Caspian quis ficar mais uns dias em Ramandú, estava se sentindo realizado por sua recuperação emocional. Quando voltasse, levaria Lilian para conhecer seu futuro lar e também Aslam, na verdade o leão não gostou nenhum pouco de saber que o rei foi atrás de uma esposa, achou a decisão de Caspian preciptada, ainda mas sabendo que Susana voltaria. Isso geraria uma grande confusão na vida dos reis, e talvez tenha sido por isso que Salomão o tenha pedido para abrir os olhos dele.

Após voltar para Nárnia e apresentar Liliandill a Aslam, o rei já não se aguentava mais de tanta paixão, queria ter a moça, afinal Caspian nunca havia tido nada íntimo com uma mulher. Liliandill sabia que não era certo uma moça de família se entregar antes do casamento, seu pai ficaria furioso se soubesse, mas era impossível resistir as investidas de Caspian, ele era lindo demais, ela já o amava. Naquela noite silenciosa, quando todos já tinham ido se deitar, os dois selaram seu amor com uma maravilhosa noite, noite que superou todas as expectativas de Lilian, Caspian era um verdadeiro romântico, a jovem ficou ainda mais apaixonada.

Os dois dormiram aninhados como se seus corpos fossem um só, infelizmente um desagradável e incomum sonho perturbou a noite perfeita Caspian. Ele sonhou que sua Susana, se entregava a outro, o pior era que esse outro era seu irmão Pedro. Vê-los se beijando e se amando daquele jeito foi o pior dos pesadelos, apesar daquilo não fazer o menor sentido, eram irmãos.

A sorte parecia estar mesmo ao lado dos Pevensie, John foi presenteado por seu patrão com um cruzeiro de dez dias para quatro pessoas. Era o momento ideal para John tentar consertar as coisas entre ele e Helena, seria como uma segunda lua de mel, mas eram quatro passaportes e eles não poderiam desperdiçar , teriam que levar apenas dois filhos.

Chegando em casa John contou a novidade que deixou toda a família contente, todos mesmo, inclusive Pedro que teria a oportunidade de ficar a sós com Susana.

– O único problema é que apenas dois de você poderão ir. Quem quer viajar?

– Por favor, por favor, me deixe ir papai, eu quero muito. — pedia Lúcia demonstrando todo seu entusiasmo e euforia, precisava ser escolhida.

– Eu quero muito ir pai, a Susana e o Pedro sempre viajam com vocês. — pedia Edmundo emburrado pelo medo de perder.

– O Ed tem razão pai, eu viajei com vocês para os Estados Unidos, não me importo de ceder a vaga.

– E eu também quero ficar, acho que a Lu e o Ed merecem. Eles podem ir e eu e a Su ficamos aqui.

Edmundo e Lúcia pulavam como se tivessem ganhado uma viagem para Nárnia, esquecendo-se que iam para o Havaí. Susana ficou incomodada, tinha medo de ficar sozinha com Pedro, tinha medo de seus sentimentos.

– Eu e você? sozinhos aqui? — gaguejava.

– Mas é claro, vai ser inesquecível você vai ver. Também temos o passeio do final de ano da faculdade.

– E você vai cuidar bem da sua irmã meu filho?

– Muito bem mamãe! — dizia Pedro encarando Susana de uma forma que a deixava arrepiada e sem jeito.

– Serão quantos dias mesmo?

– Dez dias Su. Fique tranquila seu irmão cuidará muito bem de você.

Era disso que Susana tinha medo, do cuidado excessivo de Pedro. Como fugiria por dez dias dele? era fim de ano e a maioria de suas colegas estavam viajando, não teria como fugir para a casa de ninguém. O jeito era controlar seus homônios.

No dia seguinte eles partiram ao entardecer, deixando Susana e Pedro sozinhos, talvez para a maior aventura de suas vidas. Pedro percebendo a tensão de sua "irmã" resolveu chamá-la para sair, mas Susana preferiu ficar em casa lendo algum livro e ele quis deixá-la um pouco só. Quando voltou para casa Pedro a encontrou dormindo um livro em sua barriga, ficou admirando-a por um tempo e decidiu levá-la para cima. Com muito cuidado a pegou no colo e a levou para o quarto de seus pais, ao deitá-la na cama, Susana acordou um tanto assustada.

– Pedro o que aconteceu? — perguntou esfregando os olhos.

– Você dormiu enquanto lia o livro e eu decidi te trazer pra cama.

