As Crônicas da Tempestade

23 Capitulo 20 - Forte Qiuã


Notas iniciais
Pessoal desculpe a demora, estava sem pc aqui em casa! Espero que possam me desculpar...

Capítulo 20 — Forte Qiuã

Nação do Fogo, Províncias do Norte, Forte Qiuã

A lua irradiava a luz prateada sob a pradaria e a grama amarronzada típica da região ondulava ao sabor da brisa. Os passos velozes, porém, cautelosos, foram abafados pela chuva que caia furiosa sobre o forte. Um bando de vinte sombras cruzou a clareira em direção a maciça construção acinzentada a frente.

Pararam por um momento a fim de deixar a luz de um refletor passar alguns metros à frente, depois prosseguiram até os muros gigantescos. Ao sinal da líder o grupo se dispersou e seguiram em direção a cada uma das cinto torres de vigia. A líder conferiu o cronômetro fez outro sinal com pequenas fagulhas dando a ordem de ação. Imediatamente ganchos foram arremessados sobre a muralha e os agentes subiram com o máximo de silêncio possível.

A líder escalou rapidamente sem dificuldade e se içou para cima já desferindo um soco poderoso em um vigia nocauteando-o. Em seguida, antes que o outro guarda pudesse reagir, uma segunda sombra surgiu por trás e lhe cortou a garganta.

— Fase um concluída, senhora — uma voz disse pelo rádio — o Avatar já terminou na torre sudeste. Estamos prontos para avançar para os armazéns.

— Ótimo, queimem e filmem tudo, isso deve garantir o apoio das províncias nortenhas — Atakano respondeu — Estamos seguindo agora para o centro de comunicações. Esperem o meu sinal para avançarem para a fase dois, evitem ao máximo o combate, a prioridade é a destruição da carga sem haver baixas desnecessárias.

— Sim, senhora.

— Boa sorte, Buler — ela disse e desligou. Depois voltou-se para o soldado a sua frente — Deixe os veículos de fuga preparados, Ain. Estou com um mau pressentimento sobre isso, algo está errado. Raidou não deixaria Qiuã tão desprotegido assim...

Enquanto o soldado contactava a equipe de fuga, Atakano verificou o cronômetro, ainda estavam adiantados. Por fim os dois desceram as escadas e usaram a cobertura das sombras para se esconder, depois percorreram o pátio até o prédio principal lotado de guardas de vigia. Ela novamente conferiu o cronômetro. Estão atrasados! Ela bufou.

Nesse instante duas figuras desceram do nada bem em cima dos guardas e os abateram, em seguida arrastaram seu corpo para a escuridão. Atakano correu e se juntou a eles, que já haviam começado a despir os guardas. Sem perder tempo a líder da resistência trocou as vestes negras pela farda vermelha da Nação do Fogo e aguardou Ain terminar de se aprontar.

— Estamos no horário — ela informou aos companheiros — Vocês dois prossigam para o armazém nordeste e aguardem novas ordens. Fizeram um bom trabalho.

Os dois acenaram com a cabeça e partiram.

— Não posso acreditar que está realmente dando certo! — Ain comentou enquanto os dois assumiam a posição dos dois guardas anteriores. — Como você faz isso?

Yuzushi sorriu.

— É tudo questão de time, meu amigo. A sincronia é tudo...

Alguns minutos depois fora feita a troca da guarda, assim como Atakano esperava e ambos foram para a cantina onde lhes foi servida uma refeição escassa. Ainda bem que larguei o exército! Não aguentaria comer essa comida horrorosa! Ela pensou amargamente enquanto terminava de comer.

Depois foram dispensados, no entanto, ao invés de seguirem para os quarteis, viraram para a esquerda em direção a central de comunicação. Só mais alguns metros e a operação seria um sucesso e a resistência ganharia ainda mais força dos movimentos anti-guerras da nação.

Foi aí que tudo deu errado.

A esperando na sala de comunicações estava um contingente de dez soldados.

Lana andava de um lado para o outro ansiosa. A espera dava nos nervos, cada minuto passado aumentava as chances de serem descobertos pela Nação do Fogo. Ela tirou a máscara preta para respirar melhor e esfregou impaciente os cabelos castanhos. Será que aquela mulher era mesmo confiável? Bom, ao menos louca Lana tinha certeza de que era. O plano podia falhar de inúmeras formas, e ainda assim seguiam em frente com a simples frase: Relaxa, qualquer coisa a gente dá um jeito!

