As Crônicas de Calradia
6 Episódio 06 - Cerco em Ismirala
Notas iniciais
Sir Peter foi à direção de alguns nórdicos que avistou ao longe, junto a Peter Strauss. Eles estavam todos com mordaças na boca e com as mãos amarradas a uma árvore. Havia apenas um guarda os vigiando. Ao todo, eles eram um guerreiro, um soldado especial, três soldados, um arqueiro veterano e seis corsários do mar. Assim que Sir Peter se aproximou, o guarda largou suas armas.
– Eu me rendo! – disse o guarda. – Por favor, poupe minha vida, milorde.
– Porque eu deveria? – perguntou Peter, descendo do cavalo.
– Eu não tive opção de estar no exército de Boyar Meriga, milorde – disse ele. – Eu fui obrigado a estar aqui, uma vez que eu era um camponês antes desta guerra começar.
– Solte estes homens, Peter. Exceto os corsários que ali estão – disse Sir Peter, apontando para eles. – Quanto a você, soldado. Qual seu nome e de onde você é?
– Meu nome é Alessandro Saraiva, da cidade de Fisdnarr, milorde. – disse o guarda. – Tenho mulher e filhos para criar, mas fui obrigado a entrar nesta guerra que o Rei Yaroglek começou.
– Eu vejo verdade em seus olhos – disse Peter. – Mas eu não vi Boyar Druli no campo de batalha. Onde ele está?
– Boyar Meriga solicitou que ele me acompanhasse até este local e certificasse que eu cuidaria dos prisioneiros – disse Alessandro. – Mas assim que eu terminei de amarrar os prisioneiros na árvore, ele simplesmente fugiu na direção de seu castelo, escoltado por cinco de seus cavaleiros e me deixou aqui sozinho.
– Estes boyars são mesmo uns covardes! – exclamou Peter. – De qualquer maneira, obrigado pelas informações, soldado. Você é livre para voltar à sua família.
– Obrigado, milorde! – exclamou Alessandro. – Mas antes, deixe-me lhe dar mais uma informação em gratidão a sua cortesia. Quando eu estava calçando as botas de Boyar Meriga, eu o ouvi conversar com os outros dois boyars o objetivo deles aqui. Os boyars sabem que Rei Yaroglek é mantido prisioneiro em Sargoth, assim como sabem que há muitos lordes nórdicos cercando as muralhas do Castelo d’Ismirala. Eles tinham por objetivo destruir as plantações e matar vários camponeses que encontrassem pelas aldeias tendo em vista a perda econômica dos seus senhores. Com a fuga de Boyar Druli, é possível que eles retornem com mais exércitos e cerquem suas vilas e castelos enquanto os senhores estão ocupados no território deles.
– Sem dúvida é uma informação valiosa, Alessandro – disse Peter. – Agora vá. Mas tente não se envolver numa guerra novamente. Da próxima vez que nos encontrarmos em campo de batalha, talvez eu não seja tão misericordioso.
– Farei o possível para voltar a minha tranqüila vida como camponês, milorde – disse Alessandro, curvando-se para Peter com a mão no peito e virando-se para seguir seu caminho.
Enquanto Peter e Alessandro conversavam, Peter Strauss desamarrava os prisioneiros de Boyar Meriga, que pareciam estar cansados e famintos.
– Obrigado por nos libertar, milorde – disse o guerreiro nórdico, cuja patente era a maior dentre o grupo. – Se nós pudermos ajudar de alguma forma nosso salvador, nós o faremos.
– Vocês estão livres para fazer o que bem entenderem – disse Peter. – No entanto, eu possuo algumas vagas que poderiam ser preenchidas em meu exército. Se vocês estiverem dispostos a continuar lutando por seu reino, temos um encontro inadiável com o Castelo d’Ismirala.
– Já faz muito tempo que nós não nos imaginamos como camponeses. Se o senhor puder nos dar armas, nós lutaremos ao seu lado. Até que o senhor não necessite mais dos nossos serviços ou até que a morte nos leve – disse o guerreiro.
– Qual seu nome, guerreiro? – perguntou Peter.
– Eu me chamo Ralf Silver, milorde – disse o guerreiro. – Eu era o capitão da guarda do Castelo de Alburq, mas fui preso enquanto o defendia de um cerco. Agora, porém, minha lealdade pertence ao senhor.
