Notas iniciais
Se você já shippou alguma vez, este capítulo é dedicado a você :v

ETHAN

— Ei, você – Sel falou — Vai ficar aí pensando na morte da bezerra e não vai ver o povo dançando?

Eu só pensava o quanto aquele “Me esquece, Ethan” doeu. Estava disposto a tentar conquistar ela, por mais difícil que fosse. De cinco em cinco minutos a lembrança recente do beijo passava na minha cabeça. Mas Reddie tinha falado uma verdade. Ela iria embora amanhã.

Não iria ver a Hunter tão cedo, ou talvez nunca mais.

Despertei do transe e vi Reddie e Nicho indo jogar no Just Dance. Que milagre ela querendo jogar. Talvez quisesse aproveitar o último dia com o melhor amigo.

Podia aproveitar também me dando uns beijos, mas ela não colabora. Sendo sincero, eu nunca tinha sido o “trouxa da relação”. Eu era quem terminava, eu não tinha ciúmes de nenhuma ex namorada, eu que ás vezes beijava e depois não queria saber mais.

Sim, ás vezes sou babaca. Mas nunca era nada sério, de qualquer forma, ficava por ficar. E aí de repente fico fissurado por uma garota que só olha na minha cara para me xingar e me bater. Que me beijou e aí partiu meu coração mandando eu esquecer ela.

Eu fui seriamente iludido aqui. Talvez por Reddie não me querer que eu queria ela. Não estava ao meu alcance.

Minha cabeça estava cheia de talvez, era irritante. Eu gostava do 8 ou 80. Da certeza. Se bem que o não de Reddie parecia minha maior certeza no momento. Como alguém pode rejeitar um bebê desses? Balancei a cabeça de novo, voltando a realidade. Reddie e Nicho escolheram uma banda de K-Pop e vi os olhos da Sel brilharem.

Eu nem sabia que Red dançava. Ela não parecia ser do tipo que dança.

Se bem que eu não imaginava que ela cantava até ver ela cantando de distração no baile. E juro que tentei não ficar de boca aberta com aquilo.

Hoje também tentei. Mas digamos que sucesso seja uma palavra muito forte pra eu conquistar nesse momento.

E também fiquei irritado. Reddie tinha seus defeitos (Tipo não querer ficar comigo, é uma péssima escolha), mas tudo que ela queria fazer, ela era perfeita até demais. Ela praticamente voava no Just Dance, como se tivesse jogado a vida toda e ela não fazia o tipo que gastava seu tempo em jogos. Mas eu também não sabia lá muitas coisas da vida dela. Da família eu só sei que ela não tem mais ninguém, mas penso que ela deva ter alguns amigos, tipo Nicho, mas eles se separaram quando crianças, aparentemente.

Acho que estava dando bandeira demais, porque meus olhos estavam vidrados em Reddie e meu corpo estava ficando quente. Balancei a cabeça, ela iria embora amanhã. Eles ganharam e Reddie saiu com um sorriso de canto vitorioso. Me forcei a mudar os olhos de direção e fazer qualquer pose casual.

Sim, queridos leitores, eu tenho amor próprio a ponto de pelo menos disfarçar que tava babando.

REDDIE

Depois que saímos do Just Dance recolhemos nossos pontos, que eram muitos. Os garotos que competiram conosco saíram emburrados. Maus perdedores. Fui na direção de Luna, mas antes dei uma olhada em Ethan, ele estava assobiando olhando pra piscina de bolinhas.

Será que ele não sabe que eu notei ele me olhando o tempo todo quando estava dançando? Eu não sou cega, porra. Deixei quieto, era melhor do que ele ficar na minha cola de novo. Foi a vez dele e de Sel dançarem, sentei numa cadeira qualquer por perto e mexi em alguma merda no celular. Não sei por que tinha um celular bom se mal usava. Deveria ter comprado um daqueles vagabundos que só fazem ligações mesmo. Volta e meia olhava para Ethan. Ele dançava bem. Na verdade, melhor do que eu esperaria dele.

Entendam que considero uma proeza Ethan ficar mais de 5 minutos sem me irritar ou falar algo idiota, o fato dele dançar bem me surpreendeu mesmo.

Porém eu tinha minha dignidade a zelar portanto fingi ter algo extremamente interessante no meu celular de disfarce. Depois de alguns minutos o celular foi tomado das minhas mãos. Arqueei uma sobrancelha para Ethan.

De fato, a melhor habilidade dele é me irritar.

— Não é melhor me ver dançar?

— Pensei que seu único talento era ser chato.

— Tenho vários talentos, você que não me conhece.

— Verdade, você tem o talento de ser chato, arrogante, um merda, ser extremamente idiota, céus, quer a lista dos seus talentos em ordem cronológica ou alfabética?

