As Crônicas de Calradia
2 Episódio 02 - Batalha entre Reis
Notas iniciais
Nas vésperas da nomeação de Peter Heidmann, Sir Irya recebeu uma carta o convocando para a batalha. O Castelo de Alburq, cujo protetor era seu irmão, Sir Knudarr, estava sendo sitiado pelos exércitos do Reino Vaegir. Na carta também dizia que, independente disto, a nomeação de Peter deveria ser feita e Albert deveria prosseguir com sua missão, mas Sir Irya deveria imediatamente dirigir-se até o campo de batalha, para se encontrar com Rei Ragnar e seu exército. Não vendo alternativa, Sir Irya preparou-se para a viagem e deixou a cidade sobre os cuidados temporários de Sir Albert, até que ele nomeasse seu filho e fosse em direção a Nordland. Assim que partiu, Sir Albert convocou Peter até o centro do castelo, cujas testemunhas de sua nomeação seriam apenas Lady Dria, sua irmã, e Lady Glunde, sua sobrinha. Sem muita demora, Peter ajoelhou-se perante seu pai.
– Peter Heidmann, filho de Albert e Suzana Heidmann. Estou eu aqui, Sir Albert, protetor do vilarejo de Odasan e vassalo de Rei Ragnar, suserano do Reino dos Nords, retirando minha espada e a apontando para você – disse Albert, desembainhando sua espada e a apontando para Peter. – na esperança que você honre os mitos e tradições do povo nórdico e faça seu juramento.
– Em nome da casa Heidmann, eu, Peter, juro consagrar minhas palavras, minhas armas, minha força e minha vida em defesa da honra, da bravura, da lealdade e da virtude.
– Jamais tenha medo de encarar seus inimigos, diga sempre a verdade, proteja aqueles que te seguirem e jamais desonre sua casa. Em nome do criador Skaberen e de nosso deus protetor, Hryssur – disse Albert, levantando sua espada para os céus. – Eu o nomeio – continuou, colocando a parte plana de sua espada em seu ombro direito – lorde da casa Heidmann – prosseguiu, colocando a parte plana de sua espada em seu ombro esquerdo. – Levante-se, Sir Peter. Que você possa carregar esta bandeira por todos os cantos deste mundo, até que seu período de 1000 anos nesta terra acabe.
– Eu o honrarei, meu pai – disse Peter, levantando-se.
– Tenho certeza disso meu filho. Como eu estarei fora, você usará o meu brasão. Na hora de fazê-la, lembre-se de seus detalhes. Metade azul, metade dourada, com cortes verticais em zigue-zague na cor branca – disse Albert, dando-lhe uma de suas bandeiras. – Tome este como exemplo. Agora vou indo... Adeus, meu filho.
– Adeus, meu pai. Obrigado por tudo que o senhor me ensinou. Mostre aos corsários do mar que em Calradia nós honramos nosso nome – disse Peter, apertando o antebraço do seu pai, em cumprimento.
– Eu mostrarei – disse Albert. – Adeus minha irmã, espero nos revermos logo – falou, dirigindo-se a Lady Dria.
– Adeus, irmão – disse Dria, abraçando-o.
– Cuide bem da sua mãe, Lady Glunde – disse Albert, sorrindo.
– Pode deixar tio – disse Glunde.
– Bom... Agora vou indo. Lembre-se, Peter, de reunir um pequeno exército e ir até Rei Ragnar para jurar fidelidade ao Reino dos Nords – disse Albert, enquanto saía do lugar.
– Sim, meu pai. Eu reunirei – falou Peter.
– Lady Dria, Lady Glunde... Até uma próxima oportunidade.
– Até, Peter – disseram.
Assim, Sir Albert saiu com seu exército de 200 homens, em direção ao porto de Wercheg. Peter, por outro lado, seguiu para Odasan, em busca de homens que pudessem seguí-lo. Ao cair da noite, ambos chegaram a seus destinos e Peter logo foi até o ancião de sua aldeia.
– Olá, Robert. Meu pai me nomeou nobre da casa Heidmann – disse Peter. – No entanto, ainda não possuo um exército. Você tem alguns homens que poderiam unir-se a mim? O pagamento será o justo. Darei 10 moedas de prata para cada homem que me seguir e mais uma moeda de prata por semana, cujo salário pode aumentar dependendo do desempenho deles.