– Muito bem, Ralf Silver – disse Peter. – Seja bem vindo ao meu exército.
– Perdoe-me interromper, senhor – disse Peter Strauss. – Mas e quanto aos corsários, o que faremos com eles?
– Você deve ter convivido algum tempo com estes corsários enquanto foi feito prisioneiro ao lado deles – disse Sir Peter dirigindo-se a Ralf. – O que acha que eles fariam conosco se estivéssemos no lugar deles e eles no nosso?
– Eles certamente nos matariam, milorde – disse Ralf.
– Neste caso, você já tem sua resposta, Peter. – Faça o que tiver de fazer e depois leve nossos novos soldados até o local onde Jeremus está. – disse Sir Peter, virando seu cavalo e cavalgando em direção a seu exército.
Desembainhando sua espada, Peter Strauss foi em direção aos corsários para dar-lhes seu destino. Enquanto isso, Jeremus cuidava dos feridos no local onde Sir Peter golpeou Boyar Meriga, onde os homens do exército já estavam reunindo-se com as pilhagens de armas e materiais que havia sido recolhida em campo de batalha. Os homens aplaudiam de pé seu líder, enquanto ele chegava a cavalo. Enquanto acenava para seu povo, Peter levava seu cavalo ao encontro de Boyar Meriga.
– Achou que seu exército poderia nos vencer, Meriga? – perguntou Peter.
– Vocês deram sorte! – disse Meriga, enquanto amarrado.
– Sorte? Rá! – exclamou Peter. – Nenhum de nossos homens foi sequer ferido durante a batalha. Se todas as nossas batalhas forem assim, logo venceremos esta guerra.
– Será? – perguntou Meriga. – Vocês realmente pensam que conseguirão suportar as flechas de nossos arqueiros e transpor nossos castelos endurecidos com a melhor rocha de toda Calradia?
– Sim, eu penso – disse Peter. – Amordacem sua boca. Não pretendo ouvir mais a voz deste homem durante a viagem.
Virando-se para seu exército, Peter levanta sua espada em sinal de vitória. Os homens, que bravamente lutaram durante a batalha, retribuíram o gesto levantando suas armas e gritando o mais alto que podiam, em honra ao homem que os liderava.
– Hoje nós mostramos que o povo nórdico não teme qualquer que seja a batalha! – gritou Peter, cavalgando ao redor de seu exército. – Hoje nós mostramos que em nossas veias corre o sangue de guerreiros que jamais cederão aos caprichos de covardes e opressores como este homem! – continuou, apontando sua espada para Meriga e batendo suas botas em seu cavalo, para que ele cavalgasse. – Porque nós somos nórdicos e um nórdico sempre honra o seu nome! – disse, levantando novamente sua espada.
Gritos continuavam a ser dados em honra a Sir Peter, que foi até Klaus para receber os relatórios de guerra. Com sua chegada, Klaus bate em seu peito, em sinal de respeito.
– Não tivemos sofremos nenhuma perda, milorde – disse Klaus. – Apenas ganhos. Nossos homens lutaram bravamente em seu nome e nós recolhemos muitas armas e armaduras no campo de batalha. Com exceção dos lordes, não houve sobreviventes.
– Ótimo – disse Sir Peter, descendo do cavalo. – Nós teremos mais seis homens no exército, que foram recrutados entre os prisioneiros de Meriga, incluindo um guerreiro nórdico de nome Ralf que já foi capitão da guarda do Castelo de Alburq. Acredito que ele poderá ser muito útil ao seu lado, lhe ajudando com a liderança do exército. Quero que faça amizade com ele.
– Farei isso, milorde – disse Klaus. – Mas e quanto a Boyar Belgaru? Devemos procurá-lo?
– Isto seria imprudente de nossa parte, Klaus – falou Peter. – Ele já deve estar longe. Além do mais, precisamos voltar ao cerco em Ismirala. Irya aguarda nosso retorno antes de começar o ataque.
– Certamente, milorde – disse Klaus. – Neste caso, prepararei as tropas.
– Os homens de fato lutaram bem – continuou Peter. – Eleve todos eles para uma graduação superior, a organização disto ficará ao seu critério.