– Mas é o quarto do nossos pais. Por que não me levou para o meu?

– Porque hoje vamos dormir aqui. Juntos.

–O que? — perguntou com uma cara de espanto – como assim Pe?

– Nossa parece até que sou um desconhecido Su. É que não estou acostumado a dormir sozinho, já que o Ed não está aqui, podemos dormir juntinhos.

– Olha Pedro, não sei se devemos fazer isso. — dizia um pouco nervosa.

– E por que não? Qual é o problema?

– É que já estamos muito crescidinhos para dormirmos juntos. Já somos adultos e acho que não pega bem.

– Somos irmãos Su, não tem nada demais, sempre dormimos juntos.

– Tudo bem. — disse ficando ruborizada ao vê-lo tirando a camisa. Pedro era perfeito, tinha um corpo capaz de chamar atenção de qualquer mulher.

Susana se virou para o outro lado, queria evitar qualquer contato com Pedro, físico e visual, ele era irresistível e ela se sentia péssima por pensar nele desse jeito. Apesar da cama ser enorme Pedro não poderia deixar a oportunidade passar, chegou bem perto dela e a abraçou bem forte, desejou boa noite aos sussuros ao pé do ouvido dela, deixando a rainha arrepiada dos pés a cabeça.

– Acho que não vou conseguir dormir hoje Su. — dizia abraçado à ela.

– E por que não Pe?

– Porque o seu cheiro é maravilhoso, tão bom que tenho vontade de cheirar o seu corpo inteiro. — Pedro era muito sedutor, e Susana achava que estava ficando apaixonada, aquilo era perigoso e muito bom de se sentir, mas depois vinha a culpa e o remorso, não deveria fazer nada que lhe trouxesse arrependimentos.

– Pedro acho melhor ir para o meu quarto. — disse se sentando rapidamente na cama.

– Não vai – pediu segurando seu braço – se você for eu vou junto e aí ficaremos muito apertados naquela cama, não acha? — terminou acariciando o braço que outrora havia segurado, deslizava sua mão até o ombro.

– Tem razão. Então... boa noite Pedro.

– E não vai me dar um beijo? — a encarava com seus olhos profundos.

– Acho melhor você me dar. — disse com o medo de não se controlar e beijá-lo na boca.

Pedro segurou o queixo dela, acariciou um pouco o rosto e Susana fechou os olhos ao vê-lo chegar tão perto, mas Pedro resistiu a tentação e apenas lhe beijou no rosto.

Nas regiões montanhosas da Arquelândia habitava um arqueiro, considerados por muitos o melhor no que fazia, até melhor que a rainha gentil, mulher que Thomas Netherfield só conhecia de nome e que mais tarde se tornaria o amor da sua vida. Na verdade o seu segundo amor, porque sua primeira paixão, sua esposa Sarah, havia sido morta por um narniano, não só Sarah como também o seu maior bem, sua filha. Não era conhecido por muita gente, era um homem misterioso, solitário, introvertido, mas todos esses poucos que o conheciam, conheciam também suas habilidades, Thomas era capaz de matar 5 homens com apenas uma flechada. Antes dessa grande fatalidade acontecer em sua vida, Thomas era caçador e vivia apenas para sua esposa, os dois viviam na aldeia e tinham uma vida normal, com apenas dois anos de casamento tiveram uma filha.

Naquela época Nárnia e Arquelândia ainda eram aliadas e estavam em paz, tudo ia muito bem até que o general do exército, o centauro Judá, ouvindo falar das habilidades e da destreza Thomas o quis recrutar. O problema era Thomas não era um soldado, era apenas um caçador que lutava para sustentar a mulher e a filha, mesmo assim o general não quis saber, lhe ofereceu rios de dinheiro, uma boa vida e uma posição notável, mas Thomas não queria se envolver com brigas e além do mais só se preocupava em defender e proteger Sarah e Viviana. Judá ficou muito injuriado pela recusa de Thomas e resolveu recorrer ao rei Caspian para lhe pedir ajuda, Caspian sendo influenciado pela conversa do general lhe deu carta branca para fazer o que quizesse para ter Thomas em seu exercito. Sendo assim Judá foi ao encontro do rei da Arquelândia, e o rei ambicioso do jeito que era aceitou a proposta de vender Thomas como escravo, mesmo que o arqueiro não fosse.

