Notas iniciais
Bem, estamos na reta final, infelizmente. Mas ainda temos algumas coisinhas a resolver >. Boa leitura, e naum esqueçam de comentar!!

Adeus

Lena não queria, mas finalmente iria voltar ao Brasil, sua terra. Continuaria com a faculdade de arquitetura e viveria normalmente, como se nada de Nárnia tivesse acontecido.

Mas acontecera.

Acontecera de tudo para Lena; tudo que mudaria sua vida totalmente. Conheceu um grande reino; conheceu um rei; virou amiga, quase irmã, dele; ajudara-o a reerguer o reino; conheceu um leão; descobriu que era uma rainha; ficou cinco anos reinando; presenciou a volta da Feiticeira; descobriu que fazia parte de uma Profecia; buscou os reis da antiguidade; destruíra a Feiticeira.

E, acima de tudo, se apaixonara.

Não podia simplesmente voltar ao Brasil, onde seria obrigada a esquecer daquilo e levar uma vida normal. Porque nada dali para frente seria comum quando guardava lembranças de uma vida paralela que vivera, onde tinha reis, rainhas, guerras e Profecias.

Por que era claro que Lena se recusava a se esquecer dos melhores anos de sua vida.

Mas também estava claro que isso estava acabado.

Respirou fundo e ajeitou seu vestido preto e azul cheio de babados. Estilo gótico vitoriano, vestido de baixo preto, com um complemento de ceda azul [http://s1204.beta.photobucket.com/user/Sakura-eBia/media/Vestidos-Lolita-Goacutetica-Lolita-claacutessico-vitoriano-princesa-vestido-longo-de-cetim-azul-bmz_cache-e-e099abbfbc917196_zps4f76c457.jpg.html]. Não seria sua primeira opção para um adeus, mas neste momento não estava se importando nem um pouco.

^-^

Lena segurava a mão de Edmundo, esperando Aslan, que aparecera no fim da tarde, pronunciar as palavras de despedida. Ambos estavam nervosos e receosos sobre o que o futuro os prometia.

Sabiam que jamais se veriam. E isso não os deixava nem um pouco felizes.

– Chegou a hora. – disse Aslan.

Lena fechou os olhos, nervosa, mas rapidamente os abriu, procurando decorar cada detalhe do jardim onde passara cinco anos treinando. Sentiu Edmundo apertar-lhe a mão. Olhou para o outro lado dele, onde os irmãos estavam. E mais além, Caspian.

Um a um, os Pevensie vieram abraçar Aslan e Lena. Caspian abraçou Lena fortemente e foi se despedir de Susana com um beijo. Edmundo apertou a mão de Lena mais uma vez e a envolveu em um abraço apertado, não querendo soltá-la nunca mais.

Sabiam que este dia chegaria, mas não imaginavam que seria tão rápido. Sentiam o coração apertado e os olhos ameaçando lacrimejar, mas nenhum dos dois chorou; mas sentiam que seus mundos jamais seriam os mesmos.

Lena afastou-se um pouco e selou seus lábios, pouco se importando para a plateia a volta. Não foi um beijo exatamente, fora apenas a pressão que os lábios de ambos exerciam. Lena abraçou-o mais forte e começou a chorar, enterrando o rosto na curvatura do pescoço dele.

– Adeus, Eddie. – disse.

Edmundo a puxou para mais perto pela cintura e apoiou a bochecha sobre sua cabeça.

– Adeus, Lena. – ela ouviu-o sussurrar ao seu ouvido e fechou os olhos.

De repente, Lena já não sentia mais os braços de Edmundo ao seu redor e um grande vazio tomou conta de seu coração ao abrir os olhos e constatar que não estava mais em Nárnia.

Estava sentada no banco de trás de um táxi, no meio do Rio de Janeiro, com uma mochila preta ao seu lado. Usava jeans e casaco, apesar de não estar nem um pouco frio.

Após alguns segundos forçando a memória, lembrou-se que quando foi chamada a Nárnia, estava indo para a faculdade, mas não com livros na mochila. Com roupas. Iria seguir para a casa de uma amiga quando as aulas daquele dia acabassem.

Checou rapidamente na bolsa o que tinha.

Dinheiro – e não era pouco –, documentos, passaporte.

Ainda bem que para fugir de casa eu trouxe o passaporte!

Virou-se para o motorista e disse.