– Sim, milorde – disse Klaus, batendo novamente em seu peito e mexendo sua cabeça em sinal de confirmação.
Com a defesa de Fearichen sendo bem sucedida, Sir Peter e seu exército repousaram por alguns minutos enquanto comiam e descansavam de sua vitória. Levando em conta todas as promoções, o exército agora contava com um Capitão, um médico, 08 guerreiros nórdicos, 17 soldados especiais nórdicos, 01 arqueiro veterano nórdico, 07 arqueiros nórdicos, 08 caçadores nórdicos e um guarda de prisioneiros, cujo título foi dado a Peter Strauss. Com todos os homens alimentados, o exército seguiu direção sudeste, para o acampamento de Sir Irya, próximo ao Castelo d’Ismirala. Chegando lá, Peter avistou os homens se preparando para a batalha e ordenou que Klaus conduzisse o exército até a frente de batalha, indo em direção ao marechal.
– Estou de volta, Sir Irya – disse Sir Peter, descendo de seu cavalo. – Decidi passar por aqui antes de cumprir a missão que o senhor me ordenara, mas vejo que já estão se preparando para invadir o castelo.
– Sim, meu sobrinho – disse Irya. – Chegamos à conclusão de que não devemos esperar mais para tomar o lugar. Nossos engenheiros já terminaram de construir as escadas e o exército de Sir Haeda está neste momento criando as estratégias possíveis para posicioná-la no lugar certo sem que eles possam retirá-la. Só estávamos esperando você.
– A propósito, Sir Irya – falou Peter. – Recebi a informação de que os exércitos vaegir pretendiam saquear nossas vilas com o intuito de decrescer nossa economia. Tenho razões para acreditar que Fearichen foi a primeira de muitas.
– É mais uma razão para atacarmos o quanto antes – disse Irya. – Fez algum prisioneiro dentre eles?
– Enfrentei Meriga e Belgaru, que estavam acompanhados do exército de Druli também. – respondeu Peter. – Druli nem sequer participou da batalha e Belgaru fugiu durante a batalha. Mas conseguimos prender Meriga e ele agora está sob a vigia de meu guarda de prisioneiros.
– Ótimo – disse Irya. – Está pronto para seguir com nosso combinado?
– Estou sim, marechal – disse Peter. – Ao seu sinal, nossos exércitos marcharão contra o inimigo.
– Nós nos dividiremos em pelotões de 30 homens – disse Irya. – Nós e todos os demais nobres iremos à frente. Assim que subirmos para a muralha, quero que vá até os arqueiros vaegirs e dê-lhes um destino justo.
– Pode contar comigo, Sir Irya – disse Peter. – Quando chegar a hora, eu farei o que tiver de fazer para facilitar a entrada do restante das tropas.
– Ótimo – disse Irya. – Nesse caso, acho que já podemos começar.
Com tudo preparado para a invasão, Sir Irya levantou sua espada e olhando para os lados começou a marchar na direção do castelo. Acompanhando-o, estavam os demais nobres presentes e os melhores homens de cada exército, incluindo Klaus que deixou Ralf para liderar os demais homens.
Por detrás das árvores gélidas das terras vaegirs, saía o primeiro pelotão do exército nórdico. Ferozes e destemidos, todos correram na direção do castelo, onde estava uma grande rampa que antes fora acoplada às muralhas do castelo pelos engenheiros de Sir Irya, que foram protegidos pelo exército de Haeda. Peter como sempre correu à frente do exército e foi o primeiro a pisar na grande rampa, elevando-se até o topo dela para invadir o castelo. Flechas voavam de um lado para outro, mas eram defendidas pelos escudos dos guerreiros que daquela batalha participavam.
Os primeiros infantes vaegirs, que lá dentro protegiam-se das flechas vindas dos arcos nórdicos, começaram a preparar-se para a batalha. O mais afoito deles foi à frente, posicionando-se para acertar Peter, mas ao ver flechas vindas em sua direção, teve medo e dando dois passos para trás, foi atingido na boca pela espada de Peter, num corte horizontal da esquerda para a direita, que o fez cair no chão dando início as mortes da batalha. Enfurecidos, os infantes vaegirs avançaram contra o exército nórdico, que subia a grande rampa para fazer cair o pequeno exército vaegir que lá estava.