— Vejo que ainda é uma garotinha impaciente — uma voz conhecida disse por trás de dela.

Lana se virou para a muralha as suas costas. Iluminado pela luz pálida da lua, o jovem dominador de ar a fitava com um sorriso arrogante nos lábios.

— Ainda temos assuntos inacabados para resolver — ele acrescentou agora mais sério.

— Vou vingar a morte dos nômades do ar que foram massacrados em Kyoshi! — ela declarou.

Ele a encarou friamente:

— Quero ver tentar.

Uma rajada de fogo se projetou em direção a muralha. Dalai se esquivou saltando em um giro lateral pousando sobre do telhado do armazém onde Lana se encontrava. O Avatar investiu novamente com sequencias rápidas de jabs flamejantes, usando-os como cobertura para avançar enquanto eram dissipados pelo rapaz. Lana saltou se conectando com água da chuva ainda no ar descendo com um braço gigantesco de gelo espinhoso.

O dominador de ar mal conseguira saltar para o lado a tempo, se limitando a erguer o braço para evitar o golpe no rosto.

— Parece que andou treinando, princesa — sua voz se sobrepôs ao som da chuva.

— Eu vou te mandar para o inferno! — ele lançou novamente o braço contra Dalai. No entanto, dessa vez ele rebateu o gelo para o lado com uma esfera de ar e com ele Lana se desequilibrou. Comprimindo o ar nos pés, Dalai se projetou para frente em um instante com um soco no estomago de Lana a jogando alguns metros para trás. Mas o rapaz não lhe deu tempo para se recuperar caindo sobre ela com mais uma rajada cortante.

Lana rolou para o lado ainda desnorteada pela pancada e ergueu um muro de gelo, que foi rapidamente destruindo por um poderoso chute médio do rapaz. Lana então investiu com um soco flamejante fazendo-o recuar, para então se conectar com a água e moldar uma lança de gelo. Uma torrente de golpes caiu sobre Dalai, que só pôde evitá-los da melhor forma possível. Em um golpe lateral Lana riscou o rapaz do ombro direito à cintura.

— Kan deve estar orgulho de você — Dalai comentou sarcástico terminando de arrancar a camisa — Você luta melhor do que os netos merdinhas dele.

Lana deu um estocada, mas Dalai jogou o corpo para trás, em seguida levantando a perna e pisando na lança com uma rajada cortante. Depois girou nos calcanhares e acertou um chute giratório no rosto do Avatar a fazendo recuar alguns passos vendo estrelas.

— Não tente resistir, você está presa! — Dalai disse em guarda — É estranho demais dizer isso...

Nesse instante os pelos da nuca de Dalai se arrepiaram e virou bem a tempo de se desviar de um projetil de gelo atirado em sua direção. Outro convidado chegara à festa. Kaijin pulou no muro e deu impulso para agarrar e se içar para o telhado. Sua presença havia mudado desde a última vez em que se encontraram seis meses atrás.

— Você está ridículo com esse tapa olho, parece um estereótipo de pirata de quinta categoria — Dalai zombou.

Kaijin o encarou com ódio.

— Não me interesso por fanfarronices de um homem morto — ele disse simplesmente. — Você vai queimar junto com Qiuã.

Dalai sorriu.

— Sinto em dizer que seu plano falhou. A essa hora Atakano já deve estar sob custódia, não esperava que ela viesse pessoalmente, pra falar a verdade, mas é melhor assim.

Kaijin riu.

— Acha mesmo que Yuzushi Atakano seria capturada por alguns soldadinhos? — ele apontou com a cabeça para central.

Foi aí que ouve uma explosão e a parede do terceiro andar do prédio central veio abaixo com um estrondo violento. Pela abertura dava para ver Atakano e um outro rebelde duelando com mais oito soldados e Lian Fu de igual para igual.

— Você não é a única aberração de Valu, Dalai — Kaijin falou e em suas mãos se formaram machados de gelo. — Vamos dançar.

Kaijin arremessou a primeira lâmina de gelo em sua direção, sendo essa destruída por um chute de ar, depois avançou correndo. O golpe veio de baixo para cima sendo por pouco desviado e depois descendo de cima para baixo em uma velocidade assombrosa forçando Dalai a se jogar para trás em um rolamento já contra-atacando com uma rasteira que foi saltada.