– Mude o curso, por favor! – disse, tentando não parecer desesperada. Queria saber o que acontecera a Edmundo depois que voltara de Nárnia. – Para o aeroporto!

– Sim, senhora.

^-^

Horas mais tarde, o voo de Lena pousou em Londres. Ela sabia que ele não estava mais em Finchley. Pesquisara durante o voo na internet de seu celular e descobrira que seu novo endereço era em Londres.

Alguns podem achar um pouco estranho, mas Lena precisava saber o que acontecera depois de Nárnia. Queria ter certeza de que tudo ocorrera como ela havia desejado; afinal, fora por isso que ela se empenhara tanto em matar a Feiticeira.

Morreria para vê-lo feliz.

Lena caminhava pelas ruas de Londres, procurando o endereço que encontrara na internet. Estava frio, ela só usava um casaco, jeans e all star e não tinha certeza que o endereço estava certo ou atualizado.

Estava com frio, cansada e com sono. Quase não aguentava dar mais um passo. Quase fora assaltada, mas para alguém do Rio e que passou anos lutando em guerras em Nárnia, rapidamente fez com que o ladrão fugisse.

Parou em frente a uma grande casa gótica no estilo vitoriano, azul, com detalhes pretos. Lena franziu o cenho, tentando se lembrar de onde se lembrara daquilo: não uma construção exatamente, mas algo lhe era familiar naquilo. Pelo menos as cores e os estilos.

Balançou a cabeça, parecendo impossível a possibilidade de ele ter se lembrado do vestido que ela usara quando se despediram. Olhou mais uma vez para o endereço e conferiu que batiam.

Olhou para a casa e respirou fundo antes de caminhar através do portão de entrada – que estava aberto – e andar pelo caminho de pedra que cortava o jardim da frente. Chegou à porta e tocou a campainha, ouvindo o som reverberar por toda a extensão da casa.

Rapidamente uma menina apareceu à porta, não devia ter mais de dez anos.

– Sim, moça? – perguntou a menina.

Lena ficou tonta e confusa. Provavelmente é a casa errada. Mas antes que Lena pudesse se desculpar e dizer que se enganou, uma mulher mais velha chegou puxando a filha e parando em frente a ela.

– Sim? – disse a mulher, mais velha que ela. Tinha uma sorriso caloroso e um olhar simpático.

Por algum acaso, Lena pensou que seus olhos e cabelos escuros lhe lembravam muito alguém.

– Anh... Desculpe, acho que me enganei. – disse Lena. – Pensei que era a casa de Edmundo Pevensie...

– Engano nenhum! – disse a mulher. – Você o conhece de onde?

– Bem... – Lena apressou-se em arranjar uma desculpa. – Encontrei um diário da minha avó... E mencionava o sr. Pevensie. – ela se sentiu meio estranha falando dele assim, mas era preciso. – E queria procurar mais sobre ela. Pensei que ele poderia ajudar.

– Por favor, entre! Está frio aí fora! – a mulher disse, afastando-se um passo para que Lena entrasse.

Lena entrou, vendo a linda decoração da casa. Sentou-se em um dos grandes sofás enquanto a mulher lhe trazia uma grande xícara de chá.

Enquanto Lena bebericava o líquido quente, ela olhou em volta e seu olhar foi preso em uma foto antiga, preto e branca. Era Edmundo com uma menina da mesma idade. Loira ao que parece. Tinha olhos claros também.

Lena, apesar de ser o que ela queria, sentiu certo ciúme apertar seu coração. Desviou o olhar e se voltou à mulher que se sentou à sua frente, sorrindo. A menina havia subido para o segundo andar.

– Qual seu nome? – perguntou a mulher.

Lena pensou rapidamente em um nome falso.

– Shelby Miles. – disse, estendendo-lhe a mão para um aperto.

– Prazer. Angelina Price Pevensie. – respondeu a mulher, apertando-lhe a mão.

Lena assustou-se, mas tentou ao máximo não mostrar-lhe isso.

– Por favor, conte-me a história de seu pai. – pediu Lena, antes que sua surpresa ficasse muito na cara.

– Bom... Pelo que eu soube por minha mãe, ele morreu aos dezenove anos.

– Dezenove?! – assustou-se Lena. Não imaginou que ele teria uma vida tão curta após sua volta de Nárnia.