– Oh sim, milorde. É o mesmo valor que seu pai pagava – disse Robert. – Veja... Esses cinco homens estavam esperando seu pai voltar de viagem para serem recrutados para o seu exército. Acredito que eles lhe servirão bem.
– Obrigado, Robert – disse Peter. – É melhor se prepararem, homens. Nós estamos em guerra. E assim que eu conseguir mais homens para o exército, nós entraremos nela. Mas esta noite, dormiremos aqui.
Assim, Peter foi até sua casa e abrigou os cinco recrutas nórdicos que fariam parte de seu exército. Enquanto isso, Albert saia do porto de Wercheg, com seus dois navios, junto a seus 200 homens e seu prisioneiro enjaulado.
– Adeus, Calradia – disse Albert, na popa de seu navio. – Espero poder vê-la em breve.
Um dos huskarls de Albert levou até ele o vaso com as cinzas de sua mulher, entregando para ele.
– Obrigado, huskarl – disse Albert, pegando o vaso e abrindo-o. – Minha querida esposa – disse Albert, enquanto jogava suas cinzas no mar. – Que Hryssur guie sua alma pelas águas e que você seja uma força para nossas preces.
Cabisbaixo, Albert foi para o quarto do capitão, onde pôde descansar durante sua viagem. Ao amanhecer, Peter ordenou que os homens carregassem um saco de peixes cada um e colocou mais 28 peixes em cima de um cavalo de carga, que foi com eles até Wercheg. Chegando lá, Peter foi até o mercado e comprou mais um cavalo de carga, um arco longo, uma aljava com 30 flechas de madeira, um escudo de madeira, onde solicitou a pintura de seu emblema, um capacete de senhor da guerra nórdico e uma luva de couro, que acompanhou sua bota e casacos, também de couro. Tudo lhe custou 20 moedas de ouro e 82 moedas de prata. Ao sair do mercado, Peter seguiu em direção à taberna para ver se havia algum homem disposto a seguí-lo. Lá ele encontrou um homem ruivo e metade careca que, ao cortar-se acidentalmente com uma faca enquanto comia, deixa escorrer um pouco de sangue azul.
– Não vejo seu emblema em suas roupas, imortal. Você não é um lorde, é? – disse Peter, sentando-se ao seu lado.
– Perdão, milorde – disse o homem. – Possuo sangue divino em meu corpo, no entanto minha família não era nobre. Meu nome é Jeremus. Venho das ilhas Gandig. Lá eu estudava para ser um médico e agora que estou formado, pretendo conseguir um emprego aqui nas terras nórdicas.
– Entendo – disse Peter. – Já ouvi falar sobre as ilhas Gandig. Bom... Eu acabo de me tornar lorde. Sou Sir Peter da casa Heidmann e procuro homens que se unam ao meu exército. Posso lhe garantir uma moeda de prata toda semana em que acompanhar meu exército, além de comida e estadia sempre que formos a algum lugar. Este salário pode aumentar de acordo com seu trabalho, no entanto devo-lhe perguntar se você conhece alguma arte de luta, pois deverá saber como se defender quando o inimigo vier.
– Bom... As coisas estão um pouco difíceis para mim, então aceitarei sua oferta, Sir Peter – disse Jeremus. – Posso lhe garantir que sei ferir um homem tanto quanto sei curá-lo. Apenas me dê um tempo para partir e me unirei a seu exército, milorde.
– Ótimo – disse Peter. – Eu irei até o castelo para almoçar e logo mais estarei aqui. Meus homens estão almoçando fora da taberna, junto às outras tropas do castelo. Assim que você terminar seu almoço, vá a procura deles. Todos carregam meu emblema no ombro.
– Sim, milorde – falou Jeremus. – Estarei com ele logo mais.
Peter levantou-se da cadeira e foi até o castelo de Wercheg, onde encontrou Lady Dria, que mostrava estar em desesperado. Assim que Peter se aproximou, Lady Dria foi abraçá-lo.
