agarrar os meus, a barreira de tijolos que ela se apoiava cedeu. E eu não ia deixar ela cair, me estiquei mais do que seria humanamente possível, mas agarrei sua mão.

O problema é que agora eu estava escorregando e ia cair junto com ela. Meu estômago gelou quando olhei o tamanho da queda, mas continuei agarrando a mão dela, eu não ia deixar ela cair. Não pelas minhas mãos.

— Me larga. Você vai cair. – Ela falou num tom autoritário, mas pela primeira vez, eu consegui ler os pensamentos de Reddie, ela não queria que eu caísse. Naquele momento ela preferia cair sozinha e morrer do que me levar junto. – Me solta agora.

— Eu não vou te soltar.

Uma lança de gelo passou zunindo ao lado do meu rosto. Quase cravando na minha cabeça, mas o suficiente pra me desequilibrar ainda mais.

Se eu a soltasse, ainda conseguiria recobrar o equilíbrio, mas eu não ia fazer isso.

— Ethan, pelo amor de Deus, só vai se matar, desista de mim agora. Tá tudo bem – Ela não queria cair, estava desesperada e sua mão começou a suar – Me deixa cair.

— Não. – Meus pés não tocavam o chão do outro lado, Reddie era leve, mas eu só estava segurando uma de suas mãos – Me dá sua outra mão.

— Vai pesar mais, você tem é que largar essa. – Ela tentou se soltar de mim, mas agarrei sua mão com mais força.

— Não se atreva, Hunter. – Eu suava frio, sentindo cada vez mais meu corpo pendendo para a queda. – A gente pode sair dessa.

— Você pode sair dessa.

— Já te falei que esse seu pessimismo é péssimo pro nosso futuro relacionamento?

— Como consegue pensar merda uma hora dessas? E eu sou realista, me larga logo, porra.

Meu corpo pendeu ainda mais e Reddie não ajudava tentando se soltar de mim. Seus olhos estavam alarmados com uma culpa antecipada.

— Você não vai cair por minha causa!

— É, ele não vai, nem você. – Bryan disse.

Acho que a única vez que eu fiquei mais aliviado em ouvir a voz do Bryan do que nessa foi quando ele acordou do coma de dois meses depois de ter uma overdose. É, Bryan nem sempre foi esse maravilhoso nerd certinho e sedentário que é hoje. Mas isso é história pra outro dia. Eu senti as mãos de Bryan envolverem a minha cintura e ele me puxar de volta até meus pés tocarem o chão. Reddie tinha uma expressão de alívio tão intensa que eu tive certeza que nunca mais teria um momento que seus sentimentos ficassem tão visíveis quanto naquela hora.

— Eu nunca fiquei tão agradecido por alguém me agarrar por trás.

— É, porque isso acontece muito, não é? – Reddie deu um sorriso de canto sarcástico.

— Cala a boca – Revirei os olhos, mas acabei rindo. – Dá logo sua outra mão.

Assim que tive certeza da minha posição, consegui puxar Reddie para cima, a deixando a salvo.

— Viu como foi bom não te largar? – Sorri.

— É, dessa vez reconheço que estava certo, Ross – Ela abriu um sorriso mínimo, mas seus olhos ainda mostravam aquela preocupação e culpa – Obrigada. Você... Está bem?

— Pensei que nunca ia falar isso. De nada, Hunter. E, sim, sua pessoa favorita está bem, meu amor. – Dei um sorriso.

Ela revirou os olhos, mas logo seus olhos voltaram a sua frieza normal, ela começou a averiguar tudo ao redor e me lembrei da batalha acontecendo. Selena estava indo com tudo pra cima de Nicho, que ainda empunhava sua espada de gelo, e ela com sua espada de bronze celestial, girando entre as mãos.

Então Sel largou as armas, e preferiu mover seu punho com toda a força contra Nicho, que usou a espada para abranger o impacto, e ela se quebrou no mesmo instante em pedacinhos e o punho de Selena foi direto em seu rosto, como se a proteção oferecida pela espada nunca houvesse existido.

Mas eu sabia que aquele não era o foco. O Mollit ainda observava a luta como quem assiste a um filme no cinema. Nicho cambaleou para trás e cuspiu sangue, mas largou o cabo de sua espada, única coisa que tinha sobrado dela, e desferiu um chute no estômago de Sel, que foi lançada pra trás. Ele fechou o punho para esmurrar seu rosto, porém a centímetros do alvo, Sel segurou sua mão e enfiou suas garras no estômago de Nicho que ofegou. Respingos de sangue mancharam seus lábios.

— Gostou da sensação? – Sel perguntou, rosnando.

Nicho abriu um sorriso ensanguentado.

— Adorei.

A mão que Selena usava para impedir Nicho de atingir seu rosto, começou a ser rasgada por pequenas estacas de gelo, que já saíam manchadas com seu sangue. Ela o largou, gritando de dor e Nicho aproveitou sua distração pra socar seu estômago, o que a lançou perto da barreira de concreto, mais um pouco, e seria Sel a cair do prédio. Ela estava caída, mas se ajoelhou e depois levantou, como se uma energia totalmente nova a tivesse preenchido. Sua expressão estava ensandecida.

Ela poderia matar Nicho naquele momento. Ela correu em sua direção, pronta pra atacar, e dessa vez a rajada de gelo que Nicho enviou não foi o suficiente, ela o quebrou com suas garras no momento que ousaram tentar atingi-la. Ele mandou uma rajada mais forte, e a congelou por completo, transformando Selena num bloco de gelo.

Não durou cinco segundos e o gelo explodiu em estilhaços.

Eu, Reddie e Bryan nos abaixamos para nos proteger das centenas de farpas de vidro na nossa direção. O lugar era aberto não tinha onde se proteger. Mas pra minha surpresa, não fui perfurado. Quando olhei, as farpas de vidro estava todas caídas numa fileira, como se tivessem batido numa barreira. Olhei pra Rafa e ele deu de ombros.

Selena continuou andando, com pedaços de gelo em seu cabelo azul, como se não houvesse acontecido nada, e Nicho começava a recuar. Mas ela avançou mais e o derrubou no chão.

Selena começou a desferir murros atrás de murros no rosto de Nicho e quando vi, Reddie estava correndo na direção do Mollit, que parecia não acreditar que seu soldado estava perdendo a batalha que ela própria deveria enfrentar. Ela estava aproveitando a distração dele pra atacar. Eu não conseguia esquecer que Nicho na verdade não era assim, que estava enfeitiçado. Mas Selena parecia determinada a socá-lo até ele lembrar quem era de verdade.

Nicho estava prestes a desmaiar quando Reddie chegou por trás do Mollit e o atacou. Era estranho ver duas versões de Reddie brigando. A verdadeira socou seu rosto, e dessa vez o Mollit não virou um vulto, preferindo brigar de verdade. Reddie estava com uma faca de bronze em cada mão.

Enfiou uma no ombro do Mollit que rosnou e segurou seu punho para tirar a lâmina de seu corpo. No mesmo momento, Luna, de longe, atirou pelo menos uma dezena de lâminas na direção do Mollit, que ofegou quando a maioria encontrou seu alvo. Reddie usou seu outro punho para socar seu rosto e o chutou na barriga o derrubando. Em suas mãos ainda estavam as facas, uma brilhando com sangue. Ela pressionou seu pé na barriga do Mollit, que se debatia tentando se levantar, mesmo com as várias lâminas no seu corpo.

— Dessa vez você não vai a lugar nenhum.

— Eu não me preocupo. Você tem um lugar guardado no inferno, Hunter. Sabe disso. Vou estar te esperando pra dar as boas vindas.

Ela não revidou. Apenas cruzou os braços, se agachou, e descruzando os braços num único golpe decepou a cabeça do Mollit. O sangue negro respingou em seu rosto e ela chutou a cabeça do demônio para longe antes de dar a chance dele se juntar ao corpo. Era agonizante ver a cabeça de Reddie girando pelo chão, mas sabia que não era ela mesmo. A que se erguia vitoriosa na luta tinha a expressão que eu sabia que pertencia a Reddie, e mais ninguém.

Ela estava com aquela expressão de culpa que vi quando estava a segurando para não cair. Talvez a aparência do Mollit fosse alguém que ela gostasse. Eu queria perguntar, mas ela nunca me responderia. Dava pra ver seu punho tremendo um pouco. Então ela notou que eu a estava avaliando e tratou de ficar com sua pose imponente de sempre.

Mas era tarde, eu já tinha conseguido ler seus olhos, e uma vez foi suficiente. Reddie não era de ferro e carregava um segredo pesado.

Os cabelos e olhos de Nicho estavam ficando pretos novamente, e sua consciência voltando ao normal aparentemente, não dá pra dizer, o rosto dele estava ensanguentado. E, bem, ele estava semi consciente. Selena ainda parecia possessa de ódio quando ele segurou seus pulsos fracamente, mas não adiantou muita coisa.

— Sel, sou eu... – Ele tentou dizer. – Para.

— Mas eu acho que essa não é a Selena. – Reddie correu na direção deles e eu fui atrás.

Reddie puxou um braço de Sel e eu puxei o outro, ela ainda se debatia.

— EU VOU MATAR ELE! ME SOLTEM! – Mas nós a puxamos até uma distância segura.

Nicho gemia de dor no chão, cuspindo sangue. E o que eu acho ser um dente.

— Se acalma, Selena! – Reddie deu um soco em seu rosto – Acorde, porra. Ele já voltou ao normal.

Ela pareceu recobrar um pouco a consciência com o soco de Reddie, mas ainda estava perturbada, então Reddie a socou mais uma vez.

Belo jeito de ajudar uma lobisomem a se acalmar. Mas estava funcionando, então quem sou eu pra falar alguma merda?

Os olhos de Sel estavam voltando a cor normal, de um azul claro. Ela ofegou, revirou os olhos, e então desmaiou. Jack chegou perto e a colocou em seu colo. Eu e Reddie fomos ver Nicho. Ele estava praticamente inconsciente, seu rosto banhado de sangue, mas eu acho que o dente que caiu dele não foi nenhum da frente.

Que foi? Eu sou otimista. Tem que ver pelo lado bom das coisas.

— Nicho? Quantos dedos está vendo aqui? – Mostrei dois dedos pra ele.

Nicho não respondeu, talvez as coisas estejam realmente ruins pra ele. Dessa vez, foi Rafa que veio carregar ele.

Na realidade, a maioria de nós estava acabado. Selena ainda tinha furos em que se dava pra ver o outro lado na mão, se cicatrizando lentamente, seu rosto sujo de sangue e o cabelo totalmente bagunçado e molhado, provavelmente porque o gelo nele tinha derretido. Reddie parecia que tinha saído de um filme de terror com o rosto salpicado com o sangue do Mollit.

Eita. O corpo do Mollit. Olhei para trás. Ainda estava lá. Peguei uma garrafinha de gasolina que eu levava comigo pra essas situações e respinguei sobre o corpo e a cabeça, depois acendi um fósforo e assisti a versão demoníaca de Reddie incendiar.

Notas finais
Espero que tenham gostado