– Sim, dois anos após uma grande viajem que fizera, aos dezessete. Pelo que minha mãe soube, foi quando conheceu a menina que deu origem ao meu nome.

Lena lançou um olhar triste para a fotografia na mesinha.

– Mas e sua mãe? O que falou sobre a garota?

– Ela não a conheceu, mas sempre achou que era uma grande guerreira!

Lena voltou seu olhar confuso a ela. Angelina apressou-se a dizer.

– Meus pais nunca se amaram! Era costume da época se casar por acordo. Minha mãe nunca amou outro homem, por isso não se importou tanto quando papai lhe disse que amava outra. Na verdade, a ideia da primeira filha ter seu nome foi dela.

Lena voltou a olhar para a fotografia, simpatizando de repente com a menina da foto, que pode ter seu tempo ao lado do menino que Lena tanto amava.

– E depois?

– Bem... – disse Angeline, colocando a mão no queixo, esforçando-se para lembrar. – Eu tinha um ano quando ele se foi. Descarrilamento de um trem na estação que levou tia Lúcia e tio Pedro junto. Minha mãe ficou arrasada, pois era o único em quem ela confiava, mas conseguiu me criar sozinha. Morreu quando fiz vinte anos.

– Sinto muito. – disse Lena, baixinho.

– Não sinta. Sei que meu pai está em um ótimo lugar, esperando pela menina que tanto amou.

Lena franziu o cenho.

– Como sabe que ainda não a encontrou?

– Acho que eu saberia. Algo do tipo quando meu nome se destacasse em minha mente. Sempre imaginei assim.

Lena sorriu.

– Sabe algo mais sobre essa Angelina?

– Lena. – corrigiu.

Lena segurou a vontade de rir.

– Lena?

– Era como meu pai sempre se referiu a ela.

Lena assentiu, lembrando-se como ela se referia a ele: era sempre reizinho.

– Algo mais? – perguntou.

– Na verdade, tenho um esboço. – disse Angelina, levantando-se e pegando um papel velho e amassado na gaveta da mesinha que continha a fotografia. Entregou-o a Lena. – Aqui.

Lena observou atentamente a fotografia. Certamente era ela, mas com certeza a filha não saberia que a menina estava para à sua frente. Seu vestido era exatamente o mesmo que usara na despedida.

– Esse vestido... – começou Lena, apontando para o vestido.

– Foi a inspiração para a casa que meu pai queria. – sorriu docemente. – E o poema embaixo era de um grande artista português. Luis de Camões.

Lena olhou para baixo e rapidamente reconheceu os versos que tanto marcara sua vida, sem nem mesmo se dar conta disso. Ela nunca gostara de poemas e poesias, mas aquela parte de um soneto era a única que já a fisgara de um modo incorrigível.

O Amor é fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer
”.

Era muita coisa para a cabeça de Lena. Ela não podia digerir tudo aquilo de uma vez só. Precisava pensar.

– Muito obrigada. – disse Lena, levantando-se e lhe devolvendo o desenho. – Acho que vou continuar minha busca.

– Sim, claro. – disse Angelina, levantando-se também e caminhando com Lena até a porta. – Espero que tenha sido de grande ajuda. E boa sorte, Shelby.

– Obrigada. – sorriu, verdadeiramente agradecida.

Saiu rapidamente pelo frio de Londres e ficou vagando pelas ruas e avenidas londrinas, sem saber o que fazer.

E agora que eu sei o que houve, o que eu faço?

Ela não conseguiria simplesmente voltar ao Brasil e continuar a faculdade sabendo que Edmundo já não existia mais nesse mundo há quase cinquenta anos. Sentia-se fraca, vazia e sozinha. Como jamais se sentiu antes.

Precisava de um abraço quente, um beijo macio e um sussurro arrepiante. Mas não de qualquer um. Dele. Mas sabia que agora seria impossível e precisava se concentrar nisso.

Estava tão distraída em pensamentos que nem percebeu quando atravessou a rua sem olhar para os lados e uma moderna caminhonete, que vinha a cem por hora, bateu contra seu corpo e jogou-a do outro lado do asfalto, totalmente apagada e inconsciente.

Notas finais
E ae?? O que acharam??Sejam sinceros!! Ahh, e queria agradecer a MaNgA_aLbInA pela segunda recomdação!! Gostei mto linda!!