Ainda furioso pelo arqueiro ter rejeitado sua proposta, Judá decidiu ser cruel e invadiu a casa de Thomas com mais de 50 homens, pois apesar de ser bom com o arco Thomas também lutava muito bem e era capaz de derrotar vários homens de uma vez, mas 50 era um récorde que ele ainda não havia batido. Com muita violencia Thomas foi espancado até ficar inconsciente, enquanto Sarah e Viviana foram raptadas. Judá conhecido por sua rigorosidade ameaçou Thomas dizendo que ele só veria sua mulher e sua filha com vida novamente, se o arqueiro capturasse os cinco foragidos mais perigosos de toda Nárnia e o veado braco em apenas 24 horas. A ordem do centauro era quase impossível de ser cumprida, além de ter que encontrar e matar perigosos bandidos que já haviam desaparecido há anos, também deveria capturar o veado branco, o mesmo animal que fez os Pevensie acharem o caminho de volta para casa, o animal capaz de realizar qualquer desejo e era impossível ser caçado. Thomas era até capaz de cumprir com as tarefas, mas o tempo era cruel e injusto.

Mesmo assim ele aceitou e quase conseguiu, pois matou os 5 foragidos e trouxe suas cabeças como prova, pedindo muita ajuda ao deus dos arquelandeses por mais difícil de se acreditar ele também conseguiu capturar o veado branco, pois nas primeiras 14 horas cuidou da parte dos bandidos e nas outras 10 conseguiu capturar o veado. Thomas poderia muito bem fazer um pedido para que deixassem sua família em paz para sempre, mas com ele foram uns cinco soldados para impedí-lo de fazer isso. Assim que Thomas colocou as mãos no animal os soldados se apoderaram dele.

Muito feliz e radiante o rapaz foi até o quartel general acreditando que teria sua esposa e filha de volta, pois tinha cumprido sua tarefa. Judá então entregou Sarah e Viviana, mas as entregou morta, friamente jogou o corpo das duas em cima de Thomas, Sarah tinha marcas de tortura por todo o corpo e Viviana tinha manchas roxas no pescoço. Completamente atordoado e chocado por tamanha maldade o arqueiro foi acorrentado e soube que seria castigado até aprender a obedecer Judá. Enquanto era arrastado até sua cela, Thomas caiu em si e teve um ataque de fúria, costumava ser um homem manso, mas o que aqueles narnianos fizeram não tinha perdão e o sangue de sua mulher e filha clamavam por vingança, então Thomas rápido como era, puxou uma adaga do cinturão de um soldado e lhe acertou o pescoço, com a mesma adaga abriu a garganta de mais um quatro soldados armados com espadas, na verdade todos tinham medo daquele homem. Thomas pegou um ferro ainda em brasas que era utilizado pelos ferreiros para construir armas e ameaçou um soldado dizendo que se não lhe tirasse as correntes lhe queimaria o rosto, assim que o soldado o soltou ele enfiou o ferro quente dentro do peito do soldado. O pelotão todo se alarmou, mas Thomas era um homem muito rápido, ágil e habilidoso, conseguiu recuperar seu arco e suas flechas e aí aconteceu a matança, às vezes ele fazia uns soldados de refém e assim foi matando um a um dos 100 soldados que estavam ali prestando serviço, definitivamente agora tinha batido seus récorde, mas ainda faltava se vingar de do General e de seu único filho, o rapaz que mais tarde tomaria seu lugar no exército narniano. Se Thomas era perigoso com uma adaga ou um pedaço de ferro, imagine com uma espada e um arco, conseguiu chegar até o general o pegando disprevinido enquanto ele fazia o pedido ao veado, mas o animal asustado pela invasão conseguiu fugir. Bufando de ódio Thomas lhe perguntou quem lhe dera permissão para comprá-lo como escravo e para fazer aquilo com sua vida, Judá que sempre invejou Caspian, jogou toda a culpa no rei, se fez de inocente dizendo que só estava cumprindo ordens. Thomas não conseguia acreditar em tudo o que ele dizia e em um ato de fúria pegou uma flecha e com ela rasgou o peito de Judá lhe arrancando o coração, Thomas pisou no coração de Judá até que todo o sangue saísse do órgão.

Como estava exausto e em breve reforços chegariam, Thomas decidiu acabar com a vingança por ali, mas prometeu para si mesmo que um dia se vingaria dos narnianos, mataria Caspian e o filho de Judá, e talvez faria Nárnia sentir o medo e a dor que ele sentiu.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.