– Peter, meu sobrinho! – disse Lady Dria, segurando seus braços. – Você precisa me ajudar!
– O que foi que houve tia? – disse Peter, abraçando-a.
– É seu primo Bulba – disse, após abraçá-lo. – Sir Knudarr acaba de me dizer que ele foi feito prisioneiro do inimigo e está agora no Castelo de Slezkh, mas Knudarr perdeu todo seu exército na guerra e está ferido demais para tentar resgatá-lo. E Irya, meu marido, viajou para encontrar-se com Rei Ragnar e até agora não recebi notícias dele.
– Não se preocupe tia... – disse Peter. – Eu estou reunindo um exército. E irei resgatá-lo na calada da noite e seu filho voltará em segurança. Se eu encontrar com Sir Irya no caminho, eu pedirei para que ele venha até sua casa.
– Faça isso, meu sobrinho – disse Dria. – E tome cuidado! Não deixe que os guardas lhe vejam.
– Pode deixar tia – disse Peter. – sempre fui bom em andar durante a noite sem ser notado.
Assim, Peter foi atrás de seus homens e partiu em direção ao Castelo de Slezkh. Primeiro, passou pela aldeia de Ruvar, cujo senhor é Sir Aeric. Lá ele recrutou mais três nórdicos para seu exército. Enquanto isso, não muito distante dali, Rei Ragnar e Rei Yaroglek conversavam, enquanto seus exércitos acampavam um pouco distante deles.
– E então, Rei Ragnar, vai se render a nós? – perguntou Yaroglek.
– Jamais aceitarei uma humilhação como esta vinda de você – disse Ragnar. – Seu pai não lhe ensinou sobre as tradições de paz em Calradia?
– A era dos imortais terminou há mais de 50 anos, Rei Ragnar. – disse Yaroglek. – Já está na hora de alguém se proclamar rei das terras ao norte de Calradia. E você sabe muito bem que seu pai invadiu Calradia! A princípio, o lugar de vocês era em Nordland. Não aqui.
– As terras nórdicas estavam vazias quando chegamos aqui – disse Ragnar. – Nós construímos este lugar. Você mais do que ninguém deveria saber disto.
– Não importa – disse Yaroglek. – Você e seus nórdicos não têm chance alguma contra meus soldados. Meus arqueiros são conhecidos por nunca falhar contra um alvo e minha cavalaria massacrará seus homens antes sequer de você se dar conta disso. Se não se render agora eu ordenarei a meus homens que massacrem seu exército.
– Um nórdico nunca se rende, nem foge de uma batalha – disse Ragnar, subindo em seu cavalo. – É melhor que as espadas de seus homens estejam tão afiadas quanto sua língua, pois até o fim desta luta, o sangue de seu exército estará espalhado em nossos machados.
Rei Ragnar deu as costas a Rei Yaroglek e retornou até seu acampamento, onde também estava o exército de Sir Irya. Rei Yaroglek fez o mesmo. Ao chegar a seu acampamento, Rei Ragnar ordenou aos huskarls que soprassem seus chifres de boi, chamando os homens para a guerra que logo se posicionaram atrás de Rei Ragnar.
– É melhor que seus homens estejam prontos, Sir Irya – disse Ragnar, olhando para seu lado esquerdo.
– Eles estão. – disse Irya, desembainhando sua espada. – Vamos cortar algumas cabeças hoje, meu senhor?
– Não tenho interesse por prisioneiros – disse Ragnar. – O único que quero levar para Sargoth chama-se Yaroglek.
– Sendo assim, vou tratar de encharcar minha espada com sangue – disse Irya – Ao sinal do Rei, mostrem o inferno! – gritou enquanto olhava para seu exército, que estava à esquerda do exército de Ragnar.