Espadas e machados brandiram contra os escudos dos vários homens que defendiam e atacavam o castelo. Ao lado de Peter, estavam Sir Surdun e Sir Faarn que lutavam bravamente à frente de seu exército. Peter, numa rápida oportunidade que lhe surgiu, perfurou o peito de um dos homens e avançando para a ponta da muralha, pulou dela para entrar no castelo. Após alguns metros de queda, Peter rapidamente se desequilibrou, mas logo se ergueu e avançou para o centro do castelo, pegando seu arco. Neste meio tempo, Sir Surdun que enfurecido já havia matado alguns vaegirs, foi nocauteado com um golpe de espada que um vaegir veterano deu em seu rosto.
Com seu alvo em mente, Peter mirou seu arco contra um arqueiro vaegir que estava no topo da muralha atirando contra os exércitos nórdicos. Uma flecha voou do arco de Peter, atingindo o pescoço do arqueiro que rapidamente caiu. Sem perder tempo, Peter rapidamente colocou seu arco em suas costas e desembainhou novamente sua espada, correndo na direção de alguns homens que subiam as escadas. Enquanto alguns recrutas da guarda vaegir lhe atiravam pedras, Peter as defendia com seu escudo e continuava a avançar na direção do infante que tentava defender seu pelotão com um machado, que tentou golpeá-lo sem sucesso assim que Peter começava a subir as escadas da muralha.
Assim que sentiu o peso do machado inimigo em seu escudo, Peter ergueu sua espada e num corte vertical, fez sangrar o peito de seu adversário, deixando-o para trás. Outro infante, que possuía escudo e espada tentou atacar Peter com o mesmo golpe que ele havia feito, mas não teve sucesso uma vez que Peter levantou rapidamente seu escudo e defendeu-se do golpe. Enquanto isso, os exércitos nórdicos avançavam cada vez mais contra os guardas e muitos mortos eram deixados pelo caminho.
Tentando diminuir o número de inimigos, Peter tentou perfurar o peito do infante que o atacava, mas este defendeu seu golpe frontal com seu escudo, ao mesmo tempo em que recuava de costas. Continuando o confronto, o infante tentou novamente cortar Peter com sua espada, que deu um passo para trás, desviando do golpe e tentando dar-lhe um corte horizontal com a espada, que com uma esquiva do infante, bateu contra a parede da muralha. Numa tentativa desesperada de ferir Peter, o infante tenta lhe dar um golpe horizontal, que novamente é defendido pelo escudo de Peter, que sendo ainda mais rápido que das outras vezes, tira a espada por detrás do escudo e rasga-lhe o peito com mais um golpe horizontal.
Outro infante que estava por trás dele tenta-lhe diferir um golpe com sua clava, mas é facilmente defendido por Peter, que retribui seu ataque perfurando seu ombro esquerdo com sua espada. Assim que Peter sobe o último degrau, ele se depara com a visão dos demais homens do exército matando os últimos soldados que sobraram. O Castelo d’Ismirala havia sido tomado.
Do alto do castelo, o exército nórdico gritava e levantava suas armas para o céu, agradecendo por mais uma batalha. Os nobres reuniam-se no centro do castelo para comemorar sua tão esperada vitória e entravam no grande salão daquela casa, inclusive Sir Surdun que já se recuperava de seus ferimentos.
– Rá! – exclamou Sir Irya. – Esta invasão certamente ficará para a história como a mais fácil de todas as invasões de castelos em Calradia. Estes vaegirs são uma piada!
– Hahahaha! – riram todos.
– Eu não sei o que foi mais fácil – disse Haeda. – Erguer aquela rampa ou matar esses homens dentro de suas casas. Essa vitória foi facílima!
– Certamente, milordes – disse Peter. – Eu só precisei matar um arqueiro deles. E quando matei mais alguns poucos homens, estavam todos no chão.
– Hahahaha! – riram os demais lordes.
– É verdade, Sir Peter – disse Irya. – Mas isto talvez seja justificável, uma vez que não vi Boyar Doru dentro do castelo. É provável que ele tenha fugido com boa parte do exército ao ver a quantidade de homens que tínhamos sob nossas bandeiras.
– Ratos covardes! – exclamou Faarn. – É isso que eles são!
– Com certeza, Sir Faarn – disse Irya. – Mas bem... Agora tudo o que precisamos fazer é contar ao Rei Ragnar de nosso feito. Alguém se encarrega desta tarefa?
– Eu posso fazer isso, Sir Irya – adiantou-se Sir Surdun.
– Ótimo! – disse Irya.
Os lordes se cumprimentaram e riram de sua fácil conquista por mais um tempo, enquanto os engenheiros retiravam a rampa e os exércitos abriam os portões do castelo pela parte de dentro. Após algumas piadas e cumprimentos, Peter reuniu seu exército para dar procedimento às missões que Sir Irya lhe tinha deixado responsável.
Peter seguiu para sudeste, até Sumbuja como primeira parte de sua missão exploratória, mas lá não encontrou nenhum exército, então seguiu para o norte, onde estava a grande cidade de Curaw. Com o anoitecer, Peter decidiu acampar nas proximidades da cidade, mais precisamente na encosta do rio Pirash, e ordenou que alguns de seus homens entrassem disfarçadamente na cidade, com o intuito de coletar informações daquele lugar. Seu espião lhe trouxe informações assim que o dia amanheceu. A cidade tinha aproximadamente 300 homens fazendo sua guarda e Sir Marayirr, filho de Sir Turya, era feito prisioneiro lá dentro. Além disso, Peter se deparava com um problema simples, mas importante, pela primeira vez. Toda a sua comida havia acabado durante a noite.
Após pensar por alguns instantes, Peter raciocina que talvez não fosse possível ele conseguir disfarçar-se perante 300 homens da guarda vaegir e achou uma tolice tentar invadir o castelo, uma vez que suas tropas seriam dizimadas lá dentro. Sem muitas opções, Peter decidiu levar seu exército ainda com fome para o nordeste, seguindo a trilha da missão que lhe fora confiada. Chegando lá, Peter não encontra nenhum exército vaegir e indo até o ancião da aldeia, compra-lhe 50 cestas de pães e 50 cestas de frutas por 82 moedas de prata.
Ao sair da vila de Bazeck, Sir Peter e seu exército foram na direção oeste em busca de Sir Irya para relatar sobre suas descobertas. Ao chegar às proximidades do Castelo de Alburq, Peter avistou exércitos nórdicos seguindo para a direção nordeste e pensou que Sir Irya poderia estar liderando o exército, uma vez que o número de tropas era grande e ele era o marechal. Por sorte, era Irya que liderava os exércitos.
– Trago-lhe os relatórios que o senhor me pediu – disse Peter, cavalgando na direção de Irya.
– Pois bem... Quantos exércitos guardam estas cidades?
– Bazeck e Sumbuja não são guardados por nenhum exército ultimamente – disse Peter. – Quanto à Curaw, há uma estimativa de 300 guardas vigiando a cidade.
– É sem dúvida uma grande comitiva – disse Irya. – Obrigado, Sir Peter. Agora continuemos nossas patrulhas.
– Eu gostaria de falar sobre isso também, marechal – prosseguiu Peter. – Eu gostaria de saber se eu posso ir ver Rei Ragnar. Gostaria de falar uma coisa com ele.
– Não vejo problemas nisso, Sir Peter – disse Irya. – Eu estou indo para Wercheg para recrutar mais algumas tropas. Caso queira me encontrar, estarei lá nos próximos dias.
– Certo Sir Irya – disse Peter. – Eu o encontrarei assim que possível.
Peter seguiu viagem para sudoeste, com o intuito de ter uma audiência com Rei Ragnar. Ao anoitecer, ele acampou nas proximidades do Mar Alai, entre o Castelo de Alburq e sua vila, Fearichen. Ao amanhecer do dia, Peter continuou com sua viagem rumo a Sargoth. Enquanto Peter viajava, os exércitos nórdicos de Sir Irya, Sir Faarn, Sir Knudarr, Sir Harald, Sir Logarson, Sir Turegor e Sir Turya lutavam juntos contra o exército de Boyar Ralcha, que tentava destruir a aldeia de Ruvar. Devido à grande diferença no número de tropas, os homens de Boyar Ralcha rapidamente caíram e este foi feito prisioneiro por Sir Irya. Peter chegou à Sargoth algumas horas após o meio dia e dirigiu-se ao salão real assim que adentrou a cidade.
– Eu o saúdo, Rei Ragnar – disse Peter, batendo em seu peito e reverenciando seu rei.
– Seja bem vindo à minha casa, Peter – disse o Rei.
– Trago-lhe boas notícias, majestade – falou Peter. – Já estou com os seis guerreiros nórdicos que o senhor havia me solicitado. Neste momento, o capitão de meu exército está os apresentando para seus huskarls. Além disso, fiz-me vitorioso numa batalha contra Boyar Meriga e este agora é meu prisioneiro.
– São ótimas notícias, Peter – disse Ragnar. – Eu sabia que você teria a mesma força e coragem de seu pai no campo de batalha. Sir Surdun também falou muito bem de você quando veio contar sobre a conquista do Castelo d’Ismirala. Inclusive, ele me disse que você o ajudou numa batalha antes mesmo de jurar fidelidade a mim.
– É verdade, meu senhor – disse Peter. – Eu tenho me esforçado ultimamente para manter o nome da casa Heidmann como a mais forte de todas as casas nórdicas.
– Com exceção da casa Hryssur, é claro – disse Ragnar.
– Perdão, majestade – falou Peter. – Eu quis dizer... A mais forte casa dentre as casas comuns de nobres.
– Certamente, Peter – disse Ragnar. – A propósito, eu acredito que você tenha ficado um pouco confuso quando lhe dei o controle de Fearichen e não de Odasan, certo?
– Sim, majestade, eu fiquei – respondeu Peter.
– A verdade é que tenho planos para aquela aldeia. Então eu tomarei o controle dela até o retorno de seu pai.
– Não vejo problemas nisso, majestade – disse Peter. – Estou contente que tenha me dado o controle de Fearichen.
– Ótimo Peter – disse Ragnar. – Mas agora terei de retirar-me para meu quarto. Preciso saciar os prazeres de minha carne com algumas mulheres que o taverneiro me mandou.
– Compreensível majestade – disse Peter, batendo novamente em seu peito e retirando-se do salão.
Uma coisa interessante nas terras de Calradia é que os reis não se casavam. Alguns diziam que o motivo disto era a falta de confiança nas mulheres calradianas, uma vez que eles não gostariam de dividir seus reinos com qualquer que fosse a rainha. Outros diziam que eles apenas tinham ganância por várias mulheres e que não se viam com uma única. Muito pouco se sabe sobre isso, mas Peter de certa forma se incomodava com isto.
Peter viveu toda sua infância admirando o amor que seus pais tinham um pelo outro. Ele sonhava com o dia em que poderia casar-se e constituir uma família, deixando herdeiros que pudessem continuar com o legado de seu nome e de sua casa. Muito embora Peter já tenha se relacionado com algumas camponesas da cidade de Odasan enquanto adolescente, ele vivia na esperança de encontrar uma mulher que fizesse seu coração arder em paixão, de modo que o fizesse não olhar para mais ninguém.
Depois que saiu do salão, Peter foi até Klaus, que estava no mercado vendendo os itens que suas tropas pilharam nos campos de batalha.
– Milorde – disse Klaus, batendo em seu peito e reverenciando Peter. – Tomei a liberdade de vender os itens que conseguimos em batalha. E com o dinheiro comprei 50 sacos de peixes, 50 sacos de cereais e mais um cavalo de carga para carregar nossos alimentos.
– Sendo o capitão de minhas tropas, não vejo problemas em você fazer isso – disse Peter. – Sendo o capitão de minhas tropas,
– Tem uma mulher que não tirou o olho do senhor desde que saiu do salão real – disse ele, aproximando-se de Peter – disse Klaus, enquanto olhava fixamente para uma senhora que estava um pouco distante deles.
Virando-se para trás, Peter reconheceu a senhora como sendo a mesma que havia o alertado sobre a visita que poderia fazer à Lady Alfrun algumas noites atrás.
– Está tudo bem, Klaus – disse Peter. – Eu a conheço. Apenas vá até a hospedaria com todos os itens e pague quartos para os homens.
– Farei isso, milorde – disse Klaus batendo em seu peito novamente e se retirando.
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