Dalai se ergueu com um impulso de ar e em seguida se esquivou de outro golpe de machado. Pelas costas sentiu uma mudança na brisa e se esquivou de uma rajada de ar desferida por Lana. Dois contra um.

— Venham! — o Filho da Tempestade chamou — vamos brincar!

Lian Fu bloqueou outra bola de fogo. Ela ofegava e transpirava por de baixo da farda. Suas reservas de energia estavam no limite e seu corpo reagia mais por instinto do que pela razão. Mais um clarão e um soldado do fogo urrou de dor com o braço que acabara de ser despedaçado. Yuzushi Atakano era sem dúvidas uma mulher terrível. Cada golpe que desferia era friamente calculado para infligir dor a seu alvo e suas técnicas explosivas cruéis, armas de morte. Dos dez soldados de elite que trouxera com ela, oito estavam mortos ou feridos.

Lian Fu rolou para o lado e jogou uma rasteira flamejante nos inimigos. Atakano deu uma cambalhota para trás sem dificuldade, porém seu companheiro não teve tanta sorte e caiu já exausto. Atakano se baixou para tentar ajudá-lo e essa foi a abertura que Lian Fu precisava para avançar. A líder rebelde atirou várias bolas de fogo seguidas, mas não fora o suficiente para desacelerar a capitã que diminuía a distância do corredor.

Nesse momento o rebelde puxou das vestes uma faca e cravou em no próprio peito. Atakano sussurrou algumas palavras e se ergueu. Suas mãos tomaram um azulado e a energia do universo foi puxada para seu corpo se concentrando em suas mãos, depois em seus dedos. Ela mirou na mulher que corria em sua direção, mas no último momento levantou a mira e atirou no teto já degradado fazendo enormes cascalhos bloquearam o caminho.

— Merda! — Lian fu socou a parede. Enfiando a mão no bolso puxou o rádio e disse — Jee ela está indo na sua direção! Não a deixe escapar!

Atakano virou em outro corredor, dando impulso na parede e virou com um chute no peito de um soldado e seguiu correndo sem perder tempo. Como souberam do plano? Impossível que a informação simplesmente tivesse vazado! Até onde sabia havia desmascarado todos os espiões da Senhora... Raidou! Aquele desgraçado sempre tinha de se intrometer!

— Atenção todas as unidade: bater em retirada! Se dirigir ao local combinado — ela ordenou no rádio — Repetindo: bater em retirada, o plano... falhou.
Atakano arrombou a porta do porão e desceu as escadas já indo direto às grades de esgoto. Com a ponta do dedo formou uma chama concentrada e cortou as grades para poder passar.

— Parada onde está! — uma voz grave ordenou.

Ela se virou praguejando. Era um rapaz de não mais de 20 e poucos anos, em suas mãos uma arma de projeteis usadas por não dominadores. Os dois se encararam por um momento, o rapaz suava, o coração martelando no peito.

Atakano o fitou atônita alguns instantes depois ela se virou e entrou nos canos, deixando para trás um rapaz que não conseguiu atirar.

— Qual é a situação Jee? — Lian Fu perguntou no rádio — Jee! Qual a situação?

Jee só então abaixou a arma e respondeu ainda afetado:

— Ela fugiu.

Dalai agarrou o braço de Kaijin e o torceu desarmando-o, em seguida deu uma passada para suas costas e o jogou para trás. O Filho da Tempestade ofegava cansado. O corte no peito apesar de ser superficial não parava de sangrar.

Lana ensaiou outro ataque quando foi interrompida:

— Atenção todas as unidade: bater em retirada — Atakano falou — O plano falhou!

Lana trocou um olhar de concordância com Kaijin. O herdeiro da Tribo da Água aqueceu a água ao redor formando uma cortina de vapor e ambos desapareceram.

— Merda! — Dalai urrou para a neblina — Voltem aqui seus bastardos! Ainda não terminamos!

O comboio que chacoalhava de volta para Nitrus estava tão decadente quanto o humor dos sobreviventes amargurados pelo fracasso. Apenas sua líder estava com um sorriso no rosto.

— Finalmente eu te encontrei, Jee...