Rei Ragnar tirou de suas costas um longo machado e apontando-o para cima, Rei Ragnar baixou-o num corte vertical, posicionando-o para frente. Então Rei Ragnar, Sir Irya e seus exércitos começaram a marchar em direção ao inimigo. Do outro lado do campo, Rei Yaroglek ordenou que sua tropa de cavalaria fosse à sua frente. Ao ver que apenas a cavalaria estava à frente, Rei Ragnar ordenou que todos parassem e se amontoassem uns próximos aos outros. Então correu junto a Sir Irya em direção aos cavaleiros. Alguns metros antes de se encontrarem, Rei Ragnar e Sir Irya separaram-se e correram para as extremidades do grupo de cavalaria, cortando a cabeça dos dois homens que estavam nas pontas. O grupo continuou avançando em direção ao exército de nórdicos que se mantiveram na posição designada, enquanto que Rei Ragnar e Sir Irya retornaram na direção de seu próprio exército.
Assim que se os cavaleiros vaegirs chegaram próximo ao exército de nórdicos, os huskarls que estavam à frente passaram a lançar vários arpões na direção dos cavalos, fazendo-os cair. O exército nórdico então avançou contra seus inimigos, massacrando-os sem dó. Do outro lado, Rei Yaroglek ficava enfurecido com o que presenciava e ordenou que seus arqueiros se preparassem. Chegando até seu exército que havia massacrado os cavaleiros vaegirs, Rei Ragnar e Sir Irya descem de seus cavalos e se posicionam lado a lado com seus huskarls.
– Formação contra arqueiros ao meu comando! – gritou Rei Ragnar. – Avancem!
O exército nórdico começou a correr na direção do exército vaegir, todos em uma mesma velocidade para manter suas formações. Do outro lado do campo, Rei Yaroglek dava um sorriso.
– Nórdicos tolos. Foi até sábio o que eles fizeram com seus arpões. Mas será que eles conseguiriam se defender de uma saraivada de flechas certeiras? – disse Yaroglek. – Arqueiros! – gritou ele, erguendo sua espada para o alto.
Os arqueiros, que estavam posicionados logo atrás da infantaria vaegir puxaram suas flechas e apontaram-nas para cima, com uma pequena curvatura que descia vagarosamente conforme o exército nórdico se aproximava.
– Atirar! – gritou Rei Yaroglek, apontando sua espada o exército.
– Formação! – gritou Ragnar, do outro lado do campo.
Os arqueiros vaegirs lançaram suas flechas no ar, fazendo uma saraivada. Enquanto isso, ao grito de seu rei, todos os nórdicos se abaixaram e posicionaram seus escudos para cima, exceto os huskarls que estavam à frente, que se abaixaram e posicionaram seu escudo à frente. Devido ao formato redondo de seus escudos, algumas flechas penetraram as pernas de alguns soldados, que as quebraram e continuaram andando em direção ao inimigo. Os que não foram atingidos continuaram correndo em sua direção.
– Nórdicos tolos! Tentando utilizar uma estratégia rhodok para se defender de flechas. – disse Yaroglek, posicionando novamente sua espada para o alto enquanto seus arqueiros recarregavam seus arcos. – Atirar! – gritou, baixando novamente sua espada.
– Formação! – gritou Ragnar, novamente.
Outra saraivada de flechas guiou-se contra os exércitos nórdicos, que novamente se pararam e abaixaram-se, posicionando seus escudos contra as flechas. As flechas novamente bateram em alguns dos soldados nórdicos e dessa vez, na panturrilha esquerda de Rei Ragnar, que a arrancou e a jogou no chão, enquanto se levantava. Ao ver que estavam próximos de chegar ao exército inimigo, Rei Ragnar olhou rapidamente para trás.
– Caçadores! – gritou Ragnar, ordenando que seus arqueiros atirassem suas flechas.
– Infantaria – gritou Rei Yaroglek. – Avante!
Enquanto os arqueiros de ambos os lados trocavam flechas, os dois exércitos avançavam um contra o outro. Assim que se aproximaram, os huskarls lançaram arpões no exército infante de Sir Yaroglek e logo pegaram seus machados para a batalha. Os exércitos se encontraram e sangue voou por toda a parte, causando mortes de ambos os lados. Muitas foram as flechas que voaram por cima dos exércitos e muitas espadas e machados brandiram, até que apenas Rei Yaroglek e alguns de seus arqueiros sobraram. Avançando sem piedade, os nórdicos correram sem medo contra o que sobrou do exército arqueiro de Rei Yaroglek que virou seu cavalo e tentou fugir, mas não teve sucesso graças às flechas dos arqueiros de Sir Irya que lhe derrubaram do cavalo.
– Esperem! – disse Ragnar, quando um dos huskarls levantou seu machado contra Yaroglek. – Esta honra só pertence a mim.
– Acha que pode me derrubar, Rei Ragnar? – disse Yaroglek. – Acha que pode usar apenas um machado contra um homem que utiliza espada e escudo?
– Sim, eu posso – disse Ragnar, aproximando-se de seu adversário e levantando seu grande machado todo constituído por ferro, segurando-o com ambas as mãos e o colocando ao seu lado direito.
– Que seja! – disse Yaroglek, levantando-se.
O exército de Ragnar e Irya afastou-se e formando um círculo, observaram a luta. Ragnar avançou contra Yaroglek e apoiando sua perna direita em uma rocha de tamanho médio, saltou em direção a ele dando um grito de bravura, com seu machado logo acima de sua cabeça e diferiu-lhe um golpe vertical. Numa tentativa desesperada, Yaroglek posicionou seu escudo para cima, que se partiu em dois quando o machado de Ragnar o atingiu, fazendo com que Yaroglek caia novamente no chão. Indefeso e desesperado, Yaroglek se levanta rapidamente a avança sua espada frontalmente contra a cabeça de Ragnar, para perfurá-la. Num movimento rápido, Ragnar inclina-se para trás e levanta seu machado, batendo na lâmina da espada com o cabo de ferro de seu grande machado, que a desviando para a sua direita, retorna seu machado contra Yaroglek, rasgando seu peitoral e ferindo seu peito. Yaroglek cai no chão e Ragnar volta a sua posição inicial, esperando que ele se levante.
Yaroglek, com raiva, se levanta respirando forte. E com um grito de bravura, segura suas espadas com suas duas mãos e avança contra Ragnar, num golpe vertical. Ragnar desvia de seu golpe apenas saltando para a esquerda e com um golpe vertical de seu machado fere o ombro direito de seu adversário, fazendo-lhe soltar a espada. Ao ver que estava indefeso, Yaroglek deu as costas para Ragnar e correu em direção a seu reino, mas foi impedido por Irya que segurou seu peitoral próximo a seu pescoço e o jogou no chão.
– Um verdadeiro rei luta à frente de seu exército e não por trás de seus homens – disse Ragnar. – Você não tem honra alguma Yaroglek. E agora vai apodrecer em minha prisão até que eu decida libertá-lo.
– Você se arrependerá por isso, Ragnar! – disse Yaroglek. – Meus fiéis vassalos perseguirão os seus até que todo o reino nórdico seja tomado.
– Não me faça rir, Yaroglek – disse Ragnar. – Seus homens não lutam com honra e por isso perderão todas as batalhas. Um verdadeiro rei de Calradia luta à frente de seu exército e não por trás dele. Agora, amarrem-no e usem alguma coisa para tampar sua boca. Não quero ouvi-lo desrespeitar o povo nórdico nem por um minuto – disse Ragnar a seus huskarls, virando suas costas para seu adversário e seguindo em direção a seu cavalo.
– Só se declara uma guerra quando há a certeza da vitória – disse Irya, seguindo em direção a Ragnar, para acompanhá-lo.
Enquanto isso, Peter passava por Jayek, aldeia de Sir Bulba, que ao dizer que estava indo resgatar seu barão, conseguiu mais cinco homens para seu exército, totalizando 13 recrutas nórdicos e um médico em seu exército. Ragnar e Irya tomaram caminhos diferentes. Ragnar foi à direção sudoeste, onde ficava Sargoth, seu lar e Irya, tomou a direção noroeste, onde ficava Wercheg. Ao cair da noite, Peter encontrou com Sir Irya em meio à estrada.
– Sir Irya – disse Peter, cumprimentando-o com a batida no peito. – Tenho notícias de sua casa.
– Olá, Sir Peter – disse Irya, retribuindo o gesto. – Vejo que seu pai já lhe nomeou Sir e que você já começou a recrutar um pequeno exército. O que acontece dentro de Wercheg?
– Não é dentro, é fora... – disse Peter. – Seu filho foi aprisionado pelo Reino Vaegir. Estou indo para o castelo, a pedido de minha tia, com o intuito de resgatá-lo na calada da noite.
– O que? – exclamou Irya. – Isso é um absurdo! Não posso acreditar que meu filho esteja preso. Bem... Acabo de voltar de uma batalha contra o exército de Rei Yaroglek está sendo prisioneiro de Rei Ragnar. E eu carrego Boyar Nelag como prisioneiro, cuja batalha eu venci antes desta. Se você não conseguir resgatá-lo de forma sadia, diga-lhes que ofereço Boyar Nelag em troca de meu filho.
– Farei isto, sir – disse Peter.
– A propósito. Rei Ragnar está indo para Sargoth e preciso enviar uma carta para um amigo que está lá – disse Irya, retirando a carta e mais uma bolsa com 30 moedas de prata. – Você pode levá-la para Sir Rayeck quando for jurar fidelidade a Rei Ragnar? Aqui estão algumas moedas, pela coragem de ir à busca de seu primo.
– Claro Sir Irya – disse Peter, pegando a carta e a bolsa. – Mas antes farei o que sua esposa me pediu. Obrigado, Sir Irya. Logo enviarei seu filho de volta em segurança.
– Confio em você, meu jovem – disse Irya, apertando o antebraço de Peter com sua mão. – Confio em você.
– Até mais, Sir Irya – disse Peter, retribuindo o aperto.
Peter foi até o Castelo de Alburq, lar de Sir Knudarr, onde descansou durante a noite com suas tropas. Durante a madrugada, Albert ordenou que lançassem a jaula do bandido em alto mar, condenando-o para sempre a viver seus 1000 anos agonizando em baixo d’água. Ao amanhecer, Peter partiu com seu pequeno exército para o Castelo de Slezkh, mas ao chegar próximo ao Castelo de Jeirbe, cujo mestre é Boyar Vlan, Peter avistou um bando de 10 desertores vaegirs que corriam para cima de seu exército.
– Amarre os cavalos, Jeremus! – gritou Peter, pegando seu grande arco e correndo em direção aos bandidos.
Enquanto Peter e seus recrutas nórdicos corriam em direção ao grupo de bandidos inimigos, Jeremus amarrava os dois cavalos de carga a uma árvore do local. Peter que era o mais veloz de seus homens, logo alcançou a última árvore antes de um campo aberto, onde se abrigou e passou a lançar flechas nos homens que corriam em sua direção. Após atirar quatro flechas, Peter conseguiu acertar dois dos bandidos, tempo suficiente para que seu exército fosse à frente dele, em direção aos inimigos. Logo, Peter guardou seu arco e, pegando sua espada nórdica, correu na direção dos desertores. Enquanto seus homens lutavam com a maior parte deles, Peter diferiu um golpe horizontal de espada, vindo da esquerda para a direita, matando outro desertor. Ao término da batalha, dois recrutas nórdicos ficaram feridos e nenhum desertor sobreviveu.
– Jeremus, cuide das feridas desses dois homens. Veja se eles podem andar. Quanto aos outros, procurem por itens que possam nos servir e amontoem-nos nos cavalos de carga. Os peixes, vocês mesmos carregarão.
Os homens de Peter encontraram uma moeda de ouro e algumas moedas de prata, além de alguns escudos, espadas, machados, lanças e vestes. Após guardas suas armas e averiguar todos os itens, vendo que nada era melhor do que aquelas que ele já estava usando, Peter decidiu equipar Jeremus com alguns itens dos soldados, então lhe deu um grande escudo antigo que estava levemente fendido, uma espada nórdica e um capacete com pele. O resto ele distribuiu entre alguns homens que lutaram bravamente durante a batalha e lhes nomeou soldados nórdicos. Enquanto todos se vestiam e Jeremus tratava da ferida dos dois recrutas, outros 10 desertores avistaram o exército de Peter, correndo para cima deles assim que viram os corpos mortos. Ao ver eles se aproximando, Peter aponta para a outra direção e os mostra vindo.
– Quantos mais tentarão nos matar hoje? – disse Peter, retirando novamente seu arco de suas costas e indo em direção aos desertores. – Avante, homens!
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