— Notou isso tudo em mim? Estou lisonjeado – Ele colocou uma mão no peito e fingiu ofensa. — Você também dança bem, achei que só fosse boa em rejeitar todo meu amor e carinho nessa sua ruindade.

No minuto seguinte eu só não demonstrei que havia me assustado pela minha linda dignidade, senão teria gritado com o garoto que brotou do meu lado misteriosamente com um sorriso gigantesco.

Pessoas que dão sorrisos grandes demais me assustam. Ainda mais quando me olham fixamente. Misericórdia.

— Ei! Eu te vi cantando naquele baile de dia dos namorados! Você estava incrível. Posso tirar uma foto sua?

Primeiro.

Eu sabia que aquela merda ia dar ruim pro meu lado, teria sido uma distração melhor ligar o alarme de incêndio ou tacar fogo no colégio e mandar o povo cair fora. Mas que desgraça.

Segundo.

Alguém me mata que estou agonizando de vergonha e seria muito mais confortável pra mim alguém enfiar uma estaca no meu coração.

Terceiro.

POR QUE MEU DEUS? Eu já não sofri demais?

Quarto.

Qual patada adequada para afastar um fã? O que meus pais fariam nessa situação? Nunca fui ensinada a isso. Se bem que Anne e Patrick provavelmente colocariam fogo na escola.

Enquanto pensava tudo isso meus lábios estavam entreabertos enquanto eu murmurava xingamentos com os olhos arregalados mandando mensagem de socorro, Ethan estava se segurando pra não rir.

— Eu... Não era eu, não, garoto. Só sou muito parecida com a garota.

— Claro que é você, tenho um vídeo no celular, está na página da escola.

— É, é ela mesma. Minha namorada não é incrível? – Sel sentou na cadeira ao meu lado, passando o braço por cima dos meus ombros e me dando um beijo na bochecha – Ela cantou pra mim.

Sel sorria pra mim como se eu fosse um grande prêmio na loteria de sua vida que até eu acreditei que ela era minha namorada.

— Pensei que era pra um namorado – Ele franziu o cenho.

— É que o mundo está cheiooo de homofóbicos, meu bem. Mas ela é minha namorada mesmo.

O garoto ficou tão sem graça que até esqueceu o que ia falar comigo.

Obrigada, Selena.

— Verdade, amor – Entrei no jogo porque né – Cantei pra ela, porque nosso aniversário de 3 anos de namoro é na mesma data do dia dos namorados, não é adorável?

Ethan estava vermelho segurando a risada. Até eu estava querendo rir.

Mas gente, parecia que o garoto nunca tinha visto um casal de lésbicas na vida. Essa era a verdadeira piada, ele achava aquilo tremendamente anormal.

— Só que ela fica tímida quando as pessoas param na rua para perguntar dela cantando, toda fofa ela.

— Eu não sou fofa, meu bem – Aí minha voz saiu abafada porque cerrei os dentes, que puta que pariu, minha vontade era de socar Selena, odeio que me chamem de fofa.

Eu tenho um arsenal de armas, não sou fofa.

— É, sim, gracinha. – Aí apertou minha bochecha.

Largou na mesma hora quando viu meu olhar a fuzilando estilo “Eu vou arrancar essa mão do seu braço da maneira mais dolorosa possível se você não parar agora mesmo”.

— Ah, bem, então não vou incomodar vocês, só queria dizer que você foi ótima mesmo.

— Obrigada – Meu rosto devia estar vermelho.

Isso está acontecendo demais pro meu gosto. O garoto sumiu, até que era bonitinho, mas devia ter 14, 15 anos, e eu além de desinteressada não quero a polícia me procurando por ser pedófila. Daqui a pouco recebo uma mensagem de boa tarde de algum militar. Contudo, percebi que teria que hackear a página da escola e apagar meu vídeo com urgência antes que mais gente me procure.

Ou melhor, apagar o vídeo e cair fora dessa cidade, desse país, estou precisando com urgência. Assim que o garoto foi embora, Ethan e Selena não aguentaram e caíram na risada. Eu revirei os olhos porque afinal de contas o alvo da vergonha alheia fui eu, portanto não teve tanta graça.

A noite se seguiu com jogos, idiotices (Essas vindas prioritariamente de Ethan, obviamente), piadas e risadas. Era legal. Eu tinha uma sensação de despedida. Mas uma despedida decente, daquelas que quando pensar, talvez bata saudade. Ou vontade de me aprofundar um pouco mais na memória, como faço com as melhores lembranças. Era madrugada quando voltamos para a casa de Selena.

Quando deitei na cama, não pude deixar de pensar na pontada de tristeza por ir embora daqui umas horas.

Notas finais
Espero que tenham